Ralph J. Hofmann
Novembro e dezembro são tradicionalmente meses de déficit da balança comercial brasileira.
Um novembro em que durante meses o real esteve valorizado nem se fala. Neste período os ricos não compram maior número de Ferraris ou BMWs. Isto eles compram o ano inteiro. As empresas não compram mais máquinas ou não importam mais insumos. Fazem isto o ano inteiro. São compras que tem a ver com o funcionamento normal da economia.
Novembro é o mês em que chegam as compras das lojas de R$ 1,99, das comidas especiais que os clientes comerão no Natal e no Ano Novo. Sem as importações de brinquedos, bibelôs, vestidinhos e parasóis chineses como seria o Natal da “nova classe média do Lula”? Onde estaria o Papai Noel ou o Chanukah Sam do pessoal da periferia?
O Vovô já está com toda a pensão comprometida com os empréstimos vinculados.
O Brasil produz certas frutas que nesta época são importadas. Então por que as importamos? Há vários motivos. Insuficiência de locais com ambiente controlado para estocá-las. Custo de estocá-las. Aspecto mais bonito da fruta importada.
Mas então nossas frutas são feias? Não necessariamente. Mas países com tradição de exportar selecionam as frutas que vão exportar, fazem geléia ou suco com as mais feias, e jogam no mercado local, nas feiras livres, a preços atraentes aquelas que não vale a pena colocar num tendal frigorífico.
Mas as frutas do Chile são bonitas e baratas, mas não tem paladar, como é isto? Verdade. Ainda tem esta. Se uma fruta ficar mais de um ano na câmara frigorífica continua tão linda como no dia em que foi colhida e embalada. Mas após um ano começa a perder paladar. Então o pessoal oferece lotes a preços excepcionais mundo afora. O mesmo ocorre com os pêssegos enlatados da Grécia ou da Espanha. As distribuidoras compram galinha morta para vender nesta época do ano. Nada mais gostoso que um pêssego enlatado do Rio Grande do Sul. Mas é mais caro.
E assim acontece com tudo. Para termos um bom natal temos de importar nozes e avelãs. Nem sei se daria para plantar quantidades significativas no Brasil. Desconfio que sim. Mas o custo não seria competitivo. Ao menos da maneira que as coisas estão hoje.
A verdade é que boa parte do déficit de fim de ano é culpa do “custo Brasil”. Dos impostos que o governo insiste em manter para seguir dando refinarias aos bolivianos, financiando ONGs para executar planos que não saem do papel, para ter equipes enormes atendendo os palácios de governo e para preservar a idoneidade de senadores corruptos, seus filhos, noras, netos e namorados das netas.
Reduza-se o “custo Brasil”, ou seja, os impostos, e poderemos dar brinquedos brasileiros às crianças brasileiras, poderemos brindar com vinhos brasileiros em lugar de tomar vinhos importados, poderemos popularizar o pequí junto com o licor de Marula. Em muitos casos os vinhos são as marcas de segunda linha do produtor no exterior. Mas são muito mais baratos que o equivalente brasileiro.
Poderemos comer em Novembro frutas que só costumam ter safra em março, poderemos selecionar as frutas mais bonitas para comercializar na entre safra. Hoje exportamos as melhores frutas. O custo de estocá-las não seria competitivo com as frutas similares, mesmo que estas venham com um custo de frete de container frigorífico.
E tem mais. A importação implica realmente numa renúncia fiscal. Pois a carga de impostos que incide sobre uma fruta importada ou um brinquedo importado na boca do caixa da loja ou mercado é bastante menor do que a carga de impostos de uma produção brasileira. Vale a velha máxima: “MAIS PODE SER MENOS”. Quanto mais impostos menos produção nacional, menos emprego, menos consumo de produto nacional. Valeria a pena eliminar impostos para equiparar os produtores nacionais, na boca do caixa, com os produtores no exterior.
Mas é claro que tudo que escrevi acima é balela. Quem realmente entende disto é o aparelhado IPEA, o Marco Aurélio Garcia, Samuel Pinheiro, Jobim, Guido “o Rançoso” Mantega, Dilma “a Charmosa” e todos estes pernas de pau que “criaram” a maravilha que é o novo “Milagre Econômico Brasileiro”. O pior é que não esgotei o assunto, mas trazer à tona mais exemplos seria repetitivo.
Desta forma, continuaremos em 2010 com déficit de balança comercial, isto se a situação não piorar por algum motivo. E Lula continuará nos dizendo que estamos vivendo no paraíso ou ao menos a um passo do paraíso.



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