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“É impossível não ter medo”, diz professor agredido em colégio militar no Amazonas

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Vídeo que circula nas redes sociais mostra o momento que professor é encurralado por policiais no colégio CMPM 1, no Amazonas. Créditos: divulgação

Vídeo que circula nas redes sociais mostra o momento que professor é encurralado por policiais no colégio CMPM 1, no Amazonas. Créditos: divulgação

Com sete anos de carreira, o professor Anderson Pimenta Rodrigues ganhou um capítulo difícil de ser esquecido. No dia 27 de agosto, o docente foi duramente agredido dentro do Colégio Militar da Polícia Militar (CMPM) 1, unidade Petrópolis, em Manaus, unidade em que atuava desde 2015, dando aulas de Língua Portuguesa. O agressor é o tenente-coronel Augusto Cezar Paulo de Andrade, diretor do CMPM1.

Rodrigues conta que o caso começou ao se negar a assinar um livro de ocorrências onde estavam registradas três infrações que alega não ter cometido. A negativa lhe rendeu um tapa no rosto desferido pelo tenente. Em um vídeo que circula pelas redes sociais, é possível ver o momento em que o professor é conduzido para uma sala por Andrade e mais dois militares, após a primeira agressão.

“Lá, sofri tortura física e psicológica. Fui empurrado, tive arma apontada para a minha cabeça e fui chamado de ‘professor de merda’”, relatou a CartaCapital. Rodrigues registrou um boletim de ocorrência por lesão corporal. O laudo do exame de corpo de delito produzido pelo Instituto Médico Legal comprovou “lesões compatíveis com as produzidas por instrumento ou meio contundente”.

 Desde o ocorrido, o professor está em licença médica, mas afirma não ter mais coragem de retornar ao colégio. “Emagreci 10 quilos, desenvolvi síndrome do pânico, sofro de insônia. Estamos mexendo com o alto escalão da polícia, é impossível não ter medo.”

Desdobramentos

O caso do professor está entre os 120 que foram encaminhados ao Ministério Público do Amazonas no início do mês. No CMPM 1, unidade em que Anderson trabalhava, há ao menos outros três casos graves. Oitenta mães registraram denúncias de assédio moral, sexual e violência contra os militares dos nove colégios geridos pela PM no estado do Amazonas. As violações, que se acumulam pelo menos desde 2015, vieram à tona depois que o deputado Fausto Júnior (PV) convocou uma audiência pública na Assembleia Legislativa. Muitas vítimas afirmam sofrer ameaças para retirar suas queixas.

Segundo o MP-Amazonas, foi instaurado um grupo de trabalho para apurar as denúncias. As investigações seguem sob sigilo pelo teor e por envolverem menores de idade.

O professor Anderson também foi chamado pelo Comando Geral da Polícia Militar para prestar depoimento no dia 21 de outubro. A corporação instaurou uma sindicância para apurar as denúncias que recaem sobre os colégios, segundo portaria publicada no dia 13 de setembro. De acordo com o documento, as investigações estão sob o comando do coronel PM Silvio Mouzinho Pereira, subcomandante da tropa, e tinham prazo de 30 dias para finalização, período que se completou no último dia 13 de outubro. A reportagem questionou a PM sobre o término da sindicância, mas não teve resposta até o fechamento da reportagem.

Em nota conjunta assinada pela Secretaria de Educação (Seduc-AM) e PM, e encaminhada à reportagem, as instituições afirmam que “não se abstém de agir diante de denúncias de práticas de assédio ou violência que cheguem ao seu conhecimento”. No texto, a Seduc-AM afirma ter recebido 19 denúncias e processos relacionados a assédio moral e abuso de poder.

“Os registros foram recebidos pela Ouvidoria da secretaria, 14 estão sob averiguação e cinco sob apuração. Nos 14 processos, a Seduc-AM adotou as medidas administrativas, encaminhamentos e solicitações aos co-gestores da Polícia Militar do Amazonas (PMAM) que atuam nas escolas da rede de modelo militar. Quanto aos casos que ainda estão em análise, a secretaria tem o compromisso de encaminhar as medidas administrativas que forem necessárias quando constatadas ou não a veracidade das denúncias”.

A reportagem de CartaCapital teve acesso ao registro de manifestações da ouvidoria da Seduc-AM e contabilizou, este ano, 32 casos tipificados como assédio moral e abuso de autoridade. Questionada sobre a divergência entre os números, a Secretaria de Educação não respondeu à reportagem.

O advogado das Associações de Pais, Mestres e Comunitários, Ricardo Gomes, que vem representando grande parte dos casos questiona a conduta da Secretaria de Educação e da PM. “O que tem prevalecido até o momento é a omissão, prevaricação e o corporativismo que impedem que as situações sejam investigadas com imparcialidade. Como que um militar acusado de assédio pode continuar a frequentar uma escola e conviver com crianças e adolescentes?”, questiona.

Pelo Whatsapp, o diretor militar da CMPM VIII propõe um ménage a alunas. Foto: Reprodução

Entre os casos, se tem notícia de um afastamento até o momento. A Polícia Militar afirma que, em março, afastou um coronel da PM que atuava na direção do CMPM VIII, no bairro Compensa, na Zona Oeste de Manaus. Familiares de alunos tiveram acesso a mensagens de WhatsApp em que o PM oferece dinheiro a alunas para participarem de um ménage.

Gomes também questiona a conduta da PM. “Foi afastado da escola, mas voltou ao Comando da Polícia Militar e continua recebendo gratificação de regência, a ter sala própria, motorista. Os únicos que estão sendo de fato prejudicados são professores como o Anderson que está afastado, ganhando menos e moralmente abalado.” Ele afirma que já são mais de 100 professores afastados por situações de assédio. Gomes cobra uma regulamentação clara que defina os papéis da Polícia Militar e das Secretarias de Educação nas escolas militarizadas.

Copiado de:  https://www.cartacapital.com.br/educacao/e-impossivel-nao-ter-medo-diz-professor-agredido-em-colegio-militar-no-amazonas/?utm_campaign=novo_layout_newsletter_-_22102019&utm_medium=email&utm_source=RD+Station

O pássaro e a máquina

Essa tal festa da ABÓBORA encontrou em funcionário da RB$ um bobo alegre para difundi-la. Há os que se encantam com tudo aquilo vindo de lá, ignorando que temos em nosso país, sobretudo no norte e nordeste festas folclóricas maravilhosas.

Tais idiotas pouco ou nada sabem de nosso país, pois criados em lares em que o que há de melhor está naquele país de merda.

