Irmãos são eletrocutados em Mariana Pimentel

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Vítimas tentavam pular cerca de arame quando foram atingidos pela descarga
Atualizada em 05/02/2010 às 00h05min
Um fio de energia elétrica caído sobre uma cerca de arame de uma propriedade rural teria sido a causa da morte de dois irmãos, na noite desta sexta-feira, em Mariana Pimentel, na Região Centro Sul do Estado.

Os agricultores José Bertodo, 42 anos, e Pedro Paulo Bertodo, 50 anos, levaram o choque fatal pouco antes das 20h30min quando tentava cruzar o obstáculo que delimita o sítio da família.

Conforme a Brigada Militar, a posição dos corpos indica que um dos homens tentou atravessar a cerca e acabou recebendo o primeiro choque elétrico ao segurar o arame com a mão, ficando preso no obstáculo. Ao tentar soltá-lo da cerca, a segunda vítima também acabou sendo atingida por uma descarga elétrica.

As circunstâncias das mortes ocorridas na localidade de Passo da Estiva, na zona rural da cidade, começaram a ser investigadas por policiais do plantão da Delegacia da Polícia Civil de Barra do Ribeiro.

Os agentes buscam identificar as condições climáticas no instante do acidente, se chovia ou não, e também descobrir em que momento o fio caiu sobre a cerca.
Fonte: ZERO HORA

Diz o blogueiro – isto é o jornalismo da repetidora onde não há respeito com o leitor. Eletrocutar é executar com descarga elétrica e não foi o caso. Houve um acidente, logo foram mortos por eletroplessão. Jornal deve informar com correção e colaborar para o esclarecimento de um povo e não somente para ganhar dinheiro. Isto é uma irresponsabilidade.

Nota da Redação: horas mais tarde a mesma notícia no portal do Clovis Duarte recebe outro tratamento.

http://praiadexangrila.com.br/dois-homens-morrem-atingidos-por-descarga-eletrica/

“JORNALISMO DE MERDA”

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O GloboIndústria tem pior queda em 19 anos
Valor EconômicoIndústria fecha janeiro com atividade em alta
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Recebemos de um leitor absolutamente qualificado a seguinte avaliação:

“O Globo perdeu a noção de jornalismo há muito tempo e o noticiário de hoje [ontem] sobre queda na produção industrial é um exemplo dos cenários de ficção que vem exibindo na capa, pois a queda, ainda que recorde, não reflete a tendência do momento.
A Folha mostra isso na capa e a maioria da imprensa registrou dessa forma. Mas o Globo vai ao limite de destacar no alto da capa. Só não foi manchete porque encontraram uma viagem mais alucinante, com uma instrução do Bolsa Família. Valor faz o contraponto para expor esse jornalismo de merda, mancheta que a indústria fechou janeiro com atividade em alta.”

Fonte: http://cloacanews.blogspot.com

A romantização de um crime

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2 fevereiro 2010

Este fim de semana, foi ao ar em Zero Hora o início de um especial denominado Os Infiltrados, que trata justamente de agentes infiltrados em grupos de resistência militante durante o período da ditadura. No momento o especial já conta com uma reportagem multimídia e dois artigos, aqui e aqui. Me abstenho de falar dos itens individuais e inicio aqui uma crítica contra o conjunto.

O especial da Zero Hora pinta a infiltração, a traição e a denúncia com tintas muito românticas, como heróicos espiões de folhetim a serviço do bem da nação. “Escalados para ser os olhos e os ouvidos do governo, os infiltrados agiram com a convicção de que prestavam serviços ao país. Expuseram-se a riscos, por acreditar que estavam do lado certo.”

Desaparecimentos, mortes, tortura? Nada disso é mencionado em nenhum momento a respeito do tal lado certo. “Uma das táticas do governo, para simples espionagem ou mesmo neutralizar os que considerava inimigos, foi espalhar agentes infiltrados entre os oposicionistas.” Reparem: SIMPLES espionagem ou MESMO neutralização. O que quer dizer neutralização? A palavra sugere um processo limpo e seguro, uma desinfecção, uma esterilização. Esterilização dos dissidentes, dos que protestavam, dos movimentos sociais, da esquerda? Não. Dos inimigos, apenas.

A tentativa do jornal de dar às matérias um texto agradável (se é que foi essa mesmo a motivação pra tantos eufemismos, o que eu duvido) transforma a espionagem em prol de uma ditadura numa aventura militante de proporções cinematográficas. “A aparência quase hippie tinha endereço certo: embora anticomunistas, os arapongas seguiam uma máxima do comunista chinês Mao Tsé Tung, a de que o militante deve ser, na multidão, como o peixe na água. E militantes eles eram…”

Zero Hora esquece que não está tratando de heróis de capa-e-espada, que está tratando de pessoas que conquistavam a confiança de outras mais fracas para depois entregá-las ao cárcere, à morte ou à tortura. E esquece que as feridas da ditadura no imaginário- pra não dizer nos corpos- de milhares de brasileiros ainda é forte demais para que seus leitores simplesmente degustem das histórias de “infiltrados” como que de um romancezinho de ficção.

Artigo de Luiza Monteiro

Fonte:  http://jornalismob.wordpress.com/

A queda de circulação dos jornais

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Por Gerson Marques – Ilhéus

Ola Nassif,

Noticia publicada hoje na Meio & Mensagem

Cai a circulação dos jornais brasileiros

Dos 20 maiores títulos do País, onze viram seus números caírem em 2009
Por Alexandre Zaghi Lemos
01 de Fevereiro de 2010 às 10:12

Desempenho dos maiores títulos do Brasil caiu no ano de 2009
Caiu 6,9% a circulação somada dos 20 maiores jornais diários brasileiros em 2009. Apenas seis conseguiram melhorar seus desempenhos de acordo com dados do Instituto Verificador de Circulação (IVC). São eles: Daqui (31%), Expresso da Informação (15,7%), Lance (10%), Correio Braziliense (6,7%), Agora São Paulo (4,8%) e Zero Hora (2%). Mantiveram-se estáveis Correio do Povo, A Tribuna e Valor Econômico, que encerraram o ano passado com circulações bem próximas às do fechamento de 2008.

Onze títulos viram seus números encolherem durante 2009. Os dois que mais caíram foram os do Grupo O Dia, do Rio de Janeiro: O Dia (-31,7%) e Meia Hora (-19,8%). Também tiveram quedas Diário de S. Paulo (-18,6%), Jornal da Tarde (-17,6%), Extra (-13,7%), O Estado de S. Paulo (-13,5%), Diário Gaúcho (-12%), O Globo (-8,6%), Folha de S. Paulo (-5%), Super Notícia (-4,5) e Estado de Minas (-2%).

Não houve alterações significativas nas posições do ranking, a não ser a evolução contínua de títulos populares como o Dez Minutos, de Manaus, que estreia na 17ª posição, com média diária de 60 mil exemplares – não considerados na conta de queda de 6,9%, pois foi lançado no final do ano passado.

