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Feliz ano novo aos amigos leitores

Tribunal determina saída de sete PMs do DF por notas fiscais adulteradas

Brasília é uma festa só. Lá esses ‘coronés’ que digo serem como a Rainha da Inglaterra por que não são vistos nas ruas trabalhando e sim bajulando políticos. Ladrões e cretinos e não é por que ganham pouco. Não faz muito tempo um grupo de CORONÉIS de verdade, ou seja, do Exército Brasileiro ajuizaram ação para terem salários iguais aos desses parasitas. Em todo o país esses ‘coronés’ geram prejuízos aos contribuintes. Aqui no Estado quando governado pela tYa, a paulistana um deles foi apanhado pelo Delegado de Polícia de Alvorada vez que subtraia telhas destinadas às vítimas de desastres e as vendia a bandidos como ele (comerciantes) na periferia de Porto Alegre. Esse ladrão em uma semana, isto mesmo, UMA SEMANA teve sua aposentadoria publicada no Diário Oficial. Eu que jamais me envolvi em condutas como essa esperei mais de TRÊS MESES para que minha aposentadoria fosse publicada. Não sei qual o destino dado a esse ladrão, pois nossos jornalistas omitem tais notícias já que com frequência ganham ‘diplominhas e medalhinhas’ em festas nos ditos quartéis. Isto só vai acabar quando terminamos com essas polícias militarizadas criando em lugar das mesmas as GUARDAS CIVIS.
O Editor
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11/06/2015 19h35 – Atualizado em 11/06/2015 19h35

Eles devem devolver R$ 300 mil usados como ajuda de custo; cabe recurso.
Policiais vão deixar cargo, mas permanecem na corporação, diz comando.
Do G1 DF

O Tribunal de Contas do Distrito Federal determinou a exoneração de sete policiais militares, quatro deles comandantes regionais de batalhões, por apresentarem notas fiscais adulteradas para comprovar gastos com transporte. Segundo a corte, os documentos foram usados durante um curso de aperfeiçoamento de oficiais na paraíba, em 2007. Cabe recurso da decisão.

Justiça condena cinco policiais do DF por extorsão a presos
Segundo o Comando-geral da Polícia Militar, ao determinação será cumprida. Os envolvidos serão exonerados dos cargos, mas vão permanecer na corporação.
Ao todo, os policiais envolvidos terão de devolver R$ 300 mil aos cofres públicos, segundo o tribunal. Entre os PMs, estão comandantes de batalhões de Brazlândia, da Papuda, do Gama e Ceilândia. Há ainda um policial da reserva, um oficial e um capitão.

Fonte: http://g1.globo.com/distrito-federal/noticia/2015/06/tribunal-determina-saida-de-sete-pms-do-df-por-notas-fiscais-adulteradas.html

Homem que atirou e queimou um policial militar é condenado a 20 anos de prisão

Para crimes como esse a pena não poderia ser menor do que 30 anos em regime integralmente fechado. Necessário, pois uma reforma na legislação penal e igualmente na processual. Não menos necessária é uma completa reforma do sistema penitenciário, pois como está hoje não recupera a ninguém.
O Editor
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GUARDA MORTO

O PM foi morto com 22 tiros e teve o corpo queimado. (Foto: Reprodução)

10 DE FEVEREIRO DE 2016 11:30

Wagner Domingues, conhecido como “WD”, foi condenado a 20 anos e cinco meses de prisão pela morte de um PM (policial militar) de São Vicente, no litoral de São Paulo. O corpo do PM foi esquartejado e encontrado queimado em um lixão da cidade. O julgamento durou mais de dez horas e terminou depois da meia noite.

O crime aconteceu no dia 5 de outubro de 2013, quando o policial militar Leandro do Nascimento Carvalho, um ex-sargento da Aeronáutica e um Guarda Municipal fo10ram até um baile funk no Dique do Sambaiatuba, em São Vicente. O trio foi reconhecido por criminosos.

O PM foi morto com 22 tiros e teve o corpo queimado. O ex-sargento levou um tiro no pescoço e ficou paraplégico. O Júri foi formado por cinco mulheres e dois homens. Na saída do Fórum a sensação da família era de que a Justiça foi feita. “O alívio na verdade seria ter meu irmão aqui conosco, mas sabemos que a primeira angústia já passou”, disse o irmão do PM ao fim do julgamento. (AG)

Fonte: http://www.osul.com.br/homem-que-atirou-e-queimou-um-policial-militar-e-condenado-a-20-anos-de-prisao/

Merkel irritada com o Papa

Esse argentino eleito rei no império do vaticano é debochado e provocador. Quando veio ao nosso país, frente às câmeras de TV ergueu os braços e disse: não trago prata nem ouro. O império que ele hoje comanda por que eleito, junto com espanhóis e portugueses roubou o quanto pode em nosso continente. Ainda hoje os povos ROUBADOS culpam espanhóis e portugueses e levam esses bandidos livres como se eles nada tivessem a ver com referidos saques. Os judeus querem o fígado do povo alemão pelo estrago feito por Hitler a quase CINQUENTA milhões de vítimas da última grande guerra, mas esquecem de que esse maldito império ao longo de séculos os queimava vivos a menos que se convertessem ao mesmo. Nosso ancestral ao criar religiões e a moeda como instrumento de troca fez uma cagada ímpar. Triste, mas verdade incontestável.
O Editor

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Alemanha nega telefonema entre a chanceler federal Angela Merkel e o papa Francisco. Na ligação, Merkel teria mostrado irritação com o pontífice por ele comparar a Europa a uma mulher que não pode mais ter filhos. O incidente teria sido contado por Francisco a visitantes do Vaticano.

