Praia de Xangri-Lá

Saiba tudo o que REALMENTE acontece em Xangri-Lá

Categoria: Noticias (Page 2 of 3271)

A MORTE DO NEOLIBERALISMO? Os Caminhos da Economia Global No Pós-pandemia

602x338_cmsv2_081071de-f9f4-5341-9512-94f5f494f45f-4543812

Foto: medidas de combate à  COVID 19 na China

Autor: Sandro Ari Andrade de Miranda, advogado, doutorando em sociologia

No momento em que este artigo está sendo escrito, segundo indicadores oficiais, a pandemia de COVID-19 já infectou em todo o mundo 660.064 pessoas, com 30.641 vítimas fatais. Destas, 480.500 pessoas estão situadas em 5 das grandes potências econômicas globais, mais a Itália e a Espanha. Do G7, apenas o Canadá e o Japão, com eficientes sistemas de saúde pública, permanecem longe do caos. Outro país que ainda não apresenta números de pânico é a Rússia (1.264 casos). Detalhe, tudo isto em apenas 3 meses, período em que a OMS já indicava o risco de pandemia. Os Estados Unidos, país que ignorou as orientações da Organização Mundial de Saúde, na tentativa de insular a doença no seu maior concorrente no mercado internacional, a China, é o local com maior número de doentes, 123.428, mas estima-se que os níveis de contaminação sejam 10 à 14 vezes maior em face da subnotificação, da ausência de um sistema público de saúde e de rigoroso controle epidemiológico, como se observa na potência asiática e nos países europeus.

Mas se o número crescente de doentes e de vítimas fatais assusta o planeta, com as imagens de ruas vazias, hospitais e ginásios de esporte lotados e caixões circulando em comboio, não menos assustador é o cenário econômico. Na China, pela primeira vez neste século, o PIB deve ser zerado. Na Europa e no Japão fala-se abertamente em PIB negativo e recessão. Nos EUA, apesar da negativa do Governo Trump em tratar do tema, todas as empresas de que atuam no mercado indicam queda do PIB em dois dígitos, a J. P. Morgam fala em queda de 14%. Apesar da tentativa do Ministério da Economia em esconder a realidade, o Brasil, país em que a moeda dissolveu entre 2019/2020, deve caminhar para a mesma situação dos EUA.

Embora a situação dos indicadores econômico seja catastrófica em todo o planeta, alguns fatores ficaram evidenciados: 1) que o movimento negacionista sustentado pela extrema direita (EUA, Itália, Brasil) agravou ainda mais a situação; 2) países com eficiente sistema de proteção social (especialmente na União Europeia e Ásia) devem sofrer um impacto menor do que onde prevalece a doutrina do livre mercado (EUA, Brasil); 3) o único caminho eficiente para garantir um nível mínimo de estabilidade é uma forte intervenção do estado na economia; e 4) a ausência de políticas ambientais, educacionais e de pesquisa eficientes pode devolver o planeta ao caos e abrir espaço para outras pandemia. Um quinto alerta relevante é o fato desta ser a segunda pandemia do século XXI, que se demonstrou mais grave exatamente pelo fato do planeta mostrar-se menos aberto ao diálogo e à ação conjunta do que na época do H1N1. Novamente, a extrema direita e seu apego a soluções doutrinárias, políticos populistas e discurso milenarista contribuiu, e muito, para o caos. Vamos analisar cada um dos tópicos.

Itália e Estados Unidos são o símbolo de países onde o negacionismo da ciência e a demora na adoção de medidas rigorosas de controle sanitário contribuíram para o agravamento da pandemia, disseminação da doença e aumento das fatalidades. A Espanha, onde a extrema direita cresceu em regiões como o País Basco, também vem sofrendo muito com o caos, até porque o vírus sofreu uma mutação agressiva neste país. Também são países onde doutrinas religiosas extremistas, incrustadas na economia, também contribuíram para a situação dramática. Não faz muito tempo doenças como o sarampo e a caxumba faziam vítimas nos postos elevados da política italiana em razão das campanhas antivacinas. Alguns governos locais, como o da cidade de Milão (a que possui o maior número de vítimas fatais por COVID19 no planeta), chegaram a suspender as medidas de controle alegando baixo número de contaminados pouco depois dos primeiros casos. Hoje a cidade contabiliza mais de 4 mil mortos pela doença.

