Posted: 02 Jan 2011 07:03 PM PST
O ano que passou foi, para O Pensador Selvagem, um ano de reformas. Uma série de pequenas (e grandes) mudanças, algumas visíveis como a chegada de excelentes novos colunistas e blogueiros e o lançamento do OPS! Debate, outras “atrás das cortinas”, como a divisão de tarefas no gerenciamento do portal, resultaram em um crescimento expressivo em nossa audiência, pelo menos em termos quantitativos.
No que diz respeito à qualidade de quem nos visita, também temos orgulho em afirmar que temos pessoas de excepcional nível intelectual, profunda sensibilidade e altíssimo juízo crítico, a se julgar por alguns dos comentários que podemos acompanhar nos textos de nossos colunistas e blogueiros.
Em se tratando de números – e gosto de registrá-los no editorial para comparar com os números de anos passados e daqueles que estão por vir, temos alguns achados pecualiaríssimos – que demonstram o tipo de interesse que os leitores tem pelo nosso conteúdo bem como o rápido sucesso que um novo colunista consegue atingir em nossa rede. Vamos a alguns exemplos, pegando dados atuais:
Entre os textos mais lidos do ano, encontramos um texto do professor Henrique Cruz, em sua coluna Fundamentos. A coluna trata de um tema bastante específico, e geralmente árido: Matemática. Com seu artigo Contar e Medir, o professor Henrique atingiu a marca de 11478 visitas no ano de 2010, um número bastante expressivo, que nos faz festejar e comemorar o fato de atingirmos um dos objetivos iniciais de nosso portal, lá em 2007, que é o de justamente misturar o acadêmico com o popular, tornando inteligível ao público comum os mistérios da academia e, em variados graus, permitir uma abertuda da academia ao que é produzido nos meios populares.
Olhando agora os textos mais visualizados dos últimos 30 dias, percebemos um fenômeno interessantíssimo: dos 5 textos que constam entre os mais visualizados do último mês, todos os 5 são de autores novos, que chegaram ao OPS! nos últimos 2 ou 3 meses. Tanto Não existe CC competente! (5789 leitores) de Luiz Afonso Escosteguy, quanto O homem da minha vida (4591 leitores), de Raimundo Neto, O que Freud não soube me explicar (3900 leitores), de Lize Lobato, A Mídia, Prates, Pondé e os pobres (3642 leitores), de Beauvoiriana e E o velho safado descobre John Fante (3299 leitores), de Afonso Félix estão fabulosamente bem lidos para um escopo de 30 dias.
Finalizando nossa leitura estatística deste final de 2010, quando analisamos os textos mais lidos dos últimos 7 dias, notamos que 4 dos 5 textos mais lidos contam com mais de 1000 leitores neste espaço de tempo. O primeiro, de Flávia Cera, entitulado Por um ano novo chegou a soma de 2498 leitores em uma semana, catapultado pela divulgação no twitter e pela sua própria rede de leitores já cativos.
Esses números, que nos deixam exultantes, vem aumentando mês a mês, mostrando que, talvez – e somente talvez – esteja realmente acontecendo uma migração de leitores oriundos das mídias tradicionais para portais e pessoas que ajudem a refletir o mundo de uma forma mais isenta e independente. É por isso que blogueiros como nosso Marco Weissheimer, do RS Urgente, Luiz Carlos Azenha, do Vi o Mundo, Luis Nassif, do Luis Nassif Online e Idelber Avelar, do Biscoito Fino e a Massa, entre outros, passaram a ter seu conteúdo e sua opinião reconhecidos por tantos leitores.
Se 2010 foi um ano de reformas, dois mil e onze será o ano da consolidação de nosso trabalho. Com isso, não quero dizer que ficaremos parados, esperando as notícias e o mundo cairem em nosso colo. Pelo contrário: estaremos buscando ativamente fatos, conexões e caminhos que precisem ser debatidos, refletidos e aprimorados. Nosso foco é o de, antes de tudo, questionar e, ao fazer as perguntas certas, ajudar o leitor a encontrar suas próprias respostas.