O Editor

 

 

 

 

 

 

MARIANA CARLESSO/JC
Meu nome oficial é Pitangus sulphuratus, mas sou conhecido como Bem-te-vi. Meu canto é meu cartão de visita, ninguém precisa que eu o repita para saber o meu nome popular. A história é a seguinte: uma máquina estava fazendo as obras na Orla 3, então eu aproveitei o solo revolvido para ver se achava uma suculenta minhoca, mas está meio difícil.

O caso Exxon Valdez I

No dia 24 de março de 1989, o superpetroleiro Exxon Valdez afundou no Estreito de Prince William, Alasca, causando o derramamento de 40 milhões de litros de petróleo cru, que se espalharam rapidamente por cerca de 28 mil quilômetros quadrados de oceano e mais de 2 mil quilômetros da costa do Alasca. Causou a morte de centenas de milhares de aves marinhas, focas e outros mamíferos. Os trabalhos de limpeza duraram três anos e mobilizaram 11 mil pessoas, mas ainda restam 95 mil litros de óleo na região.

O caso Exxon Valdez II

A ExxonMobil, dona do cargueiro, gastou mais de US$ 2 bilhões para os trabalhos de limpeza da costa contaminados. Os pescadores e locais foram indenizados em US$ 300 milhões, e a empresa ainda pagou US$ 900 milhões em processos movidos pelos governos dos Estados Unidos e do Alasca, sem falar em uma outra ação bilionária que entrou em 2019. Parece que o nosso vazamento não é desse volume, mas será difícil achar o responsável pela catástrofe, portanto qualquer indenização está fora de questão – por ora.

Jogo de rico

A Caixa está asfixiando a galinha dos ovos de ouro. Dentro de duas semanas, todas as loterias terão preço majorado. A Mega-Sena – que hoje custa R$ 3,50 a aposta – deve ir para perto de R$ 4,00, se não este valor. E com sorteios trissemanais mais frequentes, o grande número de apostadores que joga sempre nos mesmos números se vê em palpos de aranha. Está começando a ficar jogo de rico.

Simulações 2022

Corre no mercado financeiro uma pesquisa interna que mostra Luciano Huck muito bem na parada se chegasse ao segundo turno contra Bolsonaro, que lidera no primeiro. Também em segundo turno, Sérgio Moro teria 38%, contra 34% do Capitão. O ministro da Justiça também bateria Lula no segundo turno, 50% a 37%. Mas isso é apenas uma folhinha pendurada na parede para ser renovada a cada mês e ano.

Doença de Parkinson

Mais de 200 mil pessoas são acometidas pela doença de Parkinson no Brasil. É uma doença degenerativa sem causas conhecidas, que não tem cura e que foi descrita pela primeira vez em 1817 pelo médico inglês James Parkinson. A doença estará em destaque de 24 a 26, no Teatro da Amrigs, em Porto Alegre, no X Congresso das Associações de Parkinson do Brasil.

Números que preocupam

O percentual de homens de Porto Alegre que apresentou o diagnóstico de diabetes dobrou (112,8%) entre os anos de 2006 e 2017, segundo os dados mais recentes do Ministério da Saúde. E por falar em saúde, não se sabe se existe algum trabalho sobre outro problema de saúde que sobe mais rápido que fogo morro acima, as alergias em geral. De repente, todo mundo se descobre alérgico a alguma coisa.

Tenda dos milagres

Profissional liberal bem votado conta que é assediado por diversas instituições financeiras mal votadas com promessa de juros mirabolantes tipo 9% ao mês. Cheira mal, para ser claro. Nem entra, diz um especialista. E por falar risco: por que as pirâmides (ou Esquema Ponzi) começam e terminam em cidades do Vale do Sinos?

Piada de português

Não contem mais piada de português. Depois de atravessar o inferno como os gregos, fez o que tinha que ser feito, comeu o pão que o diabo amassou, mas, hoje, atrai investidores (inclusive brasileiros), turistas de todo o mundo que vão em número cada vez maior levando divisas para Portugal, um dos três países mais seguros do mundo. Agora, contem piada de brasileiro.

Miúdas

  • MAIS um Halloween, dia 31, mais uma festa americana para a alegria dos caboclos da aldeia brasileira.
  • CONVÉM não esquecer que as trapalhadas feitas no Congresso não são obra de nenhum marciano. Todos são terráqueos, assim como que os elegeu.
  • BOLSONARISTAS, lulistas e, agora, bivaristas. O Brasil é pequeno para cada um deles.
  • AVIÃO de pequeno porte faz propaganda na Capital usando o bramido de elefante. Agora só falta um elefante que voe.
  • MEU nome é Elizabeth Warren, mas podem me chamar Liz. A senadora democrata americana candidata a presidente empolga multidões.
  • PROTESTOS no Chile não são só protestos. A julgar pelo que se viu na TV, é saque e quebra-quebra organizado.
  • Copiado de:  https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/colunas/comeco_de_conversa/2019/10/708535-o-passaro-e-a-maquina.html?__dPosclick=PGm74.B7p.c296&utm_campaign=Newsletter+JC&utm_content=O+p%C3%A1ssaro+e+a+m%C3%A1quina+-+Jornal+do+Com%C3%A9rcio+%282%29&utm_medium=email&utm_source=EmailMarketing&utm_term=Jornal+do+Com%C3%A9rcio

Dilma e o Atlas Eólico de nosso Estado

 

 

A ignorância e maldade dessa escória que tomou conta de nosso país são incomensuráveis.

Dilma quando Secretária de Minas e Energia no Governo Olívio Dutra mandou elaborar o ATLAS EÓLICO de nosso Estado e foi este ATLAS que fez com que investidores espanhóis investissem MEIO BILHÃO DE DÓLARES em Osório na geração de energia elétrica.

Muitos proprietários de terras em Osório desde então estão mais do que faceiros vez que cada uma dessas turbinas rende hoje a eles bem mais de CINCO MIL REAIS mensais.

Os que imaginam que espanhóis vieram a Osório para de cima do Morro da Borrúsia ver a paisagem lá embaixo por terem ouvido dizer que os campos em Osório são lindos, não passam de tolos.

Em Xangri-Lá, ao lado da Vila Figueirinha em área de família de Osório que ali cultiva arroz, área que penso deva ter mais ou menos uma quadra de sesmaria foram construídos pela HONDA nove aerogeradores cuja energia é entregue ali mesmo à Eletrosul e depois retirada pelos japoneses em São Paulo que assim não precisam comprar energia para sua fábrica naquele Estado.

Quando tais torres foram ali instaladas rendiam aos proprietários da área QUATRO MIL E QUINHENTOS REAIS mensais cada uma delas.

Belíssimo rendimento penso.

