O Vermelho e os Negros: Globo sofre ação por recusar publicação de anúncio em defesa das cotas

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publicada quarta, 10/03/2010 às 15:45 e atualizado quarta, 10/03/2010 às 15:54 |

Reproduzo abaixo texto publicado pelo portal “Vermelho”, sobre o episódio em que “O Globo” teria-se recusado a publicar um anúncio em defesa das cotas, pelo preço que havia sido inicialmente ajustado.

Como se sabe, um poderoso diretor das “Organizações Globo” posiciona-se publicamente contras as cotas: para ele, aliás, nem há racismo no Brasil! Esse diretor é aquele mesmo que (aparentemente) é homônimo de um ator de carreira nebulosa no cinema pornô brasileiro – http://www.rodrigovianna.com.br/radar-da-midia/taras-de-kamel-autenticidade-nao-comprovada.

Mas a pornografia aqui está em outra parte.

Será que a recusa de “O Globo” em aceitar o anúncio tem algo a ver com isso: com as opiniões da direção do conglomerado midiático?

O que aconteceria se o movimento negro iniciasse uma campanha em larga escala, a mostrar que as “Organizações Globo” assumem uma posição contrária aos interesses da imensa maioria do povo brasileiro?

Confiram o texto do “Vermelho”- http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_secao=6&id_noticia=125511

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Ativistas sociais e intelectuais do Rio de Janeiro protocolaram nesta segunda (8) uma representação contra o jornal “O Globo” no Ministério Público daquele Estado. Eles acusam a publicação de agir contra a liberdade de expressão ao inviabilizar um anúncio de um manifesto do movimento nacional Afirme-se!, favorável as políticas de ação afirmativa e das cotas raciais.

Segundo a ação há fortes indícios de “práticas infrativas à liberdade de expressão e ao direito à informação”. Para publicar o manifesto (figura ao lado), que no último dia 3 circulou em uma página em outros jornais nacionais, O Globo apresentou à Agência Propeg uma tabela no valor de R$ 54.163,20, mas após ter acesso ao conteúdo estipulou o valor em R$ 712.608,00.

“A alegação de “O Globo” para tal alteração foi expressa nos seguintes termos: o anúncio foi analisado pela diretoria e ficou definido que será Expressão de Opinião, pois, o seu conteúdo levou a esta decisão”, diz o conteúdo da ação.

Segundo a representação, o valor cobrado inicialmente estava dentro da realidade do mercado. Pelo mesmo anúncio, por exemplo, o jornal “Folha de S.Paulo” cobrou R$ 38.160,00 e o “Estado de S.Paulo” R$ 37.607,23.

“Deve ser dito que, dos jornais mencionados, a Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e O Globo competem, no mercado editorial, em distribuição, circulação e influência nacionais. Em termos de linha editorial, esses três veículos são, nitidamente, contrários às cotas e às políticas de ação afirmativa. No entanto, diferentemente de O Globo, todos os demais aceitaram publicar o Manifesto, custeado pela sociedade civil por um preço comercialmente realista”, diz o documento.

A Campanha

O principal objetivo da campanha “Afirme-se” foi sensibilizar os ministros do Supremo Tribunal federal (STF) para a justeza e constitucionalidade das políticas de ação afirmativa já existentes, a favor de indígenas e afrodescendentes. A principal delas são as cotas em universidades, a regularização de terras dos remanescentes dos quilombos e programas especiais dos ministérios das Relações Exteriores e reforma Agrária.

Diz a representação que no Brasil a adoção de tais práticas, “implementadas timidamente há menos de uma década, vem sofrendo ataques poderosos de setores da grande mídia.”

“Há uma verdadeira campanha que objetiva duas coisas: 1) extinguir, vetar, destruir as poucas iniciativas institucionais de ação afirmativa já existentes; 2) impedir, bloquear, derrotar qualquer possibilidade de implantação ou criação de novos instrumentos legais e institucionais de ação afirmativa.”

A representação é assinada pelos professores Alexandre do Nascimento, Rodrigo Guerón e pelo advogado André Magalhães Barros. Um abaixo-assinado será anexado a ação que já aguarda uma posicionamento da Justiça.

Da Sucursal de Brasília,
Iram Alfaia

Fonte:  http://rodrigovianna.com.br

Chegou a hora do bateu, levou

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11/03/10

Carlos Brickmann, jornalista


Os americanos bateram à vontade; chegou a hora de levar de volta.