Fonte: www.AffonsoRitter.com.br

Rui Falcão critica tentativa de linchamento moral de Lula

by Gastão Muri
Nunca antes neste País um ex-presidente da República foi tão caluniado, difamado, injuriado e atacado como o companheiro Lula. Inconformado com sua aprovação inédita ao deixar o governo, o consórcio entre a oposição reacionária, a mídia monopolizada e setores do aparelho de Estado capturados pela direita quer convertê-lo em vilão.
O legado de realizações a favor dos mais pobres, a elevação do Brasil no cenário mundial, os sucessos na educação, na saúde, nos programas sociais, na área da infraestrutura, em seus oito anos na Presidência, precisa ser destruído para que Lula não possa retornar em 2018. Ainda que ele nunca tenha dito que pretende voltar.
A tentativa de linchamento político -– e moral – escora-se em denúncias sem provas, como virou moda no País nos últimos meses. Valem as versões, não os fatos. O dever da prova não é mais de quem acusa, mas de quem é acusado, delatado, caluniado. Como diz o professor Luiz Gonzaga Belluzzo, “primeiro aponta-se o criminoso, depois vasculha-se o crime”.
Por mais que as explicações desmintam a farsa ecoada pelos detratores de Lula, a mídia conservadora prossegue com o massacre de mentiras.
É tarefa da militância e de quem tem compromissos com a democracia combater a escalada golpista e o cerco criminoso ao Lula. Estou convencido, como já disse em recente inserção do PT na televisão, que, assim, mais uma vez a verdade triunfará sobre a mentira.
FONTE: Site do PT

*Não sou petista, mas faço questão de publicar este artigo do presidente nacional do PT, Rui Falcão, em razão da série de notícias veiculadas por emissoras de televisão, uma campanha disfarçada para desmoralizar Lula. As investigações prosseguem e podem apontar o que seria um esquema criminoso, mas até agora são apenas suposições.

Fonte: https://gastao30.wordpress.com/2016/02/10/rui-falcao-critica-tentativa-de-linchamento-moral-de-lula/

Ações europeias desabam

Observo que tais problemas afetam não somente a nós brasileiros, mas a todos no planeta. As economias derretem, o clima desandou e não há mais como freá-lo, pois nossa espécie não enxerga além de um palmo à frente do nariz. A situação que enfrentamos é irreversível e creio que em menos de dois séculos a vida como a conhecemos deixe de existir. Não só creio como estou certo disto, infelizmente.
O Editor
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As ações europeias caíram pela sétima sessão seguida nesta terça-feira (09), novamente puxada pelo desempenho negativo dos bancos. Com isso, as principais Bolsas da região também terminaram o dia no negativo. O índice das principais ações da Europa, o FTSEurofirst 300, perdeu 1,6%, a 1.219 pontos, após chegar a cair 2,6% durante o dia, menor nível desde setembro de 2013. O índice europeu de bancos caiu 4% nesta sessão. Essa foi também a sétima queda seguida dos bancos, a pior perda semanal desde 1998. Investidores estão preocupados com a ameaça à lucratividade dos bancos por causa das baixas taxas de juros na Europa. Analistas disseram que o setor estava propenso a uma fraqueza adicional a curto prazo. As ações do Deutsche Bank caíram 4,3%, depois de recuarem 9,5% na segunda-feira decorrente das preocupações de sua capacidade em manter o pagamento de títulos. Ainda no setor bancário, o UniCredit caiu 7,9% mas com resultados melhores do que o esperado incapazes de tranquilizar investidores. Credit Suisse, UBS e Barclays tiveram quedas entre 4,6 e 8,4%. Na verdade, o que acontece é que, após os excessos dos últimos meses, os preços das ações somente estão se aproximando da realidade. Antes de voltar a melhorar, eles ainda vão continuar piorar por algum tempo. Assim, para quem está dormindo mal, é melhor não consultar a cotação das ações no momento. Para os demais, o que vale é manter a calma, fechar os olhos e bola para frente.

Fonte: www.AffonsoRitter.com.br

Senado joga nosso dinheiro pela janela

Temos 81 Senadores, isto contando com o terceiro Senador criado na ditadura para que nomeando quem lhe convinha pudesse a ditadura controlar aquela Casa Legislativa. Pare servir a esses oitenta e um Senadores há, acreditem nada mais nada menos do que 6.000 funcionários.
O Senado acaba de fechar contrato de locação de veículos luxuosos ao uso dos seus membros ao custo de R$ 1.700.000,00
Referidos veículos estarão à disposição de tão importantes cidadãos de terça-feira a quinta-feira ao final do expediente quando todos eles retornam aos seus Estados. Eles trabalham de terça até quinta-feira.
Vergonha na cara por certo eles não têm. E o que dizer dos que os elegem?

Saiba para que servem e como são financiados institutos de ex-presidentes

Márcio Padrão

Do UOL, em São Paulo 06/07/201506h00 > Atualizada 16/07/201522h55

Conheça os institutos dos ex-presidentes Lula, FHC, Itamar e Sarney29

22.jun.2015 –

Lula realiza a conferência “Novos desafios da democracia”, seguida de debate com o ex-presidente da Espanha, Felipe González Heinrich Aikawa/Instituto Lula
Após a informação de que a Camargo Corrêa –empreiteira investigada na operação Lava Jato– doou R$ 3 milhões ao Instituto Lula entre 2011 e 2013, divulgada no começo deste mês, esse tipo de entidade ganhou destaque no noticiário. Atualmente no Brasil há três institutos e fundações de ex-presidentes. Além de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010), Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e Itamar Franco (1992-1994) também emprestam seus nomes a organizações similares.