A liderança continua com a Folha de S. Paulo (média diária de 295 mil exemplares), seguida por Super Notícia (289 mil), O Globo (257 mil) e Extra (248 mil). Em quinto lugar está O Estado de S. Paulo (213 mil), à frente do Meia Hora (186 mil) e dos gaúchos Zero Hora (183 mil), Correio do Povo (155 mil) e Diário Gaúcho (147 mil). O top 10 se completa com o Lance (125 mil).

A informação é da coluna Em Pauta, publicada na edição 1394 de Meio & Mensagem, que circula com data de 1º de Fevereiro de 2010.

Fonte:  http://colunistas.ig.com.br/luisnassif

Telejornalismo e Vídeos Caseiros

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29 janeiro 2010

Recentemente passei a trabalhar e receber treinamento em televisão. Outro dia desses, eu, colegas e chefes discutíamos o impacto dos vídeos caseiros (difundidos por canais como YouTube ou Vimeo) na formatação dos programas de notícias veiculados pela televisão. Hoje parei alguns minutos pra assistir um noticiário e tiro e queda: nos menos de dez minutos nos quais me sentei na frente da TV, apareceu um vídeo caseiro, feito com celular, do presidente Lula sendo internado ontem devido a uma crise de hipertensão. Acho que a questão é interessante e passível de ser discutida: quais as inovações da utilização de vídeos caseiros em produções televisivas?

Os grandes benefícios do vídeo caseiro são dois. O primeiro é a facilidade do indivíduo portando um celular de circular inocuamente por lugares de difícil acesso por parte de redes de televisão. Não falo apenas de altos e secretos gabinetes governamentais, falo também de hospitais, creches, residências. Falo inclusive de um fator psicológico: a presença de uma equipe formal de câmera intimida e às vezes dificulta a obtenção de imagens. O segundo benefício é o registro do imprevisível: nenhuma equipe de TV pode saber exatamente quando vai acontecer um tiroteio, desmoronamento ou assalto, mas é grande a chance de alguém que presencie estes eventos portar um celular ou câmera digital e registrar a cena. Resta saber quais os resultados que isso pode ter.

Em primeiro lugar, é claro que a inserção direta da experiência do público (foi uma “pessoa qualquer” que testemunhou a cena, realizou a captura do material e o disponibilizou na internet) aumenta a interação e a influência do povo em geral na programação da TV. Mas, se formos pensar em termos de grande mídia, não acho que esse aumento seja tão significativo como parece num primeiro momento. Ainda há uma equipe engravatada que decide cuidadosamente o que entra e o que não entra, e a fonte do material, por si só, não tem tanto poder assim de mudar isso. Não é preciso ter a imagem caseira de, digamos, o momento exato em que ocorre um desmoronamento para que se possa fazer uma notícia sobre o assunto. Abrem-se possibilidades para formatos novos, é claro, mas pros formatos tradicionais de grande mídia, não muda tanta coisa assim.

Acho que o grande perigo de emissoras de TV se aproveitarem de imagens alheias é a chance de acontecer uma “sedentarização” da TV, como já ocorre com o impresso. A televisão ainda tem como vantagem ser um dos principais meios que ainda exigem que um repórter saia do estúdio e vá pra rua, e em alguns casos é de se temer que as gravações caseiras contribuam pra deixar os telejornalistas “preguiçosos”. Vamos esperar que não seja o caso.

Artigo de Luiza Monteiro

Fonte:  http://jornalismob.wordpress.com/

DNA da Globo

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Matéria publicada pela FENAJ

O boicote à 1ª Conferência Nacional de Comunicação promovido por empresas de comunicação capitaneadas pela Rede Globo expressou seu mau costume de articular seus interesses através de lobbies em Brasília e o temor das mesmas em negociar suas propostas publicamente. Tal avaliação é do vice-presidente da FENAJ, coordenador do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) e presidente da Federação dos Jornalistas da América Latina e do Caribe (FEPALC), Celso Schröder.

Nesta entrevista coletiva virtual, Schröder faz um balanço positivo da 1ª Confecom. Esclarecemos que, devido ao fato de algumas perguntas e contribuições encaminhadas à FENAJ estarem fora do tema proposto para a entrevista, a resposta às mesmas será remetida diretamente a quem as enviou. Acompanhe, a seguir, as respostas de nosso entrevistado às perguntas relativas à Confecom e temas a ela relacionados.

E-FENAJ – Angela Marinho, diretora do Sindicato dos Jornalistas do Ceará, lhe deseja um feliz ano novo e conta que soube que você fez um belo discurso na abertura da Confecom. Ela avalia que a realização da conferência foi uma grande vitória da sociedade e formulou duas questões. Até que ponto a ausência dos grandes grupos de comunicação ameaça o resultado da Conferência? O que vai acontecer de prático, diante de tantas propostas aprovadas pela Confecom?

Schröder – Obrigado Angela, sem populismo barato te afirmo que o discurso da Confecom expressa a formulação coletiva que a FENAJ e o FNDC representam nesta história recente. Quanto à questão da ausência dos grupos a minha avaliação é que o tiro saiu pela culatra, a deles. O fato de ficarem até certo ponto na Confecom e, principalmente, pela permanência da Abra e Telebrasil, a tentativa de sabotagem dos grandes meios mais reafirmou uma opinião pública hostil a eles do que deslegitimou a conferência. É claro que não é irrelevante a versão negativa ou invisível que eles construíram da Confecom, mas comparativamente acho que perderam. Quanto às propostas: em minha opinião elas devem compor uma agenda política dos três segmentos, poder público, empresários e movimentos sociais. Uma agenda também desdobrada em três níveis: 1) norma e regulações passíveis de serem implementadas em curto prazo pelo governo. 2) legislação a ser constituída e votada no Congresso Nacional a partir, ou não, do Executivo. 3) articulação e mobilização dos segmentos para desencadearem estes processos. A Confecom não terminou, apenas iniciou o processo de instalação real de políticas púbicas. Os movimentos sociais precisam sair imediatamente às ruas para exigirem a transformação do relatório da Confecom nas políticas indicadas.

E-FENAJ – Silvio Micelli considera que o fato da Confecom ter acontecido já é um avanço na história da Comunicação do Brasil. Mas acha que a aprovação de aproximadamente 700 propostas foi “uma grande bobagem para agraciar a maior parte de interesses envolvidos”. Ele pergunta como implementar rapidamente as questões principais formuladas, já se sabendo que as grandes oligarquias de mídia vão ser frontalmente contrárias?