Obrigado pela audiência, pelos comentários e pelo carinho recebidos em 2010. Espero que possamos contar com sua presença também em 2011. E que este ano seja, para você e para aqueles que preza, um ano pleno de realizações e bons encontros.
Rafael Reinehr
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Um última pergunta – Entrevista com Augusto Patrini
Posted: 28 Dec 2010 05:35 AM PST
Algumas pessoas enviaram-me mensagens dizendo que a entrevista com Augusto Patrini ficou com um “gosto de quero mais”. Ele, então, nos respondeu mais uma pergunta:
[Paty] 1. Com o passar dos anos a mobilização GLBT vem crescendo. Com este crescimento, aumentaram os festivais, as mostras, os filmes, vídeos e diversas outras formas de manifestações artísticas que retratam este universo. Como vc enxerga estes crescimentos? Como eles auxiliam no processo de politização do movimento GLBT? Estas obras, um modo de instigar na sociedade uma maior compreensão deste universo dantes extremamente marginalizado?
[Augusto] Sinceramente penso que estes festivais de cinema LGBT, do tipo do MixBrasil, pouco contribuem para a melhoria da qualidade de vida da população LGBT no Brasil. Acho mesmo, em particular no caso específico do MixBrasil, que são apenas mais uma manifestação da “espetacularização” da vida, e da comercialização-absorção das manifestações artísticas realmente legítimas. Essas manifestações do “Espetáculo” no sentido que deu Guy Debord em seu célebre livro “A Sociedade do Espetáculo” de 1967 não contribuem em nada para a politização das comunidades humanas, incluídas aí a LGBT, mas ao contrário são mecanismos de promoção do esvaziamento, da fragmentação e da despolitização. Neste tipo de festival não importa a expressão artística, e a qualidade das representações sócio-estéticas, mas apenas o caráter comercial e, principalmente, consumista. Estes festivais comerciais e “espetacularizados”, assim como as grandes exposições, manifestações histéricas de um vazio sócio-psicológico, empobrecem e retiram das obras de arte que apresentam seus possíveis elementos críticos e contestatórios.
Talvez a única importância do MixBrasil em particular seja dar alguma visibilidade a expressão homoafetiva dentro de uma sociedade heteronormativa, violenta e repressora como é a brasileira. Entretanto, na forma em que vem acontecendo nos últimos anos tornou-se somente a manifestação do gueto homossexual expandido – o que acaba criando uma falsa e enganosa sensação de liberdade. Essa sensação de falsa liberdade é extremamente prejudicial para a luta dos direitos da comunidade LGBT. Não vejo com bons olhos a “comercialização” da luta por direitos civis e políticos da comunidade LGBT, penso mesmo que o chamado “pink money” é antes um obstáculo para a conquista da liberdade e igualdade do que um fator positivo. O chamado pink money vive justamente do fato terrível que LGBTs precisam nesta sociedade heteronormativa “esconder-se” ou “proteger-se”, ou permanecer um uma “zona de conforto em que contem com uma sensação de falsa-liberdade – em lugares, festivais, shows, peças ou “espetáculos” que carreguem o rótulo “Gay”. Ou seja, o pink money só existe porque existe o preconceito, a homofobia e a discriminação. Quando não existir mais homofobia, não existirão mais festivais ou boates gays, já que a expressão homoatetica será cotidiana e muito mais presente em manifestações midiáticas e artísticas.
Além disso, sejamos sinceros, a qualidade dos filmes selecionados por esse festival (Mixbrasil) em particular, é sofrível – com pouquíssimas exceções. Encarnar-se como gay ou lésbico, não é garantia de qualidade estética para nenhum tipo de obra de arte, e não seria diferente para o caso do cinema. Infelizmente a qualidade das manifestações “artísticas” que auto-rotulam como gays – literatura ou filmes – é em termos qualitativos pouco significativa.
Fonte: http://opensadorselvagem.org/ops/
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