Inspirados em institutos de ex-presidentes dos Estados Unidos, Europa e África, as fundações brasileiras têm como objetivo difundir o legado e o pensamento político de seus patronos, além de arquivar e expor bibliografias, diplomas e outros objetos que remetem à história desses políticos.

Os institutos de Lula e FHC são organizações privadas com sede em São Paulo. Segundo seus gestores, a verba vem de doações de empresas e pessoas físicas, além de recursos captados via Lei Rouanet (no caso da Fundação Instituto FHC), com isenção de impostos a empresas. As entidades não informam oficialmente os doadores ou os valores dessas doações. Já o Instituto Itamar Franco é financiado pelo governo federal após ter doado seu inventário à Universidade Federal de Juiz de Fora (MG), em 2010.

Enquanto o Instituto Lula diz em seu site que “declara suas movimentações à Receita Federal e cumpre todas suas obrigações tributárias”, o superintendente da Fundação Instituto FHC, Sérgio Fausto, informou que “as contas são auditadas e anualmente as informações contábeis são enviadas à Curadoria de Fundações do Ministério Público de São Paulo”.

Denúncias apontaram que além da Camargo Correa, a Odebrecht, outra construtora citada na Lava Jato, doou para o Instituto Lula. “Várias empresas contribuíram para o instituto, mas são contribuições legais”, disse o presidente, Paulo Okamotto, que deverá ser convocado para depor na CPI da Petrobras. Em retaliação à convocação de Okamotto à CPI, o deputado Jorge Solla (PT-BA) protocolou pedidos de convocação e quebras dos sigilos fiscal, bancário e telefônico de Sérgio Fausto.

O ex-presidente José Sarney (1985-1990) chegou a criar no Maranhão a FMRB (Fundação da Memória Republicana Brasileira) em 1990, depois rebatizando-a em 2000 como Fundação José Sarney. A entidade privada entrou em processo (ainda não concluído) de liquidação em 2011 e foi estatizada no mesmo ano em uma decisão da então governadora Roseana Sarney, filha de José Sarney. Entre denúncias e irregularidades ao longo dos anos, voltou a se chamar FMRB, com o acervo do ex-presidente guardado no Convento das Mercês, prédio histórico de São Luís datado do século 17.

Importância
Na opinião dos professores de ciência política ouvidos pelo UOL, instituições como essas são importantes para preservar parte da história e da política do país. O financiamento via doações de empresas também não é prejudicial a princípio, se realizado de forma lícita.

“São uma fonte muito grande de pesquisa. Lá nos Estados Unidos essas organizações buscam participação maciça da iniciativa privada, e o Estado se retrai. Aqui no Brasil, instrumentos de renúncia fiscal (como a lei Rouanet) fazem todo sentido de ser usados. Não dá para comparar a realidade política americana com a brasileira”, explica João Paulo Machado Peixoto, da UnB (Universidade de Brasília).

“Os ex-presidentes têm influência, e isso abre portas. Por isso grandes empresas querem contar com a influência deles. A princípio existe uma certa histeria nessa questão dos recursos privados, mas na minha opinião, não tenho nenhuma restrição. Já fui a institutos sobre Lyndon Johnson e Bill Clinton nos EUA, e todos recebem muitos recursos”, defende Leonardo Avritzer, professor da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

Lula
Surgido em 2011, o Instituto Lula foca em atividades de cooperação e estímulo às políticas públicas de países da África e a América Latina – a Fundação Nelson Mandela, na África do Sul, é citada como uma das principais influências. A sede do instituto, no bairro paulistano do Ipiranga, guarda acervo sobre a vida política de seu patrono, mas o conteúdo ainda está sendo classificado e recuperado para futuras exposições.

Alguns dos recentes eventos promovidos pela instituição discutiram temas como a aplicação do Plano Nacional de Educação (PNE); os seminários “Conversas Sobre África”, sobre as conexões entre o Brasil e o continente africano, como o combate ao racismo; o potencial do Brasil para investimentos externos, no qual Lula falou com empresários franceses; e um encontro com o ex-primeiro-ministro da Espanha Felipe González, do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), onde Lula reclamou que o PT atualmente “perdeu um pouco da utopia. A gente só pensa em cargo, em ser eleito”.

FHC
Fernando Henrique Cardoso criou seu instituto em 2004 inicialmente para arquivar documentos referentes ao seu mandato, para cumprir a Lei nº 8.394, de 1991, que determina que ex-presidentes devem ficar responsáveis por esse conteúdo. A entidade também promove discussões sobre política no âmbito nacional e mundial, como a repressão no governo da Turquia, o ano eleitoral na Argentina e o enfrentamento da crise hídrica de São Paulo, com a presença de Jerson Kelman, presidente da Sabesp.

O Instituto FHC possui ainda uma biblioteca de 17 mil livros e 230 mil negativos de fotos, além de organizar a exposição fixa “Um Plano Real”, que aborda fases da economia brasileira que culminaram no plano lançado pelo tucano e na troca de moeda, em 1994; e o próprio Fernando Henrique Cardoso ministra os chamados “Diálogos com um presidente”, que são encontros periódicos onde estudantes do ensino médio fazem diversas perguntas a FHC sobre temas diversos, da legalização da maconha às privatizações.

Itamar Franco
Criado em 2002, o Instituto Itamar Franco é o mais antigo das quatro entidades. No entanto, sua atuação até o momento está limitada à manutenção do inventário do ex-presidente morto em 2011, com mais de 102 mil correspondências e mais de 7 mil títulos do acervo bibliográfico, além de hemeroteca, arquivo de imagem e objetos pessoais. A Universidade Federal de Juiz de Fora está construindo um prédio de 815 m², ainda sem data para ficar pronto, para disponibilizar o material ao público e promover discussões sobre políticas públicas.

