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Arte de Camila Adamoli sobre imagem do Youtube

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São tantas emoções…

Primeiro, a “veneranda” (assim os advogados costumam adjetivar uma decisão, por mais injusta ou iníqua que seja, como dizia o grande Heleno Fragoso, que não era o grande Heleno de Freitas, registre-se) sentença que aplicou um código feito na república BR (Beira Rio). Despiciendo discutir o seu conteúdo.

Meus alunos de primeiro ano, mesmo os colorados, disseram: ´Putz, essa foi demais. Foi gol de mão´.

De minha parte e da torcida gremista, esperamos que o mesmo magistrado e o mesmo promotor de justiça se redimam desse gol contra (o direito) e sejam rigorosos com relação aos episódios lamentáveis ocorridos no Estádio Beira-Rio e alrededor.

A pedra no ônibus é selvageria. E o que dizem da “recepção” dada à torcida do Grêmio? A ver, pois.

A propósito: será que procurei mal? Não vi na imprensa escrita relatos e críticas aos episódios de violência. Bom, talvez eu não tenha lido a parte das ocorrências policiais. Vou procurar melhor.

Adiante. Impressionante é o freudiano fascínio de David Coimbra para com a cor vermelha. Desde o chope cremoso e da costela que assou para Fernando Carvalho, o réu não se ajuda. Como denuncia o blog do RW, poderia, depois do jogo, colocar várias manchetes como “Grêmio poderia ter goleado no primeiro tempo”, “Grêmio é melhor”. Não. E não.

O gremista mais apaixonado pelo Inter escreveu: “Na derrota Inter mostrou que pode vencer”. Bingo. Vai ver que isso faz parte de uma estratégia para que a torcida e a direção técnica do Inter pensem que tem um bom time. Neste caso, David é um grande estrategista…!

Pois é. O jogo que eu vi não foi o mesmo que David Coimbra viu. Vi um primeiro tempo em que o Grêmio arrasou e poderia ter feito, facilmente, quatro gols. No segundo tempo, Grêmio apagou. Inter cresceu menos por seus méritos do que pela inércia tricolor. O que fez o Inter? Chutões para a área. Pressão e correria. Eis o que vi do Inter no segundo tempo. Claro que foi melhor…e perdeu.

E, atenção: ouvi e vi muitos gremistas esculacharem o Grêmio do segundo tempo. Por que esse auto chicoteamento? Ora, primeiro, ganhamos o jogo. Segundo, ganhamos o jogo. Terceiro, ganhamos o jogo e no campo do colorado. Qualquer time terminando o primeiro tempo com dois gols de vantagem – tendo dado um baile no adversário – entra no segundo tempo mais relaxado (é claro que não deveriam ter exagerado no relaxamento!). E é evidente que quem está perdendo entra mordendo os calcanhares do adversário. Mas, chega de profecias sobre o passado. Porque até estas podemos errar.

Sigo. No fundo, David deu a senha para a IVI, cuja linha de raciocínio foi seguida, em parte, por ´ivistas´ clássicos como Diogo Oliveira. Outro gremista fascinado pelos vermelhos, Zini Pires (não esqueçamos da mistura do Pavão com o Urubu e no que deu – fiz uma coluna sobre isso no blog Corneta do RW), preferiu falar dos aplausos dos torcedores…do Inter, sem escrever uma linha da estrondosa vaia que a torcida do Inter destilou…contra o próprio time. Que coisa, não?

O juiz Dallessandro tentou apitar – como sempre faz – e não se houve bem. Aliás, Diori Vasconcelos, membro da CIA (Comentaristas Isentos de Arbitragem – sucursal da IVI) não escreveu uma linha sobre os dois patéticos cartões amarelos dados a Geromel e Kanneman. Os cartões deveriam ter sido dados apenas aos faltosos, que não foram eles. Basta olhar na tevê.

Interessante é que Diori justificou o não-cartão no pênalti. Os palavrões e as peitadas que o juiz Dalle e o bandeirinha Dourado deram no pobre do árbitro substituto não mereceram uma linha sequer do comentarista isento de arbitragem. Ficou como sendo um ´desafio´. “Normal do jogo” ou algo assim. Peitar virou apenas “desafiar”.

Outro episódio interessante foi o destempero do performático técnico Odair. Faz caras e bocas, reclama escandalosamente, peita árbitro de linha e quejandos. Talvez não tenha se dado conta de que: a) ele não é o Tite que quer imitar; b) Tite não tem esses destemperos e chiliques; c) não se deu conta do tamanho do clube que está treinando.

Treinador de time grande não pode ter chiliques assim. E nem preparador físico pode entrar em campo daquele modo.

Post scriptum: vi o Twitter de um torcedor dizendo que estava claro porque Tite não convocava Geromel: porque plicou dois balõezinhos e depois deu um balão para o ataque. Hum, hum. E o twitador era…gremista.

Agora entendi. Geromel dá dois balõezinhos, é o melhor zagueiro brasileiro e…chutou a bola para o ataque. Lembro de uma piada: o sujeito foi desafiado a ter 100 relações sexuais. Estádio cheio. Conseguiu 99 ereções. Aplausos. Sucesso. Na centésima vez, não conseguiu. E a torcida: “Brocha, brocha!”.

Pois é.

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– Lênio Streck escreve Jus Azul às terças-feiras. Contato: lenios@globomail.com

– Roberto Siegmann escreve Jus Vermelha às sextas-feiras. Contato: roberto@SiegmannAdvogados.com.br

Copiado de:  http://www.espacovital.com.br/noticia-35823-as-99-erecoes-geromel-e-os-dois-cartoes-esquecidos-pela-cia