“O Colapso do PSDB”

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VLADIMIR SAFATLE – Folha de São Paulo
O caráter errático da campanha é o último capítulo da dissolução ideológica do partido

HÁ ALGO de melancólico na trajetória do PSDB. Talvez aqueles que, como eu, votaram no partido em seu início, lembrem do momento em que a então deputada conservadora Sandra Cavalcanti teve seu pedido de filiação negado. Motivo: divergência ideológica.
De fato, o PSDB nasceu, entre outras coisas, de uma tentativa de clarificação ideológica de uma parcela de históricos do MDB mais afeitos às temáticas da socialdemocracia européia.
Basta lembrarmos dos votos e discussões de um de seus líderes, Mario Covas, na constituinte. Boa parte deles iam na direção do fortalecimento dos sindicatos e da capacidade gerencial do Estado. Uma perspectiva contra a qual seu próprio partido voltou-se anos depois.
A história do PSDB parece ser a história do paulatino distanciamento desse impulso inicial. Ao chegarem ao poder federal, os partidos socialdemocratas que lhe serviram de modelo (como os trabalhistas ingleses e o SPD alemão) haviam começado um processo irreversível de desmonte das conquistas sociais que eles mesmos realizaram décadas atrás. Um desmonte que foi acompanhado pela absorção de suas agendas políticas por temáticas vindas da direita, como a segurança, a imigração, a diminuição da capacidade de intervenção do estado, entre outros.
Este movimento foi reproduzido pelo governo de Fernando Henrique Cardoso.
Assim, víamos uma geração de políticos que citavam, de dia, Marx, Gramsci, Celso Furtado e, à noite, procuravam levar a cabo o “desmonte do estado getulista”, “a quebra da sanha corporativa dos sindicatos”, ou “a defesa do Estado de direito contra os terroristas do MST”.
O resultado não foi muito diferente do que ocorreu com os partidos socialdemocratas europeus. Fracassos eleitorais se avolumaram, resultantes, principalmente, de uma esquizofrenia que os faziam ir cada vez mais à direita e, vez por outra, sentir nostalgia de traços ainda não totalmente extirpados de discursos classicamente socialdemocratas. No caso alemão, o SPD acabou prensado entre uma direita clara (CDU, FDP) e uma esquerda renovada (Die Linke).
No caso brasileiro, esta eleição demonstra tal lógica elevada ao paroxismo. Assistimos agora ao candidato do PSDB ensaiar, cada vez mais, um figurino de Carlos Lacerda bandeirante; com seu discurso pautado pela denúncia do aumento galopante da insegurança, do narcotráfico, do angelismo do governo com o terrorismo internacional das Farcs e, agora, o risco surreal de “chavismo” contra nossa democracia. Um figurino que não deixa de dar lugar, vez por outra, a uma defesa de que é de esquerda, de que recebeu palavras carinhosas de Leonel Brizola, de que vê em Lula alguém “acima do bem e do mal” etc.
Nesse sentido, o caráter errático de sua campanha não é apenas um traço de seu caráter ou um problema de cálculo de marketing.
Trata-se do capítulo final da dissolução ideológica de uma sigla que só teria alguma chance se tivesse ensaiado algo que o PS francês tenta hoje: reorientação programática a partir de um discurso mais voltado à esquerda e (algo que nunca um tucano terá a coragem de fazer) autocrítica em relação a erros do passado.

VLADIMIR SAFATLE é professor no Departamento de Filosofia da USP

Pronunciamento de vereador contra Secretária de Planejamento.

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CÂMARA MUNICIPAL  DE VEREADORES DE  XANGRI-LÁ – Nº 2264

Sessão Ordinária da Câmara Municipal

Presidência: Vereador  Candido Padilha

Secretário  Vereador:  Elismar Mendes da Silva

Aos 07(Sete) dias do mês de junho de 20l0(dois mil e dez) às 1900 (dezenove) horas, nesta cidade de Xangri-Lá…

O VEREADOR GILBERTO TARASCONI disse…

“Quero falar  também sobre uma reunião que tivemos nesta Casa com a Secretária de Planejamento e a Secretári a de Obras. Olha. Cada vez que acontece esse tipo de coisa eu  começo a me lembra de todas as pessoas que passaram por aqui ou que estiveram aqui. Ou que vieram para este município. Não sei porque a gente acaba trazendo  ele para p nosso convívo e sempre se dá o melhor acento  para eles, mas com o tempo a gente vê que não era bem aquilo que nós estávmos pensando que eram. E chegou ai então. Não quero falar da Secretária de Planejamentoé. Não é isso. Só queridizerqueteve uma reunião nesta Casa com a Secretária de Obras e me pareceu que a Secretária que realmente não parecia que era daqui  e a de Obras, mas sim a do Planejamento. A Secretária de Obras não abriu a boca para falar nada. Ai eu perguntei de onde ela era, e ela me disse que conhece tudo aqui. Já veraneio a vinte anos no Imbé. Ela veaneia a vinte anos no Imbé. Está  um mês aqui no município e acha que sabe muito mais que qualquer um de nós. Tanto é que as águas agora vão correr mais nas sarjetas, porque águas não épara correr nas sarjetas. É um absurdo. Eu ped ipara ela; Pelo amor de Deus não faça isso secretária. Ela disse não, não. Eu já varaenio a vinte anos no Imbé e esta aquela…  Quem conhece o Imbé sabe. Nós vereador Lauro não sabemos nada. Nós não somos daqui. Nós caímos do céu não conhecemos.Não convivemos. Não vivemos aqui. Eu grantoque cada um de vocês sabe muito mais do que ela qie veio lá não sei de onde  e chega aqui, nós acolhemos. E temos que ouvir ela, porque ela vai resolver. No Figueirinha vereador. O senhor estava junto. Não. Já está resolvido problema ali.É simple revolver. Nós já vamos resolver. Como quem diz amanhã já vamos resolver. Aqui então. Um Milhão e Trezentos né.E vai resolver tudo. Meu Deus do céu. Eu me retirei  da reunião,porque eu me senti ofendido.Eu moro aqui a cinqüenta anos. Eu vivo aqui a cinqüenta anos. Eu ando nesses buracos  a cinqüenta anos. Eu não tenho mais de cinqüenta anos vocês não se iludam, mas conheço isso tudo. Já passaram algumas administrações e rodos de um mode geral gostaraiam de fazer, mas o que eu não posso admitir que venha alguém de fora e não conhece nada e acha no direito de saber mais do que nós. Ela saiu daqui dizendo que não abre mão do que ela estápensnado, e a Secretária de Obras ficou quepareciaum cordeirinho. Quietinha. Não nada. Esçpero que elanão facão que ela está pensando fazer.”

O texto acima é uma reprodução “ispsis literis” do documento original.

Cabe a vocês a análise do conteúdo. Esta é nossa Casa Legislativa.

O editor

A NAKBA: A “LIMPEZA ÉTNICA” E O NASCIMENTO DE ISRAEL

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   Jun 4, ‘10 3:36 PM
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10 de Dezembro de 2007. Serviço Noticioso Um Mundo a Ganhar.

A região da Síria em 1916.

A sombreado, a área temporariamente “reservada”, segundo a correspondência entre Hussein e McMahon. Em 1915, a Grã-Bretanha reconheceu a independência árabe fora dessa área. A Palestina estendia-se a partir do Egipto até uma linha que ia da costa, pouco acima de Acre, até ao rio Jordão, bem longe dessa área.

(Fonte: Jeffries, Palestina – A Realidade. Reproduzido, tal como todos os outros mapas neste artigo, da edição portuguesa do livro de Tariq Al-Khudayri, Palestina – A Saga de um Povo)

Os palestinianos chamam ao que lhes aconteceu em 1948 a Nakba – a palavra árabe para catástrofe. Foi perpetrada por líderes sionistas que tencionavam formar o estado de Israel em terras palestinianas sem os palestinianos.

Durante a Nakba, quase um milhão de palestinianos (metade da população nessa altura) foram brutalmente afastados das suas terras, aldeias e casas, fugindo apenas com os bens que conseguiram levar. Muitos foram violados, torturados e mortos. Para garantirem que não haveria nenhuma razão para os palestinianos regressarem, as suas aldeias e mesmo muitas oliveiras e laranjeiras foram tão eficientemente arrasadas que sobram poucos restos visíveis. Quando a Nakba terminou, tinha havido 31 massacres documentados e provavelmente outros. Cerca de 531 aldeias e 11 bairros urbanos foram esvaziados dos seus habitantes.

