Telejornalismo e Vídeos Caseiros

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29 janeiro 2010

Recentemente passei a trabalhar e receber treinamento em televisão. Outro dia desses, eu, colegas e chefes discutíamos o impacto dos vídeos caseiros (difundidos por canais como YouTube ou Vimeo) na formatação dos programas de notícias veiculados pela televisão. Hoje parei alguns minutos pra assistir um noticiário e tiro e queda: nos menos de dez minutos nos quais me sentei na frente da TV, apareceu um vídeo caseiro, feito com celular, do presidente Lula sendo internado ontem devido a uma crise de hipertensão. Acho que a questão é interessante e passível de ser discutida: quais as inovações da utilização de vídeos caseiros em produções televisivas?

Os grandes benefícios do vídeo caseiro são dois. O primeiro é a facilidade do indivíduo portando um celular de circular inocuamente por lugares de difícil acesso por parte de redes de televisão. Não falo apenas de altos e secretos gabinetes governamentais, falo também de hospitais, creches, residências. Falo inclusive de um fator psicológico: a presença de uma equipe formal de câmera intimida e às vezes dificulta a obtenção de imagens. O segundo benefício é o registro do imprevisível: nenhuma equipe de TV pode saber exatamente quando vai acontecer um tiroteio, desmoronamento ou assalto, mas é grande a chance de alguém que presencie estes eventos portar um celular ou câmera digital e registrar a cena. Resta saber quais os resultados que isso pode ter.

Em primeiro lugar, é claro que a inserção direta da experiência do público (foi uma “pessoa qualquer” que testemunhou a cena, realizou a captura do material e o disponibilizou na internet) aumenta a interação e a influência do povo em geral na programação da TV. Mas, se formos pensar em termos de grande mídia, não acho que esse aumento seja tão significativo como parece num primeiro momento. Ainda há uma equipe engravatada que decide cuidadosamente o que entra e o que não entra, e a fonte do material, por si só, não tem tanto poder assim de mudar isso. Não é preciso ter a imagem caseira de, digamos, o momento exato em que ocorre um desmoronamento para que se possa fazer uma notícia sobre o assunto. Abrem-se possibilidades para formatos novos, é claro, mas pros formatos tradicionais de grande mídia, não muda tanta coisa assim.

Acho que o grande perigo de emissoras de TV se aproveitarem de imagens alheias é a chance de acontecer uma “sedentarização” da TV, como já ocorre com o impresso. A televisão ainda tem como vantagem ser um dos principais meios que ainda exigem que um repórter saia do estúdio e vá pra rua, e em alguns casos é de se temer que as gravações caseiras contribuam pra deixar os telejornalistas “preguiçosos”. Vamos esperar que não seja o caso.

Artigo de Luiza Monteiro

Fonte:  http://jornalismob.wordpress.com/

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