Filho de imigrante e operário da construção civil fui criado em Petrópolis que já foi um bairro de classe alta. Quando meus pais compraram um terreno lá e construíram nossa casa, era praticamente um vazio. Eu e meu mano, o Henrique, estudávamos no Colégio Rio Branco. Recebíamos o dinheiro contado para as passagens de ida e volta. Pra fazer uma economia e assim termos uns trocados nos bolsos, nós e outros meninos, ao invés de tomarmos o bonde no retorno, o fazíamos a pé. E evitávamos a Protásio Alves então “muito movimentada” em termos de trânsito de veículos. Por isto caminhávamos pela Rua Felipe de Oliveira, paralela a Protásio Alves. Quando chegávamos à esquina da Rua Borges do Canto onde havia uma praça com uma enorme caixa d’água, ali encontrávamos um velho senhor, franzino, com rosto fino e muito tranqüilo. Com ele conversávamos por algum tempo. Dele recebíamos sempre conselhos no sentido de nos empenharmos nos estudos. E aqui digo a vocês que aquele senhor simpático e educado era Érico Veríssimo, com quem conversávamos por um bom tempo. Bons tempos aqueles e que infelizmente não mais voltam por que a vida é assim.



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