Entre os cerca de seis milhões de telespectadores que assistiram no último domingo, 25 de março, à estréia da série “Planet Earth” nos Estados Unidos, pelo Discovery Channel, estavam minha irmã, Ana Luiza, e meu cunhado, Michael, em Washington D.C.. “Imperdível!”, recomendaram, ainda sob o impacto das imagens exibidas no mais ambicioso documentário já produzido pelo Discovery, em parceria com a BBC. A versão da série, em um conjunto de cinco DVDs, será lançada a partir de 24 de abril.
“Planet Earth” é resultado de cinco anos de trabalho, em mais de 200 locações, de 62 países, envolvendo 70 fotógrafos e os mais sofisticados equipamentos de alta tecnologia digital. Dividida em 11 programas temáticos com uma hora de duração cada, a série apresenta a Terra como ela jamais foi vista. “É como se você viajasse em seu foguete particular pelas mais microscópicas e pelas maiores maravilhas do mundo”, declarou a atriz Sigourney Weaver, que faz a narração dos programas, em entrevista ao Washington Post. “A série permite que você celebre o mundo com todas as suas criaturas e deseje fazer parte dele sem destruí-lo”.
Em cada episódio de “Planet Earth” foram investidos mais de um milhão de dólares. O produtor executivo, Alastair Fothergill, foi também o responsável pelo projeto e a execução de “The Blue Planet”, um documentário sobre os oceanos, veiculado pela BBC em 2002, com grande repercussão e altos índices de audiência. “O desafio é mostrar novos lugares e animais, filmar coisas extraordinárias. Eu queria que o público soubesse como é estar em qualquer um desses lugares e isso tem a ver com a forma com que você fotografa o habitat, edita, com a música e a química”, disse Fothergill à imprensa americana.
Para capturar os surpreendentes flagrantes da fauna e da flora terrestre, e obter close-ups de animais distantes sem interferir em suas rotinas, a equipe de produção valeu-se de câmeras digitais de alta velocidade, acopladas a um helicóptero, com sistema de estabilização que possibilita o registro de detalhes, mesmo voando a uma altura quatro vezes maior que a usual.
As aventuras e privações por que passaram os técnicos e cinegrafistas, em 2.000 dias de gravação, em desertos, florestas, mares, montanhas, cavernas e terras geladas, renderiam muitos livros e, certamente, um espetacular making-of. Diante disso, fica a pergunta: por que os produtores brasileiros de televisão e cinema investem tão pouco em documentários se o público contemporâneo e o mercado internacional são ávidos consumidores do produto, quando realizado de forma inteligente?
Para saber mais, leia o artigo “The Heights and Depths of Extreme Filmaking”, em http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2007/03/23/AR2007032301857.html
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