Padre Francisco Costa, prior de Trancoso, um pioneiro

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Dec 16th, 2009

by miltonribeiro.

Sentença Proferida em 1487 contra o Prior de Trancoso (do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, autos arquivados no armário 5, maço 7):

Padre Francisco da Costa, prior de Trancoso, de idade de sessenta e dois anos, será degredado de suas ordens e arrastado pelas ruas públicas nos rabos dos cavalos, esquartejado, o seu corpo e postos os quartos, cabeça e mãos em diferentes distritos, pelo crime que foi arguido e que ele mesmo não contrariou, sendo acusado de ter dormido:

– com vinte e nove afilhadas e tendo delas noventa e sete filhas e trinta e sete filhos;
– de cinco irmãs teve dezoito filhas;
– de nove comadres trinta e oito filhos e dezoito filhas;
– de sete amas teve vinte e nove filhos e cinco filhas;
– de duas escravas teve vinte e um filhos e sete filhas;
– dormiu com uma tia, chamada Ana da Cunha, de quem teve três filhas,
– da própria mãe teve dois filhos.

Total: “duzentos e setenta e cinco, sendo cento e quarenta e oito do sexo feminino e cento e vinte e sete do sexo masculino, tendo concebido em cinqüenta e quatro mulheres”.

Porém…

… “El-Rei D. João II lhe perdoou a morte e o mandou por em liberdade aos dezassete dias do mês de Março de 1487, com o fundamento de Ajudar a povoar aquela região da Beira Alta, tão despovoada ao tempo e guardar no Real Arquivo da Torre do Tombo esta sentença, devassa e mais papéis que formaram o processo”.

Não há notícia do que fazia com os meninos.

Fonte: http://miltonribeiro.opsblog.org

Diz o blogueiro – esta igreja de Roma já nasceu podre e como tal se conserva só que hoje nada mais podem esconder. Ela é uma máquina de dominação no mundo e arrecada como ninguém mais.  Porém seu fim está próximo, pois penso que não resistirá muito mais do que um século. O tempo dirá se estou certo ou não.

INSTITUTO HISTÓRICO e GEOGRÁFICO

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NOTÍCIAS

Rua Sen. Pinheiro Machado, 384 – CEP 95500-000

SANTO ANTÔNIO da PATRULHA–RS

Ano 8                          Nº. 92             Dezembro 2009

Responsabilidade  Renato José Lopes – e-mail : rjlopes@cpovo.net

O P I N I Ã O

Embora o caráter de absoluto interesse em servir à comunidade cultural patrulhense, e, em especial o setor de recuperação de seu passado histórico, indispomos na mídia escrita de pequenas, senão, mínimas referências ao nosso trabalho.

Nossos trabalhos, que julgamos de interesse da comunidade cultural – e cito, Ruas de Santo Antônio da Patrulha, em seus 3 volumes, estudo da Lagoa dos Barros, Transcrição das Atas da Câmara Municipal – não encontram guarida na mídia escrita, quer local, quer na capital do estado, apesar de enviados regularmente os nossos Boletins mensais, com a autorização expressa para a sua publicação.

Refiro-me especificamente ao caso da visita da Diretoria do IHG que fez em Agosto para entregar ao Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul, um volume de nosso trabalho mais importante, que vale a pena repisar, consumiu sete anos de trabalho árduo, persistente e dedicado de nossa colega Teresinha Bemfica Bier, que mereceria ficasse registrado na mídia impressa, no mínimo, por uma pequena nota.

Mas, infelizmente, em nosso país, estados e municípios, CULTURA soa como nome impróprio e além do mais não dá retorno eleitoral.

Assim, é entristecedor necessitarmos de “pedir de chapéu na mão” para os redatores dos jornais para darem publicidade às nossas atividades, e, nem desta forma somos atendidos.

A todos os assinantes almejamos um FELIZ NATAL e ANO NOVO próspero.

REUNIÃO de 9 de Dezembro

No dia 9 de Dezembro reuniram-se, nas dependências do Restaurante SABOR em Pitangueiras o Presidente Luciano Gomes Peixoto, e os associados Jaime N. Müller, Renato J. Lopes, Regina B. dos Santos, Luiza M. da G. Brufatto, Maria Helena Gil Peixoto, Marleni Cardoso Pereira, Ana Zenaide G. Ourique e Ana Maria Massulo.

Como se tratava de uma reunião de confraternização, a mesma foi conduzida pelo Presidente Luciano, que inicialmente solicitou a assinatura das atas anteriores e a seguir passou a palavra à colega Ana Zenaide que fez a distribuição dos mimos relativos ao XX Raízes e oferecendo a todos um CD, em que estão as fotos do evento, além de slides e canções que foram executadas durante o mesmo.

Em seguida a colega Teresinha entregou o Boletim do Instituto Histórico de Santa Catarina, que mensalmente recebemos, além da Revista do IHG-SC de número 27 e relativo ao ano de 2008, tendo o colega Renato solicitado ficar provisoriamente com a Revista, para que pudesse elaborar um comentário sobre o seu conteúdo.

