ABERTURA DA PÁGINA 10 DE ZH
Quem não gostaria de ganhar uma viagem para os destinos turísticos mais procurados do mundo? Provavelmente, todos nós. Quem está disposto a pagar para que senadores e deputados viajem para esses lugares ou paguem o turismo das mulheres e dos filhos com dinheiro público? Certamente, nenhum de nós. Como o distinto público pagador nunca foi consultado, a Câmara e o Senado pagaram sabe-se lá quantas viagens turísticas pelo mundo com as cotas a que cada parlamentar tem direito e que variam de acordo com a distância entre Brasília e o domicílio eleitoral.
Até o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), foi obrigado a reconhecer que destinou “parte dessa cota a familiares e terceiros não envolvidos diretamente com a atividade do parlamento”.
Antes que seu nome viesse à tona na crista da onda que a cada dia expõe novos casos de uso de passagens por terceiros, Temer admitiu que ele também usou. E prometeu para amanhã o anúncio de um pacote que vai mudar as regras para a concessão de passagens e disciplinar outros benefícios recebidos pelos deputados.
A regra de hoje permite que o parlamentar use a cota como bem entender — inclusive para fazer turismo. Traduzindo, é tão legal a deputada Luciana Genro (PSOL) usar sua cota para garantir a presença do delegado Protógenes Queiroz em um ato contra a corrupção quanto o deputado Ruy Pauletti (PSDB) viajar para Paris, Miami e Milão. Aliás, Pauletti admite que foi a Paris, estendeu a viagem até Londres, mas não lembra de ter autorizado a emissão de bilhetes para Miami e Milão, que saíram de sua cota.
Membro da Comissão de Ética da Câmara, o tucano Pauletti não está sozinho. O deputado Fernando Gabeira, um dos líderes de um movimento pela ética no Congresso, usou passagens da Câmara para mandar pessoas da família para os Estados Unidos, país que ele não conhece porque o passado de sequestrador impede a obtenção de um visto.
Fonte: blogdaRosanedOliveira


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