Schröder – Olha Sílvio, efetivamente a realização da Confecom foi a sua maior virtude. Com ela quebramos dois paradigmas cristalizados pelos empresários do ramo: 1) romper o silêncio consolidado em torno da comunicação, propiciando pela primeira vez um debate de dimensões nacionais. 2) Rompendo também a tese de que qualquer tentativa de regular ou legislar sobre comunicação era taxada de censura ou autoritarismo. Mas obviamente ela teve o formato que conseguimos e não o que queríamos. Foi necessário um enorme esforço para vencer as forças que de um lado pretendiam que a conferência não acontecesse, mantendo assim o status quo e, por outro, dos que não desejavam uma conferência com a dimensão que aconteceu. Para os empresários permanecerem foi preciso que os movimentos sociais que apostavam na realização da conferência cedessem ao limite do suportável. Garantindo, entre outras questões, a inclusão das propostas destes setores não habituados ao debate público e, principalmente, à crítica e exposição pública. De tal maneira que estas 700 propostas são na verdade uma agenda política que deve ser selecionada e encaminhada como políticas públicas a partir do agente público que é o governo. A sociedade civil fez a sua primeira parte garantindo e propondo políticas. Agora deve partir para a mobilização e agitação no sentido de desencadear o processo legislativo. O governo, que bancou a parte inicial da consulta popular, agora deve transformar o que foi proposto, a partir de sua visão política que é a sua prerrogativa, propor regulações e regulamentações que traduzam estas propostas. Vamos agora ajudar a hierarquizar e selecionar políticas de comunicação.

E-FENAJ – Carlos Scomazzon, jornalista da Câmara Municipal de Porto Alegre e membro da Rede Brasileira de Comunicação Pública, aponta que, no debate que se faz sobre a democratização da comunicação no Brasil, muito se tem discutido sobre os meios de comunicação que são concessões públicas e estão em mãos de empresas privadas e, especialmente, de algumas poucas e poderosas famílias, mas ele avalia que não se debate com o devido e merecido destaque a comunicação das instituições públicas e das organizações do terceiro setor. Ele quer saber: qual a importância que você atribui a esses dois temas (instituições públicas e terceiro setor) para o debate sobre a democratização da comunicação no Brasil? Que espaço estas questões devem ocupar neste debate? o que você pensa sobre a instituição de Conselhos de Comunicação nos diversos órgãos públicos dos três poderes, a exemplo do que já existe na TVE-RS e na TV Câmara Taubaté (SP) e está em discussão na Câmara Municipal de Porto Alegre e em outros Legislativos?

Schröder – Caro Carlos, penso que estes debates devem ser tratados com a mesma importância. Sem dúvida nenhuma o sistema de comunicação brasileiro tem uma hipertrofia no setor comercial e sua concentração e verticalização acabou por contaminar o sistema como um todo. Por outro lado, também é verdade que a parte estatal do sistema também foi sempre privatizada no sentido de ser apropriada, desde seu início, por governos e estados que representavam exclusivamente partes privadas da sociedade. Esta história de apropriação privada por estados autoritários e antidemocráticos determinou um espaço pequeno e não reconhecido para este segmento da radiodifusão brasileira. A partir das últimas décadas começou-se a exigir dos governos um maior controle público, nem estatal nem privado, da comunicação como um todo e, é claro, do segmento estatal e público. O FNDC e a FENAJ sempre reivindicaram este controle como forma de democratização dos conteúdos. Este debate cresce e se qualifica com a criação da EBC, que tem o grande mérito de atribuir uma dimensão estratégica para o segmento de radiodifusão pública, demonstrando vontade política e, finalmente, um papel que não seja de mero coadjuvante ao sistema comercial. Os conselhos são uma das formas que este controle deve e pode ter. Eles devem ser fortalecidos e mantidos sempre autônomos em relação às empresas que ajudam a administrar. Ainda temos uma longa jornada para efetivamente estabelecer uma rede pública democrática e eficiente. O Rio Grande do Sul foi um dos primeiros estados a implementar o conselho da Fundação Piratini, TVE e Rádio Cultura FM, que, infelizmente, não tem tido o respeito que a sua história e a dos seus membros merecem. A Câmara de Vereadores de Porto Alegre está fazendo um importante debate para a instalação do seu Conselho de Comunicação.

E-FENAJ – Jorge Fernando dos Santos, assessor de comunicação do Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais, encaminhou algumas perguntas que constituem uma entrevista “quase exclusiva”. Ele comenta que durante a ditadura tivemos a ação desastrosa da censura federal. Toda ideia que destoasse do regime era tida como subversiva. Hoje, notamos certa paranóia de setores que se dizem de esquerda, que insistem no patrulhamento ideológico da mídia e de articulistas que criticam o atual governo. Qual é o risco dessa paranóia se consolidar como censura oficial? Ele pede, também, que você especifique as diferenças entre o Conselho Federal dos Jornalistas e o Conselho Nacional de Comunicação. Até que ponto serão eles órgãos democráticos, sem a tutela do governo ou de partidos políticos? Jorge comenta, também, que “a TV brasileira não tem muito compromisso com a educação e a cultura nacional, pelo contrário, a mídia alinha por baixo o gosto estético da população”. E questiona: como evitar que isso aconteça sem que o Estado intervenha arbitrariamente? E faz mais quatro perguntas: qual será a estratégia para tirar do papel as propostas aprovadas pela Confecom e transformá-las em lei? Por qual motivo políticos publicamente desgastados pelo envolvimento em escândalos, como o José Dirceu, apoiam a Confecom, seria uma espécie de revanchismo contra a imprensa que os desmascarou? Até que ponto os jornalistas estão interessados na mudança das leis de comunicação no país? Você tem esperanças de que o monopólio da informação e a propriedade cruzada mudem de fato a partir das propostas aprovadas na Confecom?

Schröder – Ufa, vamos lá Jorge. 1)Tens razão em trazer esta preocupação da possibilidade de censura nas ações pretensamente democratizantes na área da comunicação. Daniel Herz sempre nos alertava que democratizar a Rede Globo não significava construir uma Rede Globo de sinal contrário. Conviver com a crítica e com a opinião contrária é da natureza da política. Suprimir estas características é suprimir a política e, portanto, a possibilidade de democracia. Mas, por outro lado, temos que entender que não é legítimo um meio de comunicação, principalmente uma concessão pública, se comportar como um partido político, que é, afinal, por natureza uma parte da sociedade, e não, portanto, todo o público. O grande desafio é enfrentar uma história de meios de comunicação autoritários e partidarizados sem reproduzir esta lógica. Mas não vejo esta tendência como uma possibilidade neste momento.

2) Conselho Federal dos Jornalistas é uma autarquia que deve, a exemplo da OAB e Cremers, fiscalizar o exercício profissional no que diz respeito às questões éticas e de regulamentação profissional. Ou seja, é um conselho nitidamente corporativo e que deverá existir para dar uma garantia à sociedade de profissionais éticos e eficientes. Por outro lado, o Conselho Nacional de Comunicação terá um papel mais próximo ao do FCC norte-americano, que é de fiscalizar o cumprimento das grandes regras nacionais de comunicação. Deverá ser formado por representações de diversos segmentos profissionais e/ou sociais. Este conselho já tem similar nas principais democracias do mundo. A sua inexistência no Brasil é a prova mais cabal da dificuldade, por parte do setor comercial, de dar uma dimensão realmente pública ao sistema de comunicação nacional.