O contraponto à estratégia italiana na Europa é a Alemanha. Com a adoção de regras preventivas voltadas ao isolamento social e incentivo financeiro para os trabalhadores, os alemães apresentam a menor taxa de mortalidade entre os países com o maior número de infectados, 0,7%. Na Itália o índice já é de 10,7%. Além disto, mesmo comandada por um governo conservador, a Alemanha vem aumentando a interferência no estado na economia há algum tempo, em especial desde a crise global de 2008, com retomada de serviços de energia, água e transporte pelo estado, fomento à nacionalização das empresas, além do aumento dos recursos destinados à educação e à pesquisa científica e do fortalecimento das políticas ambientais. A tendência é que mesmo em recessão inicial, com poucos doentes e estruturas econômicas mais sólidas, o país do centro da Europa retome a atividade econômica com mais tranquilidade do que os italianos, que mergulhados no caos vão precisar muito de ajuda internacional.

A caótica situação econômica vislumbrada pelos pelos países em todo o mundo faz com que analistas econômicos falem na implementação de um novo Plano Marshall, em alusão ao projeto aplicado pelo Governo dos Estados Unidos no pós-guerra para reconstrução da Europa devastada, fortalecendo o poderio do capitalismo e do dólar em todo o planeta. No entanto, embora pertinente a preocupação com o retorno do estado à economia, algumas questões problemáticas devem ser observadas: 1) ao contrário de 1946, os EUA apresentarão um dos piores resultados econômicos globais da sua história ao final da crise e os problemas internos serão tão pesados quanto os da crise de 1929; 2) o modelo de industrialização produtivista e sem preocupação com as questões ambientais é um dos causadores dos crescimento de epidemias e pandemias virais pelo mundo; 3) o modelo do Plano Marshall foi alimentado pela exploração intensiva de matéria-prima da periferia, o que beneficiou o bem estar material dos trabalhadores dos países centrais, lógica que já se comprovou desumana e fomentadora de pobreza, fome e de doenças epidêmicas (algumas com potencial pandêmico, como o ebola e a SARS); 4) o Plano Marshall não confrontou as questões éticas da acumulação sem distribuição, agravando as desigualdades em países onde as políticas de bem-estar não foram implementadas; e 5) o Plano Marshall foi alicerçado na corrida armamentista e teve como contrapartida a expansão do poderia militar dos EUA, outro fator incompatível com um desenho político futuro no pós-pandemia, no qual será necessário derrubar fronteiras.

Desta forma, ao contrário do sustentado pelos economistas neoliberais e liberais ortodoxos, o projeto para reconstrução das economias pós-pandemia em termos globais vai depender de uma série de medidas relevantes que aumentem a presença do estado na economia, distribuição de renda e reduzam os danos sobre o meio ambiente. Aqui são listadas alguns exemplos de medidas que poderiam ser observados: 1º) aumentar a participação do estado direta na economia, não apenas como fonte de fomento, mas como agente ativo no planejamento das ações; 2º) estatização de serviços públicos essenciais, como abastecimento água, energia e telecomunicações; 3º) esforço mundial para redução dos problemas de saneamento e de subabitação, com aumento dos repasses de agências internacionais de fomento e das grandes economias para os países periféricos; 4º) diminuição radical das emissões atmosféricas dos países, com abandono das matrizes econômicas poluidoras e restrição ao comércio de produtos que degradam o meio ambiente e destroem habitats naturais (como a soja, mineração, dentre outras); 5º) foco na implementação de economias de serviços voltados ao interesse coletivo, como saúde, educação, pesquisa, proteção do meio ambiente, infraestrutura, dentre outras; 6º) abandono das políticas econômicas monetaristas, que se sustentam no corte e redução das despesas, investimentos e serviços públicos; 7º) ampliação das esferas de participação social e da governança global multilateral, substituindo a orientação militar para modelos voltados à colaboração; 8º) extinção das políticas de embargos econômicos, que prejudicam as populações e favorecem interesses econômicos de grupos, pelo investimento direto na melhoria da qualidade de vida das populações com respeito à soberania dos países; 9º) fomento à pesquisa de interesse coletivo e social por meio de fundos internacionais, com foco em meio ambiente, saúde coletiva e redução das desigualdades sociais; e 10º) universalização dos serviços de saúde público, com ampliação dos programas de graduação e pós-graduação em regiões onde existe pouco acesso a médicos, serviços de enfermagem e de nutrição.

Como se observa, embora factíveis tais propostas confrontam interesses de grandes oligopólios industriais, financeiros e militares, além das pretensões geopolíticas de muitos países que tentam ganhar espaço com a pandemia. No entanto, e isto é certo, a ausência de ação voltada à inclusão das populações menos favorecidas pode resultar no avanço do populismo de direita, com seu discurso oportunista e anacrônico, o que pode determinar tragédias ainda maiores. Lembrar que depois da gripe espanhola o mundo demorou a agir e enfrentou a crise de 1929 e o nazismo. Desta forma, além de abandonar a ética da acumulação e do egoismo, talvez fosse interessante abrir os livros de história com mais frequência para evitar a repetição dos mesmos erros.