Os antigos nomes árabes das aldeias e ruas foram hebreizados. Mesquitas e igrejas cristãs antigas foram destruídas. Parques temáticos, florestas de pinheiros (árvores não nativas da região) e colonatos israelitas foram estabelecidos sobre muitas das antigas aldeias palestinianas. Tudo isto visava eliminar qualquer vestígio físico de que a terra tinha pertencido aos palestinianos e dar um objectivo à Nakba.

Quantas vezes tivemos uma discussão sobre o drama dos palestinianos com apoiantes da existência do estado israelita e enfrentámos o argumento de que o problema surgiu da intolerância palestiniana em relação aos colonos judeus? Quantas pessoas sabem – ou admitem – que desde o início o sionismo tinha planeado expulsar permanentemente o povo palestiniano da sua terra? Em muitos países ocidentais, a negação da Nakba é tão obrigatória quanto a negação do Holocausto é condenada. Como é que isto aconteceu?

O livro A Limpeza Étnica da Palestina (One World Publisher, Oxford, 2006) do historiador e conferencista decano israelita Ilan Pappe da Universidade de Haifa analisa o período da Nakba. A premissa é de que a Nakba não foi mais que um acto de limpeza étnica, normalmente considerado pelo direito internacional um crime contra a humanidade. Em apoio desta teoria, o autor esboça várias definições de diferentes fontes actuais, entre as quais “uma zona etnicamente mista transformada num espaço étnico puro”. Ele mostra como o massacre e/ou expulsão forçada dos arménios na Turquia, dos tutsis no Ruanda e dos croatas e bósnios na antiga Jugoslávia é afim ao que os sionistas fizeram aos palestinianos numa escala massiva em 1948 e ainda o estão a fazer hoje. Pappe também delineia uma ligação entre limpeza étnica e colonialismo, tal como aconteceu na América do Norte e do Sul, bem como em África e na Austrália.

A sua investigação baseia-se em três fontes primárias: o material recentemente divulgado (anos 90) dos arquivos militares israelitas, o diário de David Ben-Gurion onde estão registados resumos de muitas das suas reuniões, uma releitura de material de arquivo mais antigo pelo prisma do paradigma da limpeza étnica e o uso extensivo de arquivos palestinianos de história oral.

O acordo Sykes-Picot em 1916

Pappe fornece uma breve resenha histórica até à Nakba e alguns capítulos no final do livro sobre a actual situação dos palestinianos. O que se segue é uma descrição temporal muito abreviada dos acontecimentos que antecederam a Nakba.

Os primeiros colonatos sionistas começaram em 1878, quando a Palestina, como muito do Médio Oriente, fazia parte do Império Otomano. Em 1917, com o fim da II Guerra Mundial e a derrota dos otomanos, o exército britânico marchou até à Palestina e tomou o seu controlo. Mais tarde, nesse mesmo ano, o britânico Sir Balfour emitiu a Declaração de Balfour que prometia um “território nacional” aos judeus em terras palestinianas, apesar de, segundo a maioria dos registos, os judeus constituírem apenas 8% da população, ou mesmo menos segundo algumas estimativas. A Liga das Nações legalizou a ocupação britânica ao dar-lhe um mandato para administrar a Palestina. Em 1938, começaram importantes combates entre judeus e palestinianos. As bombas da organização militar sionista Irgun mataram 119 palestinianos; as bombas palestinianas mataram oito judeus. Em 1947, a Grã-Bretanha comunicou às recém-formadas Nações Unidas que se retiraria da Palestina. Em Novembro, a ONU formulou o plano de divisão da Palestina em dois estados. Em Dezembro de 1947, os sionistas iniciaram as expulsões em massa de palestinianos. Quando os britânicos retiraram em Maio de 1948, os sionistas declararam a independência. A Nakba continuou até aos primeiros meses de 1949.

O livro de Pappe revela como o movimento sionista planejou meticulosamente, executou, mentiu, e depois negou a sua apropriação da terra palestiniana e a remoção (pela força ou pelo terror) da sua população. Ele mostra as políticas israelitas contra a minoria palestiniana dentro de Israel, bem como na Cisjordânia e em Gaza, no seu devido contexto histórico, repondo a verdade sobre a conceptualização da situação que os palestinianos hoje enfrentam. Pappe apenas toca brevemente no papel de Theodor Herzl, o fundador do movimento sionista no início dos anos 1800, para mostrar quão profundamente enraizado está o conceito de “transferência” da população indígena, a forma como o “problema demográfico” é visto hoje pela maioria dos israelitas como uma continuação da visão exclusivista sionista original. Um mapa de 1919 mostra claramente as intenções sionistas de se apoderar de toda a Palestina. Os ideólogos de Herzl declararam que havia “estrangeiros” a viver na sua terra bíblica, e por estrangeiros eles queriam dizer todos os que não fossem judeus, embora a maioria dos judeus da Palestina tivesse partido a seguir ao período romano. E mesmo hoje em dia, uma sondagem recente indicava que 68% dos judeus israelitas queriam que os cidadãos palestinianos de Israel fossem “transferidos”.

O plano de divisão da Palestina (1937)

Muitas das revelações do livro dizem respeito a David Ben-Gurion, um dos principais cérebros e supervisores do projecto sionista e da limpeza étnica que o implementou. A partir de meados dos anos 20, Ben-Gurion foi o ministro da defesa (ou ministro da guerra) não oficial do estado ainda não oficialmente formado e tornou-se depois o seu primeiro-ministro fundador. Ele trabalhou a nível internacional, bem como localmente, na organização de outros sionistas em torno dos seus métodos e objectivos. Foi em sua casa que a limpeza étnica foi inicialmente discutida com um conjunto de especialistas em segurança e “questões árabes” (judeus que tinham crescido na região e sabiam falar árabe) que aconselhariam os futuros governos de Israel (Pappe chama-lhe a Consultância). A sua visão para chegar a um estado sionista era ambiciosa e estratégica. Ele pensava que apenas poderia ser conquistado pela força, mas que os sionistas teriam que esperar pelo momento histórico oportuno para poderem lidar “militarmente” (como dizia Ben-Gurion) com a realidade demográfica no terreno: a presença de uma maioria populacional nativa não-judia. Em 1937, quando os britânicos ofereceram à comunidade judia um futuro estado (numa percentagem muito menor da terra que a ONU viria a dar-lhes em 1948), ele aceitou isso como um bom começo para a ideia que tinha formalizado. Ele tinha planos mais ambiciosos. Em 1942, Ben-Gurion declarou publicamente a reivindicação sionista a toda a Palestina, mas depois achou que isso não era realista e que 80% seriam suficientes para um estado israelita viável.

O livro fala sobre um importante projecto estratégico liderado por Ben-Gurion – o “projecto aldeias” para cartografar toda a Palestina. Através da utilização de fotografia aérea, registaram detalhes de todas as aldeias palestinianas: as suas estradas de acesso, a qualidade da terra, as fontes de água, as principais fontes de rendimentos, a composição sociopolítica, as afiliações religiosas, os nomes dos seus muhktars (chefes tradicionais das aldeia), a relação com outras aldeias, a idade de cada homem e um índice de “hostilidade” face ao projecto sionista medido pelo seu envolvimento na revolta de 1938 contra a política britânica de permitir um aumento da imigração de judeus para a Palestina (incluindo os que podiam ter morto judeus).

Os envolvidos no mapeamento das aldeias perceberam que essa cada vez maior base de dados não era um mero exercício académico de geografia. Uma pessoa que participou numa dessas operações de recolha de dados em 1940 recordou muitos anos depois: “Nós tínhamos que estudar a estrutura básica da aldeia árabe. Isso queria dizer a sua estrutura e a melhor forma de a atacar… qual seria a melhor aproximação à aldeia, se por cima ou por baixo. Tivemos que treinar os nossos ‘arabistas’ (orientalistas que operavam uma cadeia de colaboradores) sobre a melhor forma de trabalhar com informadores.”

