UM POUCO DE HISTÓRIA : GETÚLIO DIAS , UM POLÍTICO INESQUECÍVEL

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Paulo Timm

O tempo é implacável. Apaga tudo. As dores, os amores, até os rumores…Daí a importância dos escritores, que registram para a posteridade o que viram e ouviram. Fazem como a geologia que grava em sitio arqueológico um tempo imemorial.

Em época de eleições, por exemplo, lembrarei de um político gaúcho ímpar: Getúlio Dias.

Getúlio Dias, nascido em Pelotas, em 1938, foi um dos políticos mais ativos e promissores do último quartel do Século XX, no Rio Grande do Sul. Vozeirão de pajador – era capaz de declamar com inigualável talento as mais belas paginas da poesia creolla- , chegado às boas paixões do mundo, fez jus ao prenome, permanecendo sempre fiel ao ideário trabalhista. .

 Desafiou a ditadura militar com discursos provocantes no Congresso, tendo sido preso nos primeiros meses da ditadura de 1964. Quando morreu o então presidente Costa e Silva e uma junta militar assumiu o comando do país, no lugar do vice-presidente Augusto Radmacker, não titubeou ao afirmar que a Praça dos Três Poderes havia sido transformada no “poder dos três praças”. Anos mais tarde, em pleno recinto do Tribunal Superior Eleitoral, na noite em que a sigla do PARTIDO TRABALHISTA BRASILEIRO foi dada a Ivete Vargas, em detrimento da postulação de Leonel Brizola, Getúlio sofreria seu último processo quando, emocionado, desabafou: “Transformaram este Tribunal na latrina do Palácio do Planalto”.
Seu grande momento parlamente foi o mais comovente discurso da Sessão Parlamentar que aprovou a Lei da Anistia em 1979, há exatamente 31 anos.  Verdadeiramente imortal. Getúlio morreu em Brasília em 2002, vítima de complicações circulatórias, aos 68 anos em pleno vigor físico. Meses antes havia estado em Pelotas, já rompido com seu ex-aliado e ex-Prefeito Irajá Rodrigues, trocou seu domicílio eleitoral e na campanha municipal emprestou seu apoio e prestígio ao candidato da Frente Popular.
Formado em 1967, foi eleito vereador pelo PTB na legislatura 1960/1963 e reeleito entre 1964 e 1967, tendo o mandato prorrogado, já no MDB, até 31 de janeiro de 1969.
Tentou ser deputado federal em 1966, ficando com a segunda suplência. O primeiro suplente foi Alceu Collares. Em 1970 pelo MDB elegeu-se deputado federal com 32.219 votos e foi reeleito em 1974 com 77.861 votos. Alcançou o terceiro mandato em 1978 com 62.819 votos. Em 1979 comparece à Lisboa atendendo ao chamado de Leonel Brizola para o Encontro dos Trabalhistas para a reorganização do PTB e se dedica com afinco a este projeto depois da reorganização partidária, em 1980. Em1982 concorreu, pelo PDT,  ao Senado, tendo recebido 730.069 votos.

No início dos anos 1980 um fato curioso no seu apartamento, em Brasília, quando ofereceu um jantara a Leonel Brizola, recém-chegado do exílio, e à pequena bancada do PDT. Brizola falava com desenvoltura sobre seus planos para a reorganização do trabalhismo no Brasil e insistia:  “Eu não perco eleição”. Aliás, lamentou, ali, sua “única e imperdoável” derrota, 30 anos antes, para a prefeitura de Porto Alegre, atribuindo-a à desastrada contratação de Osvaldo Sangentelli e suas mulatas seminuas para animar os comícios, um escândalo na época. Mas não fora  Sargentelli e sim Colé, segundo correção feita oportunamente por  Enio Meneghetti, neto de Ildo Meneghetti,  quem iria derrotar o candidato à sucessão de Brizola em 1960, Egidio Michaelsen.. Curiosamente, pouco mais de dez anos depois, o próprio Getulio Dias, derrotado nas eleições para o Senado pelo Rio Grande do Sul , vai para o Rio de Janeiro e se torna sócio do Sargentelli num Restaurante de estilo turístico, em Copacabana, com show ao vivo de belas mulatas por ele arregimentadas

Era casado com Zoé Dias, falecida em 2004,  e tinha os filhos Uil, que foi vereador em Pelotas, Ian, Advogado e Assessor da Bancado do PDT na Câmara dos Deputados e Air, além de uma filha – Lara – de uma relação extraconjugal. O nome desta filha respondeu ao encanto de Getúlio, não só pela amante, mas pelo filme Dr. Jivago, que havia marcado sua vida. Lara, como todos lembram, era a paixão secreta do Dr. Jivago, que lhe perseguia ao longo de situações as mais surpreendentes, provocadas pelos desvarios da Revolução russa de 1917. Com ela Jivago viria a ter uma filha, que fica órfã, perdida no torvelinho da revolução russa.  E como a vida imita a arte, tanto no filme como na vida real, a filha de Getúlio Dias,  Lara, que conheci criança ,  também fica órfã de pai e mãe. Hoje é médica e deve se honrar muito deles, os quais foram meus amigos fraternos por anos a fio e churrascos a porfio.

Paulo Timm é editor do blog http://www.torres-rs.tv

Dossiê ACTA: para desvendar a ameaça ao conhecimento livre

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O que é, como foi revelado e quais os desdobramentos do acordo internacional secreto que pode bloquear a trocas pela internet, proibir os medicamentos genéricos e ampliar as desigualdades entre países ricos e pobres. Há alternativas?

(29/03/2010)

Esta é a primeira versão de um texto colaborativo. Veja aqui como participar de sua construção e difusão

Em 25 de março, o governo de Barack Obama tornou público o esboço de um acordo internacional espantoso. Eufemisticamente denominado ACTA – as iniciais em inglês de Acordo Comercial Anti-Falsificação [1] –, ele tem objetivos muito mais vastos. Incide sobre a circulação de bens simbólicos – a atividade que mais mobiliza a criatividade humana no presente, e também a que mais desperta expectativas de lucros. Mas o faz no sentido do controle. Ao invés de incentivar e qualificar a expansão das trocas livres, restringe e mercantiliza o intercâmbio de cultura, conhecimento, marcas e fórmulas necessárias ao combate das doenças.

Recorre, para tanto, a métodos totalitários e policialescos, que ferem em múltiplos pontos a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Permite violar correspondência sem ordem judicial e intervir na comunicação pessoal. Encarrega os provedores de acesso à internet e os serviços de hospedagem de sites de vigiar e punir os internautas. Criminaliza, em especial, a troca não-comercial de arquivos via internet, o que ameaçaria milhões de pessoas com penas de prisão [2]. Atinge kafkianamente o software livre – ainda que os programadores que o constroem não reivindiquem direito a propriedade. Como frisa James Love, no Knowledge Ecology International, um dos site envolvidos na mobilização internacional sobre o tema, o ACTA enquadra, sob o conceito de “escala comercial”, não apenas o que tem “motivação direta ou indireta de ganho financeiro”, mas “qualquer sistema de grande amplitude”. Em outras palavras, as grandes corporações que comercializam produtos culturais querem colocar fora da lei aqueles que os oferecem gratuitamente…. É uma ameaça, a longo prazo, até mesmo a serviços como o Google [3].

