O advogado estava prestes a comprar o Sistema Difusora

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Personagem brasiliense enredado na delação premiada do empresário Joesley Batista, dono da JBS, teve uma ascensão financeira meteórica – e um tanto quanto questionável. Willer Tomaz de Souza foi preso em 18 de maio pela Polícia Federal durante a Operação Patmos e, na terça-feira (6/6), acabou denunciado pela Procuradoria Geral da República (PGR) por corrupção ativa, violação de sigilo funcional qualificada e obstrução à investigação de organização criminosa.

O advogado é de origem humilde, mas acumulou, em apenas nove anos de exercício profissional, um notável patrimônio. E ele não faz questão alguma de esconder seus “brinquedos” de luxo.

Willer foi detido em São Luís (MA) durante a negociação do Sistema Difusora, maior conglomerado de comunicação no estado.

De lá, acabou transferido para o DF. Ele está há mais de 20 dias no alojamento do Núcleo de Custódia da Polícia Militar, localizado Papuda: uma prisão de luxo para os parâmetros do complexo penitenciário, onde advogados e ex-policiais igualmente enrolados com a Justiça aguardam julgamento. Até ser pego pela PF, o brasiliense circulava por Brasília ao volante de carros importados.

Uma Ferrari e uma BMW X-6, cujos modelos mais completos giram em torno de R$ 600 mil, fazem parte da coleção do advogado. Ele também investiu em imóveis que impressionam pela ostentação. Duas das propriedades compradas por Willer Tomaz, há cerca de um ano, são faraônicas e estão localizadas em uma mesma rua, em Planaltina de Goiás, no Entorno do Distrito Federal.
Os imóveis ficam no chamado Balneário Santa Maria, uma região próspera que em tudo destoa da aridez habitual dos humildes bairros do Entorno. Trata-se de um oásis com casas suntuosas em propriedades à beira da Lagoa Formosa.

Nesse cenário bucólico e paradisíaco, perto do espelho d’água, Willer ergueu um complexo de lazer para familiares e amigos. No lote em frente, construiu seu recanto particular: uma mansão luxuosa, encravada no terreno com mais de 20 mil metros quadrados. Juntas, as duas propriedades custariam cerca de R$ 2,5 milhões, segundo funcionários de chácaras vizinhas e agentes imobiliários.

A propriedade às margens da Lagoa Formosa é quase um parque de diversões (veja vídeo abaixo). Oferece aos visitantes, entre outros confortos, um campo de futebol cujo gramado não deve em nada às melhores arenas brasileiras construídas para a Copa do Mundo 2014. Para manter sua vitalidade, a grama é regada e aparada semanalmente.

Apesar de contar com estruturas de alvenaria, a arquitetura da propriedade abusa das construções em madeira. O local chama atenção pelo belo paisagismo e por seus lagos artificiais ornamentados com moinhos hidráulicos. Varas de pescar ficam à disposição dos frequentadores amantes da pescaria.

Nos fundos da propriedade, a ostentação continua. Uma espécie de garagem protege embarcações dos efeitos do tempo. Já dentro do reservatório que banha o sítio, foi construído um refeitório sobre palafitas. Quem faz as refeições no local desfruta de uma vista incrível da lagoa e da marina.

Começo em Taguatinga

Antes de transitar com desenvoltura entre os poderosos dos mundos político, empresarial e do direito, Willer tocava um modesto empreendimento em Taguatinga, a Willer Informática, aberta em 1999, na comercial do Setor D Sul. Mas o negócio acabou quebrando e ele partiu para uma segunda opção: estudar direito e se formar advogado.

Aberto em 2010, o escritório nasceu em berço de ouro. A sede funciona em luxuosa casa no Conjunto 4 da QI 1 do Lago Sul (fotos abaixo). É o mesmo imóvel que abrigou a “República de Ribeirão” – em referência ao ministro da Fazenda do primeiro governo Lula, Antônio Palocci, ex-prefeito do município paulista e hoje preso no âmbito da Lava Jato. Segundo as denúncias do Mensalão, seria ali que integrantes do governo negociavam e confraternizavam com lobistas em festas animadas por garotas de programa.

Denunciado

O depoimento de Joesley Batista ao Ministério Público Federal, que ajudou a PF a prender Willer Tomaz, dá pistas de como ocorreu a ascensão profissional e patrimonial do advogado. Ele vendia influência e contatos com figuras proeminentes na política e no meio jurídico. Para a JBS, alardeou proximidade com o juiz substituto da 10ª Vara Federal de Brasília Ricardo Soares Leite, onde tramitam ações da Operação Greenfield, um dos braços da Lava Jato e que tem a JBS entre os alvos.

Também teria pedido mesada de R$ 50 mil para o procurador da República Ângelo Goulart Vilela, igualmente preso pela PF e suposto contato usado por Willer para obter informações privilegiadas da Lava Jato e repassá-las à JBS. Na mesma denúncia à Justiça contra o advogado brasiliense, a PRG denunciou o procurador pelos crimes de corrupção passiva com causa de aumento de pena, violação de sigilo funcional qualificada e obstrução à investigação de organização criminosa.

Para o MPF, não restou “sombra de dúvida de que Ângelo e Willer deixaram clara sua atuação em favor dos interesses da J&F (holding controladora da JBS), funcionando como verdadeiros defensores dos interesses do grupo econômico, valendo-se” da condição de Ângelo, procurador da República e então membro da força-tarefa da Operação Greenfield (desdobramento da Lava Jato), que ‘praticou e deixou de praticar atos de ofício.’”

Fonte:  https://jornalpequeno.com.br/2017/06/11/advogado-preso-pela-lava-jato-em-sao-luis-e-dono-de-patrimonio-luxuoso/