Cachorro surgiu no Oriente Médio, mostra análise de DNA

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18.03.10 – 09:54

Um São Bernardo é tão diferente de um chihuahua que nem parecem ser da mesma espécie. Mas o maior estudo genético já feito sobre cães domésticos acaba de mostrar que, no seu DNA, as várias raças de cachorro são ainda mais parecidas do que se imaginava.

Enquanto a maioria das diferenças de peso e altura em humanos e outros animais envolvem um punhado de genes com efeitos individuais pequenos, em cachorros um único gene é responsável por mais de 50% da variação no tamanho do corpo, por exemplo.

Os cientistas conseguiram também apontar o local onde os primeiros lobos foram domesticados: no Oriente Médio, e não no extremo Oriente, como se pensava.

Editoria de Arte/Folha Imagem

Eles puderam chegar a essa conclusão analisando o trechos do material genético de mais de 900 cachorros de 85 raças e de lobos do mundo inteiro. Assim, foi possível criar um grande retrato de família, montando uma árvore genealógica da espécie.

Ela é bem inesperada, porque a localização geográfica das raças não parece ter relação com as diferenças genéticas entre elas –ao contrário do que ocorre com espécies que evoluem naturalmente. Afinal, é a seleção artificial humana, não a seleção natural, a principal força a guiar a evolução canina.

As pessoas escolhem os animais que vão sobreviver utilizando critérios como a docilidade, a beleza, a utilidade na caça ou com rebanhos. A seleção artificial faz com que as características da região onde o bicho vive não sejam tão importantes quanto a vontade dos criadores na determinação das suas características.

Os cientistas perceberam como a domesticação podia causar grande impacto nos animais na década de 1950. O soviético Dmitri Belyaev, na época, selecionou por seis gerações os filhotes de raposa mais dóceis para se reproduzirem. Ao final, os animais eram ávidos por contato humano e até ganharam características físicas que humanos consideram simpáticas, como orelhas caídas.

Origens

A seleção artificial aconteceu com força em dois momentos, diz Robert Wayne, biólogo da Universidade da Califórnia em Los Angeles. Ele é coautor do estudo, que envolveu um grupo de 36 cientistas e sai na edição de hoje da revista “Nature”.

O primeiro momento ocorreu no próprio Oriente Médio, quando surgiram cerca de 20% das raças atuais. Foi quando surgiu a agricultura, há 10 mil anos, que os laços entre humanos e cachorros se estreitaram. “Nessa região, eles são encontrados enterrados com as pessoas. Em um caso, um filhote foi enterrado nos braços de um homem”, diz Wayne.

O outro foi no século 19, quando virou moda criar novas raças de cachorros e apareceram 80% das atuais, dizem os cientistas. Na época se fortaleceu o conceito de “pureza” das raças, surgindo, a partir de então, animais com todo tipo de comportamento e porte.

A partir da 2ª Guerra Mundial, o pedigree se tornou mania entre quem queria comprar um cachorro. O que os cientistas questionam agora é se tal esforço pela purificação das raças é saudável. A falta de variedade genética pode facilitar a proliferação de doenças.

O debate se reacendeu quando Barack Obama decidiu qual cachorro iria morar na Casa Branca –um cão d’água português, para decepção dos grupos de direitos dos animais, que preferiam um vira-lata.

Fonte: Folha On Line

Um São Bernardo é tão diferente de um chihuahua que nem parecem ser da mesma espécie. Mas o maior estudo genético já feito sobre cães domésticos acaba de mostrar que, no seu DNA, as várias raças de cachorro são ainda mais parecidas do que se imaginava.

Enquanto a maioria das diferenças de peso e altura em humanos e outros animais envolvem um punhado de genes com efeitos individuais pequenos, em cachorros um único gene é responsável por mais de 50% da variação no tamanho do corpo, por exemplo.

Os cientistas conseguiram também apontar o local onde os primeiros lobos foram domesticados: no Oriente Médio, e não no extremo Oriente, como se pensava.

Editoria de Arte/Folha Imagem

Eles puderam chegar a essa conclusão analisando o trechos do material genético de mais de 900 cachorros de 85 raças e de lobos do mundo inteiro. Assim, foi possível criar um grande retrato de família, montando uma árvore genealógica da espécie.

Ela é bem inesperada, porque a localização geográfica das raças não parece ter relação com as diferenças genéticas entre elas –ao contrário do que ocorre com espécies que evoluem naturalmente. Afinal, é a seleção artificial humana, não a seleção natural, a principal força a guiar a evolução canina.

As pessoas escolhem os animais que vão sobreviver utilizando critérios como a docilidade, a beleza, a utilidade na caça ou com rebanhos. A seleção artificial faz com que as características da região onde o bicho vive não sejam tão importantes quanto a vontade dos criadores na determinação das suas características.

Os cientistas perceberam como a domesticação podia causar grande impacto nos animais na década de 1950. O soviético Dmitri Belyaev, na época, selecionou por seis gerações os filhotes de raposa mais dóceis para se reproduzirem. Ao final, os animais eram ávidos por contato humano e até ganharam características físicas que humanos consideram simpáticas, como orelhas caídas.

Origens

A seleção artificial aconteceu com força em dois momentos, diz Robert Wayne, biólogo da Universidade da Califórnia em Los Angeles. Ele é coautor do estudo, que envolveu um grupo de 36 cientistas e sai na edição de hoje da revista “Nature”.

O primeiro momento ocorreu no próprio Oriente Médio, quando surgiram cerca de 20% das raças atuais. Foi quando surgiu a agricultura, há 10 mil anos, que os laços entre humanos e cachorros se estreitaram. “Nessa região, eles são encontrados enterrados com as pessoas. Em um caso, um filhote foi enterrado nos braços de um homem”, diz Wayne.

O outro foi no século 19, quando virou moda criar novas raças de cachorros e apareceram 80% das atuais, dizem os cientistas. Na época se fortaleceu o conceito de “pureza” das raças, surgindo, a partir de então, animais com todo tipo de comportamento e porte.

A partir da 2ª Guerra Mundial, o pedigree se tornou mania entre quem queria comprar um cachorro. O que os cientistas questionam agora é se tal esforço pela purificação das raças é saudável. A falta de variedade genética pode facilitar a proliferação de doenças.

O debate se reacendeu quando Barack Obama decidiu qual cachorro iria morar na Casa Branca –um cão d’água português, para decepção dos grupos de direitos dos animais, que preferiam um vira-lata. Folha On Line

Fonte: www.camera2.com.br

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