Foram distribuídos os boletins mensais, que por um lapso de impressão, saíram num formato menor, o que foi explicado pelo redator do mesmo.

Na hora do lanche os convidados Antonio C. Brito, Secretário Municipal de Cultura e Turismo, Fernando Lauck, Diretor de Cultura e Gloria Terra, Diretora Geral da Secretaria de Cultura se fizeram presentes, oportunidade em que no ambiente descontraído, o Secretário Brito agradeceu o empenho dos membros do IHG nos dois eventos realizados este ano em nosso município, em especial no Raizinha e que, embora com recursos escassos, a sua secretaria tudo faria para manter o nível de eventos durante o próximo ano, eis que teremos as comemorações dos 250 anos da construção de nossa primeira capela e que dará inteiro apoio às iniciativas das festividades programadas.

Finalmente, o Presidente Luciano ao agradecer a presença dos componentes da Secretaria de Cultura, disse do interesse do Instituto em editar no próximo exercício a continuidade do trabalho de transcrição dos Livros da Câmara Municipal do Século 18 e desejou a todos os presentes votos de um Feliz Natal e Ano Novo, pleno de realizações, com o que encerrou a presente reunião.

INSTITUTO CULTURAL PORTUGUÊS HOMENAGEIA

VÉRA LUCIA MACIEL BARROSO

No dia 30 de Novembro, em sua sede na rua Plácido de Castro, 154, o Instituto Cultural Português prestou significativa homenagem à nossa conterrânea e colega Dra. Véra Lucia Maciel Barroso, em razão de sua intensa participação na aproximação cultural entre os dois países.

Na oportunidade o evento teve como foco a figura de nossa colega na criação e execução do Projeto Raízes do Quadrante Patrulhense, que neste ano efetuou em nossa cidade o seu 20º Encontro, com o êxito habitual.

O Instituto Histórico patrulhense sente-se orgulhoso por contar entre seus membros a nossa querida Véra e a parabeniza por mais este justo reconhecimento ao seu dedicado trabalho.

INSTITUTO HISTÓRICO e GEOGRÁFICO

de SANTA CATARINA

Recebemos o Boletim Mensal nº 138 do Instituto Histórico e Geográfico do estado de Santa Catarina, o que vem ocorrendo regularmente onde são relatadas as suas atividades, ressaltando o artigo de capa de um painel sobre os Desastres Naturais, que vem ocorrendo no vizinho estado.

Também recebemos a Revista do IHG-Santa Catarina de nº 27 em sua 3ª fase e relativo ao ano de 2008, num volume muito bem impresso e que contem inúmeros artigos versando sobre História e Geografia, enfocando um resumo de suas atividades no decorrer daquele ano.

Completa-se assim, juntamente com as revistas do IHG do nosso estado e do IHG do Paraná, a informação dos eventos e realizações efetuadas pelos mesmos no ano de 2008.

Documento histórico de 1778 é encontrado

em SANTO ANTÔNIO DA PATRULHA

Entre tantos documentos de expressivo valor histórico encontrados no acervo de Dona Julieta Moraes Bemfica, destacamos nesta oportunidade o recibo de venda de terras com benfeitorias, que faz Francisco Gonçalves de Souza pelo valor de Dezenove contos e 200 mil réis, notando-se a data de 20 de Janeiro de 1778 e as assinaturas do vendedor e das testemunhas.

Fonte:  rjlopes@cpovo.net

A morte de Che Guevara

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Morto a tiros nos fundões da Bolívia no dia 9 de outubro de 1967, o argentino Ernesto “Che” Guevara tombou como um mártir da causa da revolução latino-americana.

O seu nome, que atingiu proporções mitológicas universais, está intimamente ligado aos levantes anticolonialistas das décadas de cinqüenta e sessenta do século XX que se espalharam pela África, Ásia e América Latina.

Herança infeliz

Che durante seu momento mais glorioso

O resultado dessa luta, entretanto, foi trágico, visto que, os que, na América Latina, escolheram o caminho da transformação pela luta guerrilheira amargaram um triste final, pois os novos regimes implantados, no caso de Cuba e da Nicarágua, não conseguiram superar a pobreza e as dificuldades materiais que os seus países herdaram de tempos remotos.

Esse fracasso, todavia, não ensombrou a imagem de Che Guevara que, para todos os efeitos, restou intacta, sendo reproduzida em pôsteres, camisas, boinas, bottoms e até como marca de cerveja. Virou grife da sociedade de consumo contra quem ele também moveu guerra.

A morte de Guevara

“Para os revolucionários não há descanso no túmulo”
Saint-Just, 1793

Num antigo poema grego Aquiles, o herói da Guerra de Tróia, considerava que, de certo modo, fora bom ele ter morrido ainda guapo, em pleno ardor da batalha, porque o valente não se imaginava alcançando a velhice, enrugado e cercado de netos, andando meio tonto pela casa como se fora um traste que ninguém sabe onde colocar.