O livro descreve outra preocupação de Ben-Gurion e da Consultância – o “equilíbrio demográfico” entre judeus e árabes na Palestina. Sempre que havia uma maioria palestiniana a viver numa zona isso era considerado um desastre. A política pública que foi adoptada foi a de promover uma imigração judia generalizada. Mas os judeus, que se estavam a mudar para a Palestina desde os anos 20, preferiam viver nas zonas mais urbanas que eram habitadas em igual número por judeus e palestinianos, enquanto as zonas rurais eram esmagadoramente habitadas e cultivadas por palestinianos. Os sionistas perceberam que a imigração não iria contrabalançar a maioria palestiniana e que seria necessária a utilização de outros meios. Já em 1937, Ben-Gurion tinha falado da sua cabala de que a “realidade de uma maioria palestiniana compeliria os colonos judeus a usar a força para provocarem o ‘sonho’ – de uma Palestina puramente judia”. “Temos que enfrentar esta nova realidade com toda a sua severidade e distinção. Este equilíbrio demográfico põe em causa a nossa capacidade para mantermos a soberania judia.” “Eles podem seja presos em massa ou expulsos; é melhor expulsá-los.”

O Plano de Partição da Assembleia Geral da ONU (1947)

Quando os britânicos decidiram partir em 1947, a questão da Palestina foi transferida para a ONU que, tal como os britânicos, também aceitou as reivindicações sionistas sobre a Palestina e que a partição da Palestina era a melhor forma de resolver a questão. Mesmo que se aceite a lógica sionista, uma partição segundo a população relativa teria destinado menos de 10% da terra para um estado judeu. Mas, após consideráveis negociações, a Resolução 181 da ONU sobre a Partição, de Novembro de 1947, destinou aos sionistas 56% da Palestina. Embora Jerusalém, por causa do seu significado religioso para o Judaísmo, o Cristianismo e o Islão, tenha sido mantida uma cidade internacional, muitas das terras mais férteis foram incluídas no lado sionista. Embora novamente desiludido, Ben-Gurion apreciou o reconhecimento internacional do estado judeu, ao mesmo tempo que ignorava a parte que estipulava quanto e que território. Ele declarou que as fronteiras de Israel “seriam decididas pela força e não pela resolução de partição”. Ben-Gurion habilmente evitou a pouca oposição mundial que havia aos seus esquemas. Embora os sionistas tenham proclamado publicamente que apoiavam a Resolução, no país começaram a implementar os seus próprios planos. Este ignorar das negociações “antes de a tinta chegar sequer a secar” tornou-se numa característica das subsequentes e das actuais negociações em que Israel tem participado.

Pappe relata como os líderes árabes se opuseram à partição da Palestina e boicotaram essas negociações da ONU. Eles recusaram-se a participar na base de que uma divisão da sua terra com uma comunidade de colonos (que até aí era um terço da população, possuindo apenas 6% da terra e que há muito tinha proclamado que queria desarabizar a Palestina) era ilegal e injusto. A Resolução 181 criou uma imensa ansiedade para os palestinianos. Eles pressentiam o confronto iminente com os sionistas. O massacre começou em Dezembro de 1947, mesmo antes de os britânicos terem abandonado a Palestina.

Pappe detalha a combinação entre um planeamento meticuloso com a permissão de iniciativas “não autorizadas” dos grupos militares mais terroristas, como a Irgun, o bando Dura e o Palmach (unidades especiais de comandos que abriram caminho ao estabelecimento de colonatos judeus). Com um grupo de pessoal militar e civil que incluíam algumas personalidades famosas como Moshe Dayan (um chefe militar que foi chefe do exército durante a crise do Suez em 1956 e ministro da defesa durante o período da Guerra dos Seis Dias em 1967) e Yitshak Rabin (um general e duas vezes primeiro-ministro, assassinado em 1995), Ben-Gurion estabeleceu e supervisionou os diferentes planos de preparação das forças militares da comunidade judia para uma ofensiva contra os palestinianos. O Plano C (uma versão revista dos Planos A e B) revelava as acções a serem desenvolvidas: matar a liderança política palestiniana e os que a apoiavam financeiramente, matar os palestinianos que actuaram contra judeus, matar oficiais e funcionários e atacar as aldeias que pareciam mais militantes e que poderiam resistir a futuros ataques do exército israelita e danificar as fontes de sustento palestiniano. Depois, o Plano Dalet (ou Plano D) foi traçado, um esboço para a expulsão sistemática e total dos palestinianos da sua pátria. O Plano D descrevia as operações da seguinte forma: “destruir aldeias (ateando-lhes fogo, explodindo-as e enterrando minas nos seus escombros) e sobretudo os centros populacionais que sejam difíceis de controlar de uma forma constante; ou montar operações combinadas de controlo segundo as seguintes directrizes: envolver as aldeias; proceder a uma busca dentro delas. Em caso de resistência, as forças armadas deviam ser eliminadas e a população expulsa das fronteiras do estado.”

Limites propostos para a cidade de Jerusalém pela comissão ad hoc sobre a questão palestiniana

No decurso da execução do Plano D, os líderes sionistas não estavam muito preocupados com a resistência por parte dos palestinianos ou de outros árabes que pudessem vir em sua defesa, porque a oposição dos estados árabes era pouco empenhada e os seus soldados mal treinados e equipados.

Os líderes sionistas falavam publicamente na possibilidade de um “segundo Holocausto”, desta vez às mãos dos árabes, mas em privado estavam plenamente conscientes de que a retórica de guerra dos estados árabes não correspondia a uma preparação séria no terreno. Frequentemente, os titubeantes líderes militares dos estados árabes foram ignorados por alguns soldados árabes que tomaram a iniciativa e lutaram corajosamente para defenderem os palestinianos. O principal medo da liderança sionista era o exército britânico. Mas, embora ainda permanecesse na Palestina, o exército britânico raramente interveio contra os massacres, mesmo quando a população árabe local suplicava que o fizesse.

As expulsões começaram em Dezembro de 1947 nas aldeias e nas principais cidades. O texto que se segue é uma descrição condensada do livro de Pappe sobre o que aconteceu em Haifa à vista dos britânicos. Na manhã seguinte à aprovação da resolução da ONU, o Hagana (o principal grupo militar que se viria a tornar no exército israelita) e a Irgun (uma cisão precoce do Hagana, liderada pelo futuro primeiro-ministro Menachem Begin, que depois também se tornou parte do exército) desencadearam uma campanha de terror entre os 75 000 residentes palestinianos de Haifa. Colonos judeus que tinham chegado nos anos 20 e vivido nas colinas ao redor da cidade participaram nesses ataques ao lado das unidades militares sionistas.

Plano de Partição da ONU – 1947
e Linhas do Armistício da ONU – 1949

Foram usadas várias tácticas. Bombardeamentos e disparos frequentes de lugares escondidos foram dirigidos contra a população palestiniana, petróleo misturado com combustível foi vertido nas estradas e ateado, barris cheios de explosivos foram feitos rolar até às zonas palestinianas. Quando os palestinianos apavorados saíam para apagar os fogos, eram atingidos com disparos de metralhadora. Judeus disfarçados de palestinianos levaram carros cheios de explosivos para serem reparados em garagens palestinianas e fizeram-nos detonar. Numa refinaria em Haifa, judeus e árabes trabalhavam lado a lado e tinham uma longa história de solidariedade na sua luta por melhores condições de trabalho contra os seus patrões britânicos. A Irgun, que se especializou em lançar bombas contra multidões árabes fez o mesmo nessa refinaria. Os trabalhadores palestinianos reagiram matando 39 trabalhadores judeus, uma das piores e também uma das últimas escaramuças de retaliação nesse período. Depois, as unidades do Hagana dirigiram-se a um dos bairros árabes de Haifa, Wadi Rushmiyya, expulsaram as pessoas e fizeram explodir as suas casas. O exército britânico fingiu olhar para o outro lado enquanto estas atrocidades estavam a ser cometidas. Duas semanas depois, o Palmach entrou no bairro Hawassa em Haifa onde cerca de 5000 dos árabes mais pobres viviam em péssimas condições. As cabanas e a escola local foram feitas explodir, obrigando as pessoas a fugir. Pappe considera isto como o início oficial da operação de limpeza étnica na Palestina urbana.

Em Março de 1948, Ben-Gurion comentou à Agência Executiva Judia: “Acho que a maior parte das massas palestinianas aceita a partição como um facto consumado e não acredita que seja possível superá-la ou rejeitá-la… A maioria decisiva deles não nos quer combater.”

Os exércitos dos países árabes não estavam à altura das bem equipadas unidades militares clandestinas sionistas que tinham recebido armas da Inglaterra, da União Soviética e da Checoslováquia. Forcas árabes irregulares emboscaram colunas israelitas mas evitaram atacar os colonatos. A Consultância decidiu que uma vingança desumana não era suficiente e que precisavam de mudar para actos mais drásticos.