Os Estados Unidos são tradicionais aliados do Brasil, na guerra e na paz. Mas o suco de laranja brasileiro continua sendo encarecido, no mercado americano, por sobretaxas imensas. Os brasileiros só conseguem entrar lá porque nossa produção de laranjas é altamente competitiva. Mesmo assim, os grandes produtores daqui compram plantações e fábricas na Florida para escapar das sobretaxas.

O álcool brasileiro não consegue entrar nos Estados Unidos: uma enorme sobretaxa protege os produtores americanos de álcool de milho (que neste momento é até mais barato, mas que normalmente tem custo mais alto).

Há vários casos, na agricultura e na indústria. Mas o comportamento americano no caso do algodão foi tão exemplar, em termos de competição injusta, que a Organização Mundial do Comércio, OMC, autorizou o Brasil a retaliar produtos americanos, impondo-lhes sobretaxas punitivas. Pronto: começou a choradeira. O Financial Times acusa o Brasil de “arriscar uma guerra comercial com os EUA”. Não, não é guerra: apenas se aplica a decisão de um órgão internacional de comércio. Os americanos bateram à vontade; chegou a hora de levar de volta.

O Brasil está sendo prudente: as cobranças começam mais tarde, para dar tempo aos EUA de negociar, desistir das práticas desleais, oferecer compensações – nada de excessivo, apenas a aplicação daquilo que os Estados Unidos sempre defenderam, o livre comércio. É hora de conversar. Mas, para usar a linguagem de um presidente americano, mantendo o porrete ao alcance da mão.

Mudando de conversa

Os americanos aceitam e entendem a negociação dura. Tão logo o Brasil mostrou sua disposição de aplicar as retaliações autorizadas pela OMC, enviaram para cá o secretário do Comércio, Gary Locke, e o assessor de segurança nacional, Michael Froman. Eles estão mostrando os dentes, mas faz parte do jogo: os exportadores americanos que temem perder mercado também têm dentes a mostrar.

Olha a Bancoop aí!

O caso Bancoop, a Cooperativa dos Bancários que está sob investigação do Ministério Público por suspeita de desvio de verbas (que teriam sido usadas, suspeita o promotor José Carlos Blatt, no financiamento de campanha do PT), tem um detalhe que até agora não ganhou destaque: na época em que a Bancoop era dirigida por Ricardo Berzoini, o presidente Lula conseguiu financiamento para comprar seu apartamento no Guarujá. Outros cardeais petistas também puderam comprar seus imóveis. Ótimo; mas há muita gente que pagou e nada recebeu.

De palavra em palavra

O senador Tasso Jereissati, cacique cearense do PSDB, diz que não aguenta mais esperar a definição de Serra. Tudo bem, a indefinição do governador paulista é suficiente para transformar a festa de lançamento de sua candidatura à Presidência, algum dia desses, num evento com música de câmara regado a Ki-Suco. Mas não é isso que preocupa Tasso: em 2002 e 2006 ele já abandonou os candidatos de seu partido para ficar ao lado de Ciro Gomes, aliado no Ceará. Por que iria, agora, abandonar a família Gomes? Qualquer pretexto lhe serviria.

Aécio em manobra

O presidente Lula continua sendo o político mais hábil do país. Esperou o governador mineiro Aécio Neves a tomar posições irreversíveis (se bem que, como ensinou o senador Aloízio Mercadante, o irreversível também pode ser revertido) contra a participação na chapa de José Serra. A questão chegou a ser colocada, no principal jornal mineiro, como uma disputa de honra entre Minas e São Paulo. Concluída a manobra de Aécio, Lula entrou no jogo: está unificando suas forças em Minas, retirando os candidatos do PT que disputavam a sigla, convencendo-os a apoiar o peemedebista Hélio Costa para o Governo. Se tudo der certo, o candidato de Aécio à sucessão, Antônio Anastasia, fica ainda mais longe da vitória do que já está. E Aécio, que contava com eleição garantida ao Senado, continua favorito, mas com dificuldades – ainda mais se José Alencar sair candidato.

Hebe, a grande Hebe

Retorno triunfal é isso aí: o programa em que Hebe Camargo voltou à TV, depois de uma parada para tratamento de câncer, foi excelente. Mostrou Hebe em grande forma, animadíssima, falando tranquilamente de sua doença e mostrando que tem vigor para enfrentá-la. Mostrou astros e estrelas que não se incomodaram em ser coadjuvantes da Estrela-Rainha: Marília Gabriela, Ivete Sangalo, Xuxa, Ana Maria Braga, Maria Rita, Leonardo, Carlos Alberto de Nóbrega (que não conseguiu falar: chorou feito criança, ele que foi criado ao lado da Madrinha). E o rei Roberto Carlos, que foi apadrinhado por Hebe quando a Record o demitiu e extinguiu o programa Jovem Guarda, e a partir daí só cresceu.