Ernesto Guevara, o “Che”, talvez tenha também pensado assim nos segundos que antecederam sua execução por ordem do governo boliviano no dia 9 de outubro de 1967, em La Higuera, um remoto fundão boliviano onde ele havia sido capturado ferido.

Da mesma forma que todo o jovem grego idealizou Aquiles, nele se inspirando, milhares de rapazes latino-americanos idolatravam Guevara, cuja imagem em pôster – lembrando um Cristo rebelde – fazia parte da decoração de quarto de estudante naqueles anos que chumbo e sangue.

E, até nos dias de hoje, nos lugares mais diversos, especialmente nos ambientes universitários, vê-se ainda jovens com a imagem de Che estampada nas camisetas ou fixada nas paredes dos corredores.

Guevara era um tipo estranho, um aventureiro que entrou na revolução cubana assim que como por acaso. Verdade que desde os tempos de jovem acadêmico ele viajava pela América Latina e, crescentemente, se indignava com a miséria, a injustiça e a brutalidade que via instalada por toda a parte.

Aventurando-se pela América Latina

O corpo de Che Guevara na Bolívia

Formado em medicina chegou a ter a idéia, quando estava de passagem pelo Peru, de ir tratar os hanseáticos confinados na ilha da Páscoa.

Revelava um sentimento de afeto pelos seus vizinhos latino-americanos rara num argentino, povo que, em sua maioria, acreditam viverem num recanto europeu à beira do Rio da Prata, um exclusivo nicho civilizado encravado num continente cercado por bugres e bárbaros.

Quando Fidel Castro, exilado no México em 1956, organizava sua expedição de revolucionários para retornar a Cuba, para dar início a uma guerra contra a ditadura de Fulgêncio Batista, alguém lhe sugeriu o nome do Doutor Guevara.

Os cubanos precisavam de um médico e o “Che” concordou em participar da aventura. A sua última ocupação na capital mexicana era no mínimo prosaica: vendia coleções de livros – viam-no sentado nos bancos das praças lendo-os ao invés de negociá-los. Era um excêntrico!

Na Sierra Maestra

Partido do México, feita a travessia a bordo do superlotado iate “Granma”, os revolucionários quase foram dizimados nos dias seguintes ao desembarque no oriente da ilha, ocorrido em 2 de dezembro de 1956. Na verdade o barco não ancorou na praia, ele simplesmente afundou. De uma partida inicial de 82 rebeldes, emboscados pelos soldados do ditador Batista, eles viram-se reduzidos a apenas 18 sobreviventes armados no alto da Sierra Maestra.

O doutor, premido pelo tiroteio, entre seus apetrechos de socorro e uma arma, teve que deixar de lado as ataduras e pegar num rifle. Eis que em pouco tempo revelou-se mais destro com ele do que com o bisturi. Trata-se de um fenômeno psicológico intrigante explicar como um ser educado como Ernesto Guevara (formado numa faculdade de medicina portenha e pertencente a uma família tradicional) transformou-se num astuto e incansável líder de guerrilhas.

Apesar de ser estrangeiro, um argentino, em pouco tempo conseguiu a admiração dos seus companheiros cubanos. A tal ponto chegou o seu prestígio junto ao grupo que Fidel Castro entregou-lhe, na etapa derradeira, o comando de uma coluna revolucionária, a que tomou Santa Clara de assalto. Episódio que pôs a correr do palácio o ditador Fulgêncio Batista.

Quando por fim os guerrilheiros chegaram ao poder no Ano Novo de 1959, nomearam-no ministro da revolução. Che assumiu a presidência do Banco Nacional, chegando a imprimir um peso com sua assinatura. Mas aí já era tarde. Guevara não se adaptou mais ao trabalho em tempo de paz. Viver do cheiro da pólvora já fazia parte do seu sangue.

Na busca da revolução universal

O seu olhar, em pouco tempo, deu para contemplar outros horizontes, outras batalhas. Seu ódio aos norte-americanos fez com que imaginasse transformar a America Latina numa “imensa Sierra Maestra”, local de onde legiões de guerrilheiros poderiam ameaçar o colossal império dos ianques. “Um não, mas vinte Vietnãs!”, como disse por aquela época.

Converteu-se então num peregrino da Revolução Mundial convicto de que sua “teoria do foquismo” – segundo a qual um pequeno grupo de gente decidida, de armas na mão, independente das condições objetivas, dava início a uma insurgência – poderia ser aplicada em qualquer canto do Terceiro Mundo. A essência do pensamento revolucionário dele concentrava-se na crença não-marxista de que a força da vontade era auto-suficiente como promotora das mudanças sociais necessárias.

No seu desprezo pela classe média, minimizou a importância social e cultural dela. Assim ele considerava positivo que os revolucionários pusessem para fora de Cuba os “pequeno-burgueses”, não se dando conta que com isso, ao mandá-los para o exílio na Flórida, retirava da revolução os seus elementos mais empreendedores, capazes e instruídos. Gente qualificada que foi enriquecer a economia daquele estado, visto que a comunidade cubana tornou-se a mais próspera de todas.

