05.02.10 – 10:27
A ação de reparação de danos morais movida pelo ex-agente do Dops (Departamento de Ordem Política e Social) João Augusto da Rosa contra Luiz Cláudio Cunha, autor do livro “Operação Condor: o Sequestro dos Uruguaios”, acabou se transformando, em audiência realizada ontem, num acerto de contas entre perseguidos e agentes das ditaduras sul-americanas dos anos 70 e 80.
A obra de Cunha, que é jornalista, relata o sequestro dos ativistas uruguaios Universindo Díaz e Lilian Celiberti e de seus dois filhos menores, em novembro de 1978, em Porto Alegre (RS), por agentes do Dops, entre os quais Rosa.
Rosa, que nega participação no sequestro, pede na Justiça indenização porque não autorizou o uso de suas fotos e porque a obra não menciona que ele foi absolvido em segunda instância por falta de provas de seu envolvimento no sequestro.
A maior parte da audiência da última quinta-feira, 4, realizada na 18ª Vara Cível de Porto Alegre, foi preenchida por relatos pormenorizados do sequestro ocorrido há 31 anos.
Rosa foi chamado de “sequestrador” e “mentiroso” diversas vezes ao longo dos 80 minutos da sessão. Na sua inquirição, que durou 13 minutos, o ex-agente do Dops queixou-se da “dor” de seus “filhos e netos” após o ressurgimento da acusação de sequestro.
Um dos momentos de maior tensão ocorreu quando a juíza Helena Maciel perguntou a Lilian Celiberti, arrolada como testemunha do autor, se ela conhecia o ex-agente do Dops.
A uruguaia olhou fixamente para Rosa durante alguns segundos e sentenciou: “Ele foi um dos que me sequestraram e me levaram ao Uruguai”. O ex-agente permaneceu impassível.
Após o sequestro, Celiberti foi ilegalmente levada ao Uruguai, onde passou cinco anos presa. Ela contou que não pode testemunhar no processo por abuso de autoridade contra o ex-agente, no início dos anos 80, porque estava “isolada num calabouço”.
Em seu depoimento, o autor do livro defendeu-se da queixa de danos morais alegando que todas as fotos já haviam sido publicadas pela revista “Veja”, que relatou o caso no final dos anos 70, e classificou a absolvição como “irrelevante” porque as “provas estavam penduradas em uma masmorra uruguaia”.
Ao deixar a audiência, Rosa voltou a negar o crime e afirmou que vira Celiberti pela primeira vez ontem. Ele expressou frustração com a audiência, cujo foco na demanda por ofensa moral acabou deslocado para o sequestro. A sentença deve sair nas próximas semanas.Fonte: Folha On Line
Fonte: www.camera2.com.br



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