Estabelece penas que ultrapassam a pessoa do suposto infrator, violando um princípio jurídico que vem do direito romano [4]. Bloqueia a circulação internacional de medicamentos genéricos, que considera frutos de violação à propriedade intelectual das indústrias farmecêuticas. [5]. Submete os serviços públicos de alfândega a interesses e determinações de empresas privadas. [6]. Procura frear a emergência dos países do Sul do planeta e a possibilidade de uma divisão mais justa da riqueza — congelando a divisão internacional do trabalho hoje existente.

* * *

Debatido sigilosamente há três anos, o rascunho do acordo só veio à luz depois de uma série de pressões de grupos da sociedade civil e de alguns parlamentares. Mas a falta de transparência nunca foi completa. Sucessivas baterias de reuniões internacionais foram desenhando o ACTA. A elas tiveram acesso os governos de um pequeno grupo de países: Estados Unidos, Japão, Suíça e União Europeia, desde 2007; Austrália, Canadá, Coreia do Sul, Emirados Árabes, Jordânia, México, Marrocos, Nova Zelândia e Singapura, numa segunda etapa. E embora excluíssem os Parlamentos, os representantes do Poder Judiciário e a sociedade civil, os governantes sempre tiveram a companhia dos grandes lobbies empresariais [7] — o que bastaria para atestar o caráter não-republicano e ilegítimo da proposta.

* * *

O ACTA é o lance mais recente de uma grande disputa civilizatória, que emergiu na virada do século e marcará, agora está claro, as próximas décadas. Por um lado, a economia do imaterial e a internet abrem, entre os seres humanos, possibilidades inéditas de liberdade, autonomia, des-hierarquização, invenção e criação colaborativas de riquezas. Na direção oposta, setores do capital procuram capturar esta riqueza comum. Para tanto, investem inclusive contra as liberdades conquistadas já na época da Revolução Francesa.

Mecanismos para restringir a soberania dos Estados e sociedades, impedindo-as em especial de “interferir” sobre a “autonomia” das grandes empresas, foram propostos pelo Acordo Multilateral de Investimentos (AMI). Articulado até 1998, no Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômica (OCDE), ele exigia pagamento de indenizações aos “investidores”, sempre que os Estados adotassem medidas que pudessem resultar em redução de lucros – uma legislação trabalhista ou ambiental mais protetoras, por exemplo. Foi também negociado em sigilo, mas ao final vencido por uma articulação da sociedade civil. Ela se espraiou por diversos países – o que era, então, incomum – e ganhou força ao denunciar o caráter oculto, e portanto antidemocrático, da iniciativa da OCDE.

Eram tempos de forte supremacia das ideias neoliberais. Por isso, a derrota do AMI pareceu mero acidente de percurso. Mecanismos muito semelhantes foram incluídos, pela Organização Mundial do Comércio (OMC), na convocação de uma rodada de negociações internacionais para liberalizar as trocas internacionais – a chamada Rodada do Milênio. Ela previa, além disso, enorme pressão para que os Estados desarticulassem suas redes de serviços públicos (Educação, Saúde, Água, Saneamento, Transportes e tantos outros, em muitos casos gratuitos) e os transformassem em mercadorias. Naufragou em Seattle, em dezembro de 1999, diante de uma mobilização internacional maciça, de características até então desconhecidas (como o protagonismo múltiplo e a horizontalidade) e diretamente precursora dos Fóruns Sociais Mundiais.

Dez anos depois, o ACTA é a nova investida. Chega num cenário internacional muito distinto: as ideias neoliberais perderam terreno; a colaboração via internet faz parte do quotidiano (em especial, entre as gerações mais jovens); países como China, Brasil e Índia ganharam força e iniciativa nos debates e fóruns de decisão mundiais. Para fazer frente à nova realidade, o novo acordo precisa expor ainda mais seu caráter autoritário. E já não é possível negociá-lo abertamente em nenhuma instituição internacional – nem mesmo a OMC. Por isso, o ACTA tem sido debatido em reuniões semi-informais, entre governos e grupos empresariais. O próximo ocorrerá na Nova Zelândia, entre 12 e 16 de abril. A própria aparição do texto-base só tornou-se inevitável depois que o Le Monde Diplomatique francês teve acesso a vazamentos e publicou, em sua edição de março último, um artigo, disponível no site Outras Palavras.

Ainda assim, subestimar o acordo seria um erro grosseiro. Embora seu prestígio tenha recuado nitidamente, as ideias neoliberais ainda influenciam governos e parte da opinião pública – inclusive porque, em oposição a elas, há valores e certas políticas – mas ainda não um projeto de sociedade alternativo. Por isso, leis nacionais com sentido muito semelhante ao do ACTA foram aprovados há poucos meses na França (lei Hadopi [8] e nos Estados Unidos (DMCA [9]). No Brasil, a Lei Azeredo, de idêntico sentido, chegou a ser votada no Senado, sendo revertida graças a intensa mobilização da sociedade, que convenceu o presidente da República. Há poucos dias, o próprio presidente dos EUA, para cuja eleição a liberdade na internet foi fundamental, deu declaração enfática em favor do acordo. “Vamos proteger de maneira agressiva nossa propriedade intelectual (…) [Ela] é essencial para nossa prosperidade, e será cada vez mais, ao longo do século. (…) Eis porque os Estados Unidos utilizarão todo o arsenal de instrumentos disponíveis (…) e avançarão para novos acordos, em nome dos quais se articula a proposta do ACTA [10]”.

* * *

Uma possível estratégia para enfrentar o acordo deveria envolver diversas ações paralelas. A primeira é a denúncia da ameaça. Por se tratar de um acordo internacional, ela deve ser igualmente planetária. Em diversas partes do mundo começam a surgir articulações da sociedade civil em torno do tema. Entre elas, destacam-se no momento La Quadrature du net (“A quadratura da net”, www.laquadrature.net), na França, Knowledge Ecology International (Ecologia do Conhecimento Internacional, www.keionline.org), nos Estados Unidos, e PublicACTA (http://publicacta.org.nz, na Nova Zelândia), que inclusive prepara um encontro internacional da sociedade civil, paralelo à próxima reunião internacional de articulação do ACTA, em Wellington. A forte presença de um movimento de resistência nos países ricos deixa claro que a luta em favor da liberdade de conhecimento precisa envolver também as sociedades civis e organizações políticas do Norte.