Cuba virou uma ilha de pobres, governada por um estado que manifesta pavor a qualquer iniciativa individual que esteja fora do seu controle. Desde então, o empreendedor por lá foi percebido como um anti-social, uma semente da contra-revolução, um potencial inimigo do regime.

Em março de 1965, depois de trotar pelo globo como o arauto da revolução, ele abandonou a importante posição no alto comando da revolução embrenhando-se no Congo e, a seguir, na selva boliviana. Montou sua base em Ñancahuazú, um fundão de mundo situado nas beiradas da mata amazônica, onde ele terminou seus dias.

Ao invés do apoio esperado, deparou-se com a gélida indiferença dos camponeses descendentes de índios. Aqueles rostos pétreos cor de cobre, de olhares inexpressivos, assinalaram a proximidade do seu fim, como se fossem prenúncios da lápide da sua futura sepultura. Na época, sabedor das andanças dele pela região, o governo local colocou sua cabeça a prêmio por U$ 4.200.

O fim em La Higuera

Denunciado por uma camponesa, cercado pelos rangers bolivianos sob o comando do capitão Gary Prado num lugar acidentado chamado de Quebrada Del Yuro, depois de um tiroteio, Guevara levemente ferido foi aprisionado na escolinha de La Higuera. Quando se vira perdido Che disse aos soldados que o cercavam: “Não disparem. Sou Che Guevara, e valho mais vivo do que morto.” Mas de nada lhe serviu.

No dia seguinte, após uma ordem expedida de La Paz, foi metralhado pelo tenente Mário Terán. Segundo os militares presentes suas últimas palavras foram: “Digam a Fidel que esse fracasso não significa o fim da revolução, que ela triunfará em qualquer outra parte. Digam a Aleida que esqueça tudo isso, que volte a casar, que seja feliz e cuide para que os meninos continuem estudando. Peçam aos soldados que façam boa pontaria.”

A foto do seu cadáver, posto sobre uma maca na lavandeira do Hospital Nuestro Señor de Malta, no lugarejo Vallegrande, para onde ele fora removido de helicóptero, foi mostrado ao mundo.

Havia um quê de místico naquele corpo emagrecido e perfurado de balas, estirado sozinho naquele lugar singelo. Imagem que lembra muito os santos martirizados das épocas primeiras do cristianismo Soube-se que, para fins de rigorosa identificação, os soldados bolivianos o mutilaram cortando-lhe as mãos que foram guardadas em formol.

Transcorridos trinta anos da sua morte, achados por fim os seus despojos enterrados secretamente nos arredores de Vallegrande, os cubanos, recambiando-lhe os ossos, deram-lhe um enterro decente num memorial erguido em Santa Clara (cidade que ele tomou antes de chegar a Havana), onde ele continua sendo um ícone nacional.

Por outro lado talvez ele não gostasse de estar vivo hoje para ter que testemunhar como tudo acabou num trágico, triste e melancólico fracasso. Analisando-se em retrospecto os descaminhos da revolução, presenciando-se o isolamento de Cuba e as crescentes dificuldades do regime de Fidel Castro, foi bem melhor para Guevara ter morrido moço.

Bibliografia
  • Anderson, Jon Lee – Che Guevara, Uma Biografia (Editora Objetiva, Rio de Janeiro,1997)
  • Castañeda, Jorge. C. – Che Guevara, uma vida em vermelho (Editora Companhia. das Letras, São Paulo, 1997)
  • Karol, K.S. – Los guerrilleros en el poder (Editora Seix Barral, Barcelona, 1972)
  • Rojo, Ricardo – Meu amigo Che (Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 1968)Fonte: http://educaterra.terra.com.br/
  • Pena de estupro em 1833

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    estupro

    Os caroneiros do mito farroupilha

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    MITO FARROUPILHA

    Oportunistas querem mamar leitinho eleitoral da velha vaca sagrada da ideologia estancieira

    Recebo de um leitor atento a cópia digitalizada do boletim eleitoral do único deputado estadual do PC do B alusivo ao 20 de Setembro (acima, fac-símile parcial).

    Segundo o nosso gentil leitor, militantes pecedobistas estavam panfleteando o material eleitoral no Acampamento Farroupilha, no Parque da Harmonia, centro de Porto Alegre, ontem, dia 20 de Setembro.

    Li parcialmente o panfleto laudatório ao que eles chamam de “Revolução Farroupilha”. Uma confusão só. O material tem a nítida intenção de pegar carona no prestígio popularesco da ideologia do gauchismo e da mitologia farroupilha. O texto é uma simplificação grosseira da historiografia dos fatos ocorridos entre 1835 e 1845 no Rio Grande do Sul. A começar que denomina a guerra civil farrapa de “revolução farroupilha”.

