publicada sexta, 15/01/2010 às 19:36 e atualizado sexta, 15/01/2010 às 19:36 |
O Marco Aurélio mantém um blog muito divertido, chamado “doladodelá” – http://maureliomello.blogspot.com/
Ele se especializou em escrever pequenas novelas, que lembram os velhos folhetins publicados em jornais na virada do século XIX para o XX.
Há quem diga que as novelas do Aurélio são baseadas em fatos reais. Recentemente, ele contou a história da moça que trabalhava como repórter de TV, e foi cooptada (por um maquiador, chamado “Su”) para realizar fantasias sexuais de empresários, num barco da Amazônia. Parece ficção. Mas há quem diga que é tudo baseado em fatos reais. Há quem diga que o barco existe. E que a repórter também existe. Eu não sei. O Aurélio deve saber.
O Marco Aurélio, como eu, trabalha em TV. É editor.
Como eu – e mais uma meia dúzia de 3 ou 4 – ele foi afastado da Globo por bater de frente com certa linha (?) editorial adotada pela emissora.
Há quem diga que, quando era editor na Globo, Aurélio fazia trabalho de ficção; e que, agora, que escreve ficção num blog, ele faz jornalismo puro.
Não sei. Mas o Aurélio deve saber.
O mais novo folhetim do Aurélio tem o nome de “A Rainha do Carnaval”. Conta a história de outra repórter de TV, que começou a vida na prostituição de luxo, na zona sul do Rio. E depois foi parar no vídeo.
Uma das passagens mais curiosas é quando – no capítulo 4 – a repórter se refere a um diretor da emissora em que trabalha (advinhem qual seria a emissora?):
“- Sabe que, por falar em chicote, dizem que tem um diretor lá na TV que é adepto da auto-flagelação.
- Jura? Quem é?
- É um esquisito, que eu sempre vejo caminhando no calçadão. Ele abotoa a camisa até em cima, para ninguém ver as marcas. Qualquer hora te mostro.”
Pura ficção? Há quem diga que não.
Se eu fosse o Aurélio, juntava essas histórias todas e publicava em livro…
O Aurélio é uma espécie de Nelson Rodrigues cibernetico: as histórias dele são cheias de personagens pervertidos, esquisitos…
Talvez o Aurélio (sujeito modesto) não goste dessa comparação. O Nelson Rodrigues era um gênio. O Aurélio é um ótimo editor. Mas a comparação faz algum sentido…
O Nelson Rodrigues também usava os bastidores da imprensa para suas histórias. Como em “Beijo no Asfalto”. Nelson conta a história de Arandir, sujeito simples, casado com Selminha. Ele vê um rapaz ser atropelado, aproxima-se do moribundo, que lhe pede um beijo. O Arandir dá o beijo, por compaixão. Um repórter inescrupuloso – Amado Ribeiro – cria a partir desse fato uma história espetacular. Faz ficção na página do jornal, sem avisar os leitores. Amado insinua que entre Arandir e o morto havia um caso homossexual, o que provoca uma reviravolta completa na vida de Arandir.
O repórter Amado, dizem, existia.
Mas e na história do Aurélio: quem é o diretor que usa camisa fechada pra andar no calçadão? Esse personagem existe? Ele de fato pratica auto-flagelação?
Não sei. Mas o Aurélio deve saber.
Fonte: http://rodrigovianna.com.br


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