Construído num fórum informal, o acordo não poderá ter aplicação imediata – nem mesmo quando os países participantes chegarem a um acordo, numa de suas próximas reuniões. O caminho traçado por seus promotores, nas condições atuais, passa provavelmente pela aprovação de leis derivadas do acordo em parlamentos nacionais dos países do Norte. Lá, como deixa claro o discurso de Obama, os interesses econômicos dos que se julgam titulares de propriedade intelectual são mais fortes.

O passo seguinte seria transpor os mesmos dispositivos para o Sul. O caminho mais fácil para tanto são os acordos de comércio bilateral. Por meio deles, os países ricos podem, por exemplo, abrir seu mercado a certos produtos agrícolas, reivindicando em contrapartida grandes concessões na área de propriedade intelectual.

Para prevenir esta armadilha há, além do debate de ideias, um recurso institucional: é a Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI). Parte do sistema ONU, ela foi bastante criticada, no passado, por reproduzir algumas das distroções comuns às organizações multilaterais [11]. Porém, debate, há alguns anos – e aqui está outro desdobramento da nova conjuntura internacional – uma “Agenda do Desenvolvimento”. Proposta inicialmente por Brasil e Argentina, com forte apoio da Índia, inclui certas medidas com sentido oposto ao da ACTA. Rejeita explicitamente a penalização das trocas de arquivos por internet. Quer limitar e abrir exceções ao “direito” de patente [12].

No entanto, a resistência parece ser apenas parte da resposta. Numa época em que dois futuros opostos parecem possíveis – a regressão a formas de controle totalitário e as lógicas de colaboração pós-capitalistas —, é preciso desenvolver a segunda alternativa. O que seriam os novos direitos civis e sociais, na época da internet? Como estender a todos os seres humanos o acesso permanente e rápido à rede — hoje privilégio de uma minoria? Mais: como fazer deste direito não apenas a possibilidade de receber o conteúdo criado por outros; mas, também, o de participar ativamente da produção coletiva de cultura e conhecimento? E, além da internet: num tempo em que o saber converteu-se na principal fonte de riquezas, e é por natureza construção coletiva, como promover a distribuição das riquezas geradas por ele?

Se uma mobilização internacional já se esboça, em resposta ao ACTA, talvez ela possa se propor, também, a responder de modo colaborativo aestas questões.

Para ampliar este texto:

O debate sobre a ACTA será, provavelmente, um processo prolongado, que exigirá múltiplos saberes e esforços. Abaixo, alguns dos caminhos para melhorar e ampliar o presente artigo [13]

> Para assuntos relacionados ao acordo em geral:

Há, no Twitter, intensa postagem com referências a material importante sobre o acordo. Pesquisar por #ACTA. Acompanhar, em particular, as microblogagens de James Love, Michael Giest, Philippe Rivière, OpenActa (rede mexicana) e, no Brasil, de Caribé, Fátima Conti, Marcelo Branco e Sérgio Amadeu.

Le Monde Diplomatique estampou, na edição de março, um importante artigo sobre o ACTA. Pode ser encontrado, em português, no site Outras Palavras. A análise foi expandida num texto de Philippe Rivière, disponível por enquanto no blog da redação do jornal.

Na Biblioteca Diplô, é possível recuperar (em português) os textos publicados pelo jornal sobre a vitória contra a Rodada do Milênio da OMC, antecessora do ACTA: 1 2 3 4

> Para analisar a primeira versão pública:

O texto inicial do ACTA (versão pdf) está aqui É um documento de mais de 50 páginas, preliminar, com marcações sobre as diferentes posições dos países que participam das negociações, quando existem divergências. O artigo acima foi baseado em vazamentos prévios, de partes do documento, e nas primeiras análises publicadas na internet.

Para novas análises, mais detalhadas, serão muito úteis a própria leitura detalhada do texto (em inglês) e os seguintes sites, que têm publicado material a respeito:

Margot Kaminski: Professora de Direito na Universidade de Yale, especialista em liberdades civis na era digital, ele escreveu, em seguida à publicação do esboço do ACTA, uma breve análise a respeito. Foi publicada no site Balkinization, também uma importante fonte de notícias e análises sobre o tratado.

Michael Giest, professor de Direito da Universidade de Ottawa (Canadá), mantém um blog com ampla informação e muitas análises sobre o ACTA. Em janeiro deste ano, ele publicou uma série de cinco artigos sobre o acordo, o primeiro dos quais pode ser lido aqui.

La Quadrature de net é a princiapl iniciativa francesa em defesa da liberdade na rede. Dá destaque especial ao ACTA, dedicando-lhe, inclusive, uma seção específica.

Knowledge Ecology International, é um excelente site norte-americano sobre propriedade intelectual e direito à comunicação e cultura.

James Love, fundador e articulador do Knoledge Ecology International, mantém um blog com análises constantes e profundas.

PublicACTA é um site neozelandês com interessantes análises a respeito do acordo. Organiza encontro internacional da sociedade civil, que deverá ocorrer em Wellington (com forte interface via internet), entre 12 e 16 de abril – paralelo a uma nova rodada de conversações dos governos que preparam o acordo.

Sobre a história do ACTA:

Na versão em inglês da Wikipedia, há um importante verbete a respeito do acordo, com breve descrição de sua origem e todas as etapas da negociação. Também é muito informativa a série de cinco artigos publicada por Michael Geist em seu blog (começa aqui.

Sobre o acordo e o Brasil:

Em novembro de 2009, a revista A Rede entrevistou, a respeito do ACTA, Pedro Paranaguá, professor da FGV-Rio. Suas opiniões estão aqui.

No site Xô, Censura, há uma série de três artigos publicados, a partir de julho de 2008, por Fátima Conti. Redigidos quando a Lei Azeredo ainda estava em debate, eles podem ser lidos aqui: 1 2 3.

[1] Anti-Counterfeiting Trade Agreement

[2] Em 10 de março de 2010, James Murdoch, herdeiro do grupo de mídia que leva seu sobrenome recomendou, numa entrevista coletiva em Abu Dhabi, deixar de ser “amistoso” com os consumidores e punir os “ladrões” de filmes como se punem os ladrões comuns

[3] Um dos esboços do ACTA exige que as legislações dos países signatários punam também “a incitação, assistência ou cumplicidade” ao que chama de “falsificação”, ou “pelo menos, os casos de assistência à ’falsificação’ [aspas nossas] voluntária de marca e de direito autoral, ou direitos conexos, e de pirataria em escala comercial”. O texto parece escrito sob medida para atingir buscadores alternativos, como o Pirate Bay. Mas permite enquadrar também o Google

[4] Inspirado na lei francesa Hadopi, o ACTA quer excluir da internet os usuários acusados de trocar produtos culturais “não-autorizados”. Para fazê-lo, pretende congelar os endereços IP dos “transgressores”. Finge ignorar que um mesmo IP atende a diversos moradores de um mesmo domicílio (adultos ou crianças), sendo frequentemente compartilhado por seus vizinhos e pessoas em trânsito pela área.

