Reunião de condomínio: o que ela tem a ver com as questões sociais e ambientais em nosso País
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Nós brasileiros somos um povo com inúmeras qualidades: empreendedor, criativo, com uma fantástica capacidade de aprendizado, simpático por natureza e muito resiliente. Isto para não citar outras tantas. Temos porém alguns comportamentos com os quais nos acostumamos a conviver e que, sem dúvida alguma, inibem de uma forma ou de outra um afloramento mais pujante das nossas qualidades, qualidades estas importantíssimas para um posicionamento mais competitivo do Brasil no mundo. Querer levar vantagem em tudo é um destes comportamentos. Levar vantagem pode ser um comportamento muito sadio, se esta vantagem puder ser obtida através do seu próprio esforço e competência. Torna-se porém inaceitável quando obtida às custas do desrespeito ao direito de outros. Furar a fila, passar pelo acostamento, trancar os cruzamentos, instalar gatos, sonegar impostos, piratear, jogar o lixo no chão, gastar água em excesso, desmatar, enfim poderíamos enumerar muitos outros exemplos. Vejam o que ocorre nos três poderes do nosso País. É só ler o jornal todas as manhãs. O pior de tudo, é que aqueles que usufruem destas vantagens ainda são enaltecidos por grande parte da nossa sociedade. Um exemplo emblemático deste comportamento é o que normalmente ocorre nas nossas reuniões de condomínio. Nelas a maioria dos condôminos participantes, em geral poucos, prioriza quase sempre os seus interesses pessoais em detrimento dos assuntos que dizem respeito ao bem estar geral. Ora, se o desinteresse pelo local em que moramos já é grande, o que esperar em relação ao Município, ao Estado ou ao País em que vivemos? Ser em geral mais reativo e pouco preventivo é outro comportamento característico que, a meu ver, também impacta a nossa competitividade e ofusca em parte as nossas qualidades. Tantos são os exemplos de uma reação vigorosa, por parte dos responsáveis, após a ocorrência de um acidente. O pior é constatar que muitos destes acidentes poderiam ter sido evitados se uma atitude mais preventiva tivesse sido adotada. Tenho uma teoria de que este comportamento decorre do fato de que muitos de nós têm como objetivo estudar para passar na prova e não para adquirir conhecimento. Somente nos dedicamos a adquirir este conhecimento de fato quando ele é requerido, seja na vida pessoal como na profissional. Por não sermos preventivos, nunca demos tratos à bola para economizar energia. Foi preciso um apagão para nos fazer ver a necessidade de fazê-lo. Aí sim a nossa reação foi espetacular, fizemos um dos mais efetivos racionamentos de energia já realizados no mundo. Até quando teremos que esperar para que providências mais sérias e urgentes sejam tomadas em relação à qualidade do ensino público, ao saneamento básico, à proteção das nossas florestas e da água potável? Só depois de um desastre? Para algumas dessas questões não há retorno, e aí? É claro que comportamento é passível de mudança. Se acreditarmos que focando nos dois acima mencionados teríamos uma grande chance de melhorar as nossas condições para um desenvolvimento sustentável do País, então por que não agir? Educação é a chave de tudo. Por que não iniciar nas escolas? Campanhas de mobilização, se bem feitas, funcionam. A do racionamento de energia funcionou. O importante é começar. Quem sabe as reuniões de condomínio se tornariam mais efetivas? * Rudolf Höhn é Colunista Fixo de Plurale, escrevendo um artigo por mês. É Presidente do Conselho de Responsabilidade Social da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ), Presidente da ONG Ação Comunitária e Sócio-Diretor da E-Hunter. Foi presidente da IBM no Brasil. |
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