Sarney
As polêmicas envolvendo a Fundação José Sarney começaram em 2005. Na ocasião, uma lei estadual que despejava Fundação Sarney do Convento das Mercês. O então senador Sarney contestou no Supremo Tribunal Federal, que deu uma liminar que garantiu a permanência da fundação no local.

A entidade foi alvo de denúncia em 2010, quando a CGU (Controladoria Geral da União) identificou desvio de R$ 129 mil de recursos advindos da Petrobras. Depois, já como FMRB, foi investigada em 2013 por problemas da liquidação da organização privada original e contas infladas. No início deste ano, após a posse do novo governador Flávio Dino (PC do B), seus 48 funcionários foram exonerados e 21 deles foram renomeados pouco depois.

No acervo consta 1 milhão de documentos sobre o ex-presidente, além de 35 mil livros, 4 mil objetos museológicos (como peças sacras, trajes e condecorações de Sarney) e 20 mil itens audiovisuais. “Parte está em reserva técnica, parte em exposição”, disse o atual presidente da FMRB, Valdênio Caminha.

Seu conselho curador é composto por representantes do governo do Maranhão, da Academia Maranhense de Letras, de funcionários do museu, da Federação das Indústrias do Maranhão e duas vagas para “pessoas indicadas pelo patrono” José Sarney, segundo a lei 9.479/2011. Em caso de morte de Sarney, as vagas serão preenchidas via “indicação dos herdeiros e/ou sucessores do patrono”.

Fonte: http://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2015/07/06/saiba-para-que-serve-e-quem-financia-os-institutos-de-ex-presidentes.htm

Decreto tira nome de Sarney de escolas no Maranhão

Estadão Conteúdo Em São Luís 09/02/201609h54

JOSE RIBAMAR DE ARAUJO COSTA

Reprodução/BBC Brasil

O ex-presidente José Sarney foi o campeão em perdas de homenagens
Sarney, Murad, Castelo e Lobão são nomes comuns em prédios públicos de escolas e outras áreas do Estado do Maranhão. Porém, essa realidade vai mudar.

Em 2015, ao assumir o governo, Flávio Dino (PCdoB) proibiu que o patrimônio estadual receba o “batismo” de pessoas vivas e também vetou que os bens públicos sejam nomeados em homenagem a pessoas responsabilizadas por violações aos Direitos Humanos durante o regime militar.

Esta foi uma das primeiras medidas anunciadas pelo governador em 1º de janeiro do ano passado.

Um ano depois, Flávio Dino por meio do decreto 31.4690, assinado no dia 4 de janeiro e publicado no Diário Oficial do Estado de 14 de janeiro, trocou as denominações de 37 estabelecimentos da rede estadual de ensino que homenageavam pessoas vivas e deu a eles nomes de personalidades que já morreram – professores, religiosos, políticos (como os ex-deputados João Evangelista e Júlio Monteles) e até mesmo o cientista alemão Albert Einstein.

O campeão em perdas de homenagens foi o ex-presidente José Sarney (PMDB-AP), que exerceu também os cargos de governador do Maranhão, deputado federal, senador da República e presidente do Congresso Nacional – Sarney também é membro das academias de letras do Brasil (ABL) e do Maranhão (AML).

No total, o ex-presidente do Senado perdeu sete homenagens em diferentes municípios maranhenses. Sarney não foi o único a perder as homenagens.

Os ex-governadores Edison Lobão – atual senador e ex-ministro de Minas e Energia – (três), Roseana Sarney (três), João Alberto de Souza (duas) e João Castelo (uma) também tiveram seus nomes trocados, assim como a ex-secretária de Educação Leda Tajra (cinco), o ex-deputado federal e ex-proprietário da Rádio e TV Difusora Magno Bacelar, o ex-vice-presidente da República e ex-governador de Pernambuco Marco Maciel.

Além dos políticos, também perdeu a homenagem o poeta Ferreira Gullar, membro da Academia Brasileira de Letras.

Militares
Em março de 2015, Flávio Dino, alegando não haver motivos para se homenagear “ditadores”, tirou os nomes dos ex-presidentes militares de vários estabelecimentos de ensino. Na oportunidade, os ex-presidentes Castelo Branco, Emílio Garrastazu Médici e Arthur Costa e Silva perderam as homenagens conferidas em dez escolas e cidades diferentes.

O governador justifica em seu decreto que promoveu as mudanças em obediência aos os incisos III e V do Art. 64 da Constituição Estadual. Segundo o governo, a medida também pretende regular algo que é constitucionalmente previsto e que deveria ser cumprido conforme a Lei Federal n.º 6.454, de 1977.

As informações são do jornal “O Estado de S. Paulo”.

Fonte: http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2016/02/09/decreto-tira-nome-de-sarney-de-escolas-no-maranhao.htm

Tao Golin aponta deformação histórica que atrasa o Rio Grande

9 de fevereiro de 2016 Manchetes Autor: Elmar Bones

Pintura do francês Litran a serviço de uma idealização da cavalaria farroupilha.

PINTURA GAUCHA

Pintura do francês Litran a serviço de uma idealização da cavalaria farroupilha.
Uma das matérias importantes que passaram batidas no carnaval é a entrevista do historiador Tao Golin à Zero Hora no domingo.

Ele toca num dos nervos expostos da crise do Rio Grande do Sul: a construção histórica que produziu o “centauro dos pampas”, o “monarca das coxilhas”, o “cavaleiro alegre, disserto e valente”.

Um mito que atribui ao gaúcho a cavalo uma dimensão que ele não teve.