Em Les Prémices, Henri Estienne lançou sua frase célebre: “Se a juventude soubesse, se a velhice pudesse…” Hebe sabe. Hebe pode.

Atraso, que nada!

Repare: os estádios pertencentes ao Poder Público ainda nem lançaram as licitações para adequar-se às exigências da Fifa. Atraso? Nada disso: quando não houver tempo para licitações, saem os contratos de emergência. Eta, coisa boa!

Fonte: www.jaymecopstein.com.br

O jogo

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11/03/10

Jayme Copstein

O projeto que legaliza bingos está pronto para ser votado na Câmara Federal. Isso é bom ou mau? Não são nos bingos que se lavam os dinheiros do contrabando e do tráfico de drogas e de armas?

Não sei a resposta. Parece-me que esses crimes devem ser combatidos com a vigilância das fronteiras, mas não se precisa de bingos para esquentar o “dinheiro não-contabilizado”, como é moda chamar hoje em dia. Pode-se, por exemplo, abrir uma cadeia de lojas para vender qualquer coisa, comprar notas frias, e gerar lucro fictício.

Logo, a questão do jogo não é essa. Ruy Barbosa já dizia que, nele, o que menos se perde é o dinheiro. O pano verde é um pântano que suga a honra, a dignidade, a própria condição humana de quem o frequente. Proibi-lo, porém, é inútil. Fez-se isso no Brasil, em 1946. Afora desempregar artistas do nosso teatro de variedades que ganhavam a vida nos cassinos legalizados, a consequência foi a corrupção de autoridades policiais e a formação de gangues que hoje mandam para a lata do lixo a moralidade que se pretendeu com a medida.

A gênese de um jogador não é diferente da de qualquer otário que enche os bolsos dos espertalhões messiânicos com dez por cento de seus ganhos ou a do nobre altruísta que decide embolsar a fortuna de uma “viúva” na Nigéria. Não se movesse ele pela mesma voracidade, bastaria apelar à sua razão e mostrar-lhe que, fosse lucrativa a profissão de jogador, não haveria banqueiros – só jogadores.
A conclusão é única: se um otário quer ser depenado, que o seja legalmente e contribua, com impostos, para a educação, a saúde e a segurança.

Como impedir que o dinheiro vá parar no bolso dos mensaleiros, dos cuequeiros, e dos confeiteiros de panetones? Bem, não é a proibição do jogo que vai evitar.

Bastidores

1. Gente manobrando para desandar a aliança PMDB-PDT (Fogaça & Pompeu), e levar os trabalhistas à coligação com o PT. Alguém comentou que, se não der certo, há um míssil de alta potência, pronto para ser disparado no momento oportuno. Como fizeram com Dilma, quando quiseram torpedear sua candidatura à Presidência, mas agora com a pontaria aperfeiçoada e um alvo bem mais exposto.

2. Não é que o gaúcho não reeleja governantes. Fogaça é a prova. Donos de campinho dividem os votos entre si e depois descobrem que não combinaram nada com os eleitores. Desde 1998, quando Olívio Dutra derrotou um Antônio Brito “virtualmente reeleito”, vai tudo para o 2º turno e só dá zebra na pedra.

3. A polarização entre líderes do PMDB e do PT no Rio Grande do Sul não leva em conta as possibilidades da governadora Yeda Crusius, candidata de quem gosta de contas equilibradas e detesta o fundamentalismo dos que tentaram ejetá-la do Piratini. Ou então do deputado estadual Luiz Augusto Lara (PTB), cuja candidatura tem o aval de Sérgio Zambiazi.

4. Pressões em cima do vice José Fortunati, que completa o mandato de José Fogaça na Prefeitura de Porto Alegre. A coligação valia para o mandato de Fogaça, mas não contemplava a hipótese de Fortunati assumir. Como fica? Mantém-se o acordo ou apaga-se a pedra e refaz-se o governo com outras alianças, como se nada tivesse acontecido lá atrás? Já anda sobrando pedetista autonomeado secretário disso e daquilo.

Fonte: www.jaymecosptein.com.br

CLASSE MÉDIA NUM PAÍS INJUSTO

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A população brasileira é, hoje, de 190 milhões de pessoas, divididas em classes segundo o poder aquisitivo. Pertencem às classes A e B as de renda mensal superior a R$ 4.807 – os ricos do Brasil.

R$ 4.807 não é salário de dar tranquilidade financeira a ninguém. O aluguel de um apartamento de dois quartos na capital paulista consome metade desse valor. Mas, dentre os ricos, muitos recebem remunerações astronômicas, além de possuírem patrimônio invejável. Nas grandes empresas de São Paulo, o salário mensal de um diretor varia de R$ 40 mil a R$ 60 mil.