Copiado de:  https://sustentabilidadeedemocracia.wordpress.com/2020/03/29/a-morte-do-neoliberalismo-os-caminhos-da-economia-global-no-pos-pandemia/

Favelas, seus barracos insalubres e epidemias

quinta-feira, 26 de março de 2020

Já ao tempo de Victor Hugo, cuja sensibilidade social é inequívoca, em Os Miseráveis,  colocou na boca do bom bispo Myriel, as seguintes palavras:
Imaginai um montão de pessoas, uma família numerosa composta de velhos e crianças, vivendo juntas em cada um desses domicílios
sem ar nem luz e pensai nas febres e epidemias a que isto pode dar origem! 
 
Pois bem: a maioria da classe média e dos ricos só atenta para as comunidades pobres – os bairros de lata, papelão e lona plástica – quando um deles pega fogo e desaparece, sendo consumido todos os poucos bens dos miseráveis e, ainda assim, para festejar o acontecimento, que livrou um monte de vizinhos daquela “presença incômoda”.
Copiado de:  http://izidoroazevedo.blogspot.com/2020/03/favelas-seus-barracos-insalubres-e.html

Repto aos amigos confinados

sábado, 28 de março de 2020

Recluso em casa, ansioso, quase desesperado, assaltas a geladeira, os armários, o bar de casa.Toma tento, pois, a gulodice castiga o glutão. Gula punit Gulax.

As indigestões são encarregadas por Deus de moralizar os estômagos.  (VICTOR HUGO – Os miseráveis).

Lembra-te de que, enquanto te empanturras na fartura dos teus guardados, devorando teus estoques, muitos outros passam fome e miséria; impõe disciplina e moderação ao teu apetite, mesmo que não te importe a sorte alheia, mesmo que pensando somente no teu próprio bem.

Seria irônico escapar de uma “gripezinha”, ou  “refriadinho” e morrer vítima de severa e incontrolável indigestão!!!

Em todas as coisas é preciso escrever a tempo a palavra finis; quando isso se torna urgente é forçoso que cada um se contenha, que corramos os ferrolhos sobre o nosso apetite.

Na “quarentena” (que nem sempre é de 40 dias, no dizer impensado de muitos), aproveita para refletir sobre a vida, controla tua ansiedade e apetite, como se fosses muçulmano a cumprir o Ramadã, desde que o sol nasce até o poente.

E quando essa praga dissipar-se, volta ao convívio social ostentando um perfil mais “enxuto”, livre daquela barriguinha de consumidor de cerveja, com aspecto saudável, um quase-atleta, pronto para bem viver.

Copiado de:  http://izidoroazevedo.blogspot.com/2020/03/repto-aos-amigos-confinados.html

Vídeos: Bolsonaro diz que loterias “tem vidro blindado” e “vírus não passa” e brasileiro pula no esgoto e nada acontece

Share to WhatsAppShare to LinkedIn

Foto: Reprodução

O presidente Jair Bolsonaro disse acreditar que a pandemia de coronavírus não causará no Brasil danos na mesma magnitude da que ocorre nos Estados Unidos. E atribuiu isso a uma suposta resistência da população aos microorganismos, dizendo que o brasileiro mergulha no esgoto “e não acontece nada com ele”.

“Eu acho que não. Eu acho que não vai chegar a esse ponto – respondeu. – Até porque o brasileiro tem que ser estudado. Ele não pega nada. Você vê o cara pulando em esgoto ali, sai, mergulha, tá certo? E não acontece nada com ele”, afirmou.

O presidente Jair Bolsonaro defendeu a reabertura de casas lotéricas determinada por ele com o argumento de que o vidro blindado impede a contaminação pelo novo coronavírus.

“Pelo amor de deus, fechar casa lotérica, pelo amor de deus… Inclusive, o cara que trabalha na lotérica tem um vidro blindado. Quer dizer… Não vai passar o vírus ali… O vidro é blindado! Ele não vai passar”, declarou o presidente. Veja nos vídeos acima.

O conteúdo deste blog é livre e seus editores não têm ressalvas na reprodução do conteúdo em outros canais, desde que dados os devidos créditos.