Decisão histórica: Prefeitura de Imbé quitará 13° salário do funcionalismo ainda este mês

 

A organização financeira da Prefeitura de Imbé vem rendendo bons frutos para moradores, veranistas e servidores municipais. Prova disso são os investimentos em obras nos quatro cantos da cidade e a pontualidade no pagamento dos fornecedores, prestadores de serviço e funcionalismo público. Nem mesmo a recessão nacional, registrada entre 2015 e 2016, e a crise econômica, que desencadeou atrasos e parcelamentos em diversos órgãos municipais e estaduais nos últimos anos, abalaram a saúde financeira dos cofres municipais. E todo o equilíbrio econômico trouxe, nesta segunda-feira (21), mais uma excelente notícia aos funcionários municipais: pela primeira vez na história, a Prefeitura quitará o 13° salário dos trabalhadores do Executivo ainda em outubro, no dia 28, feriado do Dia do Funcionário Público, quase dois meses antes da data-limite prevista na legislação brasileira – 20 de dezembro. Já os salários relativos ao mês de outubro serão integralmente pagos na mesma semana, no próximo dia 31.

 

Em reunião nesta manhã no Centro Administrativo Municipal, o prefeito Pierre Emerim e o vice Ique Vedovato concluíram os cálculos e finalizaram o projeto de lei que será encaminhado ainda hoje à Câmara de Vereadores. O Legislativo votará, em caráter de urgência, a autorização legal para adiantar o pagamento. Os vereadores da base do governo já sinalizaram apoio à matéria.

 

Conforme Pierre, a decisão é histórica e impactará o funcionalismo de forma positiva. “É a primeira vez que um governo em Imbé paga o 13° de salário de forma integral com tanta antecedência. Uma medida altamente positiva que injetará recursos direta e indiretamente no comércio local e em outros setores”, avalia o prefeito. Ele também destaca que os servidores que optarem pelo pagamento da segunda parcela ou do valor integral mais próximo da data-limite podem solicitar a manutenção da previsão via protocolo.

 

Já o vice-prefeito reforça que a medida é uma vitória do governo municipal, fruto da responsabilidade econômica implantada em 2013, e um reconhecimento aos servidores municipais que trabalham diariamente pelo bom andamento da máquina pública, nos mais diferentes segmentos. “Desde quando assumimos procuramos fazer um trabalho de organização financeira. Isso inclui parcelamento de dívidas passadas, geração de receita e aplicação consciente dos recursos municipais. Felizmente em pouco tempo conseguimos equilibrar os gastos e, hoje, chegamos ao ponto de quitar e até antecipar o pagamento dos nossos compromissos”, destaca Ique. “O funcionalismo entendeu nossa luta e abraçou a causa. Hoje nosso quadro conta com funcionários comprometidos com o serviço público motivados a trabalhar”, finaliza.

 

Sobre o 13° salário:

 

Instituído em 1962, o 13º salário representa para o empregado brasileiro um alívio no orçamento doméstico e, por isso, é o mais aguardado dos salários. Devido a empregados com carteira assinada, aposentados, pensionistas e servidores públicos, o benefício, também conhecido como gratificação natalina, deve ser pago pelo empregador em duas parcelas: a primeira entre 1º de fevereiro e 30 de novembro; e a segunda até 20 de dezembro. A Constituição da República prevê o 13º salário entre os direitos sociais dos trabalhadores e lista o direito entre as chamadas cláusulas pétreas, que só podem ser ampliadas, nunca reduzidas ou extintas.

Fonte: Prefeitura de Imbé

STF declara inconstitucional lei do RS sobre revisão dos vencimentos de servidores do MP estadual

 

O Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), em sessão de julgamento virtual, declarou a inconstitucionalidade da Lei 12.300/2005 do Estado do Rio Grande do Sul, que reajustou em 8,5% os vencimentos dos servidores do Ministério Público (MP) estadual. A Corte acompanhou o voto do relator, ministro Ricardo Lewandowski, pela procedência da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 3539, ajuizada pelo governo gaúcho.

Em seu voto, o relator salientou que a lei estadual, de iniciativa do procurador-geral de Justiça, foi editada com o nítido propósito de estabelecer a revisão geral da remuneração dos servidores do Ministério Público do Rio Grande do Sul e recompor as perdas inflacionárias. Para o ministro, houve ofensa à Constituição Federal (artigo 61, parágrafo 1º, inciso II, alínea “a”), uma vez que a iniciativa para apresentar projeto de lei com essa finalidade é privativa do chefe do Poder Executivo.

No entanto, Lewandowski entendeu necessária a modulação da declaração de inconstitucionalidade para afastar os efeitos retroativos da decisão. Ele levou em consideração a natureza alimentar dos valores recebidos desde 2005 e a boa-fé presumida dos servidores envolvidos. Ficou vencido o ministro Marco Aurélio, que divergiu do relator sobre a modulação dos efeitos da decisão. Veja Também  Ministro determina que TRT suspenda tramitação de processo sobre horas de deslocamento

EC/AD//CF

21/07/2005 – Governador gaúcho questiona reajuste de 8,5% a servidores do MP Estadual Fonte: STF Comentários Facebook

Copiado de:  https://www.cwaclipping.net/sistema/cliente/materia?security=932b319bc5bf.7858391.12748667&rn=1

Shell é acionada na Justiça sobre desastre ambiental no litoral do Nordeste

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

A petrolífera pode ter responsabilidade em relação ao vazamento de óleo em dezenas de praias do Nordeste
Redação

Revista Fórum, 19 de Outubro de 2019 às 13:08

Óleo atinge o litoral de estados do Nordeste desde o início de setembro / Adema/Governo de Sergipe

A ONG ambiental Redemar, da Bahia, e o Sindicato dos Petroleiros da Bahia ajuizaram, nesta sexta-feira (18), ação na Justiça Federal requerendo à Shell que forneça documentos e informações relacionados aos barris de lubrificantes de propriedade da empresa, que foram encontrados na Praia do Formosa, em Sergipe, e em outros estados.

A ação também inclui pedido para que o Ibama forneça documentos e estudos que possam estar relacionados aos fatos. Análises realizadas pela Universidade Federal do Sergipe constataram que esses barris com a logomarca da Shell conteriam o mesmo petróleo cru, que vem poluindo o litoral nordestino desde o final de agosto.

Segundo o advogado Maximiliano Garcez, da Advocacia Garcez, “caso a ação seja julgada procedente, a Shell, maior empresa petroleira privada do mundo, será obrigada a fornecer os documentos requeridos, e estes podem ser subsídios importantes para o ajuizamento de ações que responsabilizem os culpados pelos enormes danos ambientais, sociais e econômicos decorrentes do derramamento de petróleo, cuja causa ainda é desconhecida, e que tem impactado diversos pontos do litoral do Nordeste”, revela.