3) Acho que a TV brasileira sofre dos males que o meio, principalmente mas não exclusivamente, possui. Como diz o Pierre Bourdieu é um meio que tende à superficialidade devido às suas características técnicas agravadas pela necessidade comercial de aumentar ao limite da racionalidade a sua faixa de público. Não é somente a TV brasileira que ignora a educação e a cultura. Portanto para superar esta tendência é preciso criar um contra fluxo que imponha outro tipo de lógica onde a velocidade não se sobreponha ao raciocínio, onde o roteiro e o argumento não sejam substituídos pelo cenário, onde a qualidade do ator ou atriz não seja proporcional ao botox destinados aos seus gigantescos lábios. Enfim, precisamos construir uma televisão onde a existência de um programa não seja dado somente pelo número de espectadores que ele possa garantir nas pesquisas de audiência. Por outro lado não podemos ignorar as características deste meio e imaginar que programas herméticos ou elitistas possam ser uma alternativa. Por isso o debate realizado na Confecom sobre conteúdo nacional e convergência tecnológica foi muito importante. Precisamos garantir um conteúdo nacional de qualidade para garantir uma identidade nacional.

4) Vou atender as quatros perguntas restantes nesta resposta. A) Mobilização social é a resposta para garantir mudanças. Cristina só conseguiu programar a Lei dos Meios na Argentina depois que quarenta mil pessoas foram para a frente do Congresso. Devemos mobilizar, no mínimo, o dobro aqui no Brasil. B) Não tenho elementos para julgar o propósito do Zé Dirceu ao defender a Confecom, o que posso dizer é que seus argumentos são muito próximos aos da FENAJ e do FNDC, portanto, são bem vindos. C) Os jornalistas estão muito interessados na mudança do cenário legal da comunicação brasileira. A presença da maior delegação na conferência, mais de trezentos delegados e outros tantos observadores, é a prova disso. Por outro lado foi muito acertada a estratégia de levar suas demandas para serem discutidas e aprovadas inclusive pelo setor empresarial presente.

E-FENAJ – José Ivanaldo Dias Xavier, do Rio Grande do Norte, diz que o Governo Federal divulgou, no Portal do Brasil, a informação de que o resultado da 1ª Confecom será usado na elaboração de uma nova legislação brasileira na área de comunicação. Já existe algum entendimento nesse sentido e quais das decisões da Conferência de Comunicação devem virar leis para democratizar a comunicação no Brasil? E, aproveitando a deixa, segue a pergunta da Jandira Rezende: o resultado final da Confecom será uma lei federal a ser aplicada em todo o País?

Schröder – O Governo tem se manifestado no sentido de iniciar um processo de transformar as decisões da Conferência que achar pertinentes, é claro, em normas e leis. Para isto, me parece que deve instalar um processo alicerçado em alguma comissão ou comissões que deverão, espero, buscar apoio nos movimentos que o ajudaram na construção da Confecom. Não tenho certeza de que uma única lei seja a melhor saída, mas certamente será constituído, a partir de agora, um processo regulatório que deverá articular leis e normas assim como agentes reguladores e fiscalizadores.

E-FENAJ – Álvaro Britto, do Sindicato dos Jornalistas do Estado do RJ e da Comissão Pró-Confecom do RJ, diz que a Confecom deu peso institucional a uma pauta que até então era apenas do movimento social. Para tornar realidade as suas deliberações, considera, “precisaremos manter a unidade e mobilização dos movimentos sociais e apontar para o diálogo com outras forças políticas, já que algumas medidas dependem apenas de iniciativas do Governo mas a maioria depende de aprovação do Congresso Nacional”. E pergunta se o FNDC e a Fenaj pretendem continuar investindo na unidade do movimento através da Comissão Nacional Pró-Conferência de Comunicação (CNPC), que, apesar das suas diferenças internas, conduziu a participação da sociedade civil na Conferência? Como será o processo para a definição do cronograma de implementação/mobilização da pauta de propostas aprovadas na Confecom? Qual a sua avaliação sobre o fato de 2010 ser um ano eleitoral em relação à implementação das propostas da Confecom?

Schröder – Álvaro, a pauta aprovada na Confecom dá conta dos interesses dos movimentos sociais, sem dúvida, mas também apresenta reivindicações do setor empresarial que participou e do setor público também. Para isto ela foi pensada. A Confecom só foi realizada nos moldes em que aconteceu por que foi vitoriosa na Comissão Pró Conferência Nacional a tese do FNDC e suas entidades, FENAJ entre elas, da realização de uma conferência de abrangência nacional e amplamente representativa. A Comissão Organizadora Nacional e suas entidades organicamente vinculadas à comunicação conseguiram construir as bases de acordo para a sua efetivação. Sem dúvida a unidade é necessária e desejável e ela acontecerá concretamente nas ações. A mais urgente delas é de mobilização para garantir a implementação das decisões da Confecom.

E-FENAJ – Adroaldo Corrêa, de Porto Alegre, registra que viu a Rede Globo – em seus principais jornais eletrônicos – denunciar a Conferência como anti-democrática ao justificar a ausência das organizações de proprietários da mídia grande. Depois, viu os mesmos veículos, citando alguns trechos pinçados da nota final da Confecom, justificarem por isso a ausência no espaço de participação para o debate da comunicação em nosso país. E pergunta: terá sido porque seriam minoria? Terá sido porque são eles os auxiliares da ditadura que impuseram aqui em 64 e depois continuaram com a tarefa que lhes atribuiu o poder discricionário, conforme a pauta da reunião na III Região Militar (então 3° Exército) a competência de censurar os conteúdos a publicar?

Schröder – Caro Adroaldo, tens absoluta razão nas tuas considerações. A Rede Globo, que iniciou seu império com a ditadura militar- história contada pelo já citado Daniel Herz no seu livro “A História Secreta da Rede Globo”, relançado na Confecom com um posfácio assinado por mim e pelo Nilo Piana de Castro – e ajudou a manter os governos autoritários de todo o período, colaborou, ainda, para sabotar o movimento pelas Diretas Já e também eleger Collor depois de manipular todo o processo da campanha eleitoral, portanto, sendo cúmplice da censura mais abjeta da história do Brasil, se arvora a reivindicar a defesa da liberdade de expressão e a denunciar qualquer tentativa de regular seus privilégios como ameaça à liberdade de imprensa. A Globo, que participou de todo o processo de instalação da Confecom, demonstrou em plena discussão do regimento aquilo que o professor Murilo Ramos chama de seu DNA: uma incapacidade atávica à democracia e ao debate público. Acostumada aos lobbies em Brasília, não resistiu à ameaça de ter que negociar suas propostas publicamente. Acho que não avaliou bem o preço histórico que pagará por mais esta tentativa de sabotagem ao país.

