19 Janeiro 2010
Já faz um tempo que eu reparo que a revista Superinteressante anda meio preguiçosa nas suas matérias. A Cris já havia chamado atenção pra isso em maio do ano passado, e eu, com a mais recente edição nas mãos, venho reiterar os comentários dela à época e dizer que a sitruação não melhorou- pelo contrário, a Super tem vivido há anos de fórmulas prontas.
Uma das mais recorrentes: psicologia, psicanálise e/ou psiquiatria. Já tiveram matéria de capa intitulada “psicanálise funciona?”, e quase todo mês dão um jeito de reciclar o assunto. Nesta última edição, temos uma entrevista com Allan Hobson, psiquiatra que questiona a interpretação freudiana de sonhos e uma materieta de quase uma página apontando a diferença entre as supracitadas psicanálise, psiquiatria e psicologia. Sem contar a já batida análise comportamental de “como manipular pessoas” (nesta edição, com o objetivo de se dar bem no trabalho).
Outra que já virou tradição: peso. O comentário da Cris há menos de um ano se referia a uma edição cuja capa falava de dietas. Nesta última, o assunto era como alguns cientistas não acham correto associar magreza com saúde.
É incrível ver que até os mesmos livros são citados. Já perdi a conta de quantas vezes a Superinteressante já falou do A Jornada do Heroi, do Christopher Volger, e dos milhares de filmes de sucesso que foram inspirados por ele (geralmente, com destaque especial para a série Star Wars). E dessa vez, adivinhem: duas páginas de “Qual é a fórmula de sucesso dos blockbusters?”, esquematizando justamente a Jornada do Heroi. Fraco.
Mesmo os tão celebrados infográficos estão devendo. O dessa edição, sobre simbologia em túmulos nos cemitérios, é interessante, mas não está com um projeto gráfico muito arrojado. Uma ilustração de duas páginas com certos pontos numerados e legendas numeradas correspondentes a cada ponto. Pra puxar um gancho com o parágrafo anterior, lembro de um infográfico que falava da Jornada do Heroi em Star Wars. Três clichês juntos, mas mesmo assim, o projeto gráfico era uma coisa de outro mundo. Pra quem era fã de Star Wars, dava tranquilamente pra destacar as duas páginas e colar na parede, estilo pôster. Ou seja, até no que é reconhecido como “bom” a Super tem decaído.
Claro que não se pode perder de vista o que a revista tem de bom: ela cresce porque sabe utilizar uma linguagem agradável, tanto em termos de escrita como em questões visuais. Isso me agrada bastante, e fico pensando que talvez mais veículos pudessem adotar um tratamento assim, mais excitante e menos pretensioso. Mas é triste – especialmente para fãs tradicionais da Super, como eu, ou pessoas que no ensino médio sonhavam em trabalhar na Super, como eu – ver o conteúdo da revista reduzido à reciclagem de uma meia dúzia de chavões. A gente sabe que a Superinteressante pode mais.
Artigo de Luiza Monteiro
Fonte: http://jornalismob.wordpress.com



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