Quem tem liberdade no mundo da distribuição de informação corporativa e “confiável” tem liberdade de receber ordens e a dádiva de imprimir no jornal do chefe o que ele quiser. Mantendo sempre um mínimo de responsabilidade: a obrigação de defender esta mesma liberdade. É que não existe liberdade sem disciplina. Utopia do comportamento civilizatório, o sonho dos anarquistas, o mundo perfeito e o entendimento completo – fim do estado hobbesiano, esse não é o nosso mundo.
Sejam eles jornalistas tradicionais, colunistas alternativos ou escritores esquizofrênicos, sejam eles velhos gagás que há muito opinam da mesma forma, especialistas que falsificam ou novatos que reciclam, todos são livres para ilustrar de maneira individual a posição editorial. Eis o elemento que dá o toque profissional e a coerência lógica nas publicações. Afinal, se não houvesse uma linha, uma idéia ou uma interpretação para se vender, o que haveria de comercialmente rentável? Anunciantes não arriscam seu dinheiro em livros, por exemplo…
A nós, cidadãos comuns, nos concedem a liberdade de escolher dentre três ou quatro jornais para nos informar e/ou um canal de televisão que faz o resumo de todos esses conteúdos. Aqueles que não se resignam frente a esta ilusão de escolhas buscam alternativas, mas o tempo é curto e a informação cada vez mais rápida. O universo de escolhas está se expandindo com o advento da internet, momento em que nos deparamos com um novo dilema: seremos capazes de nos converter em astrônomos competentes desta nova galáxia de informação?
Quem ainda possui certo resquício de posição ideológica previamente demarcada se filia às redes de blogues e sites setorizados – estrelas novas; aqueles que buscam entretenimento e acessórios para seus interesses pessoais remetem-se aos sites de relacionamento – satélites ou estações espaciais; “usuários rasos” são tragados pelas páginas iniciais dos grandes portais – buracos negros. O mapeamento da galáxia ainda não está finalizado e provavelmente nunca estará, e enquanto eu penso nisso tudo ao mesmo tempo, não faço a menor idéia de onde este texto que cá escrevo vai parar. A idéia é enviá-lo para o blog do Marco Weissheimer.
Não trabalho para nenhuma corporação da Liberdade de Impressão. Humildemente, minha intenção é apenas comunicar nas nuvens que aqui embaixo ainda existem pessoas, com suas biografias, com suas posições e portadoras de endereços relativamente fixos. Embora nos dias de hoje a idéia de enviar um e-mail já pareça meio obsoleta, seguirei respondendo pessoalmente aos porta-vozes das opiniões editoriais quando sentir que estas passaram dos limites, que atentaram contra nossa dignidade e contra nossa inteligência. Nós, presidiários da informação, pelo menos somos livres em nossas celas, como este blog, do qual sou leitor assíduo e quiçá hoje coabitante integral, mas, independente da carceragem em que me encontre, continuarei enviando minhas cartas aos mediadores. Afinal, me considero um humanista, e acredito que por detrás das @rrobas ainda existam seres humanos.
(*) Sociólogo
Fonte: http://rsurgente.opsblog.org/




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