Ben-Gurion usou as tentativas do mundo árabe para salvar os palestinianos para empolar o factor medo entre a comunidade judia, que ele cuidadosamente nutriu até ao ponto de eliminar qualquer oposição que essas tácticas pudessem gerar. A “segurança” do estado judeu (nessa altura como ainda hoje) tornou-se no temor anulador que permitiu que muitos israelitas, bem como gente de fora do país, virassem as costas ao que a liderança sionista estava a fazer, aquilo em que consistia o seu plano.

Territórios ocupados por Israel desde Junho de 1967. Os territórios actualmente ocupados e administrados por Israel incluem a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, cujas fronteiras foram definidas pelas linhas do armistício negociadas pelo Mediador da ONU em Exercício em 1949 e invadidas em 1967. Durante décadas, incluíram também os Montes Golã, a norte, ocupados à Síria.

Até Março de 1948, a liderança sionista ainda retratava as suas actividades como vingança por actos árabes hostis. Depois, dois meses antes de os britânicos partirem, declararam abertamente que ocupariam a terra e expulsariam a população local à força. Quando os britânicos saíram em Maio, os sionistas proclamaram o seu estado. Foram oficialmente reconhecidos pelos EUA e pela URSS. A expulsão desumana entrou em alta velocidade e a palavra vingança já não era usada para descrever o que as forças militares israelitas estavam a fazer. Ben-Gurion disse: “Cada ataque tem como objectivo acabar em ocupação, destruição e expulsão”. Já não havia mais necessidade de distinguir entre “inocentes” e “culpados”. Ataques preventivos e danos colaterais tornaram-se aceitáveis e necessários.

Deir Yassin

Numa colina a oeste de Jerusalém fica a cidade de Deir Yassin. O massacre aí é bem conhecido em todo o mundo, mas vale a pena mencionar aqui como ele reflectiu a natureza sistemática do Plano D aplicado a centenas de aldeias em toda a Palestina. Pappe descreve como, a 9 de Abril de 1948, os soldados judeus irromperam na aldeia e atingiram as casas com disparos de metralhadora e mataram muita gente. “Os aldeãos que restaram foram então agrupados num lugar e assassinados a sangue-frio, os seus corpos foram abusados enquanto várias mulheres foram violadas e depois mortas.

Fahim Zaydan, que nessa altura tinha doze anos, recordou como viu a sua família ser assassinada à frente dos seus olhos: “Eles levaram-nos um após o outro; abateram um velho e quando uma das suas filhas chorou, também foi abatida. Então chamaram o meu irmão Muhammad e abateram-no à nossa frente, e quando a minha mãe gritou, curvando-se para ele – levando a minha pequena irmã Hudra nas suas mãos, ainda amamentando-a – eles também a abateram.”

“O próprio Zaydan também foi atingido, quando estava de pé numa fila de crianças que os soldados judeus tinham formado contra uma parede que eles depois encheram de balas ‘apenas por diversão’, antes de partirem. Ele teve sorte em sobreviver apesar das suas feridas.”

Quando as aldeias eram invadidas e destruídas e os seus habitantes reunidos, tomavam-se decisões sobre quem viveria e quem morreria. Oficiais dos serviços de informações no terreno ajudavam os oficiais militares nessa decisão. Os oficiais dos serviços de informações, com a ajuda de colaboradores locais (espiões encobertos) apontavam para diversas pessoas ao principal oficial dos serviços de informações.

Israel e os palestinianos hoje

Mapa com os colonatos israelitas estabelecidos nos territórios ocupados em Junho de 1967. A sua instalação é considerada ilegal à luz da lei internacional, incluindo várias resoluções do Conselho de Segurança da ONU. O mapa inclui informação fornecida em 1984 pela Comissão Especial sobre as Práticas Israelitas, sobre colonatos em projecto ou em construção.

Como resultado da Nakba, há agora quase 4,5 milhões de palestinianos dispersos por todo o mundo, além dos 1,4 milhões sob ocupação do exército israelita na Cisjordânia e 1,3 milhões em Gaza, uma faixa do deserto antes escassamente povoada agora cheia de sobrelotados campos e cidades de refugiados. Cerca de 1,5 milhões de palestinianos continuam a morar na própria Israel como cidadãos de segunda classe. A população judia de Israel ronda cerca de 5,5 milhões. O estado sionista inclui agora cerca de 78% da Palestina histórica, sem contar com o ainda crescente número de colonatos israelitas na Cisjordânia. Não há nenhum paralelo no mundo – um estado construído conscientemente, desde o seu início, para um povo e uma cultura, com uma base religiosa e sem uma verdadeira fronteira permanente.

O argumento de Pappe de que a Nakba foi um acto de limpeza étnica é convincente. A geografia humana e física da Palestina foram transformadas pelo conscientemente punitivo plano sionista de fazer desaparecer a história e a cultura da Palestina e assim negar qualquer futura reivindicação que os palestinianos possam fazer sobre a sua terra. Ao longo dos anos desde a Nakba, a máquina assassina que é o exército israelita continuou a fazer o seu trabalho sujo. Pappe lista os seguintes momentos: Kfar Qassim em Outubro de 1956, as tropas israelitas massacraram 49 aldeãos que regressavam dos seus campos; Qibya nos anos 50, Samoa nos anos 60, as aldeias da Galileia em 1976, os campos de refugiados de Sabra e Shatila no Líbano em 1982, Kfar Qana em 1999, Wadi Ara em 2000 e o campo de refugiados de Jenin em 2002. O massacre de palestinianos por Israel nunca acabou.

Pappe termina o seu livro com a esperança de que os israelitas despertarão da sua visão distorcida do desejo de retribuição, racismo escondido e fanatismo religioso, e que despertem para a verdade retratada nesse livro. Ele pensa que não aceitar o direito de regresso dos palestinianos é o mesmo que continuar a defender enclaves “brancos” tipo-apartheid e a apoiar a Fortaleza Israel. Ele diz que os palestinianos e os judeus coexistiram pacificamente antes da Nakba e que mesmo agora muitos têm fortes laços sociais que mostram que os dois povos podem viver em harmonia. Ele apela à transformação de Israel num estado laico e democrático.

O livro de Pappe não foca o papel central que Israel passou a desempenhar como bastião dos interesses imperiais norte-americanos no Médio Oriente. Sem o apoio militar e político do governo dos EUA e o inigualável apoio financeiro que são centrais para a sociedade israelita e o seu modo de vida (3 mil milhões de dólares por ano de ajuda governamental dos EUA, em conjunto com o financiamento privado oficialmente encorajado), Israel não seria o que é hoje – se é que sequer existiria. Contudo, o livro vale a pena ser lido pela sua precisão histórica e como recordação viva da tragédia que foi a Nakba.

(Recebida de meu único irmão consanguineo, Henrique, habitante em Curitiba)

Conversa Afiada tira texto do ar

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    Publicado em 02/06/2010

 

Ordem judicial se cumpre 

 

Em cumprimento a ordem judicial extraída dos autos da ação indenizatória, processo no. 1010.142766-1, em trâmite pela 38ª. Vara Cível do Foro Central da Comarca de São Paulo, promovido pela delegada de Polícia Federal Juliana Resende Silva de Lima, estou excluindo do Conversa Afiada a matéria divulgada em 29 de março de 2010, sem caráter de retratação, até o julgamento da causa.
Paulo Henrique Amorim

 

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Fonte: http://www.conversaafiada.com.br

Revista Veja lança seu peculiar olhar sobre a Bolívia

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publicada quarta, 19/05/2010 às 16:57 e atualizada quarta, 19/05/2010 às 19:27 |

 A revista Veja segue sua saga de desqualificação de qualquer iniciativa contrária à ordem capitalista. Na penúltima edição, o ataque partiu do departamento de relações internacionais da revista e o alvo foi a progressista Bolívia de Evo Morales.  

                                           

 
As acusações vão desde o questionamento da identidade étnica do presidente até da própria existência de indígenas na Bolívia – para o autor, somente 17% da população é indígena. O texto é exemplar da escola de “jornalismo” da Veja e um prato cheio e fácil para críticas.
 
Reproduzimos a seguir, o texto do jornal Brasil de Fato desmentindo os dados apresentados pela revista e mostrando a verdadeira Bolívia.
 