Análise recente da Fundação Getúlio Vargas, divulgada em fevereiro último, revela que integram esse segmento privilegiado apenas 10,42% da população, ou seja, 19,4 milhões de pessoas. Elas concentram em mãos 44% da renda nacional. Muita riqueza para pouca gente.

A classe C, conhecida como média, possui renda mensal de R$ 1.115 a R$ 4.807. Tem crescido nos últimos anos, graças à política econômica do governo Lula. Em 2003 abrangia 37,56% da população, num total de 64,1 milhões de brasileiros. Hoje, inclui 91 milhões -quase metade da população do país (49,22%)- que detêm 46% da renda nacional.

Na classe D -os pobres- estão 43 milhões de pessoas, com renda mensal de R$ 768 a R$ 1.115, obrigadas a dividir apenas 8% da riqueza nacional. E na classe E – os miseráveis, com renda até R$ 768/mês – se encontram 29,9 milhões de brasileiros (16,02% da população), condenados a repartir entre si apenas 2% da renda nacional.

Embora a distribuição de renda no Brasil continue escandalosamente desigual, constata-se que o brasileiro, como diria La Fontaine, começa a ser mais formiga que cigarra. Graças às políticas sociais do governo, como Bolsa Família, aposentadorias e crédito consignado, há um nítido aumento de consumo. Porém, falta ao Bolsa Família encontrar, como frisa o economista Marcelo Néri, a porta de entrada no mercado formal de trabalho.

Dos 91 milhões de brasileiros de classe média, 58,87% têm computador em casa; 57,04% frequentam escolas particulares; 46,25% fazem curso superior; 58,47% habitam casa própria. E um dado interessante: o aumento da renda familiar se deve ao ingresso de maior número de mulheres no mercado de trabalho.

Já foi o tempo em que o homem trabalhava (patrimônio) e a mulher cuidava da casa (matrimônio). De 2003 a 2008, os salários das mulheres cresceram 37%. O dos homens, 24,6%, embora eles continuem a ser melhor remunerados do que elas.

Segundo a Fundação Getúlio Vargas, o governo Lula tirou da pobreza 19,3 milhões de brasileiros e alavancou outros 32 milhões para degraus superiores da escala social, inserindo-as nas classes A, B e C. Desde 2003, foram criados 8,5 milhões de novos empregos formais. É verdade que, a maioria, de baixa remuneração.

No início dos anos 90, de nossas crianças de 7 a 14 anos, 15% estavam fora da escola. Hoje, são menos de 2,5%. O aumento da escolaridade facilita a inserção no mercado de trabalho, apesar de o Brasil padecer de ensino público de má qualidade e particular de alto custo.

Quanto à educação, estão insatisfeitas com a sua qualidade 40% das pessoas com curso superior; 59% daquelas com ensino médio; 63% das com ensino fundamental; e 69% dos semiescolarizados (cf. “A classe média brasileira”, Amaury de Souza e Bolívar Lamounier, SP, Campus, 2010).

A escola faz de conta que ensina, o aluno finge que aprende, os níveis de capacitação profissional e cultural são vergonhosos comparados aos de outros países emergentes. Quem dera que, no Brasil, houvesse tantas livrarias quanto farmácias!

Hoje há mais consumo no país, o que os economistas chamam de forte demanda por bens e serviços. Processo, contudo, ameaçado pela instabilidade no emprego e o crescimento da inadimplência – a classe média tende a gastar mais do que ganha, atraída fortemente pela aquisição de produtos supérfluos que simbolizam ascensão social.

A classe média ascendente aspira a ter seu próprio negócio. Porém, o empreendedorismo no Brasil é travado pela falta de crédito, conhecimento técnico e capacidade de gestão. E demasiadas exigências legais e trabalhistas, somadas à pesada carga tributária, multiplicam as falências de pequenas e médias empresas e dilatam o mercado informal de trabalho.

Embora a classe média detenha em mãos poderoso capital político, ela tem dificuldade de se organizar, de criar redes sociais, estabelecer vínculos de solidariedade. Praticamente só se associa quando se trata de religião. E revela aversão à política, sobretudo devido à corrupção.

Descrente na capacidade de o governo e o Judiciário combaterem a criminalidade e a corrupção, a classe média torna-se vulnerável aos “salvadores da pátria” – figuras caudilhescas que lhe prometam ação enérgica e punições impiedosas. Foi esse o caldo de cultura capaz de fomentar a ascensão de Hitler e Mussolini.

