A cada grau celsius a mais na temperatura, o consumo de cerveja no Brasil cresce 0,28%, segundo o superintendente executivo do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), Enio Rodrigues. Este ano, janeiro está em média 4°C mais quente do que o previsto para o período no Rio de Janeiro. Somado ao calor, a Copa do Mundo, que será em junho, deve impulsionar as vendas das cervejarias, que projetam aumento de até 12% em 2010. O mercado estima que tenha expandido 5% no ano passado.
O consumo de água mineral no País também avançou 15% este mês e pode chegar a 20% de alta durante o verão, segundo previsão da Associação Brasileira de Indústria de Água Mineral (Abinam). Os meses mais quentes – dezembro, janeiro e fevereiro – respondem, tradicionalmente, por 40% do consumo anual de água mineral.
Os dados da entidade mostram que, em novembro, foi registrado aumento de 10% das vendas em relação ao mesmo mês de 2008. Em dezembro, em razão das chuvas, o consumo ficou inalterado na comparação.
Segundo a meteorologista Marlene Leal, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), era esperada temperatura em torno de 32,6°C na cidade – semelhante aos 32,8 graus registrados em 2009 -, mas a média está em 36,2 graus.
O aumento da temperatura influenciou o consumo de bebidas em estabelecimentos comerciais, segundo o Sindicato de Hotéis, Bares e Restaurantes do Rio de Janeiro (SindRio). Em janeiro, foi registrado crescimento de 30% no consumo de cerveja em garrafa em relação a janeiro de 2009. E a venda de chope cresceu 40% na mesma comparação.
Para Leo Feijó, diretor do SindRio e sócio de dez estabelecimentos do Grupo Matriz, com o calor as pessoas preferem bebidas mais refrescantes, como cerveja e chope. Ele afirma que a presença de turistas na cidade também influencia as vendas. “Até o Carnaval, os bares e casas noturnas têm movimento grande durante mais dias da semana, não só de quinta-feira a domingo, como normalmente acontece”, disse.
Entre novembro e abril – período considerado verão expandido – a indústria cervejeira concentra 60% das vendas anuais, segundo a Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe). Em 2009, até o final de setembro, segundo dados da Nielsen, o mercado de cerveja movimentou 6,313 bilhões de litros, o que gerou faturamento de R$ 25,535 bilhões. Os números são 3,6% superiores ao volume de 2008, em igual período, e 8,7% maiores que a receita.
Enio Rodrigues lembra que ainda não foram divulgados os dados de 2009, mas o mercado projeta crescimento de 5% na produção. Para ele, o aumento da renda e a estabilidade da economia contribuem para o aumento do consumo. “O calor de dezembro a fevereiro ajuda muito nas vendas de cerveja. Este ano, se o calor continuar forte, somado à Copa do Mundo, o mercado pode crescer até 10%, dependendo da economia”, disse Rodrigues.
O Brasil é o quarto no ranking mundial de produção de cerveja, com 10,34 bilhões de litros por ano, perdendo apenas em volume para a China (35 bilhões de litros por ano), Estados Unidos (23,6 bilhões de litros por ano) e Alemanha (10,7 bilhões de litros por ano). Rodrigues acredita que o País deve passar a Alemanha em produção, quando saírem os dados do setor de 2009.
O planejamento do Grupo Petrópolis, para atender à demanda da estação mais quente do ano, começa no terceiro trimestre do ano, com a aceleração da produção para estocagem. O gerente de marketing do grupo, Douglas Costa, disse que a indústria trabalha em três turnos nesse período, dado o forte movimento. “O consumo de cerveja está muito ligado à temperatura. Em dezembro, choveu muito em São Paulo e isso afetou um pouco as vendas na região. Isso acontece também no Rio, com a variação do clima”, afirmou.
Segundo ele, a Copa do Mundo representa movimento semelhante ao do verão. “Estamos otimistas. Com a melhora na economia, o verão e a Copa, projetamos crescimento de até 12% nas vendas deste ano”.
Aumento da renda eleva em 0,6% gasto com bebidas
O incremento de 1% na renda da população eleva em 0,6% os gastos com cerveja, segundo os dados do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv). Diretor de marketing do Grupo Schincariol, Luiz Cláudio Taya disse que a melhora do poder aquisitivo da classe C reflete nas vendas do setor. O grupo vai investir R$ 1 bilhão em cinco anos para ampliar a capacidade de produção. “Temos vendido muito também a garrafa de 600 ml, de consumo compartilhado, o que reduz o valor gasto com a bebida”, afirmou Taya.
Outro fator que contribui para o aumento é a comercialização de novos produtos, que também inclui a linha de barril de 5 l e a embalagem de 250 ml. O grupo de supermercados Extra projeta incremento de 30% na venda de cervejas em janeiro e fevereiro frente igual período de 2009.
Segundo a Abrabe, as garrafas retornáveis representam quase 70% do total de cerveja vendida no país. As outras opções, long neck e latas, disputam o mercado de maior poder aquisitivo. Segundo a entidade, é com a comercialização da garrafa de vidro que está a maior receita das cervejarias.
As bebidas alcoólicas foram os principais responsáveis pelo crescimento de 3,2% nas vendas dos supermercados em 2009. Em 2008, a variação ficou em 0,4%, de acordo com o Índice Nacional de Volume, pesquisado pela Nielsen para a Associação Brasileira de Supermercados (Abras).
A cesta de bebidas alcoólicas cresceu 8,6% no período. Dentre os produtos que tiveram maior crescimento em volume vendido, a cerveja ficou em quarta posição, com 10,5%.
O executivo de atendimento da Nielsen, Marcos Senine, afirmou que a diversificação do tamanho das embalagens foi um dos fatores para o aumento das vendas de cerveja no ano passado. Ele disse que o mercado de comercialização da bebida está crescendo ao longo dos últimos anos.Fonte: G1
Fonte: www.camera2.com.br
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