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A Bolívia que só a Veja não vê

A Veja, por possuir essa perspectiva distorcida sobre “o que é ser índio”, afirma, portanto, que Morales não é indígena por não falar aymara fluentemente ou por ser solteiro

Por Caroline Cotta de Mello Freitas e Vinicius Mansur

 Publicada na edição 2164 da revista Veja, de 12 de maio deste ano, a matéria “A farsa da nação indígena”, referindo-se à Bolívia, traz uma série de equívocos e de fatos descontextualizados que, juntos, dão forma a um texto totalmente preconceituoso com o país e com o processo político por ele vivido atualmente.

 Apesar do repórter Duda Teixeira assinar o texto de La Paz, é difícil crer que um jornalista esteve nesta cidade e, ainda assim, intitulou sua peça jornalística tal qual foi publicada. Só não percebe os traços indígenas da maioria da população quem passou por aqui e não olhou a cara das pessoas. Quem caminhou pelas ruas de ouvidos tapados ignorando os “aymara e quechua-hablantes”. Quem não se permitiu aos olores, não provou da comida, não buscou saber da música, não buscou na literatura, enfim, quem censurou todos os sentidos e quase todas suas formas de reprodução. De tal maneira que desatar tantos devaneios travestidos de jornalismo nos consumiria o espaço de toda uma edição da revista. Mas vamos a alguns pontos. 

Alguns dirão que La Paz não é a Bolívia e, de fato, a Bolívia é muito mais diversa, para se ter uma idéia são 36 povos indígenas no país, além de afrobolivianos, grupos descendentes de imigrantes e muitos mestiços. O autor do artigo pode alegar que a dita farsa não é obra do povo boliviano, senão dos líderes do “processo de cambio”. Porém, a própria matéria cita que a nova Constituição – resultado de uma Assembléia Constituinte, posteriormente aprovada em referendo popular durante a primeira gestão de Evo Morales – considera a Bolívia um Estado Plurinacional. Afinal, onde está a farsa? 

De maneira oportunista, o texto segue manipulando informações sem critério para criticar as medidas de orientação indigenista do governo, porém utiliza os argumentos de outros indigenistas quando estes sustentam críticas ao poder executivo, transformando a matéria em um malabarismo argumentativo que, ao final, caricaturiza toda expressão indígena e reduz a diversidade e as possibilidades políticas que se apresentam dentro do processo de mudanças. 

A Veja afirma que o projeto político do MAS (partido de Morales) é uma farsa porque “os índios representam apenas 17% da população”, porque o nacionalismo indígena foi “criado em universidades americanos e européias” e “transferido para o altiplano por 1,6 mil ONGs”. Afirma que “o caos foi instalado” e que “a Bolívia tornou-se um país sem lei” com a institucionalização da Justiça Comunitária, ou seja, com o reconhecimento legal pelo Estado das formas de justiça aplicadas há séculos nas comunidades originárias. Medida responsável por “propagar linchamentos entre a população” que agora ocorrem “em média, um por semana”, conclui Teixeira – ou seu editor – sem qualquer menção a origem dessas informações. 

Assim como não menciona que o último censo oficial, realizado em 2001, apontou que 66% da população se identificava como indígena. Não menciona Tupac Katari, Bartolina Sisa, Julian Apaza, Pablo Zarate”Willka” e todos aqueles que, desde há muito, construíram lutas e idéias em prol de uma nação onde os indígenas fossem livres e respeitados, antes mesmo de qualquer contato com universidades e ONGs ocidentais. Não mencionam o Artigo 190 da Constituição, que estabelece, entre outras coisas, que “a jurisdição indígena originária camponesa respeita o direito a vida, o direito a defesa e os demais direitos e garantias estabelecidos na presente Constituição”. 

O jogo mesquinho de construção do real não diz que linchamentos são um fenômeno urbano, não rural, que está relacionado ao amplo descrédito em relação às instituições da ordem, como a Polícia e a Justiça [1]. O episódio de agressão sofrido por Victor Hugo Cárdenas é atribuído à Justiça Comunitária. No entanto, a “pelea” de certos grupos e movimentos indígenas com Cárdenas é bem anterior ao governo Morales. Cárdenas, um antigo ideólogo do indigenismo Katarista, é considerado traidor por alguns grupos e movimentos indígenas, pois aceitou ser vice-presidente, a partir de 1993, do então presidente Gonzalo Sanchez de Losada, um dos maiores responsáveis pelo avanço de políticas neoliberais, que entre outras coisas entregaram a preços “módicos” os recursos naturais bolivianos às empresas transnacionais. 

A manipulação grosseira segue com o caso Patzi. Na versão da revista, o ex-candidato do MAS ao governo de La Paz nas eleições regionais de abril deste ano, o aymara Félix Patzi, foi “flagrado dirigindo bêbado, foi condenado pela Justiça comunitária a fazer mil tijolos. Além disso, teve a candidatura inabilitada. Se Patzi tivesse concorrido ao pleito e vencido, isso tampouco garantiria a sua posse”. 

Patzi de fato foi flagrado bêbedo, justamente no momento em que o governo enfrentava os trabalhadores e empresários do setor de transporte, que chegaram a realizar bloqueios de estradas em oposição ao projeto de lei que previa, entre outras coisas, a suspensão da licença para conduzir daqueles motoristas profissionais flagrados bêbados trabalhando. Nesse contexto, o MAS decidiu substituir Patzi pelo também aymara César Cocarico. A Justiça Comunitária entra na história através das bases de Patzi, que em seu povoado aymara, Patacamaya, em busca do perdão que o reabilitaria a ser candidato, estabeleceram que ele deveria construir os tijolos para se redimir. Porém, mesmo cumprindo a pena, o MAS não mudou de posição.


E assim o texto vai distorcendo fatos, chamando a Justiça Comunitária de “brutal arma contra a oposição e ex-aliados de Morales”. Mas, não menciona que boa parte dos adversários do presidente, em geral os governantes de outrora, fugiram do país com medo da Justiça Comum, uma vez aprovada a Lei Anticorrupção Marcelo Quiroga Santa Cruz, que, entre outras coisas, considera que os crimes de corrupção cometidos por servidores públicos no exercício de suas funções são imprescritíveis. 

A Veja mente quando afirma que Morales já perdeu o apoio do Conselho Nacional de Ayullus e Markas do Qullasuyu (Conamaq) e da Assembléia do Povo Guarani (APG). É verdade que ambas organizações tem tomado posturas críticas diante de políticas estatais, ou da falta delas, e seguem apostando na mobilização como forma de conquistar direitos, ao invés do apoio apático e incondicional. Porém, uma revista que escreve que os protestos diminuíram nos primeiros anos de governo Morales “já que o presidente controlava os baderneiros” é incapaz de entender que Conamaq e APG seguem fazendo parte da aliança que governa a Bolívia. 

A Bolívia, desde as revoltas chefiadas por Tupac Katari, no século XVIII, se caracteriza por grandes mobilizações populares. Os famosos “bloqueios” e “marchas” são estratégias de manifestação do povo boliviano há séculos. Feliz país que se caracteriza pelo dissenso, nada mais democrático. Perigo é o silêncio conivente, a indignação que não toma as ruas, seja por impedimento (como nas ditaduras) ou por indiferença. Manifestações públicas, como as marchas bolivianas e críticas abertas ao governo não são só necessárias, são fundamentais para que se fortaleça um Estado democrático. O dissenso não é uma prova de “farsa”, é uma prova de “saúde” democrática.

Mas, infelizmente a Veja segue disseminando de maneira sistemática sua visão preconceituosa em relação aos povos indígenas e também aos quilombolas, vide a matéria publicada na edição anterior, de número 2163, datada de 5 de maio de 2010, intitulada “A farra da antropologia oportunista”. Nela, a revista atribui a declaração “não basta dizer que é índio para se transformar em um deles. Só é índio quem nasce, cresce e vive num ambiente de cultura indígena original” ao antropólogo Eduardo Viveiros de Castro. Porém, é vergonhosamente desmentida por Viveiros de Castro que, em uma carta para a revista, afirma: “Nenhum antropólogo que se respeite a pronunciaria”. 