O novo livro de Tao Golin mostra que foram as forças navais, mais que a pata do cavalo, que garantiram a configuração do Estado nas disputas com a Espanha.

Mesmo na guerra dos farrapos, foram as vias navegáveis, descuidadas pelos rebeldes, que deram vantagem ao Império, a começar pelo desastre da Ilha do Fanfa.

Uma das consequências dessa deformaçao histórica é o abandono da navegação, num estado que tem a segunda maior rede navegável do Brasil.

Tao Golin joga gasolina na foqueira, mais uma vez. Mas a reflexão que ele historiador propõe é imprescindível.

Guardei nos meus arquivos:

Tao Golin: “Na história rio-grandense, quem apostou no cavalo perdeu a guerra”

Historiador fala sobre a formação do Rio Grande do Sul e a relação dos gaúchos com o restante do Brasil

Por: Luiz Araújo

06/02/2016 – 15h02min

Foram forças navais, e não tropas terrestres baseadas no uso do cavalo, que configuraram o Rio Grande do Sul atual entre a metade e o final do século 18.

Essa tese, provocativa como é do feitio de seu autor, o historiador, professor e jornalista Tau Golin, é a pedra-de-toque do livro A Fronteira — 1763-1778, terceiro tomo de uma trilogia dedicada às guerras sulinas entre Portugal e Espanha.

O local escolhido por Golin para falar a Zero Hora sobre esse e outros temas não poderia ser mais significativo: o barco — o terceiro de sua propriedade — que utiliza há oito anos para singrar a Lagoa dos Patos e o Atlântico.

O papel da navegação não é muito enfatizado na história rio-grandense. Como esse tema chamou sua atenção?

Não existiria Rio Grande do Sul sem navegação. Ela forneceu uma plataforma de ocupação, de povoamento e de movimentação na guerra. Do ponto de vista geopolítico, o Rio Grande é uma realização da navegação. Depois da navegação, houve o uso das armas da navegação em terra, que são a artilharia e a infantaria. A cavalaria sempre foi, na história do Rio Grande do Sul, uma arma auxiliar. Serviu para provocações de movimento e não teve funções de conquista. O papel da navegação era transportar tropas e assegurar pontos estratégicos, porque as distâncias eram muito longas. Quem esteve melhor preparado na navegação conquistou território. Quem baseou a ocupação no cavalo perdeu território — foi o caso dos espanhóis, que deram mais importância à cavalaria do que à infantaria e à artilharia em terra.

Em que momento essa opção se impôs?

Se tu pegares a história rio-grandense, desde as guerras ibéricas coloniais até as guerras do Estado-nação e, principalmente, as guerras civis do Rio Grande do Sul, quem apostou no cavalo perdeu a guerra. Isso começa com o uso do cavalo na Guerra da Cisplatina (1825-1828), que se deve muito a não pegar a experiência lusitana do período colonial — que apostava na navegação, na artilharia, na infantaria e nos granadeiros, que eram tropas de assalto, de elite — e entrar nesse devaneio oligárquico da cavalaria, do bando de agregados, que na história colonial sempre foi auxiliar, nunca teve papel estratégico. A primeira perda significativa foi na Guerra da Cisplatina. Os farrapos perderam em função do cavalo. Em 1893, os maragatos nem chegaram a ameaçar o governo do Partido Republicano Rio-grandense (PRR). Usavam cavalos de campo, imprestáveis para a guerra, sem resistência. O cavalo militar é diferente, preparado para a guerra, a começar pela alimentação. Esse cavalo a campo não tem resistência. Precisa de muita peonada para levá-lo para o pasto. Não tem precisão na guerra. Tanto é que a cavalaria maragata geralmente era enfrentada pela Brigada Militar com formações antiquíssimas, como o quadrado romano, que vem da Antiguidade — a diferença era que usavam armas de fogo em vez de flechas e lanças. Na história contemporânea, o cavalo só se presta para patrulhamento de grandes distâncias e para reprimir manifestações públicas de estudantes e operários, numa mentalidade de covardia. Mas com algumas bolitas, pregos e bombinhas, você anula essa força. É uma arma completamente inútil. A cavalaria, contemporaneamente, é a arma dos covardes, dos prevalecidos.

Ninguém apontou outro caminho?

Não, por uma questão de classe social. O poder político e econômico da oligarquia rio-grandense estabeleceu uma mentalidade estratégica de defesa da propriedade. Militarmente, era um cérebro diminuto, que, em primeiro lugar, tinha essa preocupação camponesa de defesa dos próprios bens. Não tinha uma cultura totalizante voltada à formação do Estado, da sociedade e do lugar das armas. O imaginário dessa oligarquia foi historicamente reduzido ao universo do latifúndio escravista e, depois da república, excludente. Esse acabou sendo o tamanho de sua imaginação: o de um homem no lombo de um cavalo dentro de uma propriedade latifundiária. Perdeu a cultura estratégica lusitana, que tinha barco, infantaria, artilharia, com granadeiros, e foi se reduzindo ao universo da defesa da propriedade, sem imaginação militar.

Ainda assim, o caudilho maragato Gumercindo Saraiva tomou Curitiba na Revolução de 1893.

O universo de Gumercindo era esse: o da longa tradição da diversão e do movimento, sem considerar a possibilidade de uma batalha final. Não foi uma Revolução Federalista, e sim uma guerra civil, porque tinha apenas uma reivindicação política. Não tinha nenhuma proposta que mexesse nas estruturas da sociedade e das classes sociais. A cavalaria era algo adequado a essa gente. E, na verdade, nem cavalo tinham. Eram infantes sem a cultura dos infantes, sem a formação de regimentos, de pelotões, mais dados às escaramuças. Mesmo quando andavam a pé, o seu universo mental era o do cavalo. Essa foi a desgraça de todas as tropas que apostaram na cavalaria.

