NOSTALGIAS

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Permitam-me, amigos, que hoje eu amenize um pouco e me una aos pássaros, em seus trinados matinais, ao lindo céu azul, à brisa amena, a esse nirvana climático.

É que, ultimamente, acometeu-me uma saudade imensa, mas imensa mesmo, de alguns amigos de raiz. Amigos de a gente sentar juntos, na varanda ou na sala e ficar , silentes, ouvindo a 7a. de Beethoven, por exemplo. Amigos de três dias de pescaria num lugar distante, com os papos varando a madrugada.

Assim como as épocas glaciais e os meteoros destruiram os mamutes e os pteridáctilos, o computador expulsou alguns amigos meus da advocacia e do convívio.
Sim, porque hoje é impossível advogar sem o computador.
Mas hoje é impossível conversar conversa sentada. Não há mais cartas nem telefonemas. É só mail ou MSN.
E dois queridos amigos meus estão hibernados, fora do planeta.
Um deles aposentou-se do Ministério Público Federal e vive no meio do mato, entre Jurerê e Canasvieiras. Não tem mais sapatos, nem gravatas. Só bermudas, camisetas e abrigos. Não vai a lugar nenhum. Passa churrasqueando solito com sua mulher, bebericando, lendo e ouvindo aquelas filarmônicas do Leste europeu. Não lê jornais, não liga a Tv.
Éramos e somos amicíssimos. Nos criamos juntos, nossos pais eram amigões, moramos em pensões, formamo-nos juntos em tudo e tivemos escritório em comum.
Quando nos encontramos , há um ano,ficamos sem assunto.
Eu só quero falar em terneiro, carneiro, Expointer, ativismo judicial, política, motor Euro 4, tênis.
Ele se indigna que eu não conheço aquela Sinfonia do Mahler, que tenho pressa demais, que dou bola pra carro, que tenho celular, que passo abrindo o notebook…

Nostalgias…

Fonte: http://blog.gessinger.com.br/

Diz o blogueiro – isto é uma pérola. Isto é o exercício da arte de pensar. Isto é filosofar.

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