[5] Nos últimos anos, medicamentos genéricos, transportados por navios procedentes da Índia e com destino a países africanos, foram bloqueados mais de uma vez em portos europeus. Os produtos retidos eram perfeitamente legais, tanto no país de partida quanto no de chegada, mas autoridades europeias consideraram que o trânsito por seus países feria o princípio de propriedade intelectual

[6] Uma das versões do ACTA que veio a público revela: empresas privadas poderão solicitar diretamente às autoridades aduaneiras (sem necessidade de procedimento judicial) a fiscalização e eventual retenção de produtos supostamente falsificados. Fiscais alfandegários terão também atribuição de verificar, reter e em alguns casos destruir produtos “falsificados” e também arquivos eletrônicos (músicas ou filmes “não-licenciados”, por exemplo) armazenados em computadores, pendrives e telefones celulares

[7] Cartéis como a Aliança Internacional pela Propriedade Intelectual (IIPA, em inglês), a Motion Picture Association of America (MPAA, que representa a indústria norte-americana do cinema), a Business Software Alliance (BSA, de programas de computador não-abertos) e a Recording Industry Association of America (RIAA, para a música) são desde o início construtores privilegiados do ACTA

[8] Parcialmente bloqueada pela corte constitucional francesa, por incompatibilidade com as liberdades individuais, a lei entrou em vigar em novembro de 2009. Para informação detalhada, ver verbete (em francês) na Wikipedia)

[9] Digital Millenium Copyright Act, descrito e analisado em detalhes na Wikipedia, em português, (verbete mais completo)

[10] A fala de Obama, na íntegra, pode ser lida aqui

[11] Informações maiores sobre a OMPI, incluindo críticas a ela, podem ser encontradas na Wikipedia

[12] No Brasil, o Observatório OMPI, do site Cultura Livre faz um ótimo acompanhamento da Agenda do Desenvolvimento

[13] (Esta é a primeira versão de um texto colaborativo. Veja aqui como participar de sua construção e difusão)

Fonte: http://diplo.org.br/

Alan Kardec no Brasil

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27/08/10

Jayme Copstein

Fico sabendo, por informação do colega Carlos Brickmann, que “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec, em nova tradução de Alberto Adriano Maçorano Cardoso, 488 páginas, está sendo lançado em papel (R$ 46,00) e em arquivo eletrônico (R$ 12,90).

Os preços me parecem excessivos, considerando-se que é obra em domínio público e tem mercado garantido de milhões de adeptos do Espiritismo no Brasil. Edição anterior, traduzida por Guillon Ribeiro, poliglota e vernaculista elogiado até por Ruy Barbosa, pode ser baixada, gratuitamente, em http://tinyurl.com/29pbh8u, ou comprada, a partir de meros R$ 10 reais em papel, ou por R$ 21,90 em audiolivro gravado por Carlos Vereza e sua filha, a atriz Larissa Verezo.

Não é essa a questão que eu desejava focalizar neste momento, ainda que a alusão ao abuso do preço me pareça importante. Parece-me, sim, que o lançamento da nova tradução, comparado com o que já existe, liquida a polêmica sem sentido sobre o futuro do livro, quando tal jamais esteve em debate, mas apenas a midia ou o veículo como queiram chamar o material através do qual ele ganha vida exterior ao do cérebro que o engendrou.

Os nostálgicos do papel, tal como ocorreu antes com os do papiro e do pergaminho, podem prolongar sua utilização por mais dez ou vinte anos, mas acabarão rendidos a duas realidades. A primeira é a falta de sentido de sacrificar uma floresta, agredindo o meio ambiente e encarecendo o preço final com os custos que começam com o abate de árvores, passam pela fabricação da celulose, do papel, da tinta, da cola, e terminam na impressão, encadernação, empacotamento e distribuição.

A segunda é que o livro como conceito nunca esteve em debate. No momento em que os antagonistas da versão eletrônica perceberem que tanto faz imprimi-lo na cabeça de um alfinete – há quem consiga – ou em Lâminas de ouro ou lajotas de cerâmica, desde que não perca o conhecimento que armazena, toda a resistência cessará.

Mural

Sobre “Cordoba Center”, coluna de anteontem, Levy escreveu:

“Assisti também à tal entrevista [de Feisal Abdul Rauf, defendendo a localização do Centro] no 60 minutes. O sujeito líder da comunidade islâmica falava em tudo, menos liberdade religiosa. Disse, entre outras coisas, que a construção do Centro faria com que mais muçulmanos entrariam em NY e que isso traria mais negócios, gerando emprego etc. Grande preocupação com a liberdade religiosa! A construção do Centro no local pretendido é ofensivo às famílias que perderam seus entes naquele ato praticado em nome de uma religião. É dizer aos radicais muçulmanos: Venham, ataquem-nos. Em troca, construiremos mais mesquitas para vocês! Tente construir um centro cristão, uma igreja batista ou católica em Riad. Cadeia ou morte e sem julgamento. Sustentar direito à liberdade religiosa em casos como esses, constitui, de duas, uma: hipocrisia ou má-fé ou mesmo as duas.”

Sobre “Deus e os Baha’is”, coluna de ontem, Iradj Roberto Eghrari manifestou:

“Parabéns pela lucidez e clareza de seu artigo. Como bahá’í brasileiro sinto serem fundamentais manifestações como a sua para que possamos criar massa crítica na opinião pública de nosso país para que assim a voz da liberdade e da eliminação dos preconceito religioso brade bem alto para que as autoridades iranianas percebam que não iremos nos silenciar face as cruéis injustiças cometidas no Irã contra os bahá’ís e todas as minorias lá perseguidas, sejam elas étnicas, religiosas, homossexuais, e tantos outros.”
Fonte: http://copsteinblogspot.com

A corrida sucessória nacional e o fim antes do começo

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Analisando as Pesquisas Eleitorais publicadas no dia de hoje que apontam essa fantástica diferença de Dilma sobre Serra e – ademais – os indicativos de que Dilma pode liquidar a fatura já no primeiro turno, a sensação que se fica é que a eleição presidencial terminou antes de começar.

Ademais, o programa eleitoral do PT e seus aliados, nesse primeiro dia de televisão, deu claros indicativos de que o Partido fez um programa altamente emocionante, sensível; já o de Serra insiste em dar murro em ponta de faca. Ao bater na tecla saúde, quando todos os cidadãos do país sentem as grandes melhoras e aperfeiçoamentos, o discurso tucano se choca com a realidade e não encontra eco. É muito claro, aos olhos mais apurados, que Dilma tem um discurso bem definido em defesa dos pequenos, das pequenas propriedades familiares e da manutenção das grandes conquistas do governo LULA, especialmente na educação e habitação. O discurso tucano, ao contrário, começa comprometido com o leque de alianças, o discurso é elitista, anti-popular e voltado para a classe média mais politizada (não sem razão encontra eco no sul). Aqui em Santiago, por exemplo, é fácil identificar que toda a elite agrária está com Serra. Já o povão, alvo dos deboches do bolsa/família, está todo com Dilma. É nítida a divisão. E também é nítido alguns setores médios com Marina Silva, do PV.

