4 fevereiro 2010
Há vários modelos no jornalismo que permitem a interação do público. Telefonemas, enquetes, cartas do leitor, sugestão de tópicos, “mande sua foto”. Frequentemente eles são incorporados a telejornais, transmissões de rádio e mesmo conteúdo de jornais ou revistas. No entanto, a participação do público no jornalismo continua muito limitada, e é válido pensar sobre isso.
Por que eu digo que a participação é baixa? Porque os formatos mencionados acima raramente fazem com que o público tenha relevância na divulgação da notícia. Geralmente, a notícia está feita. Jornais perguntam na internet a opinião do público acerca de determinado assunto, programas televisivos abrem ou fecham seus segmentos com uma seção de “fala povo”, mas o que se observa ali é um adendo. Tenho a impressão de que cria-se uma ilusão de participação para inibir a busca por participação legítima.
Mas como se daria essa participação? Como seria possível realmente pautar uma matéria a partir do público, respeitando sua pluralidade de opiniões, e, acima de tudo, manter com isso a qualidade e o profissionalismo? É uma questão complicada, mas com a qual veículos alternativos ou online já experimentam há algum tempo (o próprio Jornalismo B já teve colaboradores e pediu que o público enviase artigos). Não há fórmula perfeita. Provavelmente jamais haverá.
Só estou certa de uma coisa: qualquer esforço no sentido da verdadeira
participatividade no jornalismo partirá da imprensa alternativa. Não acho que esse comentário venha como um choque para quem quer que seja, mas acho importante lembrar disso: além de reclamar – que é uma parte importante do processo de avaliar o jornalismo atual – somos nós que temos que propor aternativas. Somos nós que temos que tentar.
Artigo de Luiza Monteiro
Fonte: http://jornalismob.wordpress.com/


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