Reduzir a desigualdade social, assegurar educação de qualidade a todos e aumentar o poder de organização e mobilização da sociedade civil, eis os maiores desafios do Brasil atual.

Frei Betto é escritor e assessor de movimentos sociais. Texto publicado em www.envolverde.com.br

Fonte: DiretodaRedação

REQUIEM

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por Solon Soares

Por todos os caminhos que se cruzaram fui um dos responsáveis pelo Renatão Prefeito de Xangri-Lá. Primeiro buscando o acordo da coligação, depois dirigindo a campanha, e por ultimo como secretario.

Renato Selhane de Souza era um homem afável, educado e de boa presença, mas uma pessoa comum, sem toda a malícia que cria os meandros imundos da política, e para agravar um crédulo, que acreditava nos parceiros e principalmente na família, e na guia de todos Dna Maurilha, sua mulher.

Foi uma campanha estimulante para elegê-lo, e se criou na busca da eleição, a elegia do sonho, do impossível, e do vislumbre do tamanho de Xangri-Lá.

O palanque era peso pesadíssimo, e tinha que ser construído com muito cuidado porque os candidatos a prefeito e vice o fidelíssimo Xoto, somavam juntos quase trezentos quilos, mas revelaram-se ágeis bailarinos da Rita Lee nas memoráveis Festas do Coração Jovem que ganharam a parada.

A administração durou um ano, e praticamente deu todos os passos a frente que esta Prefeitura avançou em toda sua história, e foi abatida pelos ciclones políticos eleitoreiros que ficam girando nestas prefeituras cá do litoral, alimentadas pelos papos furados perdidos na Rio Novo, no rolo eterno das famílias do miolo de Xangri-Lá.

Cometeu ao fim do primeiro ano de mandato erros de avaliação e de parcerias que custaram o mandato, depois de ter inaugurado o prédio da Prefeitura, construído todos os quiosques e guaritas de beira mar, passarelas e praças, e graças ao grande Luizinho Zimmer, ter iniciado um ciclo virtuoso de limpeza e apuro visual que marcaram muito o novo município que se fazia.

Renatão inaugurou o Aldeia Shopping que mudou a Paraguaçu de Xangri-Lá, perseguiu a promessa do hospital, e iniciou os grandes condomínios de Atlântida ao abrir as portas do Lagos Park, em atitude e parceria e acolhimento que foi seguida pelo Xoto, ao licenciar o Carmel, Coronado, Ilhas Park, Green Village e outros que iniciaram este futuro tão impressionante.

Por todos os momentos foi marcante, e chegou perto de revelar tudo o que Xangri-Lá pode dar a seus filhos e amantes, ao trazer cursos profissionalizantes, reverenciar a memória ao expor as famílias que formaram o município, exaltar a unidade, criar cursos e trazer o Segundo Grau.

Foi engolfado pelos velhos esquemas de compadrismo, e se deixou levar pelas retrogradas parcerias com aqueles que foram derrotados na eleição, e que representavam como diz o Domenico di Masi, a vanguarda do atraso.

Ai viveu, enquanto ainda prefeito, o inferno do diz que diz, a miudeza e o varejo que sustentam esta montoeira de gente pendurada nas Prefeituras e Câmara, e atrasam a vida deste litoral, que já foi motivo de orgulho diante de, por exemplo, Santa Catarina, e que hoje nos enche de duvidas e preocupações com o futuro, a cada  Rosa, Jurere, Ibiraquera ou Imbituba que surgiram a quinze anos e já estão quarenta na nossa frente.

Renatão não merecia o fim que teve, mergulhado no esquecimento dos amigos, na faina da sobrevivência e na ausência de Dona Maurilha, mas foi daqueles que a vida cobra demasiado, sem que se sobreponham os créditos que juntou. Descanse em paz nas águas da Plataforma.

Folha dá o tom

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9 março 2010

A cobertura que a Folha de São Paulo fez nesta terça-feira em relação às atividades dos dois principais pré-candidatos à presidência do Brasil foi exemplar na distinção que acontecerá a partir de agora entre Dilma Rousseff, do PT, e José Serra, do PSDB. Essa distinção tende a ser feita pela quase totalidade da grande imprensa, defensora semi-declarada de Serra.

A manchete de capa, assim como a matéria principal, foi equilibrada, com críticas aos dois candidatos: “Na reta final, Serra e Dilma lançam até obra inacabada“. Estaria a Folha prestes a abandonar o barco da candidatura de Serra para pressionar o PSDB a encontrar uma saída viável para uma eleição que parece quase perdida? Pode ser. Ou não.