A Veja, por possuir essa perspectiva distorcida sobre “o que é ser índio”, afirma, portanto, que Morales não é indígena por não falar aymara fluentemente ou por ser solteiro. Questionamentos como esses tem mais relevância para Veja que a autonomia indígena estabelecida pela nova Constituição, a incorporação da bandeira indígena wiphala como um dos símbolos oficiais do país, a obrigação dos funcionários públicos em aprender uma língua originária falada na região onde trabalham, a criação de três universidades indígenas (uma aymara, uma quechua e uma guarani), a libertação do trabalho escravo de indígenas guaranis em fazendas em Santa Cruz, a erradicação do analfabetismo na Bolívia ou até mesmo o fato do país ter apresentado o maior crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da América Latina (3,2%) em 2009, de acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), fatos omitidos na matéria.

Evidentemente, o processo político encabeçado por Morales encontra enormes desafios, dissidências e disputas internas, que reproduzem, por vezes, as velhas práticas em busca do poder – conhecidas em todos os países do mundo – mas também muitos boatos, muitas versões. Elementos existentes em todos os processos políticos vivos e pujantes.

A acusação de que Morales divide o país com suas declarações, como disse Jaime Apaza à Veja, são no mínimo curiosas. Afinal, falar em inclusão de grupos tradicionalmente excluídos não significa dividir o país. Um presidente que defende os direitos de grupos invisibilizados há séculos, não profere palavras de “ódio”. Claro, para certas parcelas da população boliviana, sim, as idéias defendidas por Morales são ameaçadoras porque ameaçam privilégios seculares e a manutenção de uma sociedade racista e excludente, em que a origem étnica tradicionalmente “define” quais lugares alguém pode ocupar na sociedade.

Para aqueles que carregam traços indígenas em um país como a Bolívia, onde a circulação de pessoas de origem indígena em certas áreas das cidades era restrita até 1952, o atual processo político e social tem um valor difícil de ser mensurado. E, certamente, impossível de ser taxado como farsa.
 
Caroline Cotta de Mello Freitas é doutoranda em Antropologia pela Universidade de São Paulo, desenvolve pesquisa sobre direitos indígenas e movimentos sociais na Bolívia. É professora da FESPSP e da FASM, pesquisadora associada ao MUSEF – BO.

Vinicius Mansur é correspondente do Brasil de Fato na Bolívia.

Nota
[1] Afirmação feita pelo representante da Organização das Nações Unidas (ONU) na Bolívia, Denis Racicot, em 24 de março de 2010, durante a apresentação do Relatório sobre os Direitos Humanos na Bolívia em 2009.
 
 
Fonte:  http://rodrigovianna.com.br

Veja esconde corrupção dos tucanos.

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    Publicado em 16/05/2010

 

Por que a Veja só é corajosa online ? 

 

PH,

Leia isto! Parece que pegaram alguém da VEJA (online)!

Engraçado que na minha cópia impressa da revista a denúncia não aparece.

Eles agora têm uma versão corajosa online e outra, não tão corajosa, impressa ?

Como explicar isso – são padrões editoriais diferentes ?

Padrões morais diferentes ?

O Robert(o) Civita manda nas duas – na edição online (corajosa) e na edição impressa ?

E outra coisa: por que a PF consegue provas contra um “coitadinho maluco” como esse da Veja e não pega a montanha de dinheiro que o Daniel Dantas pagou a seus jornalistas, que todo mundo sabe quem são ?

Pagou através do Sistema Dantas de Comunicação.

PH vá, ao http://www.rodrigovianna.com.br/

“Veja” e “Época” (re) descobriram juntas a corrupção tucana.

Incrível coincidência.

As duas revistas deram, nesse fim-de-semana, reportagens (discretas, sem estardalhaço), sobre a “Operação Castelo de Areia”. Lembram? A PF descobriu – com um executivo da Camargo Correia – planilhas com doações (amplas, ilegais e muito bem escrituradas) para políticos diversos.

A reportagem (online – PHA) de “Veja” você pode ler aqui .

A de “Época” está aqui.

O estranho é que – nos bastidores da imprensa paulista – há vários meses circula o relatório final da “Operação Castelo de Areia”, da PF.

O “Estadão” teve acesso ao relatório. Um dos mais experientes repórteres do jornal teve o relatório em mãos. Mostrou aos chefes. Isso há quase 6 meses. Era uma pancada muito forte nos tucanos (apesar de o relatório atingir políticos de vários partidos, inclusive do PT). A ordem no “Estadão”, segundo uma fonte do Escrevinhador, foi: “esqueça isso, não vamos dar”.

O repórter – contrariado – acatou a ordem. Mas cópias do material começaram a surgir em outras redações…

As revistas também tinham o relatório… Isso há vários meses.

Por que, então, só agora “Veja” e “Época” entraram na história? Por que ficaram restritas a alguns nomes do tucanato, e não deram mais detalhes? Por que, na “Veja”, o alvo foi Aloysio Nunes Ferreira (homem-forte de Serra, candidato tucano ao Senado por São Paulo)?

Alguns enxergam nisso um recado a Serra, exatamente na semana em que ele resolveu declarar que é de “esquerda”, em que resolveu bater boca com a Miriam Leitão, contrariando um dos ícones do pensamento (neo) liberal – a tal “independência” do Banco Central.

A turma do Instituto Millenium estaria insatisfeita com Serra? O candidato estaria se mostrando indisciplinado, incapaz de defender o “programa” estabelecido pelo PIG? Por isso, as revistas resolveram dar uma “pitadinha” da Castelo de Areia, como a avisar: batemos no Aloysio; ou você toma jeito ou temos material guardado também contra você – ou já esqueceu?

Não se esqueçam, caros leitores, que, nos primeiros relatos sobre a Castelo de Areia, muito antes do relatório final sair, apareciam na imprensa referências a doações ilegais para “Palácio Band”.

Rapidamente, as reportagens foram interrompidas. Para ressurgir agora…

Quem era o inquilino do Palácio dos Band até dois meses atrás? Agora, “Epoca” e “Veja” deixaram o Palácio de fora…

Há outra hipótese para as matérias simultâneas de “Epoca” e ‘Veja”: as revistas estariam sabendo que uma TV de São Paulo tem o relatório em mãos, e prepara reportagens para os próximos dias ? Dar o material antes (e, estrategicamente, de forma bem limitada) foi uma “vacina”: se a notícia aparecer na TV, a turma do Serra poderá dizer “ah, mas isso aí até a “Veja” já deu…”.

Por último, uma pergunta: “Veja” não vai brindar seus leitores com a parte do relatório da PF em que um de seus supostos jornalistas aparece na suposta planilha da Camargo Correia, lado a lado com um ex-secretário de Serra-Kassab?

De acordo com fontes desse Escrevinhador que viram o relatório da PF, o suposto jornalista teria – pelo menos – 50 mil motivos para defender as posições que defende – seja em seus textos na revista, seja em seus textos no blog que escorre pelo esgoto na internet.

50 mil motivos! Vocês acham que é muito ou pouco?

Um jornalista da “Veja” mostrava-se, já em 2009, muito preocupado com as investigações .

Fonte: http://www.conversaafiada.com.br

Castelo de Areia: bastidores do jornalismo; por que Veja e Epoca descobriram juntas corrupção tucana?

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publicada sábado, 15/05/2010 às 16:00 e atualizada sábado, 15/05/2010 às 16:09 | Comentários 0 Comentários

“Veja” e “Época” descobriram juntas a corrupção tucana.

Incrível coincidência.

As duas revistas deram, nesse fim-de-semana, reportagens (discretas, sem estardalhaço), sobre a “Operação Castelo de Areia”. Lembram? A PF descobriu – com um executivo da Camargo Correia – planilhas com doações (amplas, ilegais e muito bem escrituradas)  para políticos diversos.

A reportagem de “Veja” você pode ler aqui – http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/homem-bomba-tucano-aloysio-nunes-559591.shtml .

A de “Época” está aqui – http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI140500-15223,00-ECOS+DO+BURACO+TUCANO.html.

O estranho é que – nos bastidores da imprensa paulista -  há vários meses circula o relatório final da “Operação Castelo de Areia”, da PF.

O “Estadão” teve acesso ao relatório.  Um dos mais experientes repórteres do jornal teve o relatório em mãos. Mostrou aos chefes. Isso há quase 6 meses. Era uma pancada muito forte nos tucanos (apesar de o relatório atingir políticos de vários partidos, inclusive do PT). A ordem no “Estadão”, segundo uma fonte do Escrevinhador, foi: “esqueça isso, não vamos dar”.

O repórter – contrariado – acatou a ordem. Mas cópias do material começaram a surgir em outras redações…

A “Folha” também teria conseguido. Lá, também, o material teria sido vetado. Motivos óbvios: criava constrangimentos para  um candidato aliado.

As revistas também tinham o relatório… Isso há vários meses.

Por que, então, só agora “Veja” e “Época” entraram na história? Por que ficaram restritas a alguns nomes do tucanato, e não deram mais detalhes? Por que, na “Veja”, o alvo foi Aloysio Nunes Ferreira (homem-forte de Serra, candidato tucano ao Senado por São Paulo)?

Alguns enxergam nisso um recado a Serra, exatamente na semana em que ele resolveu declarar que é de “esquerda”, em que resolveu bater boca com a Miriam Leitão, contrariando um dos ícones do pensamento (neo) liberal – a tal “independência” do Banco Central.

A turma do Instituto Millenium estaria insatisfeita com Serra? O candidato estaria se mostrando indisciplinado, incapaz de defender o “programa” estabelecido pelo PIG? Por isso, as revistas resolveram dar uma “pitadinha” da Castelo de Areia, como a avisar: batemos no Aloysio; ou você toma jeito ou temos material guardado também contra você -  ou já esqueceu?

Não se esqueçam, caros leitores, que, nos primeiros relatos sobre a Castelo de Areia, muito antes do relaório final sair, apareciam na imprensa referências a doações ilegais para “Palácio Band” – http://www.rodrigovianna.com.br/forca-da-grana/pf-investiga-propina-pra-palacio-band-a-casa-caiu.

Rapidamente, as reportagens foram interrompidas. Para ressurgir agora…

Quem era o inquilino do Palácio dos Bandeirantes até dois meses atrás? Agora, “Epoca” e “Veja” deixaram  o Palácio de fora… 

Há outra hipótese para as matérias simultâneas de “Epoca” e ‘Veja”: as revistas estariam sabendo que uma TV de São Paulo tem o relatório em mãos, e prepara reportagens para os próximos dias? Dar o material antes (e, estrategicamente, de forma bem limitada) foi uma ”vacina”: se a notícia aparecer na TV, a turma do Serra poderá dizer “ah, mas isso aí até a “Veja” já deu…”.

Por último, uma pergunta: “Veja” não vai brindar seus leitores com a parte do relatório da PF em que um de seus supostos jornalistas aparece na suposta planilha da Camargo Correia,  lado a lado com um ex-secretário de Serra-Kassab?

De acordo com fontes desse Escrevinhador que viram o relatório da PF, o suposto jornalista teria – pelo menos – 50 mil motivos para defender as posições que defende – seja em seus textos na revista, seja em seus textos no blog que escorre pelo esgoto na internet.

50 mil motivos! Vocês acham que é muito ou pouco? 

Aliás, um jornalista da “Veja” mostrava-se, já em 2009, muito preocupado com as investigações – http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/castelo-de-areia-e-ilegalidades/

 

 

 

Fonte:  http://rodrigovianna.com.br

Decisão do TSE sobre coligações ameaça candidaturas ao Senado

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A decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de não admitir que os partidos façam coligações diferentes ao Senado e ao governo estadual ameaça candidaturas nos estados, segundo líderes ouvidos pelo G1.

Na avaliação das legendas, a decisão deixa a eleição mais polarizada em torno de partidos maiores, que dispõem de mais tempo de TV, e, portanto, têm maior influência sobre a definição dos candidatos da aliança.

Na última terça (11), ao responder a consultas feitas pelo deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e pelo senador Francisco Dornelles (PP-RJ), o tribunal afirmou que as legendas que se coligarem ao governo do estado só podem lançar dois candidatos ao Senado

. Com isso, alianças onde há três nomes ou mais para o cargo terão de optar.

Entre as candidaturas que podem ser prejudicadas está a da vereadora carioca Aspásia Camargo, do PV, que pretendia se lançar ao Senado pelo Rio de Janeiro. No estado, o candidato ao governo será o deputado federal Fernando Gabeira (PV), e a coligação vai contar com PV, DEM, PSDB e PPS. No entanto, já há outros dois nomes lançados ao Senado pelos partidos: o ex-prefeito do Rio César Maia (DEM) e o ex-deputado federal Marcelo Cerqueira (PPS).

O resultado disso seria um engessamento artificial da disputa ao Senado, que tem uma lógica diferente da lógica na disputa para governador, que é estadual, enquanto que a lógica para o Senado é nacional” Alfredo Sirkis, coordenador nacional do PV O coordenador nacional do PV Alfredo Sirkis, vereador no Rio, afirmou que o partido vai fazer uma nova consulta ao TSE sobre o tema, questionando mais diretamente se a existência de determinada coligação para governador torna obrigatória a reprodução da coligação para o Senado.

“Se o TSE decidir que sim, que precisa espelhar a mesma coligação, o prejudicado será o eleitor. (…) O resultado disso seria um engessamento artificial da disputa ao Senado, que tem uma lógica diferente da lógica na disputa para governador, que é estadual, enquanto que a lógica para o Senado é nacional”, diz.

Sirkis, que coordena a pré-campanha da senadora Marina Silva à Presidência, afirmou que a situação no Rio “é muito complicada”, mas que é preciso aguardar um novo posicionamento do TSE. “É extremamente fundamental a candidatura de Aspásia Camargo”, afirmou, descartando de imediato, porém, que isso possa influenciar na aliança com os outros partidos.

De acordo com o vereador, a decisão pode prejudicar candidaturas do partido ao Senado no Acre, no Maranhão e no Espírito Santo, já que pode não haver espaço na chapa para candidatos do PV. “No caso do Acre, por exemplo, vamos apoiar o Tião Viana, por uma decisão da Marina. Já existe uma coligação entre PT e PC do B com outros nomes (para o Senado), e não há espaço para o PV. Seria importante ter um candidato ao Senado para a Marina ter palanque, já que o Tião vai apoiar a Dilma (Rousseff, candidata do PT à Presidência).”

Sem apoio, PTB de SP lançará Romeu Tuma ao SenadoPTB anunciou que desistiu de coligação para
lançar Romeu Tuma ao Senado (Foto: Arquivo /
Agência O Globo) São Paulo
Já em São Paulo, a decisão ameaça a candidatura de Soninha Francini (PPS), que pretendia concorrer ao Senado. No estado, o PPS vai apoiar a chapa do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), que será possivelmente formada por PSDB, DEM, PMDB e PPS. Dois nomes já foram anunciados para o cargo de senador pela chapa: o ex-secretário do governo paulista Aloysio Nunes (PSDB) e o ex-governador Orestes Quércia (PMDB).

O presidente nacional do PPS, Roberto Freire (PE), diz que o partido “achou muito confusa” a resposta do TSE e que espera um novo posicionamento para saber se o partido poderá ou não lançar Soninha. “Acho que ainda precisa analisar (se a regra para coligação ao Senado e ao governo estadual deve ser a mesma) porque a eleição de senador é para o Parlamento, não para o Executivo. Cabe discussão.” Freire disse, porém, que não há possibilidade de a legenda deixar de integrar a chapa de apoio a Alckmin.

Ainda em São Paulo, a decisão da Justiça Eleitoral levou o PTB a decidir não entrar na coligação que apoia candidatura de Alckmin em razão da candidatura do senador Romeu Tuma à reeleição. O partido vai sair sozinho e apoiar extraoficialmente a chapa liderada pelo tucano

. Com isso, porém, vai ter menos tempo de propaganda eleitoral.

Secretário-geral do PC do B, Walter Sorrentino diz que candidatura do partido ao Senado em Minas pode ser prejudicada por aliança com PT, PMDB e PR. Minas
Em Minas Gerais, o PC do B agora avalia se irá se coligar a PT, PMDB e PR na eleição ao governo do estado e, com isso, abrir mão da candidatura ao Senado, segundo o secretário-geral da legenda, Walter Sorrentino. Na chapa Fernando Pimentel-Hélio Costa, ou vice-versa, uma vaga do Senado deve ser do PR. A outra, do PT ou PMDB. O nome que os comunistas pretendiam lançar ao Senado, José Vieira Filho, ficou sem espaço.

Sorrentino afirma que a decisão sobre coligações é um direito dos partidos. “Posso me coligar ao governo e não me coligar ao Senado”, protesta. Segundo o secretário-geral do PC do B, o “estrago” nas discussões sobre alianças ainda não foi calculado, mas é certo que as eleições ficarão mais polarizadas em torno dos partidos maiores.

