Crônica de verão: Praia dos alto-falantes…

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Cláudia de Lira
Da equipe do blog

Desperto logo cedo e abro as janelas do quarto. Há um céu azul esplendoroso, e o sol forte me convida ao passeio. É cedo o bastante para preparar o necessário. Sorvo o café matinal; visto a roupa adequada; preparo o mate e coloco na bolsa os apetrechos necessários: protetor solar e labial, jornal, uma revista e dois livros. Pego cadeira e guarda-sol. Tudo aprumado dentro do porta-malas do carro, tomo o rumo da praia.

A lagoa me recebe, linda. Antes de ‘montar acampamento’, faço a caminhada habitual pelo calçadão, boa música nos ouvidos. Tropeços me fazem perder o passo. Observo a calçada. Ela bem precisa de reparos. As raízes das árvores são culpadas por alguns estragos. Prossigo.

Os cães – e são vários os abandonados, ditos ‘de rua’ – dormem ‘atirados’ pelas areias, alguns caminham entre os passantes. Um deles corre na minha direção. Não sei bem o que pretende. Diminuo o passo. Ele se aproxima, e parece arrepender-se disso diante da minha indiferença.

Concluída a caminhada, escolho o lugar para fincar o guarda-sol. Dá quizila perceber que na areia há excrementos de cães.

Não podia ser diferente. Eles estão às dezenas pela praia. Alguns são levados por seus próprios donos para defecarem ali.

Eu observo essa cena, e não vejo qualquer embaraço por parte do jovem que conduz o animal. Há lixo também, não muito, mas há. Mesmo com as lixeiras, insistem em deixar detritos pela areia. Encontro garrafas quebradas. Há cacos de vidro ao entorno.

Com paciência – eu prometera não desistir da minha programação – limpo o ‘terreno’ a minha volta. Abro o guarda-sol, aprumo a cadeira e dou início ao segundo ato do meu lazer. Leitura. Silêncio. Sossego. Sombra e brisa fresca.

Nem bem folhara três páginas do livro, escuto o som estridente. Dou-me conta de que o sossego vai terminar. ALTO-FALANTES. Eles estão em postes pela praia. Ouço música de qualidade muito duvidosa. E publicidade. A voz do locutor propagandeando os serviços disponíveis na praia.

Alimento a esperança de que não levará muito tempo para findar aquele martírio. Torço por ouvir algo como: e agora desfrutem do sossego e da beleza que a praia lhes proporciona. Nada, pura ilusão a minha.

Desisto do livro, pois a música ululante me impede a concentração. Resolvo encarar a revista e o jornal. Duas horas se passam – eu realmente estava disposta a cumprir com minha agenda de lazer – mas o som continua.

Decido levantar acampamento. Vou para casa com desolação. No final do veraneio oficial, eu retorno. Pelo menos aqueles alto-falantes estarão desativados e, então, repetirei a programação.

Fonte: http://www.amigosdepelotas.com

Diz o blogueiro – qualquer semelhança com Xangri-Lá não é mera coincidência, pois aqui durante boa parte do dia ouvimos caminhões e camionetas vendendo tudo o que se possa imaginar, com equipamentos de som e vozes miseráveis, mas extremante barulhento. E a Prefeitura o que faz? Nada, pois o que não temos aqui é fiscalização. Aqui cada um faz o que bem entende e cada um que se vire como puder.


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