Recentemente, um grupo de cidadãos da Metade Sul divulgou um documento em favor da independência da Região Sul. Esse imaginário continua contribuindo para o atraso econômico e político do Rio Grande do Sul?

Sem dúvida. É o revir. Uso a categoria do revir, que é imaginar o presente e o futuro como uma reprodução do passado. São movimentos sociais sem devir.Isso vai levar a tudo isso que presenciamos: imaginar que são melhores, especiais, que fizeram parte de um passado glorioso. O ícone que abre essa plataforma socialmente imagética é o cavalo. Infelizmente, temos uma cultura no Rio Grande do Sul que tomou todos os setores públicos e que nos impede de ter uma força reformadora. Os funcionários públicos em geral, as pessoas que deveriam cuidar da modernização da infraestrutura, são prisioneiros desse mito de uma idade do latifúndio, baseada no cavalo. As soluções desse pessoal são todas tacanhas.

O que seria uma solução não tacanha?

Recuperar a vocação naval do Estado. Temos grandes rios e lagoas, que nos permitiriam ter, com investimento muito menor do que nas estradas, canais de navegação naturais, com eclusas, e artificiais. É baratíssimo frente às rodovias. Os franceses fizeram isso nos séculos 15 e 16, estabelecendo conexões entre o Mar do Norte e o Mediterrâneo a pá e picareta. O Estado não tem sequer uma secretaria que pense estrategicamente o uso das águas. Esses movimentos ficam chafurdando numa espécie de orgulho narcísico e purgam porque o Brasil e mesmo o governo de Porto Alegre não reconhecem sua grandiosa contribuição às fronteiras, à conquista dos territórios.

É uma brasilidade envergonhada?

Quem tem assumido essas bandeiras são indivíduos que vieram tardiamente para o Rio Grande do Sul. Esses movimentos querem ser gauchescos e, ao mesmo tempo, ter uma raiz europeia. Têm uma dupla cidadania simbólica. O que não querem ser é brasileiros. Esse gauchismo, em última instância, é um recurso de lesa-pátria, porque impede uma relação afetiva e concreta com a história brasileira. Ele aponta soluções fora da historicidade, como se nós, brasileiros, fôssemos incapazes de construir uma sociedade com um nível de civilidade superior. É por isso que, geralmente, as pessoas que estão com essas plataformas, quando não são militantes, namoram ideias de racismo e de preconceito. Essa cultura imobiliza e, ao mesmo tempo, impede que se crie uma inserção real com o passado brasileiro do Rio Grande do Sul. Possivelmente, o Rio Grande do Sul seja o Estado mais brasileiro que existe. Do ponto de vista da sua ideia de destino e da sua imaginação como sociedade, está muito vinculado ao povoamento por meio da guerra. Todas as guerras foram alimentadas por militares e recrutas buscados, às vezes com convocações não muito democráticas, em todas as regiões do Brasil.

Desde sempre?

Desde o início. O primeiro sujeito a trabalhar com arreios na vila de Rio Grande era um baiano trazido por Silva Tavares. O charque foi trazido por um cearense. Eram companhias de pernambucanos, baianos, mineiros e, fundamentalmente, paulistas. O Rio Grande do Sul é uma ocupação paulista e mameluca. Todas as formas de relação são muito mamelucas. A própria forma de guerrear é mameluca. Depois, vêm regimentos da Europa — de Moura, de Bragança, de Extremoz, dos Açores. Todos esses homens vão ficando como povoadores, porque recebem terras. Todos os exércitos — inclusive catarinenses, porque Santa Catarina, de certa forma, era paulista no período colonial — vão ficando como povoadores.

A Coroa incentivava-os a ficar.

Sim, com leis, com distribuição de quadras de sesmarias já com data. Tornavam-se médios proprietários. Recebiam terras no que chamamos hoje de zona rural e lotes nas vilas que iriam se formar. Mas o número desses indivíduos do sexo feminino era muito pequeno, quase nulo. A única possibilidade desse pessoal se estabelecer como povoador era se casando, se amasiando ou formando famílias com índias — guaranis, caingangues, choclengues, minuano, charruas. O próprio Pinto Bandeira tinha uma mulher minuano, teve filhos reconhecidos. Menna Barreto tinha, como sua amásia principal, uma índia guarani das Missões — foi um escândalo no início do século 19, diversos dos seus filhos tinham formação militar. Temos um Rio Grande do Sul povoado por representantes de todo o mundo lusitano — e eram incorporados espanhóis na dança de fronteira, vinham franceses em menor número. O Rio Grande foi um esforço lusitano e brasileiro, que se concretizou regionalmente com base no ventre indígena. Por isso, depois, vieram milhões de migrantes europeus, e mesmo assim os traços indígenas continuam aí até hoje — basta andar pela Metade Sul. Atualmente, há um fenômeno muito impressionante: migrantes no Planalto e no Alto Uruguai com um número muito significativo de mestiçagem com caingangues. Temos uma região que, do ponto de vista antropológico e social, representa o Brasil e o mundo lusitano. Mas não temos consciência disso, porque temos uma historiografia que não insiste nisso e meios de comunicação que só repetem pastiches e não veem o Rio Grande do Sul como um lugar em que a brasilidade se realizou de fato. É a região mais brasileira porque misturou o Brasil no povoamento das guerras de fronteira mantidas por paulistas, mineiros, baianos, pernambucanos. Esse processo durou dois séculos no Rio Grande do Sul. Invariavelmente, os que agenciam esse preconceito, essa ideia de um Rio Grande do Sul especial, estão assassinando mais uma vez os seus avós.

