segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

Fonte: https://philographikon.com/printsbrazil.html

– PELOTAS

Data de Criação: 07/12/1830, Dec. S/Nº.

Quem nasce ou mora no munícipio de Pelotas chama-se: PELOTENSE.

Em fins do século XVIII, o gado selvagem existente na capitania de São Pedro do Rio Grande transformara-se já em ótima fonte de renda. A exportação para São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais era bastante ativa. Surgem, então, numerosas estâncias e charqueadas.

Coube ao cearense José Pinto Martins, em 1780, fundar o primeiro desses estabelecimentos, e o litoral do canal de São Gonçalo foi todo partilhado em nada menos do que sete estâncias.

Em 1812, tão povoada achava-se a região, que D. João VI houve por bem erguer uma nova freguesia no lugar denominada Pelotas, desmembrando-a da freguesia de São Pedro do Rio Grande.

No ano seguinte, iniciou-se a construção da Capela dedicada a São Francisco de Paula, no local onde se situa a cidade.

Não tardou para ali se transferirem os moradores das margens do arroio Pelotas e do Laranjal.

A grande expansão das charqueadas fez com que Pelotas fosse considerada a verdadeira capital econômica da província, vindo a se envolver em todas as grandes causas cívicas.

Topônimo Guarani: barquinho feito de couro estacado para transportar coisas leves e mantas, artigos secos, xarque, puxado por nadador com embira ou tira de couro entre os dentes.

Nomes anteriores: Rincão das Pelotas e São Francisco de Paula.

Município mãe: Rio Grande.

Fonte: http://giovanicherini.com/site/publicacoes/aorigemdonomedosmunicipios.pdf

PELOTA

– Tal foi o modelo que ao depois tiveram os colonos, para fazerem as pelotas de couros de boi, ainda usadas na passagem dos rios, especialmente no Rio Grande do Sul. – VARNHAGEN – História Geral do Brasil (…) – p. 37.

– Cuando los fugitivos de La pradera encuentran un río, y Cooper describe la misteriosa operación del Pawnie con el cuero de búfalo que recoge: «va a hacer la pelota», me dije a mí mismo; lástima es que no haya una mujer que la conduzca, que entre nosotros son las mujeres las que cruzan los ríos con la pelota tomada con los dientes por un lazo. (…) – SARMIENTO – Facundo …

– Embarcação de pequena dimensão, feita artesanalmente no Rio Grande do Sul, cujo casco é de couro bovino. Dela derivou o nome do conhecido município gaúcho. Maiores detalhes, ver ROMAGUERA CORRÊA e outros – Vocabulário Sul-riograndense – Edit. Globo/RJ, SP e P. Alegre/1964, pág. 355.

– BASÍLIO DA GAMA – O Uraguai – Editora Record/ RJ e SP/1999, pág. 31, dá as seguintes notícias: Balsas e pelotas. “Espécie de barcos em que os nossos passam naquele país os maiores e mais profundos rios. Fazem-se de couros de boi. Levam no fundo as cargas, e em cima os homens com cavalos nadando à mão. Os índios, que são robustíssimos e grandes nadadores, tiram toda esta máquina por uma corda, cuja ponta retomam nos dentes. Quem vai dentro leva na mão a outra ponta, pargando-a mais ou menos, conforme julga ser necessário.

(…) Na pelota, couro de boi ou de anta dobrado em quatro lados mais altos 1 a 2 palmos, o tropeiro amarrava um laço a uma das pontas, segurava-o pelos dentes e nadava para a margem oposta. Cousa arriscada e perigosa. Os tropeiros cuiabanos faziam isso muitas vezes pessoalmente. Consumia-se o dia todo, transportando as cargas. E por fim, se o escravo cozinheiro não sabia nadar, o patrão não punha dúvida em deixá-lo muito a seu salvo na margem oposta, confundindo os papéis de senhor e escravo. Nada como o sertão para igualar as criaturas. (…) – ALUÍSIO DE ALMEIDA – Vida e morte do Tropeiro – Livraria Martins Editora/SP/1971, p. 78. No livro aqui citado, às fls. 92, vê-se o desenho de uma pelota, que mais parece uma tina (forma cilíndrica), com paredes baixas”.

– (…) Passei primeiro em pelota, nu em pelo, já se sabe, e equilibrando-me, como melhor, podia, na fragilíssima embarcação de couro (…) – VISCONDE DE TAUNAY – Memórias – Edição preparada por Sérgio Medeiros/Editora Iluminuras Ltda/SP-SP/2005, p. 238.

Na mesma obra, às págs. 335, lê-se: (…) Um desgraçado capitão se metera numa pelota e, abandonado pelos soldados que iam guiando e tocando, se afundara para sempre, dando gritos horríveis.(…) Transpusemos em pelota o rio, um de cada vez, pagando dez mil réis aos dois soldados que nos passaram, o da frente levando entre os dentes a corda da improvisada barquinha, o de trás impelindo-a com jeito, e na boa direção, comprida diagonal no sentido da corrente, paga mui razoável em vista dos perigos a superar. Que impressão quando me senti no meio da mareta suja, rubra e espumante, sentado naquele simples couro, de bordas e pontas arregaçadas e presas por embiras, a equilibrar-me como o dia e encorajando os meus dois homens, que nadavam violentamente. (…)

– CARLOS TESCHAUER – História do RS (…) – Edit. Unisinos/S. Leopoldo-RS/2002, vol. 2, p. 42: (…) chegaram eles a um rio largo e profundo. Passaram-no em pelotas (…). Na mesma obra (p. 253): Dividia o acampamento um arroio. Numa de suas margens designara-se o local para os negociadores se encontrarem. Valdelírios, pontual à citação (convocação), mas pouco afeito a usos militares, passou-se à hora marcada numa pelota, atravessando o arroio.

Em nota de rodapé foi esclarecido que Pelota era uma espécie de cesto, feito de couro inteiriço de boi, e servia antigamente de barquinho dos rios em falta de qualquer outro meio de condução. Esse barquinho era levado a reboque por um nadador que segurava com os dentes a extremidade de uma corda presa à pelote, assim facilmente sujeita a soçobrar.

Copiado de:  http://izidoroazevedo.blogspot.com/2021/02/pelota-fonte-httpsphilographikon.html: