Na Idade Média, corria o boato de que uma das 10 tribos de judeus perdidas (eram 12 na saída do Egito) poderia ser encontrada na África, mais precisamente na Etiópia. A lenda foi esquecida até o final do século 18, quando um viajante europeu encontrou os falashas (estrangeiros, em etíope, termo considerado pejorativo pelos judeus) vivendo em aldeias no interior da Etiópia.
Eles falavam algumas palavras em hebraico e cumpriam o Pentateuco, os cinco primeiros livros da Bíblia que os judeus chamam de Torá. Isolados do mundo, nada sabiam do destino dos reinos de Israel e Judá nos séculos passados, nem das transformações ocorridas no judaísmo. Depois desse encontro, foram novamente esquecidos.
Eram bem tratados pelos monarcas etíopes, como o último imperador, Haile Selassie, que governou até 1974. Ele se apresentava como o rei da Etiópia e o Leão de Judá. O leão também era símbolo dos antigos reis judeus.
Tudo teria começado quando o rei Salomão recebeu a visita da rainha de Sabá que lhe trouxe incontáveis presentes. Segundo a lenda, os dois tiveram uma ligação amorosa. Dessa união, teria surgido a Casa Real da Etiópia (Beita Israel, como se intitulam os judeus etíopes). Os judeus negros da Etiópia se consideram descendentes daquela noite em Jerusalém. Preservaram sua religião num ambiente desfavorável por séculos.
Até 1984, viveram num país relativamente amigo. Recebiam em suas vilas ajuda médica e financeira de instituições filantrópicas judias. Naquele ano, houve uma grande fome na Etiópia, um fenômeno comum em regiões onde a chuva decide a vida e a morte. O governo comunista do coronel Mengitsu Haile Mariam ficou enfraquecido com a fome e sofreu derrotas nas mãos de grupos separatistas da região da Eritréia (com saída para o Mar Vermelho) e teve início uma guerra civil que só culminou, em 1991, com a queda de Mengitsu e a tomada da capital Adis-Abeba pelos rebeldes. Nesse período, minorias, como os falashas, foram perseguidas.
Um milhão de etíopes fugiram a pé, cruzando desertos na direção do Sudão. Milhares, o número jamais foi determinado exatamente por absoluta falta de estatísticas, morreram no caminho de fome, sede e doenças. Entre os que saíram, havia 10 mil judeus, dos quais exatos 6.354 chegaram vivos ao fim da jornada. Israel decidiu abrigá-los. Mas o Sudão muçulmano era, e continua sendo, inimigo dos israelenses. Há mais de 20 anos, uma guerra civil entre o Norte muçulmano e o Sul cristão, assola o país.
Com ajuda dos EUA, Israel e Sudão fizeram um acordo para retirada dos judeus. Eles partiriam para Israel via Bélgica. Os refugiados deixaram o país em barcos e aviões, no maior segredo. “Eles iriam aumentar a população do Estado judeu, e isso não era aceito pelo mundo árabe”, diz o diplomata Michel Feldman, um dos artífices do resgate dos falashas.
Quando a Etiópia estabeleceu relações diplomáticas com Israel, Feldman tornou-se representante diplomático israelense no país, com a missão de reunir os judeus e prepará-los para a emigração. Com a guerra civil, a minoria corria perigo. Feldman organizou a Operação Salomão. “Durante 22 horas, em 44 aviões que pousaram no aeroporto da cidade, foram retirados 14.310 falashas exatamente”, lembra Feldman. (N.S.)
Fonte: http://www2.uol.com.br/JC/_1998/1005/in1005d.htm



junho 8th, 2010 at 2:42
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