O jogo

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11/03/10

Jayme Copstein

O projeto que legaliza bingos está pronto para ser votado na Câmara Federal. Isso é bom ou mau? Não são nos bingos que se lavam os dinheiros do contrabando e do tráfico de drogas e de armas?

Não sei a resposta. Parece-me que esses crimes devem ser combatidos com a vigilância das fronteiras, mas não se precisa de bingos para esquentar o “dinheiro não-contabilizado”, como é moda chamar hoje em dia. Pode-se, por exemplo, abrir uma cadeia de lojas para vender qualquer coisa, comprar notas frias, e gerar lucro fictício.

Logo, a questão do jogo não é essa. Ruy Barbosa já dizia que, nele, o que menos se perde é o dinheiro. O pano verde é um pântano que suga a honra, a dignidade, a própria condição humana de quem o frequente. Proibi-lo, porém, é inútil. Fez-se isso no Brasil, em 1946. Afora desempregar artistas do nosso teatro de variedades que ganhavam a vida nos cassinos legalizados, a consequência foi a corrupção de autoridades policiais e a formação de gangues que hoje mandam para a lata do lixo a moralidade que se pretendeu com a medida.

A gênese de um jogador não é diferente da de qualquer otário que enche os bolsos dos espertalhões messiânicos com dez por cento de seus ganhos ou a do nobre altruísta que decide embolsar a fortuna de uma “viúva” na Nigéria. Não se movesse ele pela mesma voracidade, bastaria apelar à sua razão e mostrar-lhe que, fosse lucrativa a profissão de jogador, não haveria banqueiros – só jogadores.
A conclusão é única: se um otário quer ser depenado, que o seja legalmente e contribua, com impostos, para a educação, a saúde e a segurança.

Como impedir que o dinheiro vá parar no bolso dos mensaleiros, dos cuequeiros, e dos confeiteiros de panetones? Bem, não é a proibição do jogo que vai evitar.

Bastidores

1. Gente manobrando para desandar a aliança PMDB-PDT (Fogaça & Pompeu), e levar os trabalhistas à coligação com o PT. Alguém comentou que, se não der certo, há um míssil de alta potência, pronto para ser disparado no momento oportuno. Como fizeram com Dilma, quando quiseram torpedear sua candidatura à Presidência, mas agora com a pontaria aperfeiçoada e um alvo bem mais exposto.

2. Não é que o gaúcho não reeleja governantes. Fogaça é a prova. Donos de campinho dividem os votos entre si e depois descobrem que não combinaram nada com os eleitores. Desde 1998, quando Olívio Dutra derrotou um Antônio Brito “virtualmente reeleito”, vai tudo para o 2º turno e só dá zebra na pedra.

3. A polarização entre líderes do PMDB e do PT no Rio Grande do Sul não leva em conta as possibilidades da governadora Yeda Crusius, candidata de quem gosta de contas equilibradas e detesta o fundamentalismo dos que tentaram ejetá-la do Piratini. Ou então do deputado estadual Luiz Augusto Lara (PTB), cuja candidatura tem o aval de Sérgio Zambiazi.

4. Pressões em cima do vice José Fortunati, que completa o mandato de José Fogaça na Prefeitura de Porto Alegre. A coligação valia para o mandato de Fogaça, mas não contemplava a hipótese de Fortunati assumir. Como fica? Mantém-se o acordo ou apaga-se a pedra e refaz-se o governo com outras alianças, como se nada tivesse acontecido lá atrás? Já anda sobrando pedetista autonomeado secretário disso e daquilo.

Fonte: www.jaymecosptein.com.br

Uma Resposta to “O jogo”

  1. decio fraga disse:

    Como sempre, às vésperas de eleições PRESIDENCIAIS, este tipo de projeto é colocado em pauta no Congresso para que os “interessados” (bingueiros) sejam extorquidos pelos políticos para a “aprovação” da lei que os favorece; jorra dinheiro ilegal e não contabilizado vindo de todos os paraisos. Depois é esperar o resultado das votações. É sempre assim. Este modus operandi d classe política é mais velho que conto do bilhete, que é por demais conhecido, mas sempre faz “vítimas”, ficando os larápios e bandidos cada vez mais ricos.

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