“É importante cruzar as informações e ter certeza dos culpados por esse desastre que atingiu em cheio toda região Nordeste e que vai prejudicar diretamente os povos do mar, o turismo e, a longo prazo, a depender da decantação, por décadas as áreas atingidas”, diz William Freitas, presidente da Redemar.

Obrigação

Deyvid Barcelar, dirigente do Sindipetro-BA, a Shell e o Ibama têm a obrigação de informar a origem desse óleo que polui e destrói as praias e o bioma marinho do Nordeste. “Queremos saber se isso é mais uma consequência do péssimo modelo de atuação das petrolíferas privadas, que corrompem e poluem diversos países”, questiona.

“A Petrobras, patrimônio nacional, sempre atuou de forma proativa no caso de grandes acidentes ambientais, auxiliando a União, estados e municípios. Agora, estão tentando privatizar a Petrobras aos pedaços e a preço de banana, além de abandonar o Nordeste do Brasil. Nesse sentido, temos um exemplo catastrófico no Brasil: a Vale privatizada, responsável pelo maior acidente de trabalho e ambiental do Brasil, casos de Mariana e Brumadinho”, completa Barcelar.

Em nota, a Shell “informa que o conteúdo original das embalagens com a marca Shell encontradas na Praia da Formosa, no Sergipe, não tem relação com o óleo cru presente em diversas praias do Nordeste brasileiro.”

Ainda de acordo com a empresa, “trata-se de embalagens de Argina S3 30, um lubrificante para embarcações, de lote não produzido no Brasil. A coloração e as características do produto em questão são bem diferentes do óleo cru encontrado nas praias. Além disso, cabe ressaltar que o adesivo em um dos tambores encontrados em Sergipe traz a data de 17/02/2019 associada ao envase do lubrificante Argina S3 30, e que a mancha de óleo cru que atinge o litoral começou a impactar a costa em setembro.Os fatos apontam para uma possível reutilização da embalagem em questão – reutilização esta que não foi feita pela Shell. Adicionalmente, a companhia informa também que não transporta óleo cru acondicionado em barris em rotas transatlânticas.”

Edição: Guilherme Henrique

Fonte: https://www.brasildefato.com.br/2019/10/19/shell-e-acionada-na-justica-sobre-desastre-ambiental-no-litoral-do-nordeste/
Copiado de:  http://izidoroazevedo.blogspot.com/2019/10/shell-e-acionada-na-justica-sobre.html

Ex-ministra diz que Bolsonaro mente sobre 13º para o Bolsa Família: “É apenas abono”

“A MP não criou o 13º do Bolsa Família. Deu um “abono” que será pago somente em 2019. Ou seja, veio com um ano de atraso e não cumpriu a promessa”, diz a ex-ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello

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Ministra responsável pelo combate à pobreza no governo da presidente Dilma Rousseff, Tereza Campelo faz um alerta: "o Brasil corre o risco de voltar para o mapa da fome"; isso porque, desde o golpe de 2016, a questão social saiu da prioridade do orçamento federal; Tereza critica o fim da política de valorização do salário mínimo, as ameaças de cortes nas aposentadorias rurais, o fim dos programas de agricultura familiar e a flexibilização dos direitos trabalhistas; ela afirma ainda que a elite brasileira atirou contra o próprio pé, ao apoiar a deposição de Dilma: "os empresários sabotaram seu próprio mercado interno", afirma; confira a íntegra de sua entrevista à TV 247
Ministra responsável pelo combate à pobreza no governo da presidente Dilma Rousseff, Tereza Campelo faz um alerta: “o Brasil corre o risco de voltar para o mapa da fome”; isso porque, desde o golpe de 2016, a questão social saiu da prioridade do orçamento federal; Tereza critica o fim da política de valorização do salário mínimo, as ameaças de cortes nas aposentadorias rurais, o fim dos programas de agricultura familiar e a flexibilização dos direitos trabalhistas; ela afirma ainda que a elite brasileira atirou contra o próprio pé, ao apoiar a deposição de Dilma: “os empresários sabotaram seu próprio mercado interno”, afirma; confira a íntegra de sua entrevista à TV 247 (Foto: Leonardo Attuch)

Revista Fórum – A ex-presidenta Dilma Rousseff (PT) compartilhou na manhã desta segunda-feira (21) nas redes sociais um artigo em que sua ex-ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, a economista Tereza Campello, doutora em saúde pública pela FioCruz, diz que Jair Bolsonaro está mentindo sobre o 13º que será pago aos beneficiários do programa Bolsa Família.

Segundo Tereza, Bolsonaro encolhe o programa, mentindo que está ampliando.

“A MP não criou o 13º do Bolsa Família. Deu um “abono” que será pago somente em 2019; Ou seja, veio com um ano de atraso e não cumpriu a promessa”, afirma, ressaltando que, diferente do anunciado, o valor está sendo pago com recursos suplementares e não com dinheiro de combate a fraudes no programa.

Leia a íntegra na Revista Fórum.

Copiado de:  https://www.brasil247.com/brasil/ex-ministra-diz-que-bolsonaro-mente-sobre-13-para-o-bolsa-familia-e-apenas-abono

Encontro de “antas”

 

Na RB$ agora e na Av. Independência. Ali ‘inventaram’ uma pista exclusiva para ônibus e alguém da Prefeitura é entrevistado por ‘ripórti’ da RB$.

No papo de ambos é “gente” para cá e “gente” para lá.

Definitivamente decidiram que o pronome ‘você’ está sepultado. Assim os que foram à escola e não apenas pela merenda que se idiotizem e ponto final.

Colaborações Premiadas – Banalização da delação premiada permitiu acordos com cláusulas ilegais

segunda-feira, 21 de outubro de 2019
20 de outubro de 2019, 8h00

Por Gabriela Coelho e Tadeu Rover

A delação premiada precisa de limites claros sobre os poderes de negociação do Estado. Especialmente do Ministério Público. E, claro, que esses limites sejam respeitados. É o que defende o ministro Nefi Cordeiro, do Superior Tribunal de Justiça, em seu novo livro Colaboração Premiada — caracteres, limites e controles, que será lançado na quarta-feira (23/10), no Espaço Cultural do STJ.

Em entrevista à ConJur, o ministro diz que a delação premiada está banalizada. “A colaboração é um favor que o Estado é obrigado a dar para ajudar a eficiência da persecução. O que estou vendo é que a colaboração está sendo transformada em guilty plea, que a pessoa confessa a culpa. E colaboração premiada não é forma de confissão, é forma de obtenção de provas em situações onde o estado não consiga”, afirma.