Lendo a imprensa do Rio/São Paulo/Brasília nessa tarde, o que se nota é que muitos tucanos já dão a causa por perdida; de qualquer forma, é fascinante o desafio de tentar reverter o jogo. Fiquei me questionando sobre quais armas irão desfraudar nessa tentativa, quase desesperada, de não acelerar o fim da eleição justamente no seu início. O discurso à UDN, o moralismo cristão e a ética do Morumbi e Pinheiros, não fazem mais a diferença e nem sensibilizam amplas fatias do eleitorado nacional. Ademais, é preciso virar o disco com aquela cantilena que tenta assustar a classe média com o MST. Também, é notório que a aliança aberta e explícita com o agronegócio revelou-se uma tática totalmente furada, quase um erro estratégico fatal.

Outra grande contradição dessa campanha é a presença de um discurso fortemente reacionário, direitista, que bate e associa Dilma a guerrilhas. Só que, ao mesmo tempo, todos os protagonistas dessa linha discursiva fazem apologia a candidatura José Serra. E o programa de Serra, em contraposição ao de Dilma, mais parece uma disputa para mostrar quem é mais à esquerda do quem e quem lutou mais contra a ditadura. Então, mesmo que esse discurso tenha um público alvo, como justificar tal contradição, afinal ninguém mais é bobo e as pessoas notam o tamanho da falta de lógica e coerência.

Dilma chega aos programas eleitorais cada vez mais forte. Marina não se constituiu em novidade, embora seja uma pessoa que passa muita confiança, alicerçada numa vida de dignidade e honradez, adotou um discurso dócil, de conciliação, e mais parece uma aliada de Serra, com um discurso verde, do que uma real opositora do capitalismo que destrói a natureza e fulmina o meio ambiente. Quem acabou roubando à cena, que seria reservada a Marina, foi Plínio de Arruda Sampaio e o vigor de seus 80 anos, suas frases de impacto e suas análises contundentes. Embora lembre o PT do início dos anos 80, sua vida é uma trajetória da coerência, foi deputado federal, tem histórico no PT, é promotor público de carreira e incensado pela mídia paulista que adora intelectuais formados pela USP.

Para quem esperava emoções fortes nesse pleito, com uma disputa apertada entre Serra e Dilma, nada disso vai acontecer, pelo menos nos próximos dias. A seguirem-se as linhas televisivas esboçadas nessa terça-feira, Dilma foi muito melhor, o programa foi mais emocionante, tocou mais na sensibilidade das pessoas. Enquanto Serra, ante a ausência de ter o que dizer, choca-se, erroneamente, com a realidade; embora sua opção de bater na questão da saúde deva ser precedida por boas pesquisas.

Pinheiro, do PCB, é uma legítima candidatura estalinista, com direito aos saudosismos da URSS e seus aliados na cortina de ferro que caíram com o muro de Berlim. O trotskismo faz jus a eterna divisão, e tanto o PCO, com Ruy Costa Pimenta, o PSOL com Plínio, e o PSTU do Zé Maria,  são oriundos de tendências da Quarta Internacional de 1938.

Já não chegava o marasmo dessa eleição é só o que falta ela terminar antes de começar, afinal se tudo seguir nesse ritmo teremos apenas um passeio de Dilma e Lula.

Fonte: http://jornalistaprates.blogspot.com/

O novo alçapão de Lula

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18/08/10 Topo

Jayme Copstein

Desde que o senhor Luiz Inácio Lula da Silva assumiu a presidência da República, seu partido tenta forçar o país para dentro de alçapões, no fundo dos quais esconde uma ditadura ao estilo cubano. .

Primeiro foi aquele ridículo Conselho Nacional de Jornalismo que, a pretexto de “controlar excessos” da imprensa, revogava cláusula pétrea da Constituição e impunha mordaça à liberdade de expressão. A mais recente novidade é a mudança proposta para a legislação dos direitos autorais, confiscando do autor, único e legítimo dono, a propriedade da obra criativa (artística, literária, científica). .

Fica difícil identificar o mentor ou os mentores da malandragem porque, como no caso dos dossiês contra adversários, todos se fingem de mortos. Convocam-se reuniões para o debate “democrático”, às quais comparecem militantes treinados em intimidar, para no fim “tirar” cartas cuja texto, já redigido de antemão, pretende dar legitimidade à decisão imposta.

São táticas por demais conhecidas e que já não mais conseguem dissimular que Lula e seus correligionários pretendem transferir ao aiatolá eventual na Presidência da República, o poder de administrar o uso da obra criativa, alegadamente “quando o autor ou titular do direito de reprodução, de forma não razoável, recusar ou criar obstáculos ao licenciamento”.

A democratização do acesso à cultura, como o projeto sugere na superfície, esconde em suas dobras a liberdade de deturpar a obra criada. Não é dinheiro que se pretende negar ao criador da obra, pois esse o Governo do Sr. Luiz Inácio Lula da Silva distribui generosamente para correligionários, aliados, amigos e favorecedores no país e no estrangeiro. Da mesma maneira que os aiatolás do Irã fraudam o Corão para legitimar seu sadismo contra uma mulher indefesa, a obra do autor pode ser “licenciada” até para dar aval a teses a que ele se opõe com toda a sua convicção.

O maganãol

Jovita M. pergunta o que é “maganão”, palavra usada na coluna de ontem e por ela considerada “difícil”. É pouco usada, mas difícil não é, no sentido que a leitora levantando. Aprendi “maganão” com os portugueses na minha bem amada cidade do Rio Grande, onde nasci e me criei. Eles assim chamavam os brincalhões que não levam nada a sério, vivem contando anedotas e pregando peças nos outros. Sem considerar o milhão de novas máquinas, cuja engenharia ainda não foi montada, será que não é piada exigir que as empresas deste país acrescentem à papelorreia a que estão obrigadas para cumprir as obrigações fiscais, uma montanha de mais 20 milhões de papeluchos por dia, para compensar a fiscalização que a Pasta do Ministro Carlos Lupi não faz? Apenas acrescento: lá em Rio Grande também diziam “manganão”. Não sei explicar a intromissão de um “n” na primeira sílaba.

A impunidade

Victor Zé-Povinho externa sua indignação contra o projeto do novo Código de Processo Penal, que amplifica e aprofunda a impunidade no Brasil: “Até quando a impunidade será a única regra séria neste país lulista? Até quando armações como esta do novo Código de Processo Penal serão adotadas para alimentar a procura de advogados para usar as brechas criadas por juristas e politicalhas que depois vão voltar a usar “liminares” para se reelegerem e, assim, gozarem das benesses da imunidade ou impunidades parlamentares. Isto é novo ou velho como as raposas do poder e do dinheiro público?! Até quando?”

Fonte: http://copstein.blogspot.com/

O maganão

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17/08/10

Jayme Copstein
Manoel, o filósofo português que não vê necessidade de inventar piada de brasileiro pergunta se a notícia é verdadeira. É verdadeira, sim.