    Já se vê que os nossos comunistas de mentirinha leram pouco e leram mal as obras de Marx. Se é que leram. Em “A ideologia alemã”, casualmente escrito entre 1845/46, Marx e Engels definem o que seja um processo revolucionário. Eles falam do chamado “salto cataclísmico” de um modo de produção para o seguinte, provocado pela convergência de conflitos entre as velhas instituições e as novas forças produtivas que lutam para se impor. Ora, nos conflitos do decênio farrapo jamais foi cogitado algo semelhante. A própria ideia de república era uma consigna anêmica e mitigada. Portanto, a institucionalidade era conservadora e o modo de produção continuaria baseado nas vastas estâncias pastoris tocadas a trabalho escravo. Onde se encontram, então, os elementos necessários para a ocorrência de uma revolução autêntica e genuína?

    Marx no belo texto que lhe é peculiar, cheio de pequenas anedotas, espírito agudo e fina ironia, ainda observa que em qualquer revolução é preciso “limpar as estrebarias de Áugias que estão transbordando de estrume” – referindo-se aos doze trabalhos do herói mítico Hércules que desviou dois rios para limpar num só dia as cocheiras fétidas de um velho reino grego.

    As estrebarias do Rio Grande do Sul, pois, ficaram simbolicamente mais sujas, depois de 1845. Uma velha classe de civis e militares se revezaram vegetativamente no poder provincial, como xerifes vigilantes da imperial família Bragança. Enquanto isso, sua base social de sustentação política – o latifúndio pastoril (de tão atrasados sequer cultivavam a terra) de exportação – se apropriava de tantas terras públicas quanto fosse possível.

    Essa farra latifundiária sem limites e com licença para roubar terminou somente em 1891, com a Constituição escrita pelo republicano Julio Prates de Castilhos, dando início, assim, a um novo ciclo político modernizador e revolucionário que vai durar mais de trinta anos no Rio Grande do Sul – onde explodiram dois conflitos sangrentos – 1893/95 e 1923/24 – sempre provocados pela reação maragata (estancieiros ex-monarquistas).

    Mas isso não interessa aos oportunistas que só apostam nas leviandades e meias-verdades do senso comum mais obtuso. O negócio é continuar pescando votinhos nas águas turvas do consenso mais rasteiro e ideologizado.

    Redator: Cristóvão Feil – Data: 21.9.09

    Fonte: http://diariogauche.blogspot.com/

    Os cem mil degolados de 1893

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    Menos, amigo, menos!

    Meu amigo Flavio Tavares está com a mão pesada. Num só artigo (acima) degolou como 85 mil guascas, impiedosamente. Quer suplantar o velho maragato Adão Latorre, o maior degolador do Rio Grande, que passou a lâmina branca na garganta de centenas de cueras entre 1893 e 1895, e seguiu cortando na revolução de 1923, que durou onze meses.

    Segundo o acatado historiador Joseph Love, “a guerra [civil de 1893] durou 31 meses e produziu de dez a doze mil baixas numa população de um milhão de pessoas”. O que, convenhamos, é um número expressivo de mortos, em tão pouco tempo de conflitos. E nem todos perderam a vida pela degola, mas também em combates e refregas cruentas nas coxilhas e restingas do Pampa.

    Wenceslau Escobar afirma na obra “Apontamentos para a história da Revolução Rio-grandense de 1893″ (Ed. UnB, 1983) que ocorreram 134 assassinatos no período do governo de Vitorino Monteiro e Fernando Abbott, a maioria destas mortes foram por execução de degola. Segundo os federalistas (maragatos), adversários do castilhismo-republicano, os assassinatos políticos passaram de 250 vítimas.

    “Em parte alguma a instabilidade política – assegura Love -, nos anos iniciais da República , foi maior do que no Rio Grande do Sul. Entre a queda do Império e a segunda posse de Castilhos, em janeiro de 1893, o governo estadual mudou de mãos 18 vezes”. Foram os “governichos”, como os classificou o republicano Julio de Castilhos no jornal do PRR, A Federação.

    Em nenhum autor – Walter Spalding, Artur Ferreira Filho, Sergio da Costa Franco, Decio Freitas, Sandra Jatahy Pesavento, Moacyr Flores, Joseph Love, John Chasteen, Mário Maestri, Alfredo Bosi e Luiz Roberto Targa entre outros – nós vamos encontrar tantas vítimas da revolução burguesa de 1893 quanto o nosso Flavio Aristides Tavares.

    Isso está parecendo aquela história da avioneta que caiu sobre um cemitério do interior. Ao cabo do segundo dia de buscas, o pessoal chucro da região já tinha contado como quatrocentos mortos.

    Fac-símile parcial da página 13 do jornal Zero Hora, edição dominical de 20/set/2009.

    Redator: Cristóvão Feil

    Fonte: http://diariogauche.blogspot.com/

    Resgate dos falashas, missão difícil

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    Na Idade Média, corria o boato de que uma das 10 tribos de judeus perdidas (eram 12 na saída do Egito) poderia ser encontrada na África, mais precisamente na Etiópia. A lenda foi esquecida até o final do século 18, quando um viajante europeu encontrou os falashas (estrangeiros, em etíope, termo considerado pejorativo pelos judeus) vivendo em aldeias no interior da Etiópia.