Qual é o peso do africano nesse contexto?

O africano é uma parte fundamental dos exércitos desde sempre. O exército luso-brasileiro que veio para a Guerra Guaranítica de 1752-1753 tinha em torno de 15% a 20% de negros, como escravos, e tinha uma vanguarda de mamelucos de 200 pessoas. A representação dentro do exército lusitano era expressiva. O próprio militar regular invariavelmente era mestiço. Muitos eram oficiais ou suboficiais. A marinharia era majoritariamente negra. Se a gente pegar a Guerra de 1776, a retomada dos fortes e da Vila de Rio Grande, que eram o núcleo principal da posse espanhola, foi feita sem nenhum cavalo. O que se usou para infiltrar os granadeiros atrás dos fortes foi um pelotão de jangadeiros pernambucanos. Criaram um estaleiro de jangadas em Rio Grande e, durante a madrugada, colocaram 200 granadeiros atrás das tropas inimigas. Não se usou nenhum cavalo.

Há um grande debate sobre o ensino da história no Brasil. Como vê isso?

Precisamos fazer os alunos perceberem o que é um Estado-nação e vincular essa ideia à utopia de comunidade de destino, em que todos são responsáveis por todos. Isso depende da imaginação dessa comunidade de destino. Você só forma uma sociedade com uma ideia de comunidade de destino, e para isso você precisa imaginá-la. Para imaginá-la, você precisa saber quem é a nação: quais as etnias, as culturas, as regiões. Isso permite equalizar e estabelecer uma alteridade, em que um reconheça que é feito no espelho do outro com respeito à diversidade. O problema maior que vejo para entender o Brasil é decifrar como se formou e funciona o Estado-nação. A primeira constatação é que o Estado brasileiro está dissociado da nação. É formado na maldição portuguesa: é possuído por um estamento que se autorreproduz e se autoalimenta na sua própria lógica. O Estado brasileiro não está a serviço da nação, e sim a serviço desse estamento que o ocupa e de seus negócios — estou deduzindo essa ideia dos escritos de Raymundo Faoro. Esse patrimonialismo não é republicano. Soldar essa dicotomia entre o Estado e a nação é fundamental para se ter um país. Esse é o dilema brasileiro. O Estado alimenta essa dicotomia, com a representação política, dos materiais historiográficos e das comunicações, fomentando antagonismos regionais. Se as nações que existem no país não se equalizarem numa comunidade de destino, não há solução. Tenho de saber que a minha felicidade depende da do nordestino, dos povos amazônicos, de Mato Grosso, de todos os lugares. É preciso que tenhamos as referências básicas e elementares do brasileiro, que, de certa forma, estão inscritas na Constituição, que não é obedecida. Temos de ser absolutamente radicais na ideia republicana de despatrimonializar o Estado, romper com condomínios das articulações desse estamento que ocupa o Estado. Isso nos levou a ter vinculadas ao Estado instituições, como a Brigada Militar e a Polícia Civil, que, para especular com aumento de salário, deixam a população ao escárnio da bandidagem.

O senhor se refere ao episódio do aquartelamento, em agosto do ano passado?

Sempre. São instituições que não têm um pacto de destino com a nação. É um produto do que existe de pior nesse estamento. Não se imaginam dentro de um país, de uma nação, mas sim como uma profissão que ocupa o Estado. Não têm nenhum vínculo afetivo. Se você pegar culturas tradicionais, como a dos samurais, por exemplo — dou um exemplo do passado —, jamais, diante da ameaça a uma população, se pensa em salário. Você tem de ter uma ideia de história superior ao teu interesse corporativo. Não temos nenhuma instituição no Brasil capaz de realizar um sacrifício pela nação. Isso decorre dessa relação espúria com o estamento. Se você achar que grandes massas que formam a nação não têm nada a ver contigo, esse país é impossível. Ele tem de estabelecer um consenso mínimo de destino para todos, uma ideia de piso mínimo, da qual não se pode baixar. Uma boa referência é a Constituição de 1988, da qual forças poderosas estão tentando revogar uma série de artigos e dispositivos.

A Operação Lava-Jato e outras revelaram escândalos de corrupção com a participação de grandes empresas e o Estado brasileiro. A catástrofe ambiental em Mariana mostrou que essa relação coloca em risco os próprios ecossistemas. Isso não está na raiz da inexistência do que o senhor chama de comunidade de destino?

Sem dúvida. Não abandono o conceito de estamento porque ele vai incluindo essas formas contemporâneas de relações. Mas é um negócio que transfere grandes recursos, que retira da esfera pública, não chega à nação, fica nas lógicas do Estado e de quem domina o Estado, vai para os grandes crimes ambientais. O país é esgotado por uma série de barbaridades que têm a ver muito com essa ideia de estamento porque o Estado brasileiro tem uma maldição. A maldição é que ele não se profissionaliza de maneira republicana. Temos uma espécie de maldição de formação dos funcionários públicos durante o período da República. Todos eram apadrinhados. Se você é vereador e coloca 20 caras na máquina pública, tem 20 cabos eleitorais. Estabelece-se uma relação de suserania na qual sabem que o emprego deles depende dos votos que conseguirão para você na campanha eleitoral. Quando os partidos chegam ao governo, em primeiro lugar, vão tentar colocar na máquina pública os seus filiados, para ter um pouco de respaldo. Mas isso não vai funcionar, porque, se dependerem desse funcionalismo para fazer suas políticas, estarão fadados ao fracasso e ao escárnio público. Por isso, aumentam o número de cargos em comissão (CCs). Os partidos, hoje, administram por meio dos CCs. O funcionário público, no Brasil, é inconfiável, lento, inoperante, caro, arrogante. Acha que a nação lhe deve obrigações por ele fazer aquilo que é obrigação dele. Temos gastos imobilizados que deviam estar na educação porque há um funcionalismo que gasta e tem eficiência muito questionável. Se o partido não se basear nos seus CCs, está perdido. Estabelecemos duas lógicas perversas, mas alimentadas por um único fundo: a poupança da população. É por isso que o Estado brasileiro é caro e se joga tanto dinheiro fora. Esse dinheiro não chega aos serviços que deveriam ser prestados à nação. Se não partirmos para políticas que tenham ideia de alteridade e de busca afetiva de diferenças, não teremos solução. Só vão aumentar a violência, a pobreza, a exclusão.