E-FENAJ – Odilmar Oliveira Franco, diretor da Federação das Rádios Comunitárias do Paraná, diz que, na estatística não oficial, muito mais que a metade das rádios comunitárias em funcionamento nos três Estados do Sul do Brasil estão nas mãos de pequenos grupos políticos ou religiosos. Ele lembra que, na abertura da Confecom, o presidente Lula disse que a sociedade tem que se mobilizar para evitar que as rádios comunitárias fiquem nas mãos de políticos que acabam utilizando-as para fins eleitoreiros. E pergunta: que atitudes as pessoas devem tomar para denunciar esses abusos, já que nessas emissoras sequer é permitida a associação das pessoas, a não ser de um pequeno grupo dominante, e já que muitos promotores públicos dos municípios sequer conhecem a lei da radiodifusão comunitária?

Schröder – Em primeiro lugar é preciso fazer uma defesa intransigente da radiodifusão comunitária. A FENAJ, com Daniel Herz, foi decisiva para a elaboração da lei que consagrou o conceito de comunitária e foi a primeira a reconhecer os defeitos que o resto da lei contém. Este segmento é muito importante para a democracia do país. Por outro lado, concordo contigo, inclusive a própria Abraço denuncia isto, existem inúmeras rádios que não são comunitárias. Bem, para isto existe a lei e os instrumentos de fiscalização. O problema é que somente as comunitárias (ou não) são fiscalizadas. As rádios comerciais, com raras exceções, são muito pouco avaliadas pelo poder público no que diz respeito às suas legalidades. Acho que a sociedade, junto com a Abraço e as verdadeiras rádios comunitárias, deve usar a Anatel para garantir a legalidade do sistema como um todo, seja comunitário ou comercial.

E-FENAJ – Gilberto Gonçalves, jornalista que hoje atua com empreendedorismo em Campinas (SP), com uma Agência de Notícia e uma Editora, enviou um longo e-mail que te repassaremos na íntegra depois. Em síntese, ele diz que por princípio é contra as verbas públicas destinadas à publicidade oficial, mas não pode deixar de se juntar aos que defendem uma melhor distribuição enquanto elas existirem. E quer saber como ficou, nas resoluções da Confecom, esta questão? Lembra que na Confecom Municipal/Campinas a proposta foi de reserva de 40% para os considerados pequenos veículos e pergunta se na conferência nacional ficou neste índice mesmo? Gilberto pergunta, também, se a discussão avançou sobre quem e como será responsável pela distribuição dessa verba? A criação de uma entidade nacional chegou a ser discutida? Teve proposta encaminhada? O que você acha destas propostas? E questiona, ainda, se não seria mais democrática uma divisão “compulsória” com base na tabela de preço “Pública” de cada veículo seja ele grande ou pequeno, evitando picaretagens?

Schröder – A questão dos financiamentos sempre é delicada. Para modificar o sistema brasileiro de comunicação é necessário rever o seu financiamento. As novas tecnologias estão sucateando rapidamente o modelo brasileiro de financiamento através de publicidade. Teremos que ter coragem para urgentemente pensar sobre formas que, ao mesmo tempo, incorporem novos “players” no mercado e não canibalizem a radiodifusão nacional. No modelo atual, distribuir as verbas públicas de maneira diferente do que foi feito até agora e que possibilitou esta distorção absurda da concentração da mídia brasileira, já será uma revolução. Temos que entender que a decisões da Confecom foram indicativas e, necessariamente, genéricas. No processo regulatório é que deveremos nos debruçar sobre índices, formas de arrecadação e fiscalização. Mas concordo que embora fundamental, o financiamento deve ser tratado com muito cuidado para não criarmos novos privilégios.

E-FENAJ – O jornalista Amoroso Jorge, de Sergipe, conta que em seu estado nem de longe se aplica o termo “Democratização da Comunicação”. A justificativa para tal afirmação merece ser reproduzida: “As duas emissoras de TV existentes no Estado (afiliadas da Globo e Record), pertencem aos irmãos Franco; um é ex-deputado e o outro ex-governador, ex-senador e atual deputado federal, ambos aliados e parceiros do governo do Estado. Os dois jornais diários, um de propriedade dos mesmos Franco e o outro do ex-governador João Alves Filho. E o controle absoluto de emissoras de rádios AM\FM em todo o território sergipano, é do ex-genro do ex-governador João Alves Filho, e que mantém sob o seu crivo, condicionados aos seus exclusivos interesses, um grupo de oito deputados estaduais (inclusive o presidente da Assembléia Legislativa e o filho do presidente do Tribunal de Contas) e dois federais, todos da bancada do governador do PT, que, por sua vez, controla o prefeito da capital e de quebra é aliado e compadre do presidente da República”. Amoroso pergunta: “E agora? Sobrevive a imprensa “democratizada” em um território desses? Especialmente eu, que atuo no jornalismo investigativo? Como, as “teorias resistentes” que norteiam a cabeça e os princípios dos líderes de comunicação neste país, explicam isso?

Schröder – Sergipe pode ser um caso extremo, mas, infelizmente, está longe de ser o único. Os “coronéis eletrônicos”, denunciados pelo Daniel Herz no seu estudo “Os Donos da Mídia”, não dão sinais de desaparecer espontaneamente. Somente com um novo marco regulatório e agentes fiscalizadores públicos eficientes é que poderemos reverter esta situação dramática de falta de democracia nos meios de comunicação brasileiros. Mas não tenho dúvida que é possível reverter isto. Sem abusar do otimismo, acho que nos próximos cinco anos estaremos mudando radicalmente o cenário nacional de comunicação e jornalismo.

E-FENAJ – A defesa da exigência do diploma de jornalista para o exercício da profissão foi respaldada pela Confecom. Camila Santos questiona se a não obrigatoriedade do diploma para exercer o jornalismo democratiza ou banaliza a profissão? As empresas efetivamente têm a pretensão de contratar pessoas “não habilitadas” ou de reduzir drasticamente os salários iniciais de um jornalista recém formado? E Ana Mendes, de Campinas, pergunta por que a grande maioria das empresas de comunicação do país não se manifestou diante da desobrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão?

Schröder – A decisão do Supremo é um desastre sob vários aspectos. Para a desorganização da profissão dos jornalistas, para a qualidade da informação para a sociedade, para a valorização do ensino como um todo, entre muitas outras questões. Mas este ano foi positivo para os jornalistas brasileiros. Acho que a opinião pública está majoritariamente do nosso lado e isto se refletiu na posição do parlamento, que dá sinais de aprovar a nossa PEC que reintroduz a formação superior em jornalismo como condição de exercício profissional. O acordo firmado entre Band e FENAJ na Confecom demonstra que é insustentável esta posição desregulamentadora imposta pelo Supremo, em que pese a covardia do Ministério do Trabalho de sustentar os acordos para uma mínima regulamentação provisória.