    Eles falavam algumas palavras em hebraico e cumpriam o Pentateuco, os cinco primeiros livros da Bíblia que os judeus chamam de Torá. Isolados do mundo, nada sabiam do destino dos reinos de Israel e Judá nos séculos passados, nem das transformações ocorridas no judaísmo. Depois desse encontro, foram novamente esquecidos.

    Eram bem tratados pelos monarcas etíopes, como o último imperador, Haile Selassie, que governou até 1974. Ele se apresentava como o rei da Etiópia e o Leão de Judá. O leão também era símbolo dos antigos reis judeus.

    Tudo teria começado quando o rei Salomão recebeu a visita da rainha de Sabá que lhe trouxe incontáveis presentes. Segundo a lenda, os dois tiveram uma ligação amorosa. Dessa união, teria surgido a Casa Real da Etiópia (Beita Israel, como se intitulam os judeus etíopes). Os judeus negros da Etiópia se consideram descendentes daquela noite em Jerusalém. Preservaram sua religião num ambiente desfavorável por séculos.

    Até 1984, viveram num país relativamente amigo. Recebiam em suas vilas ajuda médica e financeira de instituições filantrópicas judias. Naquele ano, houve uma grande fome na Etiópia, um fenômeno comum em regiões onde a chuva decide a vida e a morte. O governo comunista do coronel Mengitsu Haile Mariam ficou enfraquecido com a fome e sofreu derrotas nas mãos de grupos separatistas da região da Eritréia (com saída para o Mar Vermelho) e teve início uma guerra civil que só culminou, em 1991, com a queda de Mengitsu e a tomada da capital Adis-Abeba pelos rebeldes. Nesse período, minorias, como os falashas, foram perseguidas.

    Um milhão de etíopes fugiram a pé, cruzando desertos na direção do Sudão. Milhares, o número jamais foi determinado exatamente por absoluta falta de estatísticas, morreram no caminho de fome, sede e doenças. Entre os que saíram, havia 10 mil judeus, dos quais exatos 6.354 chegaram vivos ao fim da jornada. Israel decidiu abrigá-los. Mas o Sudão muçulmano era, e continua sendo, inimigo dos israelenses. Há mais de 20 anos, uma guerra civil entre o Norte muçulmano e o Sul cristão, assola o país.

    Com ajuda dos EUA, Israel e Sudão fizeram um acordo para retirada dos judeus. Eles partiriam para Israel via Bélgica. Os refugiados deixaram o país em barcos e aviões, no maior segredo. “Eles iriam aumentar a população do Estado judeu, e isso não era aceito pelo mundo árabe”, diz o diplomata Michel Feldman, um dos artífices do resgate dos falashas.

    Quando a Etiópia estabeleceu relações diplomáticas com Israel, Feldman tornou-se representante diplomático israelense no país, com a missão de reunir os judeus e prepará-los para a emigração. Com a guerra civil, a minoria corria perigo. Feldman organizou a Operação Salomão. “Durante 22 horas, em 44 aviões que pousaram no aeroporto da cidade, foram retirados 14.310 falashas exatamente”, lembra Feldman. (N.S.)

    Fonte: http://www2.uol.com.br/JC/_1998/1005/in1005d.htm

    RBS apresenta documentário sobre o Hino Rio-Grandense

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    Especial será exibido neste domingo, 20

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    No próximo domingo, 20, a RBS TV exibe o documentário ‘Hino Rio-Grandense – a Incrível História’. A composição musical, que tem uma história polêmica e curiosa, será apresentada logo após o programa Teledomingo.

    Em 1838, na Batalha do Barro Vermelho, em Rio Pardo, durante a Guerra dos Farrapos, os rebeldes cercaram os soldados leais ao Império e prenderam o maestro Joaquim José de Mendanha e os músicos da banda do 2º Batalhão de Fuzileiros Imperial. Foi assim que um maestro mineiro, monarquista, mulato, prisioneiro, foi obrigado a compor uma música para o Hino da República Rio-Grandense. Alguns anos depois, o maestro foi acusado de plagiar uma valsa de Strauss e a letra teve três versões, sempre contestadas; a que prevaleceu foi de um poeta popular conhecido como Chiquinho da Vovó.

    “Foi num salão de baile de Rio Pardo”, diz o diretor do documentário, Rene Goya Filho, “que o hino foi apresentado pela primeira vez e para lá levamos um grupo de músicos para apresentar a versão considerada como original. Então, será no mesmo local em que o Hino Rio-Grandense foi executado pela primeira vez”. O escritor Luiz Antonio de Assis Brasil que escreveu um livro sobre o maestro Mendanha, participa do programa, juntamente com os historiadores Tau Golin, Moacyr Flores, Aida Ferreira e Emiliano Linberger; e os músicos Antônio Borges-Cunha e Celso Loureiro Chaves.