Cúpula militar dá primeiros sinais de apoio à troca de Bolsonaro por Mourão

Informação é do jornalista Afonso Benites, do El Pais, que fala nas possibilidades de impeachment ou renúncia, após as reações irresponsáveis de Jair Bolsonaro à pandemia de coronavírus

O risco de se apostar todas as fichas em Mourão
O risco de se apostar todas as fichas em Mourão (Foto: Reuters)

247 – Os militares já estão prontos para apoiar a substituição de Jair Bolsonaro por Hamilton Mourão, segundo informa o jornalista Afonso Benites, do El Pais. “A cúpula das Forças Armadas acendeu um sinal de alerta nos últimos dias diante das reações do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) à crise do novo coronavírus. Nesta semana, representantes da Aeronáutica, Exército e Marinha sinalizaram ao até então nem tão bem-quisto vice-presidente, general Hamilton Mourão (PRTB), que poderiam contar com o apoio deles, caso o ocupante do Palácio do Planalto deixasse o cargo por meio de um impeachment ou renúncia”, diz ele, em reportagem.

Embora o debate sobre renúncia ou impeachment não seja de curtíssimo prazo, o debate sobre a incapacidade e a irresponsabilidade de Bolsonaro tem se intensificado. “Militares têm feito seguidas reuniões em Brasília, inclusive com aliados de Bolsonaro e membros civis de seu primeiro escalão. Nesta semana, ao menos dois encontros ocorreram. Neles foram debatidos cenários hipotéticos para o médio e longo prazo”, informa o jornalista. “O grupo está preocupado com um possível aumento repentino de registros e mortes provocadas pela doença e que isso seja vinculado ao discurso negacionista feito por Bolsonaro sobre a gravidade da Covid-19.”

Um exemplo de canalhice jornalística

AddThis Sharing Buttons

Share to WhatsApp

Share to Imprimir

27/03/2020 11:22

(Damon Winter/The New York Times)

Créditos da foto: (Damon Winter/The New York Times)

Uma opinião contraditória

por César Locatelli

O título do texto assinado por Thomas L. Friedman, no NYT de 22 de março, estampa: “Um plano para levar a América de volta ao trabalho”. A linha fina diz: “Alguns especialistas dizem que isso pode ser feito em semanas, não meses – e a economia e a saúde pública estão em risco”.

O plano

O plano é basicamente deixar quase todo mundo voltar a levar vida normal, tratar os infectados como se trata para influenza e isolar aqueles mais vulneráveis. Diz o articulista “Uma abordagem cirúrgica vertical se concentraria em proteger e sequestrar aqueles entre nós com maior probabilidade de serem mortos ou sofrerem danos a longo prazo pela exposição à infecção por coronavírus – ou seja, idosos, pessoas com doenças crônicas e imunologicamente comprometidas – enquanto se trataria basicamente o resto da sociedade da maneira como sempre lidamos com ameaças conhecidas como a influenza”.

O título, o subtítulo e esse parágrafo nos levam a concluir que já existe um plano, que o plano é viável, que conhecemos bem o vírus e sua letalidade, que temos os meios necessários. A única dúvida é quanto ao número de semanas para se voltar ao business as usual.

O que falta responder

Pois bem, ao ler o artigo identificamos incertezas e desejos: “precisamos fornecer mais leitos hospitalares, equipamentos de tratamento para quem vai precisar e equipamentos de proteção, como máscaras N95, para médicos e enfermeiras que cuidam de pacientes infectados por vírus. Isso é urgente!”

Como o jornalista afirmou “precisamos de mais…”, fica evidente que não estão disponíveis leitos e equipamentos suficientes. Com quase todos voltando à vida normal, que é o plano proposto, é de se esperar que essas carências se agudizem. A reaproximação social fará com que os casos cresçam exponencialmente. Das poucos coisas que se sabe, uma é o altíssimo poder de contaminação do vírus. Só isso já balança a lógica do plano, mas tem mais.

A letalidade tampouco é conhecida: “Dr. John P.A. Ioannidis… apontou em um ensaio de 17 de março no statnews.com, que ainda não temos uma compreensão firme da taxa de mortalidade de coronavírus em toda a população. Uma análise de algumas das melhores evidências disponíveis atualmente indica que pode ser de 1% e até menor”.

O parágrafo seguinte começa com: “Se essa é a verdadeira taxa…” Ora, a leitura deveria ser interrompida aqui. Se a letalidade não é conhecida de que adianta conjecturar? Corrigindo. Claro que a conjectura tem sua utilidade: passar uma imagem impactante – para ajudar a convencer os leitores de que o plano é ótimo – de um elefante pulando de um penhasco: “trancar o mundo com consequências sociais e financeiras potencialmente tremendas pode ser totalmente irracional. É como um elefante sendo atacado por um gato doméstico. Frustrado e tentando evitar o gato, o elefante acidentalmente pula de um penhasco e morre”, complementa o Dr. Ioannidis.