O ministro analisa ainda que o Supremo Tribunal Federal está precisando dar a palavra final em temas que nem sempre têm um bom debate doutrinário ou até jurisprudencial anterior.

Leia a entrevista:

ConJur — A delação tem sido usada corretamente?
Nefi Cordeiro — Temos muitos exemplos de eficiência e bom uso da colaboração, e a “lava jato” mostrou alguns deles. Mas o instituto tem trazido muitas dúvidas quanto à interpretação do seu procedimento, se tem limites.

ConJur — Em que sentido?
Nefi Cordeiro — Por exemplo, o Supremo reconheceu uma falha da violação ao contraditório: de ser o colaborador ouvido ao mesmo tempo nas razões finais do que aquele que é delatado. Assim, quem era delatado não tinha como rebater os pontos trazidos pelo colaborador. Vários outros pontos me parecem ainda muito perigosos.

ConJur — Pode citar alguns dos principais exemplos?
Nefi Cordeiro — Temos colaborações premiadas que se combinam e nas quais existem cláusulas prevendo que o colaborador fique com parte do produto do crime. Existem colaborações em que o acordo é para não mais investigar o colaborador e aí se abre mão de descobrir crimes que podem até ser mais graves. Ou se abre mão de perseguir, investigar familiares do colaborador por crimes que não sabemos quais são. O Ministério Público está afixando penas inventadas: regime fechado diferenciado, em que a pessoa cumpre a pena no seu domicílio, o que não é previsto no Código de Processo Penal; a execução imediata agora prevista em acordos. E aí chego a ver situações de pessoas que estão fazendo acordo e começando a cumprir pena sem nem ter sido denunciadas, e que podem ser depois absolvidos.

Enfim, estamos fazendo acordos sem limites.

ConJur — E por que o MP faz isso?
Nefi Cordeiro — Porque acha que isso gera maiores chances de acordo. E tem razão: se o réu sabe que vai ter uma pena exata, que essa pena vai ser na sua casa e pode começar a cumpri-la imediatamente, esse acordo passa a ser interessante. O réu tem medo de que, depois, o juiz determine uma pena maior e o mande para um presídio, que é local de cumprimento de regime fechado.

ConJur — Então qual o problema?
Nefi Cordeiro — O grande problema é que estamos fazendo esses procedimentos fora da lei. A lei não prevê essas possibilidades de negociação. A lei não prevê penas inventadas. Não prevê também que o MP possa fixar pena. A Lei da Organização Criminosa diz que o acordo propõe que o juiz possa reduzir a pena, mas quem fixa a pena é o juiz. E vemos muitas negociações que não seguem os limites da lei e isso me parece extremamente perigoso. O Direito Penal tem que ser regido pela lei estrita, não posso confiar no bom senso para o Direito Penal. Até consigo imaginar razoabilidade, proporcionalidade, no Direito Administrativo, no Direito Civil. Mas pena, processo, tem que seguir os limites estritos da lei. Senão colaboradores em situações muito parecidas correm o risco de ter negociações muito diferentes, de serem invenções absurdas para a maioria da sociedade.

ConJur — Invenções de que tipo?
Nefi Cordeiro — As primeiras colaborações não tinham pena exata, hoje têm. Depois surgiu a ideia de fazerem acordos em que se começava a cumprir a pena imediatamente. Isso é algo mais recente, de uns quatro anos para cá. Temos agora acordos que preveem que se o réu deixar de colaborar, as provas vão ser usadas contra eles e eles não vão ter favor nenhum. Cada vez mais vão surgindo cláusulas por essa ideia de invenção e cláusulas que podem ser altamente danosas ao processo, ao sistema acusatório e ao direito de defesa.

ConJur — E isso tudo é culpa do Ministério Público?
Nefi Cordeiro — O Ministério Público é uma instituição belíssima, com integrantes muito capacitados. Mas são seres humanos e qualquer ser humano precisa de limites e de controle. Se não tiver controles, o abuso vai acontecer. E o Brasil é enorme, onde qualquer promotor, que é humano e pode errar, pode sair inventando penas e cláusulas de acordos. Se o juiz fizer uma análise muito normal da lei na homologação, esse acordo pode sair injusto. Já vi acordos em que foram combinadas penas maiores que as previstas em lei. Volta e meia se tem a discussão se não acontecem até favores exagerados.

ConJur — O senhor fala em lacunas no livro. Quais são essas lacunas?
Nefi Cordeiro — Ah, várias. O Brasil já trabalha com a colaboração premiada há uns 20 anos. Lembro, por exemplo, que o ministro Sergio Moro estava começando na vara do sistema financeiro em Curitiba e eu era desembargador federal em Porto Alegre na época de processos do Banestado. E já lá se fazia colaboração premiada,, na época era delação premiada, sem que a lei previsse nada de procedimento. Hoje a lei prevê alguns itens de procedimento. Mas não prevê, por exemplo, o que fazer em caso de resolução de acordo. A lei não prevê a questão do contraditório, que agora o Supremo previu — e o Supremo não previu apenas o direito de falar por último. O pedido de contraditório não é só de falar, mas também de provar. O delatado tem o direito de falar depois, como diz o Supremo, mas também o direito de provar depois. E isso não está sendo discutido: a lei não prevê o contraditório, não prevê mais detalhamento sobre qual é o controle de legalidade que o juiz tem de fazer, não prevê se o acordo, depois de homologado, pode ter suas cláusulas revistas. O Supremo ainda vai resolver isso, mas ainda existem muitas lacunas.

ConJur — O instituto está banalizado?
Nefi Cordeiro — Sim, estamos vivendo isso. Cheguei a ver processos em que havia quatro réus, três fizeram colaboração. Isso não é colaboração premiada. A colaboração premiada é um favor que o Estado é obrigado a dar para ajudar a eficiência da persecução. Então, numa organização criminosa, a ideia é que eu pegue o motorista, a secretária, alguém que tenha uma atuação mais periférica, para falar sobre o crime daqueles que tem uma atuação mais intensa. Se eu precisar realmente de alguém da parte de inteligência da organização criminosa, posso até pegar alguém mais alto nessa organização. Mas vai pegar uma pessoa, não 80.

ConJur — Mas isso aconteceu com bastante frequência durante a “lava jato”, não?
Nefi Cordeiro — O que estou vendo é que a colaboração está sendo transformada em guilty plea, que a pessoa confessa a culpa. E colaboração premiada não é forma de confissão, é forma de obtenção de provas em situações em que o Estado não conseguiria. Se o Estado consegue a prova pela sua investigação, não vai fazer colaboração com ninguém. Se o Estado tem dificuldade na obtenção de provas, então pode usar a colaboração, mas moderadamente.