    ‘Hino Rio-Grandense – a Incrível História’ tem direção de Rene Goya Filho e roteiro de Grace Luzzi. Participação especial da cantora Vanessa Longoni e músicos convidados, regidos pelo Maestro Fernando Cordella. A trilha sonora original é de Duca Leindecker, fotografia de Pablo Chassereaux e direção de produção de Glauco Urbim. O documentário é uma produção do Núcleo de Especiais da RBS TV, que tem direção geral de Gilberto Perin.

    Fonte: Coletiva.Net

    Nos tempos em que as estâncias eram de todos

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    Por Mário Maestri, de Porto Alegre
    Herança jesuíta permanece na memória dos tempos

    Na memória histórica foi preciso apagar os longos e estranhos tempos em que os pampas e os
    gados eram de todos, e não só de alguns poucos donos

    Em 1626, jesuítas cruzaram o rio Uruguai e fundaram missões, a partir do noroeste do atual Rio Grande do Sul, sobretudo com populações guaranis. Em 1634, os inacianos importaram 1.500 bovinos para formar os rebanhos dos 16 pueblos do Tape. Em 1636-38, o gado foi abandonado pelos guaranis missioneiros, que retornaram para a outra banda do Uruguai, assaltados pelos paulistas escravizadores. O rebanho multiplicou-se, atravessou os rios Jacuí-Ibicuí em direção ao sul, formou a enorme vacaria do Mar, entre o oceano e os rios Jacuí e Negro.

    Na segunda metade do século 17, devido à crise da economia açucareira, a coroa portuguesa retomou a procura das minas e lançou novas iniciativas econômicas. Em 1680, fundou a Colônia do Santíssimo Sacramento, diante de Buenos Aires, na outra margem do rio da Prata. Procurava com ela retornar às trocas de cativos, manufaturados e produtos da costa do Brasil pela prata andina, permitidas pela coroa espanhola até o fim da União Ibérica, em 1640. Os couros trazidos pelos espanhois de Buenos Aires ou do interior da banda oriental do Uruguai, por portugueses, castelhanos e charruas, garantiram o sucesso da cidadela.

    Em 1682, os guaranis missioneiros retornaram ao atual Rio Grande do Sul para barrar o saque das vacarias dos pampas e o avanço lusitano. Os Sete Povos apoiaram-se fortemente na extração animal, inicialmente, e na sua criação, a seguir. Mais tarde, a regressão do pastoreio fortaleceu a agricultura missioneira. A economia pastoril dos Sete Povos constituiu a pré-história das estâncias sul-riograndenses. Não procedem as propostas ideológicas de que ela seria mera exploração predatória do gado chimarrão.

    Em Origens da economia gaúcha: o boi e o poder, livro póstumo de 2005, Guilhermino César descreve a organização das estâncias jesuíticas como a “mais simples possível”: “[...] um grupo de catecúmenos [...] tangia reses mansas para um posto deserto, deixava-as em liberdade, e estava formado o criatório.” Essa prática jamais teria constituído verdadeira economia pastoril, já “que a criação se fazia [...] ao deus-dará”, com os gados “espalhados, em desordem” caminhando “sem restrições”. Segundo ele, nenhum “regime fundiário vigorara naquela ‘terra de ninguém’ [sic]”, onde a incúria quase natural e o “nomadismo congenial” dos guaranis teriam determinado tamanha “instabilidade” na atividade “que, à flor do chão, não ficou memória das estâncias jesuíticas”, esfumando-se na “mente coletiva” sua recordação. Essa leitura foi amplamente difundida pela historiografia tradicional sulina, que estabeleceu hiato radical entre as histórias guarani-missioneiras e sul-riograndense.

    Inicialmente, a exploração missioneira das vacarias deu-se sob licença dos padres superiores, preocupados em não esgotar os gados. Os vaqueiros guaranis não praticaram o abate geral de animais pelo couro, sebo e graxa, deixando as carcaças nos campos, como os corambreros ibéricos e nativos trabalhando em especial para Sacramento. Nos anos 1690, exagerando enfaticamente, o padre Sepp escrevia que, após dois meses, os vaqueiros retornavam com “cinqüenta mil vacas”, para a “a alimentação” anual de sua missão. Contava que, nos navios da Ordem, partiam 300 mil couros, de “touros mais crescidos”, e não de “vacas”, certamente para manter a “procriação indispensável”.

    Preocupados com a perenidade dos rebanhos, os missioneiros fundaram, em 1700, a vacaria dos Pinhais, no Planalto, nas margens do rio Pelotas. Quando os gados das vacarias do Mar e dos Pinhais foram esgotados, pelos coureadores e tropeiros, fogueados pelas descobertas das minas [1695] e pela fundação da vila de Rio Grande [1737], os vaqueiros das missões enfatizaram a criação animal nas estâncias dos pueblos.

