| 25/10/09 |
Robert Brisbane
Em 1942, o mexicano José Mojica, um dos galãs mais bem pagos de Hollywood, anunciou ao mundo que deixava a carreira artística e ingressava em um mosteiro franciscano, para servir a Deus. Aceito a princípio como irmão leigo, posteriormente tornou-se presbítero e adotou o nome de Frei José de Guadalupe.
Nunca se soube ao certo os motivos que levaram Mojica à vida religiosa. Há quem fale de promessa para obter a cura da mãe doente, há quem relate a súbita inspiração durante a filmagem de uma história em que ele protagonizava um sacerdote.
Sessenta e sete anos depois, outro mexicano, Eduardo Verastegui, jovem ator de belíssima estampa que após grande sucesso na tevê de seu pai, começava brilhante carreira como galã em Hollywood, tomou caminho semelhante, mas por vias diferentes: foi convencido pelo professor de inglês que deveria corrigir seu sotaque hispânico no próximo filme.
Se Mojica nunca falou das razões de sua conversão – as versões existente são relatadas por terceiros – Verastegui é mais tagarela. Contou que, viajando de Miami e Los Angeles, encontrou no avião um diretor da Fox que o convidou para participar de um série de televisão.
“Eu disse a ele que mal falava Inglês”, Verastegui recorda, “mas ele perguntou se eu poderia decorar cinco páginas de roteiro e me prometeu um professor de linguagem para me ensaiar.”
O professor era católico praticante e ao mesmo tempo em que tentava aprimorar o sotaque do launo, esforçou-se também por reforçar-lhe os valores religiosos.
“Perguntou-me por que eu queria me tornar um ator em primeiro lugar? O que eu acho que era o verdadeiro sentido da vida? Eu estava realmente fazendo o melhor uso de meus talentos dados por Deus?. Resisti a princípio, mas me rendi quando ele me perguntou se o meu corpo era um templo do Espírito Santo.”
Quando Verastegui respondeu que sim, o professor acrescentou: “Então por que você está vivendo em um caminho que rompe os Mandamentos e ofende a Deus?”
O ator procurou um sacerdote mexicano, confessou uma lista imensa de pecados – gastou três horas no relato – e tomando de gratidão pela generosa absolvição recebida disse-lhe que estava renunciando às glórias de Hollywood para tornar-se missionário na na selva amazônica do Brasil.
Acaba aí a semelhança das histórias de José Mojica e Eduardo Verastegui. O confessor não concordou com o sonho do jovem mexicano: “Hollywood é a selva e já temos pessoas que trabalham no Brasil.” E o orientou a obras sociais.
A partir daí, Verastegui renunciou a todos os papéis conflitantes com seus valores católicos e fundou a sua Metanoia (em grego, conversão) e já produziu filmes, contando piedosas histórias contra o aborto. Um desses filmes ganhou o prêmio People’s Choice no Festival de Cinema de Toronto 2007.
Ao contrário de Verastegui, José Mojica só abandonou o mosteiro onde vivia em reclusão, em 1950, a convite de Assis Chateaubriand, para inaugurar a TV Tupi. O dinheiro arrecadado – cerca de 300 mil dólares na época – foi todo destinado a obras da Igreja. Verastegui nunca foi para o convento e segue fazendo shows para a juventude, à qual conta a história da sua conversão.
Fonte: www.jaymecopstein.com



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