E-FENAJ – A estudante de Jornalismo Iani Faria encaminhou várias perguntas. Muitas delas já foram contempladas nas tuas respostas anteriores. Mas duas carecem de resposta. Qual foi o maior avanço da Confecom e que questões ainda precisam ser mais aprofundadas? A conferência traz uma nova e real perspectiva de democratização da comunicação para nosso país?

Schröder – Não tenho dúvida que a Confecom aponta para uma nova realidade na comunicação. Mas ainda falta a pressão necessária para que esta realidade finalmente se estabeleça. A expectativa é que o novo governo brasileiro tenha a coragem de continuar o processo de democratização em curso.

E-FENAJ – Helton Costa encaminhou um questionamento que, embora não diga respeito diretamente ao tema de nossa coletiva, merece tua atenção. É correto dizer que a FENAJ, assim como os grandes veículos de comunicação pensam suas ações e suas políticas somente para o Centro-sul do país e se esquecem dos estados e cidades mais interioranas? Por quê?

Schröder – Penso que a FENAJ não reproduz esta distorção que é visível nos grandes meios de comunicações. A grande mídia radiodifusora está articulada através dos sistemas de afiliadas, cujas sedes estão no eixo Rio-São Paulo. Isto produziu, além do monopólio da propriedade, um monopólio geográfico que impôs uma estética sulista empobrecedora para a cultura nacional. A FENAJ ao contrário é composta pela associação do todos os Sindicatos de Jornalistas do país. Esta representação está garantida na sua direção e suas ações nunca deixaram de lado demandas dos estados do norte e nordeste.

E-FENAJ – Para finalizarmos, restam duas contribuições que dizem respeito mais à sua condição de presidente da FEPALC. Ernesto Vianna, presidente do Sindicato dos Jornalistas do Estado do RJ, lhe deseja sucesso em sua atuação sindical internacional e pede uma avaliação sua sobre o estágio atual do movimento pela democratização da Comunicação no Brasil, comparando com os países abrangidos pela entidade que você preside. E Bruno Duarte quer saber qual é a sua análise sobre as últimas ações do governo argentino buscando democratizar a comunicação naquele país?

Schröder – Obrigado Ernesto, o Brasil tem um movimento social pela democratização da comunicação muito potente e diferenciado. A FENAJ e o FNDC são, sem dúvida, responsáveis em grande parte por isso. Por outro lado, o monopólio da mídia também tem muita força neste país. A desregulamentação e a conseqüente concentração resultantes desta situação é a maior prova. Me parece muito acertadas as estratégias que o movimento social brasileiro, em especial FENAJ e FNDC, adotaram para a luta pela democratização. Os resultados nos últimos tempos comprovam este acerto. Por outro lado a América Latina tem desigualdades razoáveis nos níveis de democracia. México e Colômbia, por exemplo, ainda estão num estágio de ameaça constante à vida de comunicadores e jornalistas. Por outro lado, Argentina e Uruguai, ressalvadas as diferenças, estão num nível de regulamentação semelhante ao do Brasil. A Argentina ao aprovar a Lei de los Médios demonstrou capacidade de mobilização e de ação de governo para enfrentar estes poderosos e ilegítimos centros de poder em que se transformaram os meios de comunicação na América Latina. Aliás, quero aproveitar esta entrevista para convocar todos os jornalistas brasileiros a se incorporarem à campanha que a Fepalc está propondo de ajuda ao povo haitiano vítima desta catástrofe ocorrida há alguns dias. A Fepalc estará abrindo uma conta para angariar recursos e, junto com a FIP, ajudar a população e jornalistas atingidos pelo terremoto.

Fonte:  http://fichacorrida.wordpress.com/

Empresas de comunicação impedem avanço da democracia no Brasil, diz Fenaj

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Jan 19th, 2010

by Marco Aurélio Weissheimer.


A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) manifestou total apoio ao texto da 2ª Conferência Nacional de Cultura e criticou as grandes empresas de comunicação e suas entidades patronais que contestam o documento. Para a Fenaj, a postura reacionária contra qualquer proposta impede o avanço da democracia no País. O documento-base da Conferência diz que o monopólio das empresas de comunicação no Brasil é uma ameaça à democracia e aos direitos humanos.

“Toda iniciativa, venha de onde vier, é sempre rechaçada sem mesmo uma discussão. São propostas para o debate, não são resoluções, mas eles já atacam. Essa postura reacionária impede o avanço democrático no Brasil”, resumiu Sérgio Murillo de Andrade, presidente da Fenaj. As propostas apresentadas no texto da Conferência, observou ainda, não são novidades. “Isso não é nada novo nos Estados Unidos, na Europa. A comunicação no Brasil se concentra nos Marinho, Mesquita, Frias, Sirotsky e o poder deles tem que ser questionado”.

A Associação Brasileira de Emissoras de Radio e TV (Abert) criticou o texto da Conferência, alegando que não há concentração nem monopólio de mídia no Brasil. Há sim. Vamos aos números e aos fatos:

O maior grupo de comunicação do país, a Rede Globo, possui mais de 220 veículos, entre próprios e afiliados. É o único dos grandes conglomerados que possui todos os tipos de mídia, a maioria dos principais grupos regionais e a única presente em todos os Estados brasileiros. Sozinha, a Globo controla mais da metade do mercado televisivo brasileiro. Segundo dados da Associação Nacional de Jornais, seis grupos empresariais concentram a propriedade de mais da metade da circulação diária de notícias impressas no país. Sozinhos, estes veículos respondem por cerca de 55,46% de toda produção diária dos jornais impressos.

Além do imenso poderio da Globo, outros seis grandes grupos regionais se destacam. A família Sirotsky comanda a Rede Brasil Sul de Comunicações, controlando o mercado midiático no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. A família Jereissati está presente no Ceará e em Alagoas. A família Daou tem grande influência no Acre, Amapá, Rondônia e Roraima. A mídia da Bahia pertence à família Magalhães. No Mato Grosso e no Mato Grosso do Sul, os negócios são controlados pela família Zahran. E, por fim, a família Câmara tem grande influência em Goiás, Distrito Federal e Tocantins.

Todas essas empresas afirmam em seis editoriais a defesa da liberdade de expressão e da diversidade de opiniões. No entanto, curiosamente, a esmagadora maioria delas tem exatamente a mesma opinião sobre os principais temas em debate no país. Que nome dar a isso?

Fonte:  http://rsurgente.opsblog.org/

Tratamentos opostos para o mesmo tema

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18 Janeiro 2010

Um exemplo de como um mesmo assunto pode ser abordado de formas completamente diferentes se deu essa semana, em textos sobre o Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH) e, em especial, sobre a postura do ministro da Defesa, Nelson Jobim. A Zero Hora deste domingo, dia 17, e a Carta Capital dessa semana trataram do tema.

Embora o jornal gaúcho tenha enfocado mais o ministro Jobim e a Carta tenha aberto um pouco mais o tema, eles são passíveis de comparação porque a matéria da revista semanal é mais ampla e trata de Jobim durante boa parte de seu texto. Já nota-se, aí, a diferença de tratamento.