Portaria do Ministério do Trabalho, de 2009, obriga as empresas brasileiras com mais de dez funcionários, a adotar máquina de ponto eletrônico que emitam recibo impresso toda a vez que o funcionário sair ou entrar. Bem mais de 20 milhões de papéis terão de ser emitidos por dia, “para evitar possíveis fraudes”, segundo justificativa do Ministro Carlos Lupi.

Mas este não é o maior problema para se cumprir a exigência, em vigor a partir de 25 de agosto. Há necessidade de substituir um milhão de máquinas. Como a capacidade atual de produção do Brasil é de 100 mil unidades por ano, seriam necessários dez anos, no mínimo, para dar conta do recado.

Quando o Manoel soube que ainda não foram criados, em nenhum país do mundo, modelos que atendam às exigências inventadas pelo Ministro Carlos Lupi, ele deu aquela risadinha sarcástica e acrescentou: “Vosso ministro é um maganão, pois, pois.”

Falta de cadeia

Com essa falta de cadeia que assola o país – vergonha na cara não se exige mais já há muito tempo – qual a estranheza que vereadores torrem 15 milhões de reais em diárias, para “cursos de qualificação” nas praias de Fortaleza ou no camelódromo de Foz de Iguaçu?

Houvesse um pingo de seriedade neste país, e o objetivo fosse mesmo qualificar vereadores, bastaria trazer os professores para ministrar os tais cursos nos próprios municípios dos interessados, sem ter de sangrar os cofres públicos.

No fundo, mesmo, o que falta é cadeia. Como em toda a corrupção sempre há um corruptor e um corrompido, fossem os mentores de tais “cursos” e os vereadores que os frequentam, postos a capinar as ruas e a recolher o lixo, certamente nasceriam todos muito qualificados, para proveito de todos nos.

A propósito

Por falar em falta de cadeia, artigo do promotor e jornalista Cláudio Brito, publicado ontem na Zero Hora, alerta sobre as benesses que os mentores do novo Código de Processo Penal estão engendrando para ampliar a já oceânica impunidade oferecida a toda a espécie de criminoso no Brasil.

Poderia repetir aqui as estarrecedoras revelações do Cláudio Brito, colhidas no convívio com seus colegas durante o Encontro Nacional dos Promotores de Justiça do Tribunal do Júri. Mas apenas faço um resumo do novo Código: “Artigo 1º – É terminantemente proibido e considerado crime hediondo, ser honesto no Brasil. Artigo 2º – Revogam-se as disposições em contrário”.

E agora, Zé Sarney?

Zé Sarney, aquele do governo de triste memória que pôs na lata do lixo vários anos da História deste país, deve ter feito alguma coisa que desagradou seu parceiro, Luiz Inácio Lula da Silva. Não há outra explicação para o súbito reaquecimento das denúncias contra a milagrosa multiplicação dos pães e bolachinchas do Casal Murad

– Roseana Sarney e seu marido, o padeiro Jorge Murad.

Desta vez, não dá para acusar Fernando Henrique Cardoso, como Zé Sarney fez da outra vez, quando foram flagrados esses mesmos “dinheiros não contabilizados”. Naquela ocasião com o “coração de pai dilacerado pelas ofensas à sua inocente pimpolha” correu para ios braços de Lula que o esperava de braços abertos, para vesti-lo com uma “biografia de respeito”.

E agora, Zé Sarney, que ficou claro quem é quem nessa história, vai correr para onde? Já não há mais braços tão abertos como antigamente.

Fonte: http://copstein.blogspot.com/

Apesar de Uribe

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Mário Augusto Jakobskind

Venezuela e Colômbia deram os primeiros passos no sentido de um entendimento. Os presidentes Hugo Chávez e Juan Manuel Santos se encontraram e restabeleceram relações diplomáticas entre os seus países. Provavelmente quem não deve ter gostado é o agora ex-Presidente Álvaro Uribe, que ingressou atabalhoadamente no Tribunal Penal Internacional acusando o dirigente venezuelano de permitir o ingresso de integrantes das Farcs em território da Venezuela, o que foi negado inúmeras vezes por Chávez, que já sugeriu ao grupo insurgente deixar as armas e adotar outra estratégia para conseguir tornar a Colômbia num país mais justo socialmente e menos desigual como agora.

E no meio de tudo isso explodia uma bomba nas proximidades de uma rádio de grande audiência e de uma agência de notícias, obrigando o novo presidente a se posicionar de forma dura. Então, vale a pergunta: a quem interessou esse ato? E a quem serviu?

 A questão das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia rende e, segundo Chávez, está servindo de pretexto para os Estados Unidos intervirem na Colômbia, inclusive com a instalação de sete bases militares a pretexto de combater o narcotráfico, como é de amplo conhecimento que o motivo é outro. Na verdade, a presença de forças militares estadunidenses na Colômbia é um fator de tensão na região.

Mas não é o que pensa o Presidente do Chile, Sebastián Piñera. Em pronunciamento recente, o milionário que substituiu Michele Bachelet no Palácio La Moneda (sede do governo) defendeu a presença de militares norte-americanos na Colômbia, fazendo eco com os falcões do Pentágono. Na justificativa, o também apoiador da ditadura Pinochet assinalou que se trata de um acordo entre países livres e soberanos e com propósitos nobres.

Piñera pouco a pouco vai mostrando a que veio, o que não chega propriamente a ser uma surpresa. Ele se junta a outros presidentes latino-americanos que seguem a mesma linha de ação conservadora, como, por exemplo, o peruano Alan Garcia.

Mas já que estamos falando de Sebastián Piñera, seu irmão foi condenado a realizar 50 horas de trabalhos comunitários e pagar multa de 11.500 dólares por ter sido preso dirigindo bêbado e provocado ferimentos numa motorista de outro carro.

A história não acaba aí. O hermano fugiu do local do acidente e só 13 horas depois se dignou a fazer o exame de teor alcoólico. E sabem aonde? Numa clínica particular em que um dos maiores acionistas era nada mais nada menos que Sebastián Piñera. E sabem quem dirigia o estabelecimento? Nada mais nada menos que o atual Ministro da Saúde, Jaime Mañalich.

Voltando a Venezuela, mais uma vez, para variar, a mídia de mercado colocou o Presidente Chávez como se ele fosse o bandido do filme de mocinho. Motivo: o governo bolivariano simplesmente avisou que não permitirá o ingresso no país do novo embaixador estadunidense, salvo se ele se retratar de uma declaração . Larry Palmer fez comentários ofensivos a Venezuela ao afirmar, na Comissão de Relações Exteriores do Senado  estadunidense, que as Forças Armadas Venezuelanas teriam uma alegada baixa moral “devido a nomeações de caráter político “. E de quebra ainda assegurou que há guerrilheiros das Farc em território venezuelano. Ou seja, o representante vetado fez coro com Uribe e sua presença na Venezuela pode se tornar um foco de provocação contra o governo bolivariano.

