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A afirmação de que “as armas não matam pessoas, os doentes mentais é que matam” é insustentável. As armas matam pessoas. Quanto menos armas estão em uma comunidade, seja nas mãos de civis ou da polícia, mais segura é essa comunidade.

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1. O que diz Trump:

      ‘Não é sobre lei de armas’, diz Trump do tiroteio em Igreja Batista*
O presidente norte-americano, Donald Trump, declarou que o tiroteio que chocou o estado do Texas nesse domingo não tem relação com a lei permissiva de armas no estado. A declaração foi feita nesta segunda-feira (6) durante coletiva no Japão.

Trump disse ainda que o atirador era “um indivíduo muito perturbado, com muitos problemas” e que tinha “um problema de saúde mental no mais alto nível”, lembrando o mesmo discurso que fez após o tiroteio em Las Vegas.

– Não é uma situação que se possa atribuir às armas – concluiu o presidente durante a coletiva. Os jornalistas lembraram que o estado do Texas é o mais permissivo no controle de porte de armas de fogo, que podem ser usadas até em universidades e supermercados.

O tiroteio na Igreja Batista, que deixou 26 mortos e outros 20 feridos, deu maior força à discussão sobre controle de armas, que acirra o campo político entre democratas e republicanos nos Estados Unidos. De um lado, democratas pedem maiores restrições, enquanto o partido de Trump defende o porte.

A discussão é polêmica no país em que existem mais armas do que veículos – 265 milhões de armas, contra 263,6 milhões de carros, de acordo com o Departamento de Transporte dos EUA. Além disso, Trump teve sua campanha apoiada pela Associação Nacional de Rifles e criticada por pacifistas.

Trump está em viagem diplomática pela Ásia durante 12 dias. Nesta segunda, ele se encontrou com o primeiro-ministro e a primeira-dama do Japão e falou sobre os acordos comerciais com o país. O presidente americano chegou a fazer críticas, dizendo que os Estados Unidos estavam saindo no prejuízo, mas manteve a relação aberta.

*Fonte: Pleno.News

2. O que diz a pesquisa:

Pesquisa da School of Humanities and Social Sciences, Deakin University, Geelong, Australia.**

Doença mental e violência por armas: lições para os Estados Unidos, da Austrália e Grã-Bretanha**

Austrália, Grã-Bretanha e Estados Unidos são sociedades diretamente comparáveis. Os dados estatísticos confirmam que eles têm taxas semelhantes de doença mental, incluindo as formas de doença mental mais susceptíveis de serem associadas a comportamentos violentos. As três sociedades têm uma mídia negativa e construção de cultura popular de doenças mentais, incluindo um senso exagerado da periculosidade dos doentes mentais. Eles também têm, através dos meios de comunicação tradicionais e das mídias sociais, acesso ao mesmo script do apocalipse pessoal. O que os homens australianos e britânicos não têm acesso fácil, no entanto, são armas de fogo.

As diferenças significativas entre as três sociedades são o número de armas de fogo na comunidade e se a polícia está armada.

No Reino Unido, as armas são difíceis de obter e a polícia geralmente não está armada. Uma pessoa que sofre de uma crise de saúde mental é improvável que possa causar sérios danos a outras pessoas, e a polícia quase sempre poderá resolver essa crise sem uma fatalidade.

Na Austrália, as armas são difíceis de obter, mas a polícia é rotineiramente armada. O maior risco de fatalidade é para os doentes mentais, devido a uma resposta policial que envolve automaticamente armas de fogo.

Nos Estados Unidos, as armas de fogo são facilmente acessíveis. Uma pessoa mentalmente enferma em crise geralmente tem uma arma disponível capaz de infligir facilmente violência letal, em alguns casos, sobre um grande número de pessoas em pouco tempo. A polícia também está geralmente armada e, embora os dados sejam insatisfatórios, uma proporção desconhecida (mas provavelmente grande) de um número desconhecido (mas muito grande) de civis mortos a tiro são doentes mentais.

Os benefícios do controle estrito de armas e da polícia desarmada são mais claramente ilustrados pelas diferenças nas mortes devido à ação da polícia. A população dos Estados Unidos é quase cinco vezes maior que a da Grã-Bretanha. Isso significa que, de acordo com dados conhecidos como uma grande subestimação (Planty et al., 2015), um civil dos EUA está entre 171 e 226 vezes mais chances de ser morto por um policial do que uma pessoa que vive na Grã-Bretanha no pior ano registrado da última década (Teers 2015).

A afirmação de que “as armas não matam pessoas, os doentes mentais é que matam” é insustentável. As armas matam pessoas. Quanto menos armas estão em uma comunidade, seja nas mãos de civis ou da polícia, mais segura é essa comunidade.

**Fonte: Violence and Gender

Copiado de:  http://saudepublicada.sul21.com.br/2017/11/10/apesar-das-pesquisas-sobre-os-atentados-trump-nao-quer-alterar-sua-relacao-com-a-industria-de-armas/