A Zero Hora usou o PNDH como pretexto para fazer quase que um perfil do ministro. Ele é definitivamente o foco principal das atenções, mas sempre no mesmo tom: o jornal mostra como Jobim se destaca por ser uma liderança, ter voz ativa no governo, muito poder, coerência. Traz sua trajetória política para justificar suas posições e não questiona as atitudes de Nelson Jobim.

Duas páginas são dedicadas à reportagem, assinada por Carolina Bahia, Humberto Trezzi, Iara Lemos e Leandro Fontoura. A primeira e principal delas faz uma ligeira menção, já da metade para o fim do texto, ao fato de a postura do ministro não ser unanimidade, mas todas as fontes – todas! – são favoráveis a ele. São sete, algumas do governo, outras da oposição, mas todas falando dos benefícios que Jobim teria agregado ao Ministério da Defesa. A contestação vem na outra página, de forma mais discreta. Mesmo nela, ainda há espaço para uma entrevista com um militar que rejeita qualquer tipo de revisão da Lei da Anistia – e apoia Jobim.

A Carta Capital, por sua vez, em texto de Gilberto Nascimento que ganha a capa da edição, não dá o foco central de seu texto a Jobim, mas à repercussão da polêmica do PNDH que tem relação direta com sua pasta, ou seja, a questão da criação de uma Comissão Nacional da Verdade, com o objetivo de investigar violações aos direitos humanos cometidos durante a ditadura militar. Aparentemente um detalhe, essa diferença no foco do texto é gigante. Demonstra a que aspectos da questão cada veículo confere mais importância.

A revista mostra como o tema efetivamente é polêmico, ressaltando que do lado que gerou a discórdia em relação aos termos usados no PNDH estão os militares. São eles que questionam a investigação pelos atos desumanos cometidos pelos seus. E são eles que Jobim representa, o texto deixa claro.

Zero Hora também enfatiza que Nelson Jobim está no governo para defender os interesses dos militares, mas mostra isso como algo claramente positivo. Carta Capital, por outro lado, questiona até que ponto essa defesa incondicional da corporação é correta para um ministro de Estado. Propositadamente civil, diga-se de passagem.

* Documento da Conferência Nacional de Cultura, a acontecer entre 11 e 14 de março, traz críticas ao monopólio dos meios de comunicação, corroborando o relatório final da Conferência Nacional de Comunicação, ocorrida em dezembro de 2009.

Postado por Cris Rodrigues

Fonte: http://jornalismob.wordpress.com/

Aurélio e as perversões no jornalismo: ficção?

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publicada sexta, 15/01/2010 às 19:36 e atualizado sexta, 15/01/2010 às 19:36 |

O Marco Aurélio mantém um blog muito divertido, chamado “doladodelá” – http://maureliomello.blogspot.com/

Ele se especializou em escrever pequenas novelas, que lembram os velhos folhetins publicados em jornais na virada do século XIX para o XX.

Há quem diga que as novelas do Aurélio são baseadas em fatos reais. Recentemente, ele contou a história da moça que trabalhava como repórter de TV, e foi cooptada (por um maquiador, chamado “Su”) para realizar fantasias sexuais de empresários, num barco da Amazônia. Parece ficção. Mas há quem diga que é tudo baseado em fatos reais. Há quem diga que o barco existe. E que a repórter também existe. Eu não sei. O Aurélio deve saber.

O Marco Aurélio, como eu, trabalha em TV. É editor.

Como eu – e mais uma meia dúzia de 3 ou 4 – ele foi afastado da Globo por bater de frente com certa linha (?) editorial adotada pela emissora.

Há quem diga que, quando era editor na Globo, Aurélio fazia trabalho de ficção; e que, agora, que escreve ficção num blog, ele faz jornalismo puro.

Não sei. Mas o Aurélio deve saber.

O mais novo folhetim do Aurélio tem o nome de “A Rainha do Carnaval”. Conta a história de outra repórter de TV, que começou a vida na prostituição de luxo, na zona sul do Rio. E depois foi parar no vídeo.

Uma das passagens mais curiosas é quando – no capítulo 4 – a repórter se refere a um diretor da emissora em que trabalha (advinhem qual seria a emissora?):
“- Sabe que, por falar em chicote, dizem que tem um diretor lá na TV que é adepto da auto-flagelação.
- Jura? Quem é?
- É um esquisito, que eu sempre vejo caminhando no calçadão. Ele abotoa a camisa até em cima, para ninguém ver as marcas. Qualquer hora te mostro
.”

Pura ficção? Há quem diga que não.

Se eu fosse o Aurélio, juntava essas histórias todas e publicava em livro…

O Aurélio é uma espécie de Nelson Rodrigues cibernetico: as histórias dele são cheias de personagens pervertidos, esquisitos…

Talvez o Aurélio (sujeito modesto) não goste dessa comparação. O Nelson Rodrigues era um gênio. O Aurélio é um ótimo editor. Mas a comparação faz algum sentido…

O Nelson Rodrigues também usava os bastidores da imprensa para suas histórias. Como em “Beijo no Asfalto”. Nelson conta a história de Arandir, sujeito simples, casado com Selminha. Ele vê um rapaz ser atropelado, aproxima-se do moribundo, que lhe pede um beijo. O Arandir dá o beijo, por compaixão. Um repórter inescrupuloso – Amado Ribeiro – cria a partir desse fato uma história espetacular. Faz ficção na página do jornal, sem avisar os leitores. Amado insinua que entre Arandir e o morto havia um caso homossexual, o que provoca uma reviravolta completa na vida de Arandir.

O repórter Amado, dizem, existia.

Mas e na história do Aurélio: quem é o diretor que usa camisa fechada pra andar no calçadão? Esse personagem existe? Ele de fato pratica auto-flagelação?

Não sei. Mas o Aurélio deve saber.

Fonte:  http://rodrigovianna.com.br

Jornalismo no Buraco

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Jornalismo no BuracoJornalismo no Buraco

Existem consequências e consequências. No caso Ricupero custou-lhe o então muito vistoso Ministério da Fazenda. No caso Bial restou-lhe a opção de apresentar o Big Brother Brasil. No caso Casoy… bem, aí o mistério é impenetrável.E ainda vão criar um sistema fantástico capaz de acessar diretamente o pensamento das chamadas figuras públicas. Seria uma espécie de áudio a ser acionado fora de hora. Não quando o personagem está em ação, dizendo aos telespectadores qual a moral da notícia, qual a real intenção desta e daquela frase deste ou daquele político. Mas sim quando a pessoa, essa que chora e gargalha, sente calor e frio, fome e medo, amor e ódio, troca confidências com seus pensamentos sem a ofuscante luz do refletor nem o cenário espacial do telejornal da noite. Com tantas maravilhas tecnológicas ao nosso alcance há que se inventar o leitor de pensamento, o desmascarador de embuste, o algoz do discurso hipócrita, o aparelho que nos dispa do supérfluo e nos apresente ao ser humano que luta por sobreviver em meio a realidade artificialmente gerada. E já poderíamos fazer alguns testes, logo de antemão.