ConJur — Mas isso está dito na lei?
Nefi Cordeiro — Realmente, isso não está previsto na lei e deveria ter sido. Como na escuta telefônica, que a lei diz que ela deve ser subsidiária das outras formas de prova, só pode ser usada se outras provas não atingirem o mesmo resultado. Isso deveria ter sido previsto na colaboração. Mas, mesmo sem previsão legal, isso é um modo de agir: o Ministério Público pode fazer colaboração com um ou 80, é razoável que ele pense que é melhor para a sociedade punir 79 e fazer acordo com um ou dois, ou até três, de escalões diferentes. Mas não pode ser banalizado da forma que está.

ConJur — O senhor criticou acordos que permitem que o colaborador fique com uma parte do produto do crime. O Supremo não autorizou isso quando tomou aquela decisão sobre a delação do Youssef?
Nefi Cordeiro — Pois é, tem uma decisão do Supremo que diz isso mesmo. Mas não concordo. O produto do crime é coisa ilícita. Não admito que o Estado faça um contrato, um negócio jurídico de coisa ilícita. É o Estado admitir que, por interesse, pode agir ilicitamente. E o Estado não tem autorização de agir ilicitamente. Só pode combater o crime nos limites da lei. Os fins não justificam os meios no processo penal. O processo penal só é justo se produzir justiça por um meio justo. Então o produto do crime não pode ser negociado, embora já tenhamos um precedente do Supremo dizendo o contrário.

ConJur — Alguns acordos da “lava jato” também previram que os parentes de delatores não sejam investigados. Pode isso?
Nefi Cordeiro — Pois é, esse é um problema seríssimo. Não deveria poder. Agora eu não estou nem mais falando de limite da lei, estou falando da compreensão da função do Estado no Direito Penal. A sociedade não pode fazer vingança diretamente, ela deixa na mão do Estado a resposta criminal. E aí o Estado vem a fazer um acordo em que abre mão do interesse da sociedade na persecução de criminosos? Quando o Estado faz acordo com muitas pessoas, prejudica os interesses da sociedade. Quando abre mão de investigar quais são os crimes que o colaborador praticou, que sua família praticou, ele abre mão dessa resposta penal que prometeu à sociedade. E assim como digo que é preciso controle, porque tudo precisa de controle, também devemos considerar que nenhum poder existe no vácuo.

ConJur — Como assim?
Nefi Cordeiro — Se o Estado agir mal nessa negociação, se a sociedade sentir que não está sendo feita a persecução penal, esse poder não fica no vácuo. Há um risco de termos milícias, linchamentos, pessoas querendo fazer justiça com as próprias mãos porque não vão mais acreditar que o Estado vai punir criminosos. Isso não pode acontecer. Essa possibilidade de não dar uma resposta completa tem que ser usada com moderação. E deixar de descobrir crimes é um abandono à função estatal de ter a resposta penal completa e correta.

ConJur — Delatados podem questionar os acordos de delação?
Nefi Cordeiro — Esse é outro ponto em que divirjo do Supremo Tribunal Federal. O Supremo tem entendido que o acordo é sigiloso, e aí o delatado não pode impugnar.

ConJur — E por que discorda?
Nefi Cordeiro — Por duas razões: deve haver a publicidade e a ampla possibilidade de discussão do acordo. Primeiro porque o delatado é atingido pelo acordo e ele tem interesse em verificar por que o delator está falando aquelas coisas sobre ele. Mas além dele, a própria sociedade tem interesse. A função da publicidade, da transparência dos atos estatais é permitir que não só aqueles que fazem parte do processo sabiam as razões de decidir dos juízes, mas a própria sociedade, a sociedade tem direito de saber o que está sendo feito com a sua delegação de resposta penal, se estão sendo feitos bons acordos, se os acordos são razoáveis. Estou evitando falar de casos concretos e nomes, mas tivemos situações em que a mídia demonstrou uma insatisfação social enorme por acordos de não persecução de pessoas criminosos confessos. Como não vão ter pena nenhuma? Isso só pode ser verificado se a sociedade souber dos acordos. Se não souber, como haverá movimento de contestação, de crítica? Quando tornamos o acordo sigiloso e impedimos impugnação por terceiros, impedimos que não só o delatado conheça e faça a impugnação, mas que a própria sociedade faça a fiscalização das negociações estatais do processo penal.

ConJur — O que acontece quando um acordo de delação é rescindido? As provas permanecem válidas?
Nefi Cordeiro — Essa é uma das falhas da lei. A lei prevê apenas a possibilidade do término, do encerramento do acordo pela vontade das partes, mas não prevê o que fazer nessa hipótese de rescisão do acordo. No meu livro, analiso que, se o Supremo assumiu que estamos frente à colaboração, é um negócio jurídico, temos que aplicar as regras de negócios jurídicos. Claro que estamos num processo penal, mas vamos aplicar aquilo que é compatível com o processo penal.

ConJur — Como assim?
Nefi Cordeiro — Por exemplo, o produto do crime. O artigo 185 do Código Civil diz que não se pode fazer negócio jurídico de coisa ilícita. Isso já resolveria para o processo penal. Se vamos aplicar a regra do negócio jurídico civil, não pode ter negociação do produto do crime porque o Código Civil já proíbe. Se formos usar as regras do negócio jurídico, também resolvemos essa questão da rescisão, da resolução dos contratos. Porque se formos usar uma linguagem civilista, estamos frente a um contrato bilateral, que tem vantagens e ônus para as duas partes.

Vou dar um exemplo muito simples, mas que mostraria bem como seria a solução da questão:

Se você contrata um pintor para pintar o seu apartamento e ele deixa de pintar a cozinha, você vai poder dizer a ele que não vai pagar nada? Estamos assim na colaboração premiada. Se o colaborador trouxer 70% das provas que ele prometeu, 80%, ou 30%, que seja, ele fez parte da sua obrigação e vai merecer, sim, proporcionalmente, parcela dos favores também prometidos.

ConJur — Mas hoje não funciona assim, funciona?
Nefi Cordeiro — Hoje temos opiniões jurídicas, especialmente no MP, que dizem que, além de o colaborador não ter direito a nada se ele não entregar tudo o que prometeu, mas que as provas poderão ser usadas contra ele. Ou seja, a pessoa acreditou num contrato que fez com o Estado, trouxe provas de sua culpa e de terceiros, e daqui a pouco ele não vai ter favor algum e ainda vai ser incriminado por essas provas.