    As grandes estâncias missioneiras, delimitadas por rios, riachos, matas, serros, etc., subdividiam-se em sedes e postos, com aldeias de 10 a 12 famílias, com suas capelas, currais, plantações, etc., povoadas por posteiros, que domesticavam e tratavam os animais nos rodeios e cuidavam que não fugissem. No Planalto, estâncias menores, próximas aos Sete Povos, invernavam o gado trazido pela Boca do Monte [atual Santa Maria] e pelo Boqueirão [atual Santiago], para o consumo dos pueblos. A criação missioneira assumiu o caráter de produção pastoril extensiva herdado pelas futuras estâncias luso-brasileira, disseminadas na Campanha, nas Missões, nos Campos Neutrais e no norte do atual Uruguai, principalmente a partir de 1780, após a instalação de charqueadas no Sul, que valorizou muito a exploração mercantil dos rebanhos.

    O laço, as boleadeiras, o poncho, o mate, o churrasco, a doma em campo aberto, o aquerenciamento e manejo dos gados no rodeio, as vaus dos rios, os boqueirões nas serras, a origem de muitas cidades sulina, etc. foram algumas das heranças legadas pelas missões guaranis à civilização sul-riograndense. Foi muito amplo o arrolamento de missioneiros e de nativos pampianos como peões nas fazendas luso-brasileiras que proliferariam na região.

    A grande diferença entre as duas sociedades foi o caráter do trabalho e da propriedade da terra, coletivo nas missões guaranis, privado nas fazendas luso-brasileiras. Para que, após a ocupação militar lusitana das Missões, em 1801, as estâncias coletivas guaranis fossem melhor repartidas em sesmarias privadas, exploradas com o braço escravizado e assalariado, era necessário que desaparecesse na memória histórica regional aqueles longos e estranhos tempos em que os pampas e os gados eram de todos, e não apenas de alguns poucos.

    13/9/2009

    Fonte: ViaPolítica/O autor

    Bibliografia consultada:
    BRUXEL, Arnaldo. Os trinta povos guaranis. Caxias do Sul, Universidade de Caxias do Sul, Porto Alegre: Escola Superior de Teologia São Lourenço de Brindes, Sulina, 1978.
    CESAR, Guilhermino. Origens da economia gaúcha: o boi e o poder. Porto Alegre: IEL: Corag, 2005.
    MAESTRI Mário.[Org.] O negro e o gaúcho: Estância e fazendas no Rio Grande do Sul, Uruguai e Brasil. Passo Fundo: EdiUPF, 2008.
    MONTEIRO, Jonathas da Costa Rego. A colônia do Sacramento. 1680-1777. Porto Alegre: Globo, 1937. 2 vol.
    PINTOS, Anibal Barrios. De las Vaqueiras al alambrado. Montevideo: Nuevo Mundo, 1967.
    PORTO, Aurélio. História das missões orientais do Uruguai. 2 ed. Revista e melhorada pelo p. L.G. Jaeger. Porto Alegre: Selbach, 1954. 2 vol.
    QUEVEDO, Júlio. As Missões: crise e redefinição. São Paulo: Ática, 1993.
    SEPP S.J., padre Antônio. Viagem às missões jesuíticas e trabalhos apostólicos. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo, EdUSP, 1980.
    SEVERAL, Rejane da Silveira. A Guerra Guaranítica. Porto Alegre: Martins Livreiro, 1995.

    Mário Maestri é historiador e professor do Curso e do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Passo Fundo (UPF).

    E-mail: maestri@via-rs.net

    NÃO SÃO DE HOJE AS FARRAS

    História Sem comentários »

    por Ruy Gessinger

    Existe uma obra em alemão : ” dr. Herrmann Blumenau – ein Bild seines Lebens” ( dr. H.B, um retrato de sua vida). Nela são reproduzidas cartas que Blumenau escreveu a seus familiares na Alemanha no período 1846/l850. Estiveram esquecidas num baú, até que, recentemente descobertas, foram publicadas.

    Chegado a terras brasileiras, Blumenau vem ao RGS e, em seguida vai ao Rio de Janeiro. De lá escreve longa carta ( 3.8.1846), a terceira desde que aqui chegara. Diz que tem vontade de ficar no Brasil, mas não no R. de Janeiro, do qual está saturado. Fala maravilhas do RGS mas, no que tange ao Brasil é peremptório:

    ” es fehlt nur eins – eine vernünftige Regierung, die Treu und Glauben hält und nicht wie jetzt unter ihren Beamten 99% Spitzbuben und Schurken zählt”
    ( só falta uma coisa – um governo sério que mereça fé e confiança e que não tenha, como agora, entre seus funcionários, 99% de ladrões e patifes).

    Para se ver que a ” cultura” da safadeza saltou aos olhos de um observador estrangeiro.

    A Fundação Cultural de Blumenau traduziu e publicou todas as cartas a que me referí, sendo de indispensável consulta inclusive para quem quiser ter um retrato do próprio Rio Grande de 150 anos atrás. ( Blumenau em Cadernos, tomo XXXIX, ns. 3 e seguintes)

    Fonte: http://blog.gessinger.com.br/

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