Como é possível estimar a letalidade se até testes estão em falta? Outro entrevistado, Dr. David L. Katz, confirma que faltam testes, em outra conjectura: “Quando demitimos trabalhadores e faculdades fecham seus dormitórios e mandam todos os estudantes para casa”, observou Katz, “jovens de status infeccioso indeterminado estão sendo enviados para casa para se reunir com suas famílias em todo o país. E como nos faltam testes generalizados, eles podem estar portando o vírus e transmitindo-o aos pais de 50 e poucos anos e aos avós de 70 ou 80 anos.”

Claro que ele quer concluir que seria melhor deixar os trabalhadores e os estudantes em plena convivência. Mas o importante aqui é perceber que ele sabe que faltam testes. O que temos até aqui? Um plano para que o convívio social volte à normalidade, mesmo sabendo que faltam leitos e equipamentos para cuidar daqueles com quadros mais graves, mesmo desconhecendo-se a taxa de de letalidade e mesmo sabendo que a falta de testes implica desconhecimento até do número de casos. Mas tem mais.

O Dr. Katz assume, igualmente, que não se sabe a razão de jovens morrerem: “É por isso que também devemos usar esse período de transição de duas semanas (ou mais, se for o que o CDC decidir) para estabelecer por meio da análise de dados os melhores critérios possíveis para diferenciar os especialmente vulneráveis dos demais. Por exemplo, algumas pessoas mais jovens foram mortas por coronavírus. Precisamos entender melhor o porquê. Katz diz que há pesquisas que sugerem que muitos deles também tiveram outras condições médicas crônicas graves, mas isso precisa de mais dados e análises. A determinação de quem exatamente tem em alto risco deve se basear nos dados mais atuais e devem ser rotineiramente atualizados pelas autoridades de saúde pública relevantes.”

Faltam dados e faltam análises, na opinião dele. Não se sabe a razão de jovens terem morrido. Não se sabe exatamente quem são os mais vulneráveis. Poderíamos encerrar o caso, mas tem mais.

Ainda não se tem certeza de que quem se recupera do vírus fica imune. Diz Katz: “também gostaríamos de confirmar cuidadosamente que, depois de se recuperar da Covid-19, você fica imune a obtê-la ou espalhá-la novamente por um período de tempo. A maioria dos especialistas acredita que isso seja verdade, disse Katz, mas houve alguns relatos de reinfecção, e o assunto não está resolvido.”

Correndo o risco de ser repetitivo, o que extraímos deste texto até aqui? Ele revela um plano para abolir o confinamento geral e restringir a distância social àqueles mais vulneráveis. Sabe-se que não há testes suficientes, assim, não se tem conhecimento com razoável precisão do número de casos, tampouco se tem segurança da taxa de letalidade. Sabe-se que não há leitos nem equipamentos suficientes para dar conta de um plano que certamente multiplicará os casos de infecção. Sabe-se que há casos fatais em jovens, mas desconhece-se a razão, o que implica impossibilidade de estabelecer com alguma segurança o grupo vulnerável. Não se sabe se aqueles que tiveram a infecção e se recuperaram tornaram-se imunes e deixam de transmitir o vírus.

A atitude do repórter frente ao que apurou

O jornalista não teme criticar a solução de distanciamento social, adotada até agora em inúmeros países. Não teme revelar sua própria avaliação e dizer que uma ideia é boa ou ruim. Não teme usar argumentos demagógicos para sensibilizar o leitor e se colocar como um mero mensageiro: “Eu não sou um médico especialista. Sou apenas um repórter – que teme por seus entes queridos, por seus vizinhos e por de pessoas de todos os lugares, tanto quanto por qualquer pessoa”.

Ele rasga elogios ao plano cirúrgico horizontal do Dr. Katz: “Uma das melhores ideias com que me deparei foi oferecida pelo Dr. David L. Katz, diretor fundador do Centro de Pesquisa em Prevenção de Yale-Griffin. E prossegue: “A abordagem de Katz é sóbria e esperançosa”.

Interessante dizer que não é médico, mas um reles repórter, e ter capacidade de avaliar o plano como “uma da melhores ideias com que me deparei” e, ainda, que a abordagem é “sóbria e esperançosa”

Embora deixe clara sua posição contrária ao isolamento completo em curso e seu apoio ao plano de volta rápida ao trabalho, ele ressalta a nobreza de sua atitude: “Eu as [as ideias] compartilho porque tenho certeza de que precisamos ampliar o debate – tenho certeza de que precisamos de menos mentalidade de rebanho e mais imunidade de rebanho – ao aceitarmos nossa escolha infernal.”