Isso é violação da boa-fé, do contrato, e a solução deveria ser a mesma do que a do caso do pintor: se as partes chegarem a um acordo, está solucionado, eu vou pagar proporcionalmente à pintura do apartamento tirando o que seria equivalente à cozinha. Posso até prever uma multa, porque eu vou ter que prever a contratação de um novo pintor e isso vai me custar um pouco mais. Mas a pessoa tem direito de receber pelo serviço prestado, assim como o colaborador. Se não houver acordo, o juiz, na dosimetria da pena, independentemente de pedidos, deverá fazer uma aplicação proporcional às provas que o colaborador trouxe para o processo.

ConJur — Os benefícios dados ao delator estão vinculados a um rol taxativo ou meramente exemplificativo?
Nefi Cordeiro — Taxativo. Porque se sairmos do rol taxativo e dissermos que é exemplificativo, vamos ter de aceitar razoabilidade e bom senso. Estamos cheios de exemplos de cautelares absurdas Lembro de uma em que o juiz mandava o réu frequentar a missa aos domingos. Não importava a religião do réu. Isso é absurdo, mas o juiz achou que era razoável, que, pela proporcionalidade, se ele podia mandar prender, ir para a missa é muito menor.

As regras de Tóquio da ONU já preveem que as cautelares são taxativas, devem ser estritamente o que prevê a lei. E aí vamos ter uma situação para quem aceita a proporcionalidade, a razoabilidade, na fixação das penas, vamos ter uma situação em que nós vamos tender a aplicar restrições temporárias cautelares, penais, taxativamente pelo limite da lei, mas restrições definitivas não. Isso é um absurdo no processo penal. No Direito Penal, lei representa o limite da ação do Estado. Não dá para fugir da lei. O juiz pode ser um gênio e inventar o melhor rito processual. Não vai poder usá-lo, se não está na lei. Estamos inventando regimes, estamos até discutindo férias em regimes.

Gabriela Coelho é correspondente da revista Consultor Jurídico em Brasília.

Tadeu Rover é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 20 de outubro de 2019, 8h00

Copiado de:  http://izidoroazevedo.blogspot.com/2019/10/colaboracoes-premiadas-banalizacao-da.html

Os hábitos no banheiro que causam estranheza em outras partes do mundo

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

  • 20 outubro 2019
As tendências anglo-americanas de banheiros são tão difundidas que, na década de 1920, foram apelidadas de “imperialismo sanitário” 
 
“Como árabes, temos de ter três coisas quando vamos viajar: passaporte, dinheiro e um bidê portátil”, brincou o comediante egípcio Bassem Youssef em sua performance de estreia no Reino Unido, em junho.
Ele exibiu uma ducha higiênica, também conhecida como shattaf. “Não entendo: vocês são um dos países mais avançados do mundo. Mas quando se trata da parte de trás, você estão atrasados.”
Muitas pessoas concordariam com Youssef. A tendência em diversos países ocidentais das pessoas se limparem apenas com papel higiênico depois de usar o banheiro — em vez de enxaguar — causa perplexidade em outros lugares do mundo.
A água limpa de maneira mais organizada do que o papel: correndo o risco de inspirar uma reação de nojo, imagine tentar remover as fezes da pele apenas com papel…
Além disso, ainda que o papel higiênico não seja tão áspero quanto peças de cerâmica (usadas pelos gregos antigos) ou espigas de milho (como entre os americanos no período colonial), a água é menos abrasiva do que as marcas mais macias disponíveis no mercado.

Há tempos, uma visita ao banheiro se encerra com um jato d’água em vários países. E não apenas no mundo não ocidental, afinal, foram os franceses que deram ao mundo a palavra bidê. Mesmo que ele esteja desaparecendo na França, continua a ser padrão na Itália, na Argentina e em muitos outros lugares. Enquanto isso, a ducha higiênica de Youssef é comumente encontrada na Finlândia e no Brasil.
Ainda assim, grande parte do Ocidente depende do papel higiênico, incluindo o Reino Unido e os Estados Unidos. E, quando comparadas com qualquer outro lugar do mundo, essas duas nações tiveram a maior influência na cultura moderna do banheiro, observa a historiadora da arquitetura Barbara Penner em seu livro Bathroom (“Banheiro”, em inglês).
De fato, as tendências dos banheiros anglo-americanos se tornaram tão difundidas que, na década de 1920, foram até apelidadas de “imperialismo sanitário”.
Mesmo assim, essas tendências não se popularizaram em todos os lugares. A água é preferida, por exemplo, em vários países de maioria muçulmana, porque os ensinamentos islâmicos incluem o uso de água para a limpeza — a ponto de a Diretoria de Assuntos Religiosos da Turquia ter emitido em 2015 uma diretriz autorizando muçulmanos a usar papel higiênico se a água não estiver disponível.
E os famosos banheiros japoneses modernos, que refletem simultaneamente a engenhosidade tecnológica e a vergonha em relação às funções naturais do corpo, oferecem opções de umedecimento e secagem.

Água ou papel?

Uma pessoa interessada no debate sobre o uso da água ou papel na higiene pessoal é Zul Othman, um funcionário do governo australiano que pesquisou atitudes culturais e históricas em relação às instalações sanitárias.
Como mostra sua pesquisa, alguns australianos muçulmanos se adaptaram aos banheiros de estilo ocidental usando papel higiênico e depois tomando banho, enchendo um jarro de água ou instalando duchas ao lado de seus banheiros.
Este é o caso também de pessoas de origem religiosa não islâmica. Astha Garg, uma cientista de dados indiana que trabalha há dois anos nos arredores de São Francisco, nos Estados Unidos, diz que costumava procurar por uma “caneca de banheiro” naqueles que usava.
Para os leigos, esse utensílio se assemelha a um jarro com medidas, daqueles usados para cozinhar, com um bico adaptado para limpar as partes íntimas. Ela acabou comprando uma caneca assim em uma loja de artigos indianos. “Alguns indianos se adaptam ao papel higiênico, mas muitos de nós gostam de usar água sempre que possível”, diz.
“Sempre que visito um amigo indiano nos Estados Unidos, sei que encontrarei uma garrafa de água plástica ou uma caneca ao lado do vaso sanitário.”
Othman conhece bem a insistência do Ocidente em usar algum tipo de papel. Um de seus colegas de classe em Sheffield, no Reino Unido, ficou sem papel higiênico e acabou usando uma nota de 20 libras para limpar-se.
Enquanto isso, a família do guitarrista Kaiser Kuo adotou uma solução híbrida. Há três anos, eles se mudaram da China para os Estados Unidos, onde, como muitos recém-chegados, mantiveram alguns hábitos chineses e adotaram outros tipicamente americanos.
Kuo ficou chocado com a quantidade de papel que seus filhos começaram a usar, seguindo os costumes do povo americano, que é de longe o principal consumidor de papel higiênico do mundo.
Garg também achou usar papel higiênico desconcertante. “Não era de todo óbvio que deveria ser jogado no vaso sanitário”, diz ela. Além dos custos financeiros e ambientais, “entope os banheiros”. “Acho que um a cada quatro banheiros tem problemas de encanamento.”
O papel higiênico também é comumente usado na China, onde, afinal, o papel foi inventado. Mas foram os fabricantes e anunciantes americanos que fizeram as mais agressivas campanhas pelo seu uso no século 20, especialmente de certos tipos. Por exemplo, os britânicos ainda usavam principalmente papel higiênico áspero na década de 1970, porque desconfiavam do papel macio produzido pelos americanos.
A família de Kuo agora usa menos papel higiênico, seguido por lenços umedecidos. É uma espécie de reconhecimento do que as pessoas em outros países sabem há séculos: que algo úmido limpa melhor.

