EMANUEL MEDEIROS VIEIRA

QUEM FALA DE MIM NA MINHA AUSÊNCIA É PORQUE RESPEITA A MINHA PRESENÇA

(Bob Marley)

PADRE FÁBIO DE MELO

Realmente, somos livres para assistir ao que queremos, e gosto não se discute. Uns preferem programas de auditório, outros gostam de BBB. E por aí afora. Ler? Não muitos apreciam a leitura.  Mas a maioria gosta de aparecer

Muitos admiram a autoajuda (travestida de filosofia) “profunda” do “humilde” Padre Fábio de Melo (leia, sacerdote, por favor, a vida de São Francisco de Assis).

Tudo isso deriva da péssima educação escolar brasileira. Se falamos em Hegel, muitos pensam que é jogador da seleção alemã de futebol.

O sacerdote só quer a companhia dos poderosos, de Aécio Neves, Luciano Hulk, Fátima Bernardes e outras figuras” iluminadas”?

Ou dos auditórios quesempre  aplaudem sua “autoajuda genial”?

Padre: o senhor já conheceu algum pedreiro? Um sapateiro? Um morador de rua?

Uma sugestão: passe uma temporada, anonimamente, sem televisão ou Fátima Bernardes, nos confins da Amazônia.   – sem autoexposição, ajudando a quem precise – sem discos.

A vaidade é pecado!  Ainda quando quer passar-se por humildade. Como a hipocrisia.

E se realmente acredita no Juízo Final, deve saber que o julgamento de Deus sobre mim, sobre o senhor, sobre todos os humanos, será severo.

(Eu tenho muitas dúvidas sobre a existência do referido Juízo. Queria mesmo a solidariedade, a justiça e a esperança aqui na terra mesmo.)

Eu sei: muitos dizem que seu papel é valioso para chamar jovens para a Igreja Católica, evitando sua “transferência” para os evangélicos neopentecostais e seus tantos milagres.

Outros diziam que havia “xuxas” na Igreja Católico, pelo seu desejo de frenética exposição.

(Isso quando ela tinha mais fama.)

Por que o senhor raramente fala nos problemas sociais do nosso país?

Na minha época, a gente chamava tal postura de “alienada”.

Que o senhor reflita seu papel no mundo – entre uma entrevista e outra.

E, perdoe a redundância: nunca  se esqueça das lições de São Francisco de Assis.

O senhor não me conhece, mas deixo um abraço fraternal. (EMV)

Não escreverei mais com o temor de beirar a falta de educação.

PERCEBAM, AMIGOS LEITORES: VIVEMOS NESSE MUNDO NÃO UMA “INVASÃO DE PRIVACIDADE”, MAS  UMA “EVASÃO DA “PRIVACIDADE.”

 

DOM TOMÁS

Aprendi a ler e a respeitar o trabalho e a profunda reflexão do padre jesuíta Piere Teilhard  de Chardin (1881-1962), que inspirou a muitos –- a mim também – a entrarem na AP– Ação Popular, organização originada na esquerda católica que, depois (já estávamos fora), unida ao PCdoB, tornou-se marxista.

Chardin acabou a vida “exilado”  por seus companheiros de Ordem.

Mas as suas profundas reflexões e seu humanismo ficaram, e são um belíssimo testamento para todos nós.

Algo nele, me fez lembrar de  Dom Tomás Balduíno (1922-2014).

Passei uma tarde, em Goiás Velho (que já fora capital de Goiás), nos anos oitenta,  conversando e aprendendo com o digno e sempre combativo Dom Tomás Balduíno, odiado por latifundiários, grileiros e, às vezes, também pelo chamado agronegócio (em certas ocasiões, alguns latifundiários, abandonavam o valioso trabalho rural e caíam no chamado agro-banditismo, matando posseiros e indígenas).

O arcebispo de Goiás Velho tinha no seu “currículo”  muitas ameaças de morte (de fazendeiros e seus prepostos, de latifundiários, “coiteiros” etc.

E o Vaticano, da época, também não o amava, e desmantelou toda a Teologia da Libertação na América Latina (dando espaço à Teologia da Prosperidade,  aos supermercados da fé – dos bispos evangélicos neopentecostais).

Tomando suco de limão com biscoitinhos, que ele me oferecera, perguntei se ele tinha medo (nas madrugadas, era muitas vezes chamado para socorrer os humildes, os pobres e humilhados deste mundo, a conceder a Unção dos Enfermos aos agonizantes, ajudando a todos – dirigindo a sua Rural velha em estradas desertas).

 

Ele me olhou profundamente (sinto um arrepio que me emociona fortemente quando me lembro daquela tarde, no interior de Goiás,  nesta noite junho, na primeira capital do meu país, em um novo século).

Ele levantou-se, abriu a camisa e mostrou-me um Crucifixo – e tocou Nele.

E disse: “Ele Está comigo”.

Quando saí de lá, achei que poderia fazer mais pela nossa pobre humanidade. Segurei umas lágrimas e voltei à Brasília.

Eu estava acompanhado de um amigo que não vejo há anos, que era do Partido Comunista Brasileiro (catarinense como eu).

Prefiro não expô-lo, quando a serpente no avo, anuncia o germinar de um novo tipo de fascismo no Brasil.

Só para deixar um registro: uma dos das pessoas que mais o odiavam (e o seu trabalho) era uma fazendeira, atual senadora – essa senhora era, conhecida como “Rainha da Motosserra” –virou muito amiga da dona Dilma – quase “amiga de infância”.

A ex-presidente foi até madrinha do casamento “crepuscular” da senadora. Não qualifico de “tardio” o consórcio afetivo  da “Rainha da Motosserra” porque pareceria preconceito às pessoas maduras que se casam.

E o que eu queria dizer era um lugar-comum: como os extremos se encontram ou como os enganadores não conseguem fugir eternamente da verdade – mesmo que seja na idade madura.

Creio que, ainda em vida, Dom Tomás soube disso.

Queria  descobrir o que ele pensava dessa gente que se dizia de “esquerda” e virou lobista de empreiteiras, unindo-se a “luminares” do “pensamento socialista” como Jáder Barbalho, Romero Jucá (“estadista” que atravessa todos os governos, de todos os espectros ideológicos),

Fernando Collor, Renan Calheiros, José Sarney, Edson Lobão e outros.

E fomos nós que mudamos.

Se eles mudaram, não podem nos obrigar-nos a fazer o mesmo.

Saudades, Dom Tomás. Seu trabalho ficou.

Mas nuvens negras estão no horizonte.

Por favor, Dom Tomás,  abrace Dom Paulo Evaristo Harns (1921-2016), Dom Helder Câmara (1909-1999),  o corajoso Padre Cardoso (meu professor no Colégio Catarinense (que fazia sermões combativos e com duríssimos ataques aos privilegiados (a burguesia…, como dizíamos antes, da Ilha natal., que depois deixou a batina – não sei o seu nome todo, a data de nascimento e de morte).

E outros – – anônimos – que deveriam também ser lembrados e esqueci.

O texto acima é dedicado a todos os homens e mulheres que foram mortos pela ditadura militar!

ADENDO CREPUSCULAR: O ex-ministro da Educação (observação: Aloizio Mercadante, um homem de palavra!) teve razão ao dizer que os alunos são do século 21 e os professores do século 20.

Acrescentemos: os salários dos mestres são do século 19 e os políticos da Idade da Pedra.

E os ministros da Educação deveriam cursar o antigo MOBRAL (não sei alguém ainda lembra-se dele).