Opa, imunidade de rebanho era a solução do primeiro-ministro inglês, Boris Johnson, que foi demovido rapidamente da ideia e testou positivo para coronavírus. Mas nosso jornalista sabe que precisamos de mais imunidade de rebanho, sem saber se quem é infectado e se recupera cria imunidade. Que primor!

O auge da demagogia

O pior está no final do texto: “Ou deixamos muitos de nós pegar o coronavírus, recuperar e voltar ao trabalho – enquanto fazemos todo o possível para proteger os mais vulneráveis de serem mortos por ele. Ou então, paramos por meses para tentar salvar todo mundo desse vírus – independentemente do seu perfil de risco – e matamos muitas pessoas por outros meios, matamos nossa economia e talvez matemos nosso futuro”.

“Matamos muitas pessoas por outros meios, matamos nossa economia e talvez matemos nosso futuro.” Um final canalha, de um texto canalha…

Puxa, quase que me esqueço que o título do artigo, em inglês, é “A Plan to Get America Back to Work, de autoria jornalista é o Sr. Thomas L. Friedman e o jornal é The New York Tmes de 22 de março de 2020.

Copiado de:  https://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Midia-e-Redes-Sociais/Um-exemplo-de-canalhice-jornalistica/12/46947

Carta de Berlim: Bolsonaro liquida a imagem do Brasil no exterior

AddThis Sharing Buttons

Share to WhatsApp

Share to Imprimir

27/03/2020 11:56

 

Lembro-me dos “bons tempos” da Ditadura de 64, em que esquerdistas e liberais, no exílio ou clandestinamente desde o Brasil, eram acusados pelos ditadores de “prejudicar a imagem do Brasil no exterior”, denunciando a existência de torturas e assassinatos nos cárceres e nas ante-salas deles, sempre negados pelos arautos do regime.

Agora temos um presidente (?) da república (?), assim, ambos com minúscula, que faz a apologia de torturadores, despreza organismos internacionais, torna-se o prato predileto da avacalhação pela mídia internacional e ameaça a vida dos brasileiros simplesmente para manter a fidelidade do seu rebanho. E daí vemos um cortejo da escória empresarial brasileira afrontar recomendações abalizadas da OMS, da ONU, afrontar o exemplo de governantes responsáveis de variados matizes, para manter “a economia funcionando”, na esteira de seu Sumo Sacerdote ensandecido e de seu satânico colégio de cardeais ungidos, como os filhos e a secretária da (falta de) cultura, ungida a papisa do nonsense e do pum do palhaço.

Vemos carreatas (em Camboriú, SC) saudando a “flexibilização da quarentena”, manifestações de sociedades empresariais pedindo o fim das restrições, empresários manifestando desprezo pelos “mortos inevitáveis”, caminhoneiros ameaçando bloquear estradas, enfim, uma festa da estupidez tão contagiante quanto a pandemia que assola o mundo.

The Economist denuncia Bolsonaro como Bolsonero. Der Spiegel fala no “último negacionista” (Leugner, em alemão). O Washington Post, Le Monde, The Guardian, etc., espinafram Bolsonaro e junto, o Brasil.

Ernesto Araújo e seus aloprados já avacalharam com o prestígio secular do Itamaraty. Capitais se retiram velozmente do país. Guedes e sua equipe torram as reservas acumuladas, e ainda, se continuarem, nos porão de novo de joelhos e pires na mão perante o FMI. As Forças Armadas brasileiras estão sendo transformadas num puxadinho desprestigiado das norte-americanas. Que não se iludam os militares. Onde iremos parar? No fundo do poço do desprestígio já estamos. Falta ainda o caos. Vivemos uma situação de balbúrdia entre as instâncias de poderes no país: a presidência miliciana, o STF hesitante, o Congresso saltitante, os governos estaduais tentando manter o bom senso, mas desamparados de uma liderança nacional.

No meio de tudo, o povo pobre ao deus-dará. E acima de todos, ao invés de Deus, um presidente que perde credibilidade por não mostrar o papel de seu exame, “que vale menos do que sua palavra”.

Nunca uma palavra valeu tão pouco.

Há uma hipótese: dentro deste desregramento de tudo, o caos é o melhor caldo de cultura para Bolsonaro e os bolsonaristas. Pode ser o pretexto para tentarem se perpetuar no poder.

Como se diz, a ver.

