Meu amigo Flavio Tavares está com a mão pesada. Num só artigo (acima) degolou como 85 mil guascas, impiedosamente. Quer suplantar o velho maragato Adão Latorre, o maior degolador do Rio Grande, que passou a lâmina branca na garganta de centenas de cueras entre 1893 e 1895, e seguiu cortando na revolução de 1923, que durou onze meses.
Segundo o acatado historiador Joseph Love, “a guerra [civil de 1893] durou 31 meses e produziu de dez a doze mil baixas numa população de um milhão de pessoas”. O que, convenhamos, é um número expressivo de mortos, em tão pouco tempo de conflitos. E nem todos perderam a vida pela degola, mas também em combates e refregas cruentas nas coxilhas e restingas do Pampa.
Wenceslau Escobar afirma na obra “Apontamentos para a história da Revolução Rio-grandense de 1893″ (Ed. UnB, 1983) que ocorreram 134 assassinatos no período do governo de Vitorino Monteiro e Fernando Abbott, a maioria destas mortes foram por execução de degola. Segundo os federalistas (maragatos), adversários do castilhismo-republicano, os assassinatos políticos passaram de 250 vítimas.
“Em parte alguma a instabilidade política – assegura Love -, nos anos iniciais da República , foi maior do que no Rio Grande do Sul. Entre a queda do Império e a segunda posse de Castilhos, em janeiro de 1893, o governo estadual mudou de mãos 18 vezes”. Foram os “governichos”, como os classificou o republicano Julio de Castilhos no jornal do PRR, A Federação.
Em nenhum autor – Walter Spalding, Artur Ferreira Filho, Sergio da Costa Franco, Decio Freitas, Sandra Jatahy Pesavento, Moacyr Flores, Joseph Love, John Chasteen, Mário Maestri, Alfredo Bosi e Luiz Roberto Targa entre outros – nós vamos encontrar tantas vítimas da revolução burguesa de 1893 quanto o nosso Flavio Aristides Tavares.
Isso está parecendo aquela história da avioneta que caiu sobre um cemitério do interior. Ao cabo do segundo dia de buscas, o pessoal chucro da região já tinha contado como quatrocentos mortos.
Fac-símile parcial da página 13 do jornal Zero Hora, edição dominical de 20/set/2009.
Redator: Cristóvão Feil
Fonte: http://diariogauche.blogspot.com/



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