24 fevereiro 2010

Saiu nessa segunda-feira (22/02), na coluna da Rosane de Oliveira, no jornal Zero Hora, um artigo da interina Vivian Eichler entitulado “Sapo Enterrado“. O assunto, muito embora isso não fique claro pelo título, são as “dores de cabeça” às quais o DEM está “vinculado”.

É bem essa a expressão que Vivian utiliza, logo no começo, ao referir-se à cassação de Kassab: “Com a casa caindo no Distrito Federal, o DEM agora vê seu nome vinculado a mais uma dor de cabeça.” E segue: “Embora não tenha relação com corrupção, a cassação do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, desgasta a legenda recém-criada”.

Pra começar, que história é essa de “embora não tenha relação com corrupção”? Independente de quaisquer opiniões, o fato é que a acusação de Kassab é de receber recursos de fontes vedadas. Como é que uma colunista pratica o desserviço de alegar que isso não é corrupção?

Além disso, reparem na escolha de palavras: vinculado, dor de cabeça, desgasta. Parece que a relação entre o DEM e Kassab é a de uma mãe trabalhadora que tem que aguentar uma criança malcriada. E aliás nem tão malcriada assim, já que Kassab e corrupção não têm nada a ver um com o outro.

É nesse tom que todo o texto segue: o heroico DEM “se propôs a renascer deixando pra trás símbolos do passado” e “passou a investir nos últimos anos na identificação como oposição ferrenha, que aponta o dedo contra suspeitas no governo federal e seus aliados.” O DEM também “fez com que Arruda se desfiliasse e está pronto para expulsar nesta quarta-feira o governador interino” e “determinou que todos os cargos de confiança deixem o governo do DF, na tentativa de se desvincular do desgaste”.

“O DEM tem de desenterrar o sapo que insiste em vinculá-lo a episódios negativos em pleno ano eleitoral”. Sem dúvida. Um pobre partido tão honesto, tão heroico, mas que por algum motivo absolutamente inexplicável se mete em um “episódio negativo” atrás do outro.

Vai entender, Vivian.

Artigo de Luiza Monteiro

Fonte:  http://jornalismob.wordpress.com/