Praia de Xangri-Lá

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REQUIEM

por Solon Soares

Por todos os caminhos que se cruzaram fui um dos responsáveis pelo Renatão Prefeito de Xangri-Lá. Primeiro buscando o acordo da coligação, depois dirigindo a campanha, e por ultimo como secretario.

Renato Selhane de Souza era um homem afável, educado e de boa presença, mas uma pessoa comum, sem toda a malícia que cria os meandros imundos da política, e para agravar um crédulo, que acreditava nos parceiros e principalmente na família, e na guia de todos Dna Maurilha, sua mulher.

Foi uma campanha estimulante para elegê-lo, e se criou na busca da eleição, a elegia do sonho, do impossível, e do vislumbre do tamanho de Xangri-Lá.

O palanque era peso pesadíssimo, e tinha que ser construído com muito cuidado porque os candidatos a prefeito e vice o fidelíssimo Xoto, somavam juntos quase trezentos quilos, mas revelaram-se ágeis bailarinos da Rita Lee nas memoráveis Festas do Coração Jovem que ganharam a parada.

A administração durou um ano, e praticamente deu todos os passos a frente que esta Prefeitura avançou em toda sua história, e foi abatida pelos ciclones políticos eleitoreiros que ficam girando nestas prefeituras cá do litoral, alimentadas pelos papos furados perdidos na Rio Novo, no rolo eterno das famílias do miolo de Xangri-Lá.

Cometeu ao fim do primeiro ano de mandato erros de avaliação e de parcerias que custaram o mandato, depois de ter inaugurado o prédio da Prefeitura, construído todos os quiosques e guaritas de beira mar, passarelas e praças, e graças ao grande Luizinho Zimmer, ter iniciado um ciclo virtuoso de limpeza e apuro visual que marcaram muito o novo município que se fazia.

Renatão inaugurou o Aldeia Shopping que mudou a Paraguaçu de Xangri-Lá, perseguiu a promessa do hospital, e iniciou os grandes condomínios de Atlântida ao abrir as portas do Lagos Park, em atitude e parceria e acolhimento que foi seguida pelo Xoto, ao licenciar o Carmel, Coronado, Ilhas Park, Green Village e outros que iniciaram este futuro tão impressionante.

Por todos os momentos foi marcante, e chegou perto de revelar tudo o que Xangri-Lá pode dar a seus filhos e amantes, ao trazer cursos profissionalizantes, reverenciar a memória ao expor as famílias que formaram o município, exaltar a unidade, criar cursos e trazer o Segundo Grau.

Foi engolfado pelos velhos esquemas de compadrismo, e se deixou levar pelas retrogradas parcerias com aqueles que foram derrotados na eleição, e que representavam como diz o Domenico di Masi, a vanguarda do atraso.

Ai viveu, enquanto ainda prefeito, o inferno do diz que diz, a miudeza e o varejo que sustentam esta montoeira de gente pendurada nas Prefeituras e Câmara, e atrasam a vida deste litoral, que já foi motivo de orgulho diante de, por exemplo, Santa Catarina, e que hoje nos enche de duvidas e preocupações com o futuro, a cada  Rosa, Jurere, Ibiraquera ou Imbituba que surgiram a quinze anos e já estão quarenta na nossa frente.

Renatão não merecia o fim que teve, mergulhado no esquecimento dos amigos, na faina da sobrevivência e na ausência de Dona Maurilha, mas foi daqueles que a vida cobra demasiado, sem que se sobreponham os créditos que juntou. Descanse em paz nas águas da Plataforma.

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  1. Renato Saraiva

    Vivi muito este tempo, pois morava em Xangrilá justamente na época em que Renatão foi Prefeito. Lembranças muito boas..

    Espero um dia voltar a esta terra e fazer parte dela, na verdade aogo que nunca saiu de mim…

    Magia de Xangrilá!!

    Saudades!!!

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