Sentado ou de cócoras?

A família de Kuo também fez concessões em relação a outro tópico controverso: sentar versus agachar para defecar.
Ambos os tipos de sanitários foram usados na China durante a dinastia Han (206 a.C. a 220 d.C.). Atualmente, há diferenças regionais nessa preferência, embora o tipo que exige agachar predomine nos banheiros públicos de todo o país.
Ainda hoje, estima-se que dois terços do mundo se agachem. Muitos ocidentais continuam resistentes a isso, que é sem dúvida mais lógico e conveniente do que sentar-se no vaso de porcelana. No entanto, a maioria das mulheres britânicas admite agachar-se ou erguer-se ligeiramente para evitar o contato direto com os assentos.
Anatomicamente, agachar-se também é a melhor postura, pois o ângulo permite uma passagem mais suave das fezes, porque favorece os movimentos intestinais. Isso sem falar nos benefícios à saúde em geral do agachamento — uma demonstração de força e flexibilidade em que os idosos chineses geralmente deixam os jovens ocidentais no chinelo.
Os americanos transformaram esse tempo mais longo no banheiro em uma forma de lazer. Há um grande mercado de livros para ler no banheiro, o que geralmente envolve curiosidades, contos ou piadas. Isso ainda parece algo estranho a Kuo. “O que todos os pais chineses dizem é: não leia no banheiro. Você terá hemorroidas.”
A família de Kuo adotou um meio termo em sua casa. “Mantemos um banquinho na frente ao vaso. Colocar os pés nele simula a posição de agachamento. Minha mulher é um gênio por ter pensado isso”, diz ele, rindo.
Várias empresas tentam faturar com essa solução ao adaptá-la para os países ocidentais, com produtos como o Squatty Potty. Garg tem um.
Em alguns países, as pessoas têm mais de uma opção à disposição. Othman diz que, em seu país, a Malásia, “os centros comerciais e banheiros públicos normalmente têm 1/3 dos vasos que são feitos para serem usados de cócoras”.
Sua pesquisa sugere que os australianos muçulmanos não têm problemas em passar a sentar, mas mantêm sua preferência por água em vez de papel higiênico.

A cultura do banho

O banho também é um hábito que varia culturalmente. “Há uma tendência a se tomar banho logo cedo nas sociedades ocidentais ou tomar banho todos os dias, e isso é estranho”, diz Elizabeth Shove, socióloga da Universidade de Lancaster, na Inglaterra, que pesquisa práticas de consumo de água e energia.
Uma influência importante foi o boom da publicidade global, que se acelerou após as guerras mundiais. A ideia de usar tipos especiais de sabão para o corpo e o rosto, em vez de produtos de limpeza genéricos que também podem ser usados para roupas, é uma invenção relativamente recente, em parte atribuível ao marketing. Essa necessidade fabricada estava ligada a uma tendência geral de banhos mais frequentes.
Outro conceito relativamente novo e, agora, quase onipresente no Ocidente é o banho diário. Shove observa que, apenas duas gerações atrás, o padrão no Reino Unido era que as pessoas fizessem isso uma vez por semana.
Obviamente, em muitos lugares do mundo hoje, o abastecimento de água não é constante, e muitas pessoas não podem escolher com que frequência tomam banho.
Direito de imagem BBC/Getty
Image caption Se você toma banho de manhã ou à noite, isso pode ter mais a ver com sua cultura – e com o marketing – do que com a higiene
Mas este não é o único fator que influencia isso. O banho frequente é comum mesmo em regiões de baixa renda de Lilongwe, no Malauí, onde as pessoas podem tomar banhos de balde duas ou três vezes por dia, apesar do acesso limitado à água.
Muitos ganenses, filipinos, colombianos e australianos, entre outros, também tomam banho várias vezes ao dia. Isso não implica em lavar o cabelo todas as vezes, e, em algumas culturas, complementar a rotina de higiene com uma lavagem dos pés é um costume.
Vários banhos de balde podem realmente consumir menos água do que um único banho de chuveiro. Mas o hábito está apenas parcialmente relacionado ao clima quente: alguns brasileiros tomam vários banhos por dia, mesmo nos dias de inverno.
A rotina típica de hoje de tomar um banho matinal é em parte um reflexo das noções contemporâneas sobre como estruturar o dia, ordenado com mais rigor do que no passado. Os ocidentais de hoje sentem que têm menos tempo livre, mesmo que a jornada de trabalho seja menor do que no passado, em parte porque a maior parte do tempo já está programada.
Hoje, também é mais forte a noção de que tomar banho é uma forma de ficar apresentável aos outros, em vez de apenas limpar a sujeira do dia.
Mas é mais higiênico — ou útil — tomar banho diariamente e fazê-lo de manhã ou à noite? Nem sempre. O banho quente frequente pode ressecar a pele e os cabelos, por isso, muitas mulheres lavam os cabelos apenas uma ou duas vezes por semana.
As evidências também são variadas sobre os benefícios de um banho pela manhã ou à noite. Alguns dizem que a ducha matinal os deixa mais alerta e que um banho noturno, como é comum no Japão, pode ajudar a relaxar os músculos antes de dormir.
Obviamente, há uma grande variação neste aspecto entre os países, e, portanto, há exceções para todas essas tendências. A história dos hábitos de higiene sugere que tudo pode mudar com os desenvolvimentos cultural e tecnológico.
No futuro, as pessoas no Ocidente podem, por uma preocupação ambiental, tomar banho apenas uma vez por semana ou trocar as duchas por baldes e canecas. Ou optar por instalar chuveirinhos ao lado de seus vasos após ver como isso pode ser útil em outros países.
Esses hábitos podem parecer uma questão de bom senso, mas são resultado de condicionamentos sociais. Afinal, todo mundo precisa aprender em algum momento a usar o banheiro.
Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site da BBC Travel.
Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/vert-fut-50047885

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