Só mesmo pessoas destituídas de um mínimo de bom senso para estarem tentando incendiar o país e tudo pela ânsia de retorno ao Poder. Esses cretinos ou idiotas estão mexendo com fogo e não se dão conta disto. Digo tal por que infelizmente de agosto a dezembro de 1966 fui lotado no DOPS e ali vi algo que não gostaria e que por longos anos foi jogado nas minhas costas um covarde assassinato de um sargento do Exército que fora preso aqui no Estado. Estava no plantão ao final de uma tarde quando o sargento foi posto em liberdade, mas ao chegar à rua foi colocado num Gordini verde e duas semanas depois seu corpo em adiantado estado de composição foi encontrado no Guaíba. Ele foi assassinado por bandidos da ditadura. Esses agentes, a maioria dos quais da brigada militar eram bandidos da pior espécie, pois matar em defesa própria é algo que admito, mas assassinar a quem nem mesmo se conhece por que é o desejo de uma ditadura. Isto tem um nome: covardia associada a banditismo da pior espécie.
O Editor

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Publicado em Sexta, 16 Outubro 2015 18:42
Escrito por Eugênio Araújo (*)

Entrevista exclusiva a Paulo Markun, no ‘SP, Brasil’ vai ao ar na próxima segunda-feira, às 19h (canal 7 da NET e 61.4 da TV Digital Aberta). Conversa resgata aspectos importantes dos “Anos de Chumbo”

Quis o destino que justamente na semana em que as forças democráticas preparam homenagens ao jornalista Vladimir Herzog, corresse nas redações a morte do coronel Brilhante Ustra, chefe da repressão na ditadura militar.

As chagas deixadas por essa ditadura e detalhes dos momentos finais da vida de Vlado irão ao ar na próxima segunda-feira, às 19h, na voz da viúva do jornalista, Clarice Herzog.

Cabe acentuar a causa mortis de (Carlos Alberto) Ustra, o coronel torturador: falência múltipla de órgãos decorrentes de uma pneumonia, na quinta-feira, 15. Ele comandou o Departamento de Informações do 2º Exército, o temido DOI-Codi, em cujas dependências – segundo o livro Brasil: Nunca Mais – centenas de pessoas foram torturadas. Mais: sob o comando direto de Ustra, ao menos 45 brasileiros foram torturados e assassinados. São 45 histórias brutalmente interrompidas num momento em que o Estado Brasileiro calou boa parte da sociedade civil.

CLARICE HERZOG

clarice-herozogClarice Herzog conversou com Paulo Markun (Imagem: Reprodução/TV Câmara SP)

Pois a farsa que o DOI-Codi tentou imputar ao grande jornalista, então diretor da TV Cultura e que compareceu para prestar depoimentos nas instalações do 2º Exército, há exatas quatro décadas, foi a repugnante versão de suicídio. A Comissão da Verdade desmontou a falsidade de um laudo técnico elaborado na calada da noite. Somaram-se à verdadeira perícia depoimentos de jornalistas presos com Vlado. Ele foi morto numa terrível sessão de tortura e maus tratos.

Meu grande amigo jornalista e presidente do sindicato da categoria em São Paulo nos “Anos de Chumbo”, Audálio Dantas, contou detalhes dessa história macabra no livro As duas guerras de Vlado. Por sinal, Audálio revelou, com rara sensibilidade, como o menino Herzog e sua família sobreviveram à perseguição nazista na Europa. Com cenas dignas de “A vida é bela”, o garoto driblou botas e rifles, desembarcou com os pais na cidade de Santos (SP), construiu uma vida saudável aqui no Brasil e acabou morto nas mãos de torturadores a serviço da Ditadura Militar.

“Se as forças armadas reconhecessem o que realmente foi feito, teríamos mais credibilidade neste país”, desabafa Clarice Herzog, no emocionante relato feito ao jornalista Paulo Markun. Em sua entrevista, a mulher forte, corajosa e decidida conta que a família insistirá na Justiça para que o Exército reconheça a farsa montada.

Confira, abaixo, trecho da entrevista de Clarice Herzog ao ‘SP, Brasil’:

(*) Formado em Comunicação Social pela Cásper Líbero, com MBA pelo Curso Master, ligado à Universidade Navarra (Espanha), Prêmio Esso de Jornalismo e subdiretor de comunicação externa da Câmara Municipal de São Paulo.

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