Redação | São Paulo – 16/06/2017 – 13h13
Em votação polêmica, ex-presidente do Paraguai comandará o Senado até junho de 2018; vinte senadores deixaram o Congresso Nacional durante sessão

FERNANDO LUGO 2
O ex-presidente do Paraguai Fernando Lugo foi eleito presidente do Senado nesta quinta-feira (15/06). A sessão foi marcada por desentendimentos e polêmicas após 20 senadores, contrários à eleição de Lugo, terem deixado o Congresso Nacional no momento da votação, que foi encerrada pelo presidente da casa, Roberto Acevedo.

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O segundo vice-presidente do Senado, Carlos Filizolla, reabriu a sessão e 24 dos 25 parlamentares restantes votaram pelo mandato de Lugo, que tomará posse em 1º de julho e presidirá o Senado até junho de 2018. Eduardo Petta, do Partido Encuentro Nacional (PEN), afirmou que a eleição foi “totalmente ilegal”, mas não disse se o seu partido tentará reverter o resultado.
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Ex-presidente do Paraguai Fernando Lugo sofreu impeachment em 2012

Alguns parlamentares compararam o episódio com a votação que ocorreu em março de 2017, quando 25 senadores, na ausência dos demais, aprovaram uma emenda constitucional que permitiria a reeleição presidencial. A emenda foi apoiada tanto pelos partidos governistas, visando a reeleição do atual presidente do Paraguai, Horacio Cartes, quanto pelo partido de oposição Frente Guasú, buscando a candidatura de Lugo para as eleições presidenciais de 2018.
A votação da emenda gerou uma série de protestos por manifestantes de direita no centro da capital paraguaia e uma parte do Congresso Nacional foi incendiada pelos mesmos. A emenda foi arquivada e a reeleição continua a ser proibida no país.
Lugo foi presidente do Paraguai entre 2008 e 2012, numa eleição histórica que retirou o poder do Partido Colorado (PC), que durante 35 anos esteve à frente do governo paraguaio. No último ano de seu mandato, restando nove meses para novas eleições, Fernando Lugo sofreu um golpe, por meio de um impeachment, que alegava que o presidente não teria agido corretamente em relação à morte de 17 trabalhadores rurais após um conflito por controle de terras no norte do país. O processo foi considerado ilegal pela União de Nações Sul-Americanas (UNASUL).