Copiado de:  https://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Cartas-do-Mundo/Carta-de-Berlim-Bolsonaro-liquida-a-imagem-do-Brasil-no-exterior/45/46948

Amlinorte se posiciona sobre funcionamento de atividades comerciais

27 de mar. de 2020 23:09 (há 1 hora)

 

Prefeito de Imbé preside associação que representa os 23 municípios do Litoral Norte

 

A Associação dos Municípios do Litoral Norte, a Amlinorte, publicou há pouco um comunicado oficial, assinado pelo presidente da entidade, Pierre Emerim, prefeito de Imbé, onde reforça a recomendação aos 23 municípios da região para que continuem atendendo às determinações do Estado quando ao fechamento das atividades comerciais mencionadas nos decretos publicados a partir da situação de calamidade pública gerada pela pandemia do Covid-19, o novo coronavírus.

A deliberação ocorreu após videoconferência com o governador Eduardo Leite, o presidente da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul, a Famurs, Eduardo Freire, e os prefeitos que presidem as 27 associações regionais do Rio Grande do Sul. Com a posição do Estado em mãos, o presidente da Amlinorte alinhavou com os prefeitos da região as estratégias a serem adotadas pelos municípios nas questões decorrentes ao tema. Conforme o documento, “pode a municipalidade, dentro da sua autonomia constitucional, receber e analisar, caso a caso, até o dia 31 de março de 2020, propostas de funcionamento do comércio em geral, acompanhadas de plano individual de prevenção, assim como já ocorreu com as atividades declaradas como essenciais”. A posição atende recomendação do Ministério Público, que emitiu nota técnica nesta quinta (26) orientando que os municípios analisem suas particularidades e fiquem livres para flexibilizar o funcionamento das atividades no âmbito municipal conforme entenderem adequado, desde que cumpridas as exigências básicas de prevenção à transmissão do vírus.

 

O posicionamento da Amlinorte ainda destaca que as propostas que não atendam as determinações dos decretos estaduais e municipais, bem como as regras sanitárias, deverão ser indeferidas e substituídas por outra mais adequada. “Caso a referida proposta esteja em consonância com as indicações sanitárias de cada município, pode a atividade retornar no dia 01 de abril de 2020”, diz o texto.

 

Outra tema abordado foi a manutenção da suspensão das aulas na rede de ensino, mantida por recomendação da Nota Técnica emitida pela Famurs e pela União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação, a Undime. A decisão terá vigência no mínimo até o fim do prazo do decreto estadual, que pode ser prorrogado por decisão do Governo do Estado. “Este ponto pode ser revisto a partir da orientação do Estado, mas por ora segue inalterado”, confirma Pierre.

 

Confira a nota completa:

 

“Considerando as últimas manifestações do Presidente da República no sentido de que devem os comércios e o trabalho voltar à normalidade;

 

Considerando manifestação do Governador do Rio Grande do Sul, através do DECRETO ESTADUAL n° 55.149, de 26 de Março de 2020, onde esclarece que as atividades da Construção Civil e comércios correlatos podem seguir desde que adequado as regras sanitárias e de higienização do Decreto Estadual n°55.128/2020;

 

Considerando ainda recomendação do Ministério Público publicada na Nota Técnica Conjunta 01/2020, datada de 26 de Março de 2020, no sentido de que devem os municípios analisar as suas particularidades e flexibilizar as atividades no âmbito municipal que entender adequada;

 

RESOLVE a AMLINORTE emitir RECOMENDAÇÃO aos municípios a, por ora, manter os ESTABELECIMENTOS FECHADOS. Todavia, pode a municipalidade, dentro da sua autonomia constitucional, receber e analisar, caso a caso, até o dia 31 de Março de 2020, propostas de funcionamento do comércio em geral, acompanhadas de plano individual de prevenção, assim como já ocorreu com as atividades declaradas como essenciais por conta da autorização expressa no referido DECRETO, e decidir se tais planos de prevenção atendem as regras sanitárias. Caso não atenda, deve a proposta ser INDEFERIDA ou substituída por outra mais adequada. Caso a referida proposta esteja em consonância com as indicações SANITÁRIAS de cada município, pode a atividade retornar no dia 01 de Abril de 2020.

 

Ainda, recomenda-se MANTER a suspensão das aulas conforme Nota Técnica da FAMURS/UNDIME, no mínimo até o fim do prazo do DECRETO ESTADUAL (03 de abril de 2020, prorrogáveis, conforme art. 5°). Ressalta -se, que a qualquer momento, face a nova informação do governo, pode-se rever a presente RECOMENDAÇÃO.