Essa lógica do estamento atingiu o PT?

Todos os partidos. O PT afundou numa questão moral e política: a sua inabilidade de compreender o país. Grandes contingentes do PT não resistiram à força corupta dessa lógica estabelecida pelo estamento. Para resistir a isso, o sujeito tem de ser muito forte, tem de ter informações. Em primeiro lugar, tem de ter caráter, uma ideia de moral, de ética. Mas, fundamentalmente, ter uma relação fraterna, afetiva, com o povo brasileiro, saber quem são essas pessoas. Para mim, a coisa mais nojenta é ver pessoas preocupadas em fazer concursos. Não têm nenhuma preocupação com o sentido do cargo público. Já estão articulados, têm padrinhos, transversalidades. Os que não têm acham que é mais uma profissão do Estado, onde vão estar seguros. Conheço muitas pessoas, principalmente da área do Direito, que não têm nenhuma relação de fundo, politicamente formativa da sociedade brasileira, para o cargo que vão exercer. Você vê isso entre os professores. É um tipo de relação que não tem essa coisa sensível, moralmente afetiva, com o aluno, com o pai do aluno, uma ideia mínima de coletividade, de país, de fraternidade da nação.

Esse tipo de atitude não se manifesta em outras esferas da vida nacional?

Muito disso é alimentado e desenvolvido do ponto de vista de massa no âmbito do futebol. O futebol faz isso de forma muito efetiva por meio dos discursos que alimentam rancores de torcida. É contra aquela ideia do que é o esporte desde os gregos. O esporte, antes de buscar vencer, é o reconhecimento da capacidade e do talento do outro. No Brasil, a capacidade e o talento nunca são reconhecidos. Devem ser destruídos.

Não há, por trás dessa crise ética, a perda de referenciais políticos de construção do Brasil?

Sem dúvida. Sem uma ideia de Brasil, que leve em conta aquelas prerrogativas que estão inseridas na Constituição de 1988, imaginar um futuro para o Brasil é chegar a uma conclusão desastrosa. Não temos, de fato, forças culturais no momento que estabeleçam a base dessa possibilidade. É preciso imaginar uma República de um ponto de vista radical, com ideias republicanas, laica, mas fundamentalmente presidida pela noção de alteridade. Isso tem de ser equalizado num patamar superior. No Rio Grande do Sul, temos setores da máquina pública e do Estado que só podem ser ocupados por algumas áreas. Temos uma série de departamentos e secretarias que só podem ser ocupados por tradicionalistas. As prefeituras alimentam esse tipo de imaginário latifundiário, da estância, entre coitados e miseráveis a cultura de gente entronizada no lombo de um cavalo. São coisas tão elementares, e isso é levado a uma cultura de massa que estabelece uma perspectiva pouco otimista sobre o Brasil. E temos a grande novidade na sociedade brasileira, que apareceu na penúltima eleição, que é o ódio religioso. O ódio religioso é um componente desesperador para imaginar o futuro brasileiro. São coisas do século 18 ou até do período medieval, e estão conduzindo os destinos de grandes populações.

Alguns setores começam a ser ouvidos: afrodescendentes, indígenas, mulheres, LGBT. Como o senhor avalia a contribuição desses setores para o país?

Desconfio que há um componente populista muito grande nessas políticas, que, por óbvio, podem ter até algum resultado eleitoral, mas não terão nenhum resultado estruturante. Um exemplo são os sem-terra. Passado o processo do movimento fundamental dos sem-terra, a segunda e a terceira geração, grande parte em alguns já transformada em pequenos e médios proprietários, já com automóvel, conta no banco, casa própria, hoje estão num campo político diferente daquele que lhes deu essas conquistas. Temos regiões em que filhos de sem-terra, transformados em médios proprietários, já são de direita. As conquistas econômicas e sociais precisam ser garantidas por um nível cultural e de uma leitura da sociedade. Outra maldição brasileira é o populismo de direita, de centro e de esquerda. Tivemos avanços na área indígena, mas esse ainda é o setor mais penalizado no Brasil. Os indígenas fazem um esforço extraordinário para assumir a possibilidade de serem sujeitos de sua história. As forças conservadoras não querem reconhecer a história indígena e sua diferença. Talvez o maior crime político do PT tenha sido a ineficiência e a falta de cuidado de suas políticas indígenas. Ficou no assistencialismo e não enfrentou, ao contrário de alguns ministros do Supremo Tribunal. Não só o governo central, mas governos estaduais como o do Rio Grande do Sul. Aqui, o governo se prestou a uma emboscada contra as representações indígenas. Por quê? Porque ainda tem uma ideia da política como luta de classe, onde o militante do partido tem a prerrogativa de estabelecer os destinos da nação. É o refugo menor dessa política do estamento: ocupa o Estado com especialistas, com a cúpula partidária, e assim determina o destino da população como se fosse reflexo da política do partido.

De

Fonte: http://jornalja.com.br/tao-golin-aponta-deformacao-historica-que-atrasa-o-rio-grande/

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