É nas outras matérias relacionadas aos dois candidatos que o tom que deve ser o predominante a partir de agora aparece. São três matérias diretamente relacionadas a Dilma, uma a Serra. As de Dilma são negativas, as três, enquanto a de Serra não pode ser considerada nem negativa nem positiva, apenas está ali. Os títulos não deixam dúvidas sobre esse posicionamento: “Site de apoio a Dilma está em nome de mulher, mas ela diz que é um ‘engano’”; “PT pagará salários para Dilma em campanha”; “Para defender candidata, Lula ataca imprensa” e “Tucano vê ansiedade para oficializar Serra”.

Agora vamos às matérias: o que dizem elas? O que elas não dizem?

A primeira exclusivamente sobre Dilma trata de um site criado por um grupo de mulheres amigas da candidata. É claro que o título é non-sense, simplesmente não se entende qual o problema de o site estar em nome “de mulher”, assim como não se entende quem diz que é um engano, a “mulher” ou Dilma. O que acontece é que o site está registrado no nome de uma funcionária de um ministério, o que fez a Folha pensar que ali estaria mais uma boa oportunidade para arrumar alguma denúncia, ou ao menos uma sombra de denúncia. Não chegou nem a sombra, pois a própria matéria se resolve explicando que a tal “mulher” era funcionária da empresa que fez o site, por isso o registro no nome dela. Uma matéria que não teria sentido algum, não fosse o sentido de denuncismo e o sentido de vincular desmedidamente o nome de Dilma a qualquer manchete negativa.

Na segunda matéria, a manchete é colocada de forma negativa, mas na verdade mais uma vez não há informações muito interessantes. Apenas o fato de que, mais uma vez, um candidato será pago pelo partido. Apesar do teor condenatório, não é nada ilegal, e não me parece imoral. O texto lembra que o próprio Lula também recebeu salário do PT quando foi candidato.

Na última matéria diretamente relacionada a Dilma, mais uma questão instigante: onde Lula defendeu Dilma? As falas citadas pela Folha nas quais o presidente critica a imprensa: “a imprensa brasileira não gosta de falar de obras inauguradas. Ou seja, coisa boa não interessa, o que interessa é desgraça”. A única matéria diretamente relacionada a José Serra é uma nota reproduzindo fala do presidente do PSDB-SP, que afirma que o partido não precisa ter pressa para anunciar a candidatura de Serra, pois ainda se pode recuperar o tempo perdido.

É preciso ficar de olhos bem abertos. Se durante períodos mais afastados da corrida eleitoral a manipulação de informações, a criação de informações e as distorções ficam mais claras, quanto mais aproximam-se as eleições mais esses recursos tendem a esconder-se. Mas eles continuam ali, sussurrando aos berros.

Postado por Alexandre Haubrich

Fonte:  http://jornalismob.wordpress.com/


Liberdade de Impressão!

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Mar 10th, 2010

by Marco Aurélio Weissheimer.


Gonzalo Graña (*)

Quem tem liberdade no mundo da distribuição de informação corporativa e “confiável” tem liberdade de receber ordens e a dádiva de imprimir no jornal do chefe o que ele quiser. Mantendo sempre um mínimo de responsabilidade: a obrigação de defender esta mesma liberdade. É que não existe liberdade sem disciplina. Utopia do comportamento civilizatório, o sonho dos anarquistas, o mundo perfeito e o entendimento completo – fim do estado hobbesiano, esse não é o nosso mundo.

Sejam eles jornalistas tradicionais, colunistas alternativos ou escritores esquizofrênicos, sejam eles velhos gagás que há muito opinam da mesma forma, especialistas que falsificam ou novatos que reciclam, todos são livres para ilustrar de maneira individual a posição editorial. Eis o elemento que dá o toque profissional e a coerência lógica nas publicações. Afinal, se não houvesse uma linha, uma idéia ou uma interpretação para se vender, o que haveria de comercialmente rentável? Anunciantes não arriscam seu dinheiro em livros, por exemplo…

A nós, cidadãos comuns, nos concedem a liberdade de escolher dentre três ou quatro jornais para nos informar e/ou um canal de televisão que faz o resumo de todos esses conteúdos. Aqueles que não se resignam frente a esta ilusão de escolhas buscam alternativas, mas o tempo é curto e a informação cada vez mais rápida. O universo de escolhas está se expandindo com o advento da internet, momento em que nos deparamos com um novo dilema: seremos capazes de nos converter em astrônomos competentes desta nova galáxia de informação?