Numa emissora de tevê o âncora do telejornal declamaria algo mais ou menos assim: “Só temos que nos orgulhar de termos um gari tão honesto e brioso de sua cidadania… pois não é comum vermos essa pessoa simples vir entregar na Delegacia de Polícia a bolsa recheada com R$ 20.000,00 que acabara de encontrar em meio ao lixo do condomínio de luxo…” Acionaríamos a engenhoca logo no primeiro intervalo dos comerciais e escutaríamos algo assim: “Pobre diabo, criatura patética, imbecilizada ao extremo… uma vergonha ir devolver dinheiro encontrado no lixo tantas vezes por ele vasculhado. Um idiota completo.”

Enquanto em outra emissora de tevê o apresentador do telejornal declamaria algo mais ou menos assim: “O Brasil conheceu ontem a história de dona Salustiana, 47 anos, mãe de 14 filhos, destacada catadora de papel de Taboão da Serra. Pois bem, ela concluiu o curso de alfabetização ontem à noite e está feliz da vida por saber agora ler e escrever. Um exemplo de determinação e coragem.” Novo intervalo comercial, trabalho para a engenhoca que, uma vez acionada nos traria o seguinte áudio: “Infeliz que veio ao mundo apenas para dar cria: 14 filhos! E ainda vem com sorriso banguela dizer-se feliz por saber ler e escrever. Sabe nada! No máximo consegue desenhar o nome e olhe lá! É gente assim que atravanca o Brasil!”

E já não se fazem moralistas como antigamente. Em passado recente moralistas de plantão utilizavam a televisão e o rádio para sapecar aulas de EMC (Educação Moral e Cívica). Falavam convictamente sobre a importância de o galo cantar anunciando a alvorada mesmo que o país estivesse no breu da mais torpe ditadura, opressão e tirania. Foi o tempo do faz escuro mas eu canto, o tempo do quando chegar o momento esse meu sofrimento vou cobrar com juros, juro! Naquele tempo sabíamos os que estavam deste lado da luta e os do outro lado. Os papéis eram demarcados. Atualmente predomina a psicologia de pesquisas de opinião pública: se o povo gosta de bordões então o saciarei logo com dois: “Precisamos passar o Brasil a limpo!” e para otimizar o tempo televisivo faça uso de algo mais curto e contundente como “Isto é… uma vergonha!”

Em 02/09/1994 o ministro da Fazenda Rubens Ricupero, em entrevista a Carlos Monforte no programa matinal Bom Dia Brasil teve parte de sua alma revelada em áudio vazado. Ele dizia em intervalo comercial que “o governo faturava o que era bom e escondia o que era ruim”. Ou seja, as autoridades governamentais são sempre inteligentes e a população sempre idiota. Custou-lhe o cargo, a credibilidade e o futuro político. Virou verbete em debates sobre novas tecnologias atendendo pela expressão “A parabólica de Ricupero”.

Mas existem as armadilhas do tempo. O espírito da época, o zeitgeist. Somos herdeiros direitos da chamada Era dos Direitos para usar aquela feliz expressão de Bobbio. O principal direito é o direito à humanidade. O principal instrumento para orientar a vida ordenada do planeta responde pelo pomposo título de Declaração Universal dos Direitos Humanos e tem data de fabricação (10/12/1948) mas não tem (ainda bem!) prazo de validade. Acontece que para fazer valer os direitos humanos precisamos abraçar de coração, com áudio ligado ou desligado, som perene ou vazando, não importa, ideias como respeito à diversidade de gênero, de raça, de cor, de credo, de classe, de nacionalidade. Passaram-se 11 anos mas muito gente ainda lembra daquela noite em que Pedro Bial provavelmente sem saber que o microfone estava aberto fala durante apresentação do balé Kirov: “Isso é coisa de viado” (Fantástico, 17/05/1998).

Deixei para o fim do texto a citação das palavras de Boris Casoy, âncora do telejornal da Band e que foi ao ar na noite do primeiro dia de 2010. O jornalista fez comentários infelizes após um vídeo com a participação de dois garis desejando votos de Feliz Ano Novo. Durante as imagens, vazou um áudio de Boris falando: “que m… dois lixeiros desejando felicidades do alto de suas vassouras” e “dois lixeiros, o mais baixo da escala do trabalho”. Um primor de preconceito e desprezo contra cidadãos sem canudo, sem herança, sem traquejo para investir em bolsa de valores e sem sobrenome chamativo como Diniz, Sendas, Steinbruch, Skaff, Marinho, Saad, Civita, Agneli ou Casoy.

No segundo dia do ano, após ver desabar sua reputação de grande humanista, fiscal da moral alheia e algoz dos politicamente incorretos, principalmente se estiverem na política, Casoy pediu desculpas: “Ontem (quinta) durante o programa eu disse uma frase infeliz que ofendeu os garis. Peço profundas desculpas aos garis e a todos os telespectadores.” Ficamos com a pulga atrás da orelha: o que teria ele dito em particular no intervalo de suas desculpas, enquanto o áudio estava fechado? Algo ficou evidenciado no pedido de desculpas: ele se refere à “frase infeliz” que “ofendeu os garis e a todos os telespectadores”. Primeiro que não se tratou de uma frase infeliz, é relativizar demais, ser muito reducionista e complacente com seus erros. Ele usou conceitos elaborados dando conta da evolução na escala do trabalho e determinando desde seu lugar de fala (atenção estudiosos da linha francesa de análise de discurso) que os garis estão ali, na altura do rés do chão. Resta-nos perguntar: em que posição Casoy se encontrava antes do vazamento do aúdio? E após o vazamento, qual a sua posição na escala dos valores humanos?

Existem consequências e consequências. No caso Ricupero custou-lhe o então muito vistoso Ministério da Fazenda. No caso Bial restou-lhe a opção de apresentar o Big Brother Brasil. No caso Casoy… bem, aí o mistério é impenetrável. Isso me lembra aquele cartoon do Charlie Brown. Nosso personagem caminha solitário em direção oposta a uma multidão de manifestantes, cada qual portando cartaz com abaixo isto e abaixo aquilo… então a Lucy pergunta ao Charlie Brown se ele não iria carregar uma faixa com abaixo a civilização! Brown responde, filosófico: “Não precisa… ela cairá… de tão podre.”

Em tempo:

O vídeo do Rícupero foi visto 33.009 no Youtube.

O vídeo do Bial foi visto 101.468 no Youtube.

O vídeo do Casoy foi visto 362.485 no Youtube.

Washington Araújo – Agência Carta Maior, é jornalista e escritor.
Texto publicado originalmente no site do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina.

Fonte:  http://fichacorrida.wordpress.com
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