Omisso é um adjetivo mínimo para designar o desempenho do prefeito de Porto Alegre, José Fogaça (PMDB). Como já aconteceu outras vezes, Fogaça fugiu do debate sobre o horário-limite para a permanência das mesas de bares nas calçadas à noite. A Câmara de Vereadores aprovou a colocação das mesas até às 2h o que tem provocado muita polêmica já que moradores de bairros como Cidade Baixa e Moinhos de Vento, por exemplo, consideram este limite abusivo. Numa política que se não tenta servir a dois senhores, ao menos pretende não desagradar a nenhum deles, Fogaça ficou em cima do muro e não se manifestou sobre o projeto, alegando que não havia unanimidade sobre o mesmo. Ora, o silêncio só se justificaria justamente se houvesse tal unanimidade. Um prefeito é eleito para, entre outras coisas, ter opiniões sobre os temas de sua cidade e tomar decisões.
A postura de Fogaça foge à regra de uma cidade cujos prefeitos costumavam ter posições conhecidas não só pelos portoalegrenses mas em todo o país e até fora dele. Ao admitir que só se posicionará internamente sobre este tema, Fogaça finge que não está no cargo para o qual foi eleito. Ele é prefeito e, como tal, precisa dar satisfação aos moradores da cidade sobre as decisões de âmbito municipal que afetarão suas vidas.
A professora Maria Angélica Arruda Trez mora nas proximidades da Padre Chagas e não se conforma com a idéia de as mesas dos bares ficarem até mais tarde na calçada: “Eu trabalho nos finais de semana, quando é que vou dormir? Votei no Fogaça mas me arrependo porque ele não tem coragem nem para dizer se está do meu lado ou dos farristas.” Juliano Paz Neto freqüenta a Cidade Baixa e gosta da idéia de que o agito se prolongue até mais tarde. “Sou a favor. O pessoal precisa se divertir e nem todos tem dinheiro para entrar nos bares e pagar consumação. Mas o Fogaça não dizer nada é uma barbaridade. Devia dizer que está do nosso lado”. Leuza Inês Barbosa é moradora da Rua da República e já pensa em se mudar se o novo horário for posto em prática. “Não podemos contar com o prefeito. Ele fica lá, quietinho como criança que fez arte, pensando que vai enganar a gente. Ele é a favor mas não quer dizer para não desagradar pessoas como eu, que moram perto dos bares. Ele deve morar num local bem silencioso e não tá nem aí. Pois eu te digo: se for o caso, me mudo daqui. Mas, também, nunca mais voto no Fogaça”.
É, o murismo do prefeito tem a intenção de não indispô-lo com nenhum dos lados. Pode até funcionar no caso das cadeiras na calçada, mas dificilmente poderá ser aplicado na polêmica surgida com os altos aluguéis cobrados pelos espaços do Camelódromo. Lá, crescem os protestos contra as altas taxas de aluguel e de condomínio cobradas pela Verdi Construtora. Na semana passada, a empresa notificou mais de 80 lojas, ameaçando com despejo caso as dívidas não fossem pagas em oito dias. Dez lojistas já baixaram as portas por não conseguirem pagar os aluguéis que variam de R$ 380,00 até R$ 4 mil conforme o espaço. Segundo o lojista Valdir Terra, 70% dos camelôs estariam insatisfeitos com a situação atual. “A proposta que nós tínhamos quando nós fomos para o Centro Popular de Compras era de que seria um projeto de acordo com as nossas necessidades. Nós apostamos na idéia até porque nós fomos obrigados por força de lei a irmos para lá. Eu não sou contra o camelódromo, mas sim contra o projeto de camelódromo aéreo. Nós entendemos que as lojas nessa região teriam que ser no térreo. Se a prefeitura não nos ajudar com uma carência ou redução no valor do aluguel não será possível nós continuarmos no camelódromo.” Os camelôs, agora, aguardam uma audiência com o prefeito Fogaça que ainda não foi marcada. Fala prefeito!!! (Maneco)
Fonte: http://rsurgente.opsblog.org/



Comentários Recentes