Sobreviventes do Holocausto e seus parentes pedirão a um rabino de Roma que diga ao papa Bento 16, durante visita do pontífice a uma sinagoga no fim de semana, sobre a dor que eles sentem por verem a possibilidade de que o papa Pio 12 (1939-58) seja canonizado.
“A decisão do papa Bento 16 de promover a candidatura de Pio 12 à santidade transmitiu ondas de choque por toda a minguante comunidade mundial de sobreviventes do Holocausto”, disse a mensagem que o grupo pretende entregar ao rabino-chefe Riccardo di Segni.
A agência de notícias Reuters teve acesso nesta segunda-feira a trechos da mensagem preparada pela Reunião Americana de Sobreviventes do Holocausto e Seus Descendentes, que será entregue na quarta-feira a Di Segni. O rabino receberá o papa no domingo na sinagoga.
Os signatários apelam ao rabino para que “transmita nossa dor e emoção ao papa Bento quando ele for recebido pelo sr. na sinagoga principal no domingo”.
Grupos judaicos criticaram Bento 16 por aprovar no mês passado um decreto reconhecendo as “virtudes heróicas” de Pio 12, acusado por alguns judeus de fazer vista grossa ao Holocausto.
Pontífice durante a Segunda Guerra (1939-1945), Pio 12 pode ser beatificado e canonizado (transformado em santo), mas o processo ainda pode levar anos. Grupos judaicos queriam congelar o processo até que mais arquivos do Vaticano sejam abertos a acadêmicos.
“Acreditamos que o papa deva ser recebido com amor no coração e braços abertos. Nesse espírito, porém, a fidelidade à verdade e à memória deve ser vigorosamente afirmada”, diz a mensagem.
“O histórico de silêncio de Pio durante o período da barbárie nazista contra o povo judeu é um sinal de fracasso moral. Nossos repetidos apelos para que as declarações do Vaticano de que Pio agiu para salvar vidas judaicas sejam documentadas por meio da abertura dos arquivos relevantes do Vaticano têm sido recebidas com silêncio”, acrescenta a carta.
Em uma homenagem a Pio 12 em 2008, Bento 16 insistiu que o antecessor trabalhou silenciosamente nos bastidores para salvar o maior número possível de judeus, mas também determinara o congelamento do processo até que os arquivos do Vaticano do período da guerra sejam abertos aos pesquisadores. O Vaticano argumenta intervenções mais diretas poderiam ter piorado a situação para judeus e católicos da Europa.
Em março do ano passado, o Vaticano divulgou documentos que mostram ordens de Pio 12 para que mosteiros dessem cobertura aos judeus perseguidos pelos nazistas.
O “Memorial das Religiosas Agostinianas do Mosteiro dos Quatro Santos Coroados de Roma” traz a seguinte mensagem: “O Santo Padre quer salvar todos os seus filhos, também os judeus, e ordena que os mosteiros deem hospitalidade a estes perseguidos”.
Autoridades israelenses e grupos judaicos disseram na época que, enquanto os arquivos do Vaticano sobre o papado de Pio 12 permanecem fechados para os pesquisadores, a questão sobre o que o pontífice fez ou não fez para salvar os judeus continua sem solução.
Na mensagem a ser entregue nesta semana, a Reunião Americana de Sobreviventes do Holocausto e Seus Descendentes, que representa 80 mil famílias, diz que “grande parte da nação italiana e de instituições católicas individuais” tentaram ajudar judeus durante o Holocausto, mas que “o Vaticano não apresentou documentos para mostrar que Pio estivesse entre eles”.
O Vaticano diz que os arquivos vão demorar a ser abertos devido ao enorme número de documentos envolvidos.
Polêmicas
O pontificado de Bento 16 tem sido marcado por pontos de atrito entre o Vaticano e alguns grupos judaicos.
Em 2007, o papa enfureceu muitos judeus ao suspender restrições a missas em latim com o rito tridentino, que contém uma oração pela conversão dos judeus. A Associação dos Rabinos Italianos decidiu, em resposta à decisão sobre a missa, boicotar as celebrações do dia anual de diálogo inter-religioso entre judeus e cristãos, no dia 17 de janeiro, instituído pelo papa João Paulo 2º como uma forma de combater o antissemitismo.
Em janeiro do ano passado, o Vaticano determinou a reabilitação do bispo Richard Williamson, cuja excomunhão foi suspensa junto às de outros três bispos tradicionalistas expulsos da igreja nos anos 80 por terem sido ordenados sem a permissão do papa João Paulo 2º. Depois de anunciado o perdão papal, foi ao ar uma entrevista em que Williamson negou a extensão do Holocausto. Williamson disse acreditar que não existiram câmaras de gás e que não mais do que 300 mil judeus pereceram em campos de concentração nazistas, em vez do total de 6 milhões afirmado pelos historiadores.
Em meio a uma forte reação internacional, o papa exigiu que Williamson se retratasse, dizendo que negar o Holocausto é “totalmente inaceitável”. Em março, após ser expulso da Argentina, Williamson pediu perdão pelas declarações sobre o Holocausto, mas não rejeitou o que dissera. Nem o Vaticano nem grupos judaicos aceitaram o pedido.
Na época do escândalo, o Vaticano informou que o papa não sabia dessas declarações de Williamson e o próprio Bento 16 admitiu, em uma carta a bispos, que a igreja tinha de aprender a usar apropriadamente a internet, onde eram disponíveis comentários semelhantes de Williamson antes do perdão.
Em julho, Bento 16 removeu o cardeal Darío Castrillón Hoyos da presidência do departamento responsável pela reaproximação com o grupo dissidente tradicionalista, visto como responsável pelo episódio.
Dias antes do início da polêmica em torno de Williamson, o cardeal Renato Martino, presidente do Conselho Pontifício de Justiça e Paz do Vaticano, disse que a faixa de Gaza, durante uma ofensiva de 22 dias das Forças Armadas de Israel, assemelhava-se a um campo de concentração.
Fonte: www.camera2.com.br
Diz o blogueiro – já escrevi certa feita e repito agora. O “Homo burrus”, assim defino o ser humano, num passado muito distante criou a moeda como instrumento de troca e igualmente a religião como forma de buscar compreender sua origem e existência. Da moeda derivou o capital e toda vez que capital e religião se juntam dá merda. As religiões são um grande negócio para quem vive delas. A de Roma, esta está fadada ao desaparecimento, pois continua com a mentalidade no medievo e tem em seus quadros um número difícil de estimar de tarados sexuais.
Advogado de Storni diz acreditar que bispo cumprirá pena domiciliar




Comentários Recentes