 

A AMLINORTE reitera o compromisso com a Saúde Pública COLETIVA, todavia, deve nesse momento acompanhar as orientações Estaduais e do próprio Ministério Público. 

 

Atenciosamente

Pierre Emerim da Rosa

Presidente da Amlinorte

Prefeito de Imbé/RS”

Embaixador inglês manda seus concidadãos abandonarem o Brasil imediatamente

Vijay Rangarajan, Jair Bolsonaro e Boris Johnson

247 – O embaixador inglês, Vijay Rangarajan, pediu em seu Twitter que os britânicos que estiverem no Brasil retornem imediatamente, devido à crise do coronavírus. Ele não fez referência direta à maneira como o governo Bolsonaro está conduzindo o combate à epidemia, mas o tom de emergência dos tweets deixa patente a preocupação.

Os dois tweets foram grafados em inglês. Uma tradução livre indica:

Se você é cidadão britânico e está visitando o Brasil, recomendamos expressamente que você retorne ao Reino Unido imediatamente. As rotas comerciais ainda estão disponíveis, mas mudando rapidamente. Veja a seguir a situação atual.

Rotas diretas atualmente disponíveis:
– Latam: é esperado que o voo entre SP e Londres funcione até o dia 3 de abril, embora essa data esteja sendo revisada diariamente.
–  British Airways:  as rotas que saem de Galeão ou Guarulhos para Heathrow ainda têm assentos disponíveis

Vinculada à igreja de R.R. Soares, emissora de TV demite em massa

COMUNICAÇÃO

r. r. soares - rit tv - igreja internacional da graça de deus

R. R. Soares no ar pela RIT TV. Emissora que encara passaralho. (Imagem: reprodução)

RIT TV dispensa cerca de 80 profissionais em todo o Brasil. Cortes atingem comunicadores, de produtores a diretores

Braço da Igreja Internacional da Graça de Deus, de R. R. Soares, é responsável por gerir o canal de televisão

Demissões em massa. Assim pode ser classificada a decisão tomada pelo comando da Rede Internacional de Televisão (RIT TV). Mantida por fundação ligada à Igreja Internacional da Graça de Deus, a emissora iniciou o processo de cortes na manhã desta terça-feira, 24. Dispensas que atingem diversas praças e, segundo apurado pela reportagem do Portal Comunique-se, devem reduzir em 80 os postos de trabalho no veículo de comunicação liderado pelo religioso R. R. Soares.

Leia mais:

As dispensas atingem produções jornalísticas então mantidas pela RIT TV em todo o país. Informações dão contas que a sede do canal, no Centro de São Paulo, será a mais atingida. Na matriz, jornalistas estão sendo demitidos. Ação que vai de repórteres e produtores a diretores, passando por cinegrafistas e editores. Com isso, atrações como o jornalístico ‘RIT Notícias’ já veem suas equipes serem reduzidas. Outros produtos serão descontinuados da grade de programação — que certamente seguirá os exibindo os telecultos de R.R. Soares e demais líderes da igreja.

São Paulo, porém, não é a única praça a ser atingida pelas demissões na RIT TV. A emissora também está promovendo cortes em Londrina (PR), Porto Alegre e Ribeirão Preto (SP). “Fila na clínica para fazer exame demissional”, lamenta um dos demitidos em contato com a reportagem do Portal Comunique-se. Ele pede para não ter o nome divulgado, para evitar sofrer represálias por parte de R. R. Soares ou qualquer outro membro do comando da emissora ou mesmo da Igreja Internacional da Graça de Deus. “Tem funcionários com 10, 15, 20 anos de casa sendo demitidos”, prossegue o profissional. Além da RIT TV, as demissões impactam outras divisões da Fundação Internacional de Comunicação (FIC). São os casos do canal RIT Notícias, da Nossa Rádio e a Graça Music.

Igrejas fechadas

As mais de 80 demissões na RIT TV ocorrem em meio ao fechamento da Igreja Internacional da Graça de Deus. Ação que ocorre em meio à pandemia do novo coronavírus. Com as igrejas fechadas, R. R. Soares pediu, por meio da televisão, que os fiéis fizessem doações pela internet. O líder religioso passou a conta mantida pela denominação em três bancos: Brasil, Bradesco e Itaú. “Se você não sabe fazer a transferência [online], um filho, uma filha, uma pessoa pode fazer para você pelo computador”, indicou. Mensagem que foi veiculada na véspera das demissões em massa.

Copiado de:  https://portal.comunique-se.com.br/vinculada-a-igreja-de-r-r-soares-emissora-de-tv-demite-em-massa/?info-manchete

Page 2 of 3271

Desenvolvido em WordPress & Tema por Anders Norén