Os jornalões e quase todos os canais de televisão preferiram afirmar que o governo Chávez estava “desafiando” os Estados Unidos. Nada de dizer que Palmer estava criando caso com as declarações no Senado. Como não se informou o motivo da não aceitação do indicado pelo governo Obama, leitores e telespectadores foram induzidos a crer que o erro deve ser atribuído a Chávez .

Aí então, a partir da informação truncada, os analistas de plantão vão aproveitar o embalo para criticar o “desafiante” dos Estados Unidos para apresentá-lo como um radical criador de caso.

O exemplo em questão serve para ilustrar o que acontece volta e meia em outras editorias e que no fundo também ajuda a projetar a imagem negativa de muitos personagens que não rezam pela mesma cartilha preferencial do proprietário de veículo de comunicação.

Quando os jornalões, por exemplo, atacam  o atual goveno brasileiro na questão da exploração do petróleo e defendem  o regime de concessão que favorece as empresas, o mecanismo editorial é semelhante ao utilizado no caso do representante  dos Estados Unidos vetado na Venezuela. Ou seja, matérias e editorias mostram que o regime de partilha(*), defendido pelo governo é “danoso”, mas não complementam que o “dano” é só exatamente para a empresa, que deixa de ficar com toda a parcela da exploração do petróleo. E ainda por cima omitem o fato que o regime de partilha é adotado na maioria dos países. O resto é o resto.   

 (*) Adotado para exploração do pré-sal em que o estado brasileiro  determina o quanto eventualmente caberá de lucro à empresa petrolífera, enquanto no regime de concessão, adotado pelo governo  o FHC, o lucro total é de quem explora.  

Fonte: DiretodaRedação

A nova “Mãe de Todas as Batalhas”: a maconha contra o crack…

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 Valacir Marques Gonçalves

 

Quando Saddam Hussein disse que iria travar a “Mãe de Todas as Batalhas” com os Estados Unidos, pensei que os absurdos tinham atingido seu apogeu, mas não, a capacidade de surpreender de certas pessoas não tem limites…. O mundo viu como ele acabou: humilhado, sujo e maltrapilho, dentro de um buraco. Dali saiu para a prisão até ser executado, cumprindo uma sentença de morte da qual ninguém pediu clemência, todos perceberam que ele tinha hora marcada com a história…

Na semana que passou, lembrei Saddam quando um grande jornal do país publicou um artigo no qual um ex-deputado federal, “especialista” em segurança pública, direitos humanos e sei lá mais o quê, escreveu um artigo comentando que a maconha pode ajudar os viciados em crack a abandonar o vício… Ele não repetiu a frase do Saddam, mas considero esta “viagem” uma segunda “Mãe de Todas as Batalhas”… Diferente da outra, sem armas nem bombardeios, ela tem a pretensão de convencer que usar maconha é solução para alguma coisa, e, pior: que ela pode ser utilizada como “arma” para enfrentar uma droga devastadora como o crack…

Ele comenta que 50 dependentes químicos do crack foram submetidos a um tratamento experimental de “redução de danos”. Que sob a coordenação de um psiquiatra, o grupo foi “tratado” com maconha e que 68% trocou o crack pela maconha… E, incrível: ao final de três anos, todos os que fizeram a troca não usavam qualquer droga (nem o crack, nem a maconha). O texto é longo, mas não posso deixar de fora a conclusão a que o articulista chegou: “É possível que a maconha seja mais uma opção alternativa às drogas pesadas e não uma droga de passagem. Independente disso, é possível que a maconha seja uma porta de saída para a dependência química por drogas pesadas. O que, se confirmado, será uma ótima notícia”.

 O jornal, talvez preocupado com a indignação dos leitores, que protestaram através de e-mails, voltou ao assunto com outro tipo de abordagem. Citando especialistas, esclareceu que o tratamento de “redução de danos” que apontou a maconha como remédio para derrotar o vício em crack é considerado inválido e até mesmo irresponsável na comunidade científica brasileira. Publicou também a opinião do chefe da unidade de dependência química de um conceituado hospital do país que diz que o brasileiro começa com álcool e quem evolui para as drogas ilícitas passa primeiro pela maconha e depois para a cocaína. Diz ainda que, em 40 anos, nunca tratou um usuário de cocaína e de crack que não tivesse começado pelo álcool e pela maconha.

Mas o assunto não parou por aí, o jornal continuou com o tema mostrando que existem maneiras mais dignas de se enfrentar o crack – felizmente. Numa matéria intitulada “Combate à pedra – Van vai atender usuário de crack”, focalizou um projeto com o nome “Pintando Saúde” que usará uma van grafitada, como se fosse um consultório ambulante. Na van estará uma equipe formada por educador físico, assistente social, psicólogo, enfermeiro, terapeuta ocupacional e técnico de enfermagem. A missão deles: fazer o caminho inverso – em vez do drogado procurar o auxílio, ele será abordado sutilmente e só aceitará ajuda se quiser. “Vamos convidá-lo a mexer no computador, assistir à TV, jogar bola, vamos falar a língua dele. Só depois vamos perguntar onde mora, se quer conversar e se comeu” – explica um dos componentes da equipe. 

Se a tese da distribuição de maconha fosse vencedora, não seria difícil aparecer movimentos apoiando a ideia do uso da maconha como remédio contra drogas… Certamente não faltaria alguém para dizer que aquele conhecido político tinha razão quando pediu aos bandidos de São Paulo que estuprassem, mas não matassem… Não faltariam também “especialistas” para defender a distribuição de revólveres para bandidos que desistissem de usar metralhadoras e fuzis, pois assim poderiam dar sua contribuição na extravagante tese de “redução dos danos”… Seria, para alguns, a confirmação da regra de que a diferença entre o veneno e o remédio é apenas a dose…

Felizmente, a nova “Mãe de Todas as Batalhas” não foi travada. As drogas leves não precisarão enfrentar as pesadas, num confronto onde é fácil prever quem vai vencer. Os derrotados certamente seriam encontrados sujos e humilhados, no mesmo buraco onde se escondeu o primeiro idealizador deste tipo de combate tão desigual…

e-mail vala1@uol.com.br

blog    www.valacir.com

A justiça das mãos

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11/08/10

Jayme Copstein

O drama vivido por Sakineh Mohammadi, a mulher iraniana condenada a morrer apedrejada pelos aiatolás, comove o mundo e particularmente camadas significativas da população brasileira. Pena que alguns segmentos pródigos em manifestações ruidosas quando se trata de casos como o do terrorista Cesare Battisti, assassino condenado pela Justiça italiana, não se manifestem agora em defesa daquela pobre mulher, vítima de uma sociedade que não conseguiu sair ainda da Idade Média.