A tese é apoiada pelo secretário de Comunicação do PT, deputado André Vargas (PR), para quem as eleições majoritárias “são para gente grande” e partidos que têm tempo maior de TV. Ele afirma que a possibilidade de dividir as coligações para lançar mais candidatos ao Senado não estava nos planos do PT em nenhum estado.

Paraná
Apesar disso, o PT vive um impasse semelhante ao reproduzido nas consultas. No Paraná, o partido quer lançar Gleisi Hoffmann ao Senado. Na base, há outros nomes colocados, como o do senador Osmar Dias (PDT) e do ex-governador Roberto Requião (PMDB). Orlando Pessuti, vice de Requião, assumiu o governo e pode se candidatar à reeleição. “Não sabemos se temos dois candidatos ao governo ou se três ao Senado. Alguns setores do PMDB estão decididos a lançar dois candidatos ao Senado. Aí você tem que fazer uma escolha. Isso pode estimular outra composição que fortaleça o Osmar. Ele pode virar candidato ao governo já que tem três candidatos ao Senado”, analisa.

Autor de uma das consultas, o deputado Eduardo Cunha diz que a decisão do TSE é uma “verticalização estadual”. Ele minimiza o fato de a consulta ter sido respondida negativamente e diz que a decisão não atrapalha o PMDB.

Cunha também ressalva que a consulta não serve apenas para o PMDB, mas também para partidos que querem se coligar com o PMDB e não poderão indicar nomes ao Senado por falta de “vaga” na coligação. “O PSC no Rio quer se juntar à coligação com o PMDB, e vai ter que optar: ou lança candidato a senador ou se coliga com a gente.”      G1


Fonte: www.camera2.com.br

Presidente da Fiergs, PauloTigre, está na comitiva de Lula a Rússia e Irã

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Vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria e presidente da Fiergs, Paulo Tigre, integra a comitiva da Presidência da República a Rússia, o Catar e o Irã, a partir desta sexta (14).

Fonte: www.camera2.com.br

Diz o blogueiro – lamentável é determinado e bem conhecido segmento da imprensa nacional deitar o laço no lombo do Presidente Lula por viajar ao exterior. Quando o faz  ele se faz acompanhar de líderes dos  segmentos da indústria e comércio, prospectando assim negócios às empresas nacionais.

Dilma no RS

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Lançado comitê suprapartidário pró-Dilma

Porto Alegre/RS – A pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, participou nesta última terça-feira (11/05) do lançamento de seu comitê suprapartidário que contará com aliados do PT, PSB, PC do B, PDT e PPL. O evento ocorreu em Porto Alegre, durante jantar no clube Farrapos. A ex-ministra chegou ao local por volta das 10 horas da noite aplaudida de pé pelos cerca de mil militantes e lideranças políticas que lá estiveram sob o coro “Brasil, pra frente. Dilma presidente”.

Partidos que não compõem formalmente o comitê também estiveram representados: como o PTB, da prefeita de Santa Cruz do Sul, Kelly Moraes e do PP, da vice-prefeita de Canoas, Beth Colombo. Elas manifestaram apoio ao projeto de eleição da petista ao Palácio do Planalto. “Convoco todas as mulheres para apoiarem a Dilma. As mulheres estão honradas de estar na tua campanha”, disse a petebista durante discurso. Kelly também demonstrou simpatia por Tarso Genro, pré-candidato do PT ao Piratini. “O meu partido ainda não tomou uma decisão, mas o Tarso sabe que tem um lugar especial no meu coração. Te desejo toda a sorte”, afirmou Kelly. Já Beth Colombo ressaltou sua presença no ato de apoio a Dilma por um “sentimento de gratidão”. “Estou aqui como vice-prefeita de Canoas. Meu partido ainda não se definiu, mas me sinto à vontade de estar aqui com Dilma”, afirmou.

Em seguida, foi a vez do presidente nacional da legenda discursar em favor de Dilma. José Eduardo Dutra foi categórico ao críticar a oposição que, na sua avaliação, não consegue ser original. “Há 8 anos diziam que o Lula não poderia governar o país porque nunca havia administrado um carrinho de pipoca. Hoje ele tem o nome escrito na trajetório do Brasil como o maior presidente da nação”, ressaltou.

Dutra também empolgou os gaúchos ao afirmar que o Rio Grande do Sul conhece como ninguém quem é a companheira Dilma. “Ela foi secretária da fazenda de Porto Alegre no governo Collares, foi secretária de Minas e Energia nos governos Collares e Olívio Dutra, ministra de Minas e Energia e ministra da Casa Civil no governo Lula”.

Outro apoiador bastante animado foi Alceu Collares. Ele chegou a brincar com Dilma, ao dizer que ela havia se alfabetizado no PDT — sua sigla de origem — e feito pós-graduação no governo federal e deixou a platéia eufórica ao afirmar que antes de Barack Obama ser eleito o primeiro presidente negro dos Estados Unidos ele foi eleito o primeiro governador negro do Rio Grande do Sul.

190 milhões de caras
Ao discursar por cerca de 30 minutos a pré-candidata falou do prazer de estar em Porto Alegre novamente. “Este evento representa um encontro comigo mesma, com minha história política. Vejo aqui neste grande salão faces que fazem parte dos grandes momentos da minha vida”.

Dilma frisou, por diversas vezes, a importância do coletivo e afirmou as qualidades do governo Lula. “Nós somos aqueles que têm um projeto, porque construímos o presente. Abre-se diante de nós uma nova era de prosperidade”.

Ela assumiu também a responsabilidade de acabar com a pobreza no país. “Nós podemos afirmar que nesta década que se inicia em 2011, iremos erradicar a miséria no Brasil. Só nós temos essa autoridade. Vamos erradicar a discriminização e a opressão, sempre respeitando os movimentos sociais”, disse ela, emendando em alto e bom tom que “o Brasil pode, O Brasil vai sair da situação de emergente e virar uma das principais economias”. Segundo a pré-candidata, o país não pode crescer sequer 1% na área da economia se não crescer também na área social.

Dilma aproveitou ainda para exaltar a passagem de Tarso pelo governo federal. “O companheiro Tarso tem grande contribuição prestada ao Brasil em duas áreas estratégicas. Na educação e na área da segurança pública. E Nós sabemos que não haverá educação de qualidade sem respeito ao professor”.

Referindo-se às mulheres, lembrou: “52% dos brasileiros são mulheres no Brasil. Os 48% restantes são nossos filhos”, disse ela, acrescentando que “nós não queremos ser a metade do céu. Nós queremos ser a metade da terra. Nós temos sensibilidade para isso. Nós somos sensatas e corajosas”.

Ao finalizar em grande estilo, comentou uma passagem vivida por Lula: “O presidente Lula foi chamado pelo presidente Obama: ele é o cara. Lula sorriu, chegou para nós e disse: o que ele não sabe e nós sabemos é que o Brasil tem 190 milhões de caras”.


Presenças
No palco, ao lado da petistas, estiveram presentes o pré-candidato do PT ao Piratini, Tarso Genro, os ex-governadores Olívio Dutra e Alceu Collares (PDT), o presidente Nacional do PT, José Eduardo Dutra, o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati (PDT), a prefeita de Santa Cruz do Sul, Kelly Moraes (PTB), a vice-prefeita de Canoas, Beth Colombo (PP), o presidente do PT-RS, deputado Raul Pont. Prestigiaram a ex-ministra ainda, Romildo Bolzan, Presidente Estadual do PDT, Caleb Oliveira, Presidente Estadual do PSB, Mari Peruso, Presidente Estadual do Pátria Livre, Adalberto Frasson, Presidente Estadual do PCdoB e os deputados Raul Carrion (PCdoB), Adão Villaverde e Marisa Formolo.

A bancada de vereadores do PT na Câmara de Porto Alegre também marcou presença no jantar. Adeli Sell (na foto acima com Júlio Garcia e com o ex-presidente do PT/RS, Júlio Quadros, pré-candidato à dep. estadual), Aldacir Oliboni, Carlos Comassetto, Carlos Todeschini, Maria Celeste, Mauro Pinheiro e Sofia Cavedon foram conferir de perto o discurso de Dilma.

Texto e fotos: Tatiana Feldens – Asscom PT-POA

(Edição deste blog)

Postado por JÚLIO CÉSAR SCHMITT GARCIA 0 comentários  

fonte:  http://jcsgarcia.blogspot.com/

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