Porto Alegre volta a registrar cesta básica mais cara do País

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Segundo Dieese, o valor representou 51,34% do salário mínimo de agosto
A cesta básica de Porto Alegre voltou a ser a mais cara do Brasil, segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que divulgou dados de 14 capitais do País, nesta quarta-feira. No mês de agosto, o conjunto de produtos custou ao consumidor R$ 240,91 na Capital, o que representou um aumento de 1,36%. Em relação ao mesmo período de 2009, o valor apresentou crescimento de 0,51% e, nos últimos 12 meses, de 0,94%.

“Foi a única capital brasileira a apresentar elevação de preço”, observou a economista do Dieese Daniela Sandi. Ela explicou que entre outubro de 2008 e maio de 2010, a Capital gaúcha liderou o ranking das capitais com a cesta básica mais cara do País. “Somente nos meses de junho e julho ficou abaixo de São Paulo.”

Na análise mensal, em relação a julho, oito produtos estão mais caros, com destaque para o tomate (12,97%), a banana (2,27%) e a carne (2,08%). Manteiga, pão, feijão, leite e óleo também apresentaram elevação de preço. Por outro lado, três itens estão mais baratos: batata (-15,82%), farinha (-2,66%) e arroz (-2,14%). O café não sofreu alteração de preço em agosto. “O valor da cesta básica representou 51,34% do salário mínimo líquido, contra 50,65% em julho e 55,79% em agosto de 2009”, destacou Daniela.

Na avaliação da economista, o trabalhador com rendimento equivalente a um salário mínimo necessitou, no mês passado, cumprir jornada de quase 104 horas para adquirir os alimentos básicos. O tempo trabalhado é superior ao que foi necessário em julho (102h31min) e inferior a registrada em igual período do ano anterior (112h55min). “Em agosto, o salário mínimo deveria ser de R$ 2.023,89, correspondendo a 3,97 vezes o valor vigente”, disse. Nos últimos 12 meses, seis produtos tiveram alta de preço: açúcar (20,14%), carne (9,35%), feijão (9,24%), banana (8%), manteira (3,59%) e pão (0,84%).

Quatro capitais acumularam, entre janeiro e agosto, variação negativa para o custo da cesta básica: Brasília (-3,71%), Rio de Janeiro (-0,69%), Vitória (-0,52%) e Belo Horizonte (-0,07%). Goiânia (12,08%), Recife (9,87%) e João Pessoa (7,43%) registraram os maiores aumentos. A economista lembrou que o predomínio de itens com variação negativa na maior parte das capitais determinou, em agosto, a redução do custo da cesta básica em quase todas as capitais brasileiras. O tomate, a exemplo do que ocorreu nos meses anteriores, teve retração de preço em 14 capitais.

As maiores reduções foram verificadas em Natal (-45.74%), Fortaleza (-38,78%), Salvador (-37,1%) e Recife (-31,6%). Aumentos foram observados e, Florianópolis (5,08%), Goiânia (5,97%) e, principalmente, em Porto Alegre (12,97%), onde a alta foi a responsável pelo aumento de preço da cesta básica. “No caso específico do tomate, a elevação de preço está vinculada às constantes oscilações climáticas”, enfatizou. Carne, óleo de soja, pão e farinha de trigo são os produtos cujo preço teve predomínio de elevação em agosto. A carne, item de maior peso na cesta básica, subiu em 14 capitais. “O fim da entressafra coincidiu com a seca em extensa área do País, impedindo a melhora das pastagens para a engorda do gado”.

Custo e variação da cesta básica em 17 capitais:

Porto Alegre (1,36%) – R$ 240,91
São Paulo (-1,56%) – R$ 235,65
Manaus (-2,89%) – R$ 226,26
Florianópolis (-0,08%) – R$ 221,24
Vitória (-1,94%) – R$ 217,96
Curitiba (-0,71%) – R$ 214,57
Brasília (-3,25%) – R$ 213,98
Goiânia (-0,49%) – R$ 213,97
Belo Horizonte (-1,91%) – R$ 213,81
Rio de Janeiro (-0,57%) – R$ 211,88
Belém (-3,41) – R$ 207,97
Natal (-6,39%) – R$ 195,58
Salvador (-4,99%) – R$ 192,69
Recife (-6,28%) – R$ 188,22
João Pessoa (-4,11%) – R$ 183,31
Fortaleza (-1,23%) – R$ 179,50
Aracaju (-3,36%) – R$ 174,96

Marina Fauth e Luciamem Winck

Fonte: Rádio Guaíba e www.correiodopovo.com.br

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