Quem ainda possui certo resquício de posição ideológica previamente demarcada se filia às redes de blogues e sites setorizados – estrelas novas; aqueles que buscam entretenimento e acessórios para seus interesses pessoais remetem-se aos sites de relacionamento – satélites ou estações espaciais; “usuários rasos” são tragados pelas páginas iniciais dos grandes portais – buracos negros. O mapeamento da galáxia ainda não está finalizado e provavelmente nunca estará, e enquanto eu penso nisso tudo ao mesmo tempo, não faço a menor idéia de onde este texto que cá escrevo vai parar. A idéia é enviá-lo para o blog do Marco Weissheimer.

Não trabalho para nenhuma corporação da Liberdade de Impressão. Humildemente, minha intenção é apenas comunicar nas nuvens que aqui embaixo ainda existem pessoas, com suas biografias, com suas posições e portadoras de endereços relativamente fixos. Embora nos dias de hoje a idéia de enviar um e-mail já pareça meio obsoleta, seguirei respondendo pessoalmente aos porta-vozes das opiniões editoriais quando sentir que estas passaram dos limites, que atentaram contra nossa dignidade e contra nossa inteligência. Nós, presidiários da informação, pelo menos somos livres em nossas celas, como este blog, do qual sou leitor assíduo e quiçá hoje coabitante integral, mas, independente da carceragem em que me encontre, continuarei enviando minhas cartas aos mediadores. Afinal, me considero um humanista, e acredito que por detrás das @rrobas ainda existam seres humanos.

(*) Sociólogo

Fonte:  http://rsurgente.opsblog.org/

Comentários em ZH sobre acidente com o carro do reizinho.

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Elenilson

Denuncie este comentário09/03/2010 21:23

Pô! Querer que Vsa. Excelência Municipal ande de Fusca de segunda mão é sacanagem com o Fusca! É óbvio que as Financças de Xangri-lá andam muito bem, pois o prefeitura só gasta com pessoal administrativo…limpeza e asfalto de rua? Pra quê? Escoamento pluvial? Não! Isso é bobagem! VERGONHA! A cidade é terra de ninguém! ops…de alguns…De Xangri-lá a cidade não tem NADA! Mas tem corolla…


Zé Povinho

Denuncie este comentário09/03/2010 21:11

O Loko. Esse Corolla deve ser do dinheiro das pousadas que o prefeito comprou para irmãos em SC. Enquanto isso o Zé Povinho anda de carroça. kkkk

Fonte: ZH

Diz o blogueiro – quanto tempo ainda vamos aturar esse sujeito? Depende do julgamento do recurso interposto por ele contra a sentença que cassou seu mandato que penso irreversível, pois atropelou mandamento constitucional Vai dançar, mas ainda vai levar um tempo.

Fogaça e o desmonte do Orçamento Participativo

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Mar 10th, 2010

by Marco Aurélio Weissheimer.


Paulo Muzell

Fogaça se elegeu em 2004 repetindo à exaustão o refrão “fica o que está bom, muda o que não está”. Embutido nesse discurso firmou o solene compromisso de não apenas manter, mas até revitalizar o OP. Mero discurso. Há mais de vinte anos a CIDADE, uma organização não governamental (ONG) vem realizando um sério e meticuloso trabalho de acompanhamento, divulgação e análise do processo do OP de Porto Alegre. Desde 1989 acompanha as plenárias, realiza cursos de treinamento para delegados e conselheiros, organiza seminários de divulgação, elabora cartilhas. Faz, periódica e sistematicamente, a avaliação dos resultados, medido pelo percentual de atendimentos das demandas dos planos de investimentos.

Há pouco mais de dois anos, a CIDADE elevou o tom de suas críticas em relação à forma irresponsável e desastrada como o governo Fogaça vem conduzindo o processo do orçamento participativo. CIDADE “acendeu e fez piscar a luz vermelha”. Com absoluta razão, conforme veremos a seguir. Desde 2005, mas especialmente a partir de 2007, o OP entra em série crise. Grande aumento do número de demandas não atendidas, redução do número de participantes das plenárias, descaso do governo com a prestação de contas. Em 2009 chegamos ao absurdo: o boletim de fevereiro/2010 de CIDADE informa que o governo ainda não prestou contas das demandas atendidas do plano de investimento/2009. E mais: em pleno mês de março, ainda não editou o documento com as demandas do plano de investimentos de 2010!!