É bom que o drama vivido por Sakineh tenha comovido parte significativa da sociedade brasileira. Mostra como evoluímos positivamente, aqui, no que diz respeito aos direitos humanos. Quem se der ao trabalho de percorrer jornais antigos vai se surpreender com as cenas de selvageria protagonizadas por cidadãos “indignados”, decididos a fazer justiça pelas próprias mãos.

Tenho anotações de um caso, colhidas nos jornais de 1899, envolvendo um francês, José Pomaret, na cidade do Rio Grande. Em 16 de agosto daquele ano, uma menina de dois anos que brincava na calçada, na frente de casa. Foi levado por um desconhecido para as macegas que existiam no fim da Rua Francisco Marques. Só ao anoitecer, a garotinha reapareceu, com as vestes rasgadas, bastante machucada e com evidências de ter sofrido estupro.

O crime chocou a população, cujo clamor movimentou a Polícia. Já no dia seguinte, era preso José Pomaret, acusado da autoria. Nem isso acalmou a revolta popular. As pessoas começaram a lotar a Praça João Telles (hoje Xavier Ferreira), em frente ao Quartel da Guarda Municipal, onde o francês estava preso, exigindo que ele lhes fosse entregue para ser ali mesmo justiçado.

Às 8 da noite, a multidão decidiu invadir o Quartel. Houve arrombamento dos portões, tiroteio, e por fim Pomaret foi retirado da cela e trucidado pelos manifestantes ensandecidos. O espetáculo de selvageria completou-se com o cadáver arrastado pelas ruas da cidade, até ser queimado no mesmo lugar onde se dizia ter ocorrido o estupro.

O “Almanak do Rio Grande do Sul”, de Alfredo Ferreira Rodrigues, na edição de 1902, traz relato a respeito do episódio e conclui com estas linhas: “É o primeiro exemplo que se dá no Rio Grande; mas esse foi tremendo e servirá de exemplo aos celerados que ousam afrontar a lei e a moral, em satisfação aos seus instintos bestiais.”

Passados muitos anos, na década de 1940, um funcionário do antigo Banco da Província, Nelson Penna, me falou do caso e contou que, passado algum tempo, descobriu-se ser o francês inocente, tal como ele bradava enquanto teve fôlego para falar, antes de ser morto. Já não havia o que se pudesse fazer para consertar a “justiça” pelas próprias mãos.

Nelson Penna não testemunhou os acontecimentos de 1898. Era menino então e dele só ouviu falar pelos mais velhos. Referiu-se, porém, a um mito: a terra por onde o cadáver de Pomaret fora arrastado, tornara-se estéril, como sinal dos céus para perpetuar o remorso no coração da multidão que o martirizara.

Ao Mérito
Hoje, é dia de festa para mim e para todos os amigos e admiradores do advogado Nestor Fernando Hein. Logo mais, às 7 da noite, ele recebe a Medalha Oswaldo Vergara, com que a OAB-RS homenageia advogados com relevantes serviços prestados ao Direito e à entidade.
Nestor soma ao talento profissional a integridade de caráter. A visão maior da realidade brasileira o torna um interlocutor muito agradável. A homenagem da OAB é merecida por todos os títulos.

Fonte: http://copstein.blogspot.com/

Hitler no Maranhão

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09/08/10

Jayme Copstein
A coluna “Os sósias de Hitler” despertou bastante interesse entre os leitores. O jornalista Ney Gastal nos remeteu o relato de uma lenda, encontrada em blogs, que afirma ter Adolf Hitler estado no Maranhão em 4 agosto de 1944, logo após atentado sofrido em 20 de julho, no seu quartel-general de Rastenburg, Prússia Oriental.

A contribuição do Ney Gastal é didática. Mostra como se constroem versões na Internet, nem sempre por má intenção, meramente pelo desejo de contar “um causo”. Aí, nem mesmo a coerência que fatos associados devem guardar entre si, é levada em conta.

Segundo o relato, mal explodiu a bomba que quase o matou, “um de seus “oficiais, em agonia (?!?), encaminhou Hitler ao submarino “de sua confiança (?!?), o S-199, que seguiria, em segurança, para lugar incógnito e remoto. Para fugir das conspirações de parte de seu exército, que o queria morto. (…) De acordo com o Diário de Bordo do SS-199, citado na reportagem da Der Spiegel, Hitler e sua amante, Eva Braum, estacionaram no dia 4 de agosto daquele ano a 2°o7′57” de Lat. S e 44°36′04” de Long. W”. Estas são as coordenadas geográficas de Guimarães, no Maranhão”.

FCMoraes, leitor mais atento do Blog do Alexandre (http://tinyurl.com/2bckhcx), já havia detonado a geografia do conto: “Experimenta colocar estas coordenadas 2° 7’ 57” de Lat. S e 44°36’ 04” de Long. W. no Google Earth e vais ver que este ponto é no continente. A menos que o litoral tenha avançado em direção ao mar (…).

A lenda, recheada de mais detalhes, descreve Eva Braun entediada com a reclusão, pedindo “para ser levada, de bote, à noite, à praia avistada pelo telescópio”, onde ganhou camarões de um pescador.

Sem outras considerações para não se perder mais tempo com a historinha, o prefixo dos submarinos alemães era “U”, não “S”. De fato, existiu o U-199. Era o submarino que andava torpedeando navios brasileiros em nosso litoral. Foi afundado em ação conjunta da FAB e da Força Aérea Americana, em 31 de julho de 1943, um ano antes da Operação Valquíria, o atentado cometido contra Hitler em 20 de julho de 1944.
Salvaram-se 12 de tripulantes do U-199, incluindo o comandante Hans Werner Kraus. Todos foram levados para os Estados Unidos, para serem interrogados. Só foram libertados após terminar a guerra. Hans Werner Kraus viveu até 1990.

Mas que fosse outro o submarino: nos dias subsequentes ao do atentado, Hitler esteve frenético, exigindo o julgamento sumário e a execução imediata dos mentores da Operação Valquíria, ordem cumprida com requintes de crueldade. Foram todos enforcados com arame de aço, içados a ganchos de açougue. Um filme foi feito, exibindo para Hitler, naquela mesma noite, mostrou os condenados estrebuchando, enquanto as calças caiam-lhes aos pés. Haviam lhes tirado as cintas, para cobrir de ridículo o espetáculo da sua morte.

Hitler não se afastou da Alemanha, e isso é comprovado por fatos e testemunhos. Logo depois do atentado, em 23 de agosto de 1944, diante inevitável derrota na frente ocidental, emitiu ordem para incendiar Paris, descumprida pelo comandante das forças nazistas de ocupação, general Von Choltitz. É célebre a frase de Hitler, angustiado com a falta de notícias que confirmariam a destruição da capital francesa: “Está Paris em chamas?”

Nunca houve dúvida quanto ao suicídio de Hitler na tarde de 30 de abril de 1945, em Berlim. Foi relatado por várias testemunhas e cadáver foi fotografado, sendo a foto amplamente divulgada após o término da guerra na Europa.

Fonte: http://copstein.blogspot.com/

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