Consultando os registros do OP confirma-se totalmente o que afirma CIDADE. No período do “pico” do funcionamento do OP – o quadriênio 1997/2000 – o governo municipal se comprometia atender em média cerca de 400 demandas por ano. Efetivamente atendia um percentual da ordem de 95%, o que significa dizer cerca de 380 demandas/ano. Entre 2005 e 2008 das cerca de 200 demandas anuais, são atendidas pouco mais de um terço, ou seja, algo em torno de 70 ou 80 demandas por ano. Conclui-se que o ritmo de atendimento das demandas no governo Fogaça reduziu-se a menos de um quinto comparado com o que era realizado há pouco mais de dez anos atrás. E em 2008 o colapso: apenas 12% das pouco mais de 200 demandas foram atendidas! CIDADE informa, também, que em 2008 apenas 8% dos investimentos se destinaram ao atendimento das demandas do OP. Como a taxa efetiva de investimento no orçamento municipal é hoje de cerca de 5%, significa dizer que o OP responde por apenas 0,4% da despesa total da Prefeitura. Em outras palavras: 99,6% das despesas do orçamento da Prefeitura independem, não passam por decisões do OP.

Se esse quadro desolador não for rapidamente revertido – e infelizmente não há nenhum sinal de que no curto prazo isso possa ocorrer – daqui a poucos anos o OP será uma mera lembrança.

Fonte: http://rsurgente.opsblog.org/

A verdade relativa

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Ricardo Orlandini, jornalista

Tenho comentado o quão importante é viver num Estado Democrático de Direito e com uma imprensa livre, onde todos possam manifestar suas opiniões.

Não escondo ou disfarço nenhum conceito ideológico que possuo, muito antes pelo contrário. Considero-me eclético e respeito opiniões divergentes da minha, pois ninguém é dono da verdade.

Por este fato, reconheço que muitas vezes os grupos de comunicação em nosso país extrapolaram o sentido jornalístico da verdade e opinião clara, em proveito próprio, utilizado-se de seu poderio para “manipular” os fatos.

Este é o caso relatado em “Beyond Citizen Kane” (Muito Além do Cidadão Kane) um documentário de televisão britânico de Simon Hartog produzido em 1993 para o Canal 4 do Reino Unido.

A obra detalha a posição dominante da Rede Globo na sociedade brasileira, debatendo a influência do grupo, seu poder e suas relações políticas.

O ex-presidente e fundador da Globo, Roberto Marinho, foi o principal alvo das críticas do documentário, sendo comparado a Charles Foster Kane, personagem criado em 1941 por Orson Welles para “Cidadão Kane”, um drama de ficção baseado na trajetória de “William Randolph Hearst”, magnata da comunicação nos Estados Unidos.

Segundo o documentário, a Rede Globo emprega a mesma manipulação grosseira de notícias para influenciar a opinião pública como fazia Kane no filme de Welles.

O documentário acompanha o envolvimento e o apoio da emissora à ditadura militar, sua parceria ilegal com o grupo norte-americano “Time Warner” (naquela época, Time-Life). Além disso, expõe algumas práticas de manipulação da emissora de Marinho, incluindo o auxílio dado à tentativa de fraude nas eleições fluminenses de 1982 para impedir a vitória de “Leonel Brizola”.

Entre outras manipulações, cita a cobertura tendenciosa do movimento das “Diretas-Já”, em 1984, quando a emissora noticiou um importante comício como um evento de comemoração do aniversário da cidade de São Paulo. A edição, para o Jornal Nacional, do debate do segundo turno das eleições presidenciais de 1989, de modo a favorecer o candidato Fernando Collor de Mello frente a Luís Inácio Lula da Silva, também é retratada no documentário.

Sua primeira exibição pública no Brasil seria no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ), em março de 1994. Um dia antes da estreia, a Polícia Militar recebeu uma ordem judicial para apreender cartazes e a cópia do filme, ameaçando, em caso de desobediência, multar a administração do MAM-RJ. O secretário de Cultura da época acabou sendo demitido três dias depois.

Durante os anos noventa, o filme foi mostrado ilegalmente em universidades e eventos de partidos políticos. Em 1995, a Globo entrou com um pedido na Justiça para tentar apreender as cópias disponíveis nos arquivos da Universidade de São Paulo (USP), mas o pedido foi negado. O filme teve acesso restrito a grupos universitários e só se tornou amplamente conhecido e divulgado a partir do ano 2000, graças à popularização da internet.

No Brasil sempre tivemos nossos “Chatô’s” e “Marinho’s”, que manipularam os fatos a seu bel prazer, criando uma fantasiosa “verdade relativa”, sempre com interesses escusos.

Numa verdadeira democracia, onde o Estado de Direito prevalece, este tipo de ação, parta de quem for, não pode ser mais admitida.

Como sempre digo, neste tabuleiro do jogo da política, o que menos tem é santo.